Meu Talento Se Chama Gerador

Capítulo 197

Meu Talento Se Chama Gerador

O caranguejo mergulhou no buraco como se já tivesse feito aquilo mil vezes antes, de forma suave e sem esforço.

Eu entrei minhas certezas, minha expressão ficou séria. "Vamos," disse a Steve sem olhar para trás.

Sem esperar, segui o caranguejo até o escuro túnel. Steve me acompanhou bem atrás de mim.

Antes de entrar completamente, soltei minha presa sobre a bolha de ar que nos permitia conversar. A água entrou com um estrondo alto, rompendo o buraco e inundando tudo completamente. Agora, estávamos totalmente submersos novamente.

O caranguejo não nadou muito longe. Depois de uns dez metros, parou e ficou ali, flutuando, bloqueando o túnel como um segurança de um clube secreto.

Steve e eu paramos bem ali na sua frente. Inclinei a cabeça, esperando para ver o que ele faria a seguir.

Com calma, o caranguejo levantou uma pinça, depois a outra, e as balançou devagar demais—como se tentasse nos dar alguma direção. Uma pinça apontava mais adiante, para dentro do túnel.

Steve me deu um cotovelada e um olhar de ponta cabeça.

Suspirei.

Empurrei as paredes do túnel com as pernas e nadei mais fundo, passando pelo caranguejo que flutuava. Steve veio logo atrás.

Assim que passamos dele, olhei para trás e foi quando o caranguejo se moveu rápido. Ele girou, levantou suas pinças enormes e bateu uma delas contra a parede do túnel. Com um estalo alto, uma grande pedra escorregou de um lado e deslizou pelo túnel atrás de nós.

Bum.

Pronto, a entrada ficou selada. A correnteza da água do lago lá em cima parou instantaneamente. Ficamos presos, trancados.

Fiquei olhando para a parede de rocha, piscando.

'Acho que esse foi o ponto de não retorno,' pensei.

A água aqui era mais escura, e as paredes começaram a contorcer e torcer, quase como raízes crescendo em todas as direções. Era claro que aquele não era um sistema de cavernas normal. Alguma coisa na formação parecia artificial… ou cuidadosamente moldada.

Foquei por um momento e estendi minha percepção. Sentia pequenas vibrações à frente. Movimento. Pulsos de energia tênues. Não estávamos sozinhos aqui embaixo.

O caranguejo passou por nós de novo e continuou nadando mais fundo no túnel.

Steve e eu o seguimos em silêncio, a água ao redor tranquila, mas carregada de pressão. Mantive minha percepção ativa, atento a qualquer coisa incomum ao redor, cada mudança, cada movimento na água.

O túnel tinha curvas estranhas. Enquanto avançávamos, passamos por o que pareciam pontos de controle, pequenas aberturas com outros caranguejos ao redor. Alguns apenas nos olhavam fixamente. Outros levantavam as pinças preguiçosamente, como se estivessem nos fazendo uma checagem.

Era… estranho.

O que tornava tudo mais bizarro era Steve. Quanto mais fundo íamos e mais caranguejos víamos, mais empolgado ele ficava. Ele nem tentava esconder, parecia estar sorrindo até as orelhas.

Dei um olhar para ele.

Ele só respondeu com um gesto, ainda sorrindo como uma criança num zoológico.

Por fim, o túnel se alargou e desaguou em uma grande piscina. Nadamos pela boca do túnel e emergimos na água aberta. O caranguejo flutuou para cima, com as pinças se movendo lentamente.

Parei logo abaixo da superfície, estendendo minha percepção o máximo que pude. Queria sentir o que esperava lá em cima. E o que encontrei… fez eu piscar.

Era lindo.

Sem pensar, nadei para cima e quebrei a superfície, saindo do lago de repente.

Um sol radiante pendia alto no céu claro e amplo. Luz azul e dourada brilhava suavemente sobre a terra. O ar estava quente e macio na minha pele. Pássaros cantavam ao longe.

Não era só um céu—era um mundo inteiro.

Steve emergiu ao meu lado, com a boca já aberta, pronto para falar.

"O quê—?"

Ele olhou para cima, depois pelo redor. "Como diabos tem um céu dentro de uma piscina?"

Não respondi. Estava ocupado tentando entender também. "Será que fomos teleportados?" murmurei.

O caranguejo, agora de pé na terra perto de nós, fez alguns sons estranhos de clique. Ele se moveu para a esquerda e para a direita, fazendo barulho de estalos com as pernas.

Encobri os olhos para olhar melhor. "Ele… está rindo de nós?"

Ele clicou mais alto.

"Sim. Totalmente zombando da gente," disse Steve.

O caranguejo não esperou. Virou-se e começou a andar lentamente para frente.

Seguimos, passo a passo.

Enquanto andávamos, olhei ao redor, admirado. Estávamos no meio de um jardim vibrante de verde. dezenas de espécies de flores floresciam ao nosso redor, algumas delas irradiando um leve brilho. Árvores altas e finas se agrupavam, com galhos que balançavam suavemente na brisa quente.

Um caminho de pedra se estendia a partir da piscina, conduzindo pelo jardim. Caminhávamos por ele, com o som dos nossos passos suaves sobre as pedras cobertas de musgo.

À frente, havia uma cerca de árvores, como uma muralha de verde. Tentei escanear além dela com minha percepção, mas só consegui sentir mais árvores. Ainda assim, não parecia hostil.

Mais caranguejos e animais naturais estavam espalhados pela área. Alguns andavam em pares. Outros pareciam estar descansando. Cheguei a ver uma criatura que parecia uma mistura de veado com lobo, pastando tranquilamente perto de nós.

Pisquei novamente, incapaz de segurar a pergunta que se formava na minha cabeça.

'Onde é que a gente está?'

A curiosidade tomou conta de mim, e de repente, enfiei minha presença na frente do caranguejo, interrompendo seu passo lento.

"Ei, você consegue acelerar um pouco?" perguntei, levantando uma sobrancelha. "Ou quer que eu te carregue?"

Olhei para o enorme caranguejo. A carapaça dele era de um vermelho profundo, e ele tinha cerca de dois metros de altura. As pinças pareciam fortes o suficiente para esmagar pedregulhos, mas eu me senti confiante. Já tinha carregado coisas mais pesadas. Provavelmente conseguiria carregá-lo também, embora ele possa me beliscar por birra.

O caranguejo parou, virou a cabeça para mim e acenou com as pinças uma vez. Então, sem aviso, ele saiu em disparada tão rápido que parecia estar deslizando sobre o chão.

Steve riu atrás de mim. "Aí, acho que ele não quer ser carregado."

Ri e ajudei a correr atrás dele, curtindo a corrida rápida por um momento.

Depois de alguns segundos, o caranguejo saiu da trilha de pedras e caminhou em direção à densa linha de árvores. Meu olhar se estreitou. "Suspeito," murmurei, mas continuei seguindo. Steve veio logo atrás.

Ao entrando nas árvores, o mundo ficou mais escuro.

Quanto mais fundo íamos, mais denso o bosque ficava. Raízes tufo a tufo pelo chão, como cobras dormindo.

Os galhos acima estavam tão enredados que nem um raio de sol passava por eles. Tive que manter minha percepção aberta, usando a Essência para sentir bem o ambiente ao meu redor.

Então, de repente, o caranguejo parou.

Ele andou lentamente para frente e bateu numa árvore gigante, com o tronco tão grosso quanto uma torre, com casca áspera como pedra e raízes enroladas profundamente na terra. Ele bateu em algum ritmo estranho, como se estivesse batendo numa senha secreta.

Inclinei a cabeça, confuso.

Quando terminou, a árvore tremeu um pouco. E então… abriram-se dois olhos enormes na sua casca.

Pisquei.

Depois pisquei de novo.

"Estou vendo aquilo mesmo?" pratiquei em voz baixa. "Ela tem olhos."

Mesmo com minha Essência espalhada ao máximo, não percebi nada estranho na árvore. Ela havia escondido sua presença completamente. Rápido, escaneei a árvore.

[Sequoia Gigantum — Nível 167]

Meu coração deu um pulo.

'Nível cento e sessenta e sete?' murmurei.

Os grandes olhos da árvore se voltaram lentamente para nós, depois de volta ao caranguejo.

O silêncio que seguiu foi longo, quase cinco minutos sem ninguém mover-se ou falar. Então, com um suspiro lento, a árvore fez um som de rangido profundo. Uma linha se abriu pelo meio do tronco, revelando uma porta escavada na casca.

O caranguejo se esquivou e indicou para a porta aberta com a pinça.

Não hesitei. Minha curiosidade era maior do que qualquer preocupação agora.

Quem tinha feito aquilo claramente guardava segredos valiosos, segredos escondidos dentro de um lugar supostamente controlado pelos Holt. Se fosse uma armadilha, que fosse. Já era prisioneiro do mundo deles. O que mais poderiam fazer comigo?

Sorrindo com esse pensamento, atravessei a porta.

Dentro, uma escada circular subia em espiral pelo tronco da árvore.

Começamos a subir, passo a passo, com os passos ecoando suavemente na madeira. O ar estava fresco, com cheiro de terra. Depois de quase cinquenta metros de subida, chegamos ao topo, onde havia uma plataforma circular com um círculo de teleportação brilhante gravado nela.

Steve soltou um suspiro. "Que louco constrói tanta segurança numa árvore? Uma completa loucura."

Sussurrei, "Fica quieto. Essa pessoa talvez seja a árvore. Ela está viva, e estamos literalmente dentro do corpo dela."

Steve bufou. "Azar."

Virei-me para o círculo de brilho e perguntei, "Então... vamos lá?"

Ele deu de ombros. "Confio em você para me proteger, chefe. Se explodirmos ou algo assim."

Sorrindo, respondi: "Sim, senhor. Pode contar comigo."

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