Meu Talento Se Chama Gerador

Capítulo 196

Meu Talento Se Chama Gerador

Coloquei minha mão sobre o bloco de gelo espesso, observando o caranguejo flutuando dentro dele como uma refeição congelada. Ele me olhava de volta com aqueles olhos grandes e sem vida. Steve nadou ao meu lado, deu uma olhada rápida no caranguejo e depois me olhou.

"Vai comer ou interrogá-lo?"

Franzi o cenho. "Os dois, se possível."

Com um movimento da minha mão, alterei a água ao nosso redor, forçando-a a se mover lentamente numa espiral. Um espaço vazio se formou no centro, e uma fina cúpula de água brilhava acima de nós. A água se agarrava às bordas como uma tigela de cabeça para baixo. Steve imediatamente respirou fundo e piscou.

"Finalmente! Tava a dois segundos de me afogar."

"Você sabe nadar, Steve."

"Sim, nadar. Não ficar fazendo monólogo na cara de um caranguejo."

Ignorei-o e voltei para o cubo. O caranguejo estava no centro, ainda congelado, mas vivo. Bati duas vezes no gelo.

"Ei. Você nos entende?" perguntei.

Sem resposta. Obviamente.

Steve deu um passo à frente. "Tente acenar. Todo mundo responde a sinais com as mãos."

Enfiei os olhos. "Ele tem garras, Steve. Não mãos."

Ele ignorou e fez o sinal da paz para o caranguejo. Depois, um joinha. Depois fingiu comer algo e apontou para o caranguejo.

O caranguejo piscou lentamente. Pareceu um pouco ofendido.

"Acho que você acabou de ameaçá-lo," eu disse.

"Não, aquilo era universal para 'somos amigos'."

"Tenho quase certeza que era universal para 'estou com fome e você é o jantar.'"

Soltei um suspiro e liberei um pouco de Essência. O gelo ficou um pouco mais fino, para que o caranguejo pudesse nos ouvir melhor.

O caranguejo levantou uma garra e bateu duas vezes no gelo.

Tap. Tap.

Ambos piscamos.

"...Ele acabou de responder?" perguntou Steve.

Inclinei-me. "Bata uma vez se for sim. Duas se for não."

O caranguejo bateu uma vez.

"Caramba. Ele entende!"

Steve arfou. "Espera. Pergunta se ele está guardando alguma coisa!"

Olhei para o caranguejo. "Você está guardando alguma coisa?"

Bateu.

"É um tesouro?"

Bate-bate.

"É comida?"

Bate-bate.

"...É uma entrada?"

Ele bateu novamente.

Steve se inclinou. "Pergunta se as lonas-das-esfars são subordinadas a ele."

"As ratinhas trabalham para você?"

Bate-bate.

"Ah," disse Steve. "Então… chefe caranguejo, não rei caranguejo."

"Pergunta se gosta de ficar congelado."

"Steve, que tipo de pergunta é—?"

Olhei para o caranguejo. "Você gosta de ficar congelado?"

Ele agitou as duas garras dramaticamente e bateu uma contra o gelo.

"Ok, ok! Desculpa. Vamos terminar isso antes que ele tenha um ataque cardíaco."

Steve sorriu. "Última, pergunta se ele vai mover a pedra pra gente."

Fiquei indeciso. "Você vai deixar a gente entrar?"

O caranguejo me lançou um olhar ameaçador.

Bate-bate.

Depois, virou-se lentamente dentro do cubo.

Steve coçou o queixo. "Acha que ele acabou de dizer não… ou está querendo mostrar o traseiro pra gente?"

"Acho que ambos."

Soltei um suspiro e liberou o restante da Essência. O gelo ficou um pouco mais fino, para que o caranguejo pudesse nos ouvir melhor.

O caranguejo levantou uma garra e bateu duas vezes no gelo.

TAP. TAP.

Ambos piscamos de surpresa.

"...Ele acabou de responder?" perguntou Steve.

Inclinei-me. "Bata uma vez se for sim. Duas se for não."

O caranguejo bateu uma vez.

"Caramba. Ele entende mesmo!"

Steve exclamou surpreso. "Espera. Pergunta se ele está defendendo alguma coisa!"

Olhei para o caranguejo. "Você está defendendo algo?"

Bateu.

"É um tesouro?"

Bate-bate.

"É comida?"

Bate-bate.

"...É uma entrada?"

Ele bateu novamente.

Steve se aproximou. "Pergunta se as lonas-das-esfars trabalham pra ele."

"Os ratos trabalham pra você?"

Bate-bate.

"Ah," disse Steve. "Então… chefe caranguejo, não rei caranguejo."

"Pergunta se ele gosta de ficar congelado."

"Steve, que tipo de pergunta é—?"

Olhei para o caranguejo. "Você gosta de ficar congelado?"

O caranguejo fez um movimento dramático com as garras e quebrou uma na parede de gelo.

"Tá bom, tá bom! Desculpa. Vamos acabar logo antes que ele tenha um ataque cardíaco."

Steve sorriu. "A última, pergunta se ele vai mexer na pedra pra gente."

Fiquei indeciso. "Você vai deixar a gente entrar?"

O caranguejo me lançou um olhar quase ameaçador.

Bate-bate.

Depois, virou-se lentamente dentro do cubo.

Steve coçou o queixo. "Acha que ele acaba de dizer não… ou está dando uma de malandro e mostrando o traseiro?"

"Acho que ambos."

Soltei um suspiro e liberei o resto do gelo. O caranguejo pulou fora e imediatamente ergueu as garras numa postura de boxe.

Steve deu um passo para trás. "Mano, a gente não vai lutar com um caranguejo."

Levantei as mãos. "Calma. Só somos turistas."

O caranguejo inclinou a cabeça, abaixou as garras… e então apontou pra rocha.

Piscamos.

"Foi... foi um sim?"

Ele apontou de novo.

"Pois é," disse Steve, aplaudindo. "Com certeza, um sim."

Sorrir. "Adoro quando a negociação não termina em explosões."

O caranguejo ergueu uma garra e bateu no meu ombro.

Olhei para Steve.

"...Ele tá pedindo gorjeta?"

Steve encolheu os ombros. "Dê uma pedra brilhante."

Entreguei ao caranguejo um caco de gelo brilhante, criado num segundo. Ele aceitou como se fosse um tesouro real.

Nos cumprimentamos com um aceno de respeito. O caranguejo retribuiu o gesto.

Diplomacia dos caranguejos: concluída.

A cúpula de água ainda sustentava-se, enquanto o caranguejo apontava para a pedra com toda a dignidade de um antigo guardião. Steve fez um joinha e se aproximou de mim.

"Ainda acho que ele tá pedindo propina."

"Já demos uma pedra brilhante pra ele," murmurei.

Steve cruzou os braços. "Isso foi uma gorjeta. Gorjetas e propinas são coisas diferentes. Propina vem antes do serviço."

"Aqui não é restaurante, Steve."

"Exatamente. É uma entrada secreta. Você acha que caranguejos abrir porta de graça?"

O caranguejo, segurando ainda a pedra brilhante como se fosse um tesouro sagrado, virou-se lentamente em direção à pedra e começou a rastejar devagar até ela.

Steve cutucou meu braço. "Você só tá bravo porque eu administrei melhor a diplomacia."

Virei-me para ele. "Você ameaçou ele com sinal da paz."

"Eu imposei minha autoridade."

"Você mandou sinais de fome para o caranguejo."

Ele sorriu. "E quem tá abrindo a porta agora é você."

Revirei os olhos. "Só cala a boca e me segue."

Enquanto caminhávamos na direção da pedra, a discussão fervilhava sob a superfície como uma chaleira prestes a apitar. Steve cutucou meu lado com o cotovelo.

"Aposto que eu conseguiria convencer ele a abrir a entrada uns dez minutos atrás, se você deixasse eu falar."

"Sério?" Parei. "Deixa eu adivinhar—você ia desafiar ele pra um jogo de adivinhação subaquática?"

Ele sorriu. "Melhor do que congelar ele."

Isso tocou em um ponto sensível.

"Congelar funciona bem," retruquei. "Ele ouviu depois que eu congelei, não foi?"

Steve levantou uma sobrancelha. "Então sua estratégia é congelar tudo até alguém concordar com você?"

"Sim."

"Você precisa de terapia."

"Você precisa ficar quieto."

Agora estávamos cara a cara, braços cruzados, completamente ignorando o fato de que o caranguejo tinha parado e nos observava como uma babysitter desapontada.

Steve sorriu de canto. "Se você tem tanta confiança, congela aí. Vamos ver se eu obedeço."

Sorriei docemente. "Não. Vou congelar o caranguejo de novo."

O rosto de Steve caiu. "Espera, não—"

"Já era."

Estoque de Essência explodiu, e em um segundo, um novo bloco de gelo reluzente engoliu o pobre caranguejo.

De novo.

Steve só olhava enquanto o caranguejo piscava de dentro de sua prisão gelada, visivelmente confuso.

"Sério? Acabamos de fazer paz com ele!"

"Você desafiou minha autoridade."

"Mano, você congelou nossa chave."

O caranguejo fez um movimento lento e exasperado—que quase parecia um facepalm, se garras pudessem fazer isso.

Inclinando a cabeça, perguntei: "Acha que ele tá com raiva?"

Steve assentiu. "Bravo e provavelmente escrevendo uma carta pro sindicato."

Ficamos em silêncio por um momento, olhando para o bloco de gelo.

Depois Steve comentou. "Bem, acho que vamos invadir o lugar secreto agora."

Franzi o rosto. "A gente pode só… descongelar de novo."

"Tá bom."

Suspirei, me aproximei e comecei a pouco a pouco derreter a camada externa do gelo—só o suficiente para libertar seus membros.

O caranguejo piscou lentamente e, com a cansaço de alguém que viu demais, voltou a olhar para a rocha.

Fez um gesto dramático como se dissesse, De novo isso?

Steve deu um joinha. "Desculpe por ele. Ele fica mal-humorado quando alguém tem uma ideia melhor."

O caranguejo não respondeu. Simplesmente foi cambaleando até a rocha e, com um suspiro que de algum modo se traduziu na linguagem corporal dele, empurrou a pedra enorme de lado novamente.

A fenda escondida sob ela brilhou na pouca luz.

Steve virou-se para mim. "Na próxima, deixa que eu falo."

Acenei. "Claro. Se precisarmos negociar com um pepino-do-mar, você fica responsável."

"Combinado."

O caranguejo levantou uma garra como se estivesse se despedindo ou mandando um "vai embora" na nossa direção.

Difícil dizer ao certo.

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