
Capítulo 195
Meu Talento Se Chama Gerador
Respirei fundo, os pulmões queimando de esforço, e lancei-me em direção ao corpo partido da fera.
No ar, levantei a mão. Minha vontade se abriu ao redor de mim.
Essência, espessa e carregada, fervia ao meu redor. Aproveitei essa energia.
"Fogo Absoluto"
A Essência bruta respondeu num instante, transformando-se numa labareda carmesim. Um redemoinho de fogo girava ao redor do meu braço, e então—
Liberei-a.
Um feixe de fogo rugiu descendo, um jato espiral que gritava como um dragão. Acertou a forma destruída da fera com um impacto ensurdecedor, incendiando o chão. As chamas não apenas queimaram, elas devoraram tudo.
Eu não parei.
Mais Essência pulsou pelos meus canais. O fogo se intensificou, formando uma coluna abrasadora que me impulsionou ainda mais para cima só pelo recuo. Flutuava acima do inferno de fogo, suspenso pela força bruta e pelo calor.
Logo abaixo, a besta se contorcia. Sua armadura, que antes era espessa, começava a derreter, líquidos verdes borbulhavam e evaporavam em uma fumaça negra e tóxica.
Ela gritou, um som horrível, arfante, como se fosse despedaçada por dentro. Músculos contraíram-se. Espinhos racharam. Sua estrutura se debateu uma última vez antes de ficar imóvel, com os membros tremendo de protesto.
Mesmo assim, eu não cedi.
Empurrei outra onda de Essência na lança de fogo. Eu queria apagar cada traço dela.
Só quando a fera parou completamente de se mover—sem tremores, rosnados ou truques finais—é que permiti que a chama se apagasse.
Meu braço tremia. Minhas veias latejavam. Estava encharcado de suor, a pele queimando pelo calor crescente. Lentamente, abaixei-me até o chão, com as botas cravando na terra queimada, diante do cadáver fumegante do Espinhado Devastador.
Permaneci ali, com os ombros arfando a cada respiração, observando o fogo se apagar.
Fechei os olhos e me concentrei por dentro, verificando o estado do meu corpo. Ainda havia veneno circulando pelo meu sangue, devagar, mas constante. Inspirei fundo e guiei a Essência pelas minhas veias. Sob meu comando, ela avançou em uma enxurrada, golpeando o veneno como uma onda que despedaça papel.
O veneno não teve chance.
Em poucos segundos, ele se quebrou e se dissolveu em nada. Meu corpo ficou mais leve, mais claro—parecia que podia respirar novamente.
Então, ouvi o som familiar.
[Nível Subido!]
[Nível 62 → Nível 70]
[Habilidade Melhorada!]
[Esfera do Caos: Nível 2 → Nível 3]
Abri os olhos e me virei. Steve estava a alguns passos de distância, olhando para os restos fumegantes da fera. Seu rosto era sério, mas dava para perceber as perguntas que ele carregava nos olhos. Finalmente, ele se voltou para mim.
"Qual é o seu Psynapse agora?" ele perguntou, a voz tensa.
Abri meu painel de status e olhei o número. "Quinhentos e vinte e quatro," respondi.
Ele arregalou a mandíbula, surpreso. "Quinhentos e vinte e quatro? Caramba. Isso é demais. Daí dá pra usar fogo assim?"
Pisquei de leve. "Mais ou menos isso."
Não quis prolongar a conversa.
"Vamos seguir em frente," disse, começando a correr. "Vi umas coisas nos espionando antes."
Steve concordou com a cabeça e me seguiu sem perguntar nada. Ampliei minha percepção, que ficou ainda mais forte graças às melhorias de nível. Agora sentia mais—como se minha consciência tivesse se expandido ainda mais longe.
Comecei a puxar Essência novamente, mais rápido desta vez. Meus canais pulsavam de energia.
"Precisamos ir mais fundo," pensei, focando nos monstros que tinha sentido mais cedo, acreditando que tinham escapado limpos. Estavam errados.
Perseguimo-os pela floresta até que chegaram a um lago e mergulharam sem hesitação.
Não desacelerei. Cheguei à margem da água e parei só por um instante para observar suas formas desaparecerem sob a superfície.
Steve alcançou-me. "O que aconteceu?"
"Eles entraram aí," respondi. "Vamos atrás."
Ele assentiu rapidamente, e juntos mergulhamos.
A água fria nos envolveu. A visibilidade não estava ótima, mas ainda conseguia acompanhá-los. As criaturas se moviam rápido, cortando a água como se fosse nada. Esfreguei os olhos, examinando-os com mais atenção.
Era como uma mistura estranha de um rato com um lobisomem—membros alongados, focinhos que tremiam, pelos grossos que mal se movimentavam na água. Estranho, mas não parecia agressivo.
Continuaram mergulhando cada vez mais fundo.
Passaram segundos. Depois mais alguns. A pressão aumentava, a luz diminua, e comecei a me perguntar até que profundidade ia esse lago.
As paredes se estreitavam conforme descia. No final, parecia mais um túnel do que um lago. Então, avistei.
Soustive a mão para parar Steve.
Ficamos imóveis, cercados pelo silêncio e pelas sombras. À nossa frente, as criaturas pararam na frente de uma rocha enorme no fundo do lago. Sentando-se na pedra, havia algo ainda mais surpreendente: um caranguejo gigante.
Curioso, escaneei todos eles.
[Rato Esbanjador – Nível 73]
[Rato Esbanjador – Nível 69]
[Caranguejo Decapoda – Nível 111]
No começo, ele não se moveu. Ficou só observando os dois ratos parecidos com preguiça. Eles também ficaram olhando. Sem palavras, sem som—mas dava para sentir que estavam se comunicando.
Depois de um tempo, o caranguejo se movimentou. Desceu da pedra e usou suas pinças enormes para empurrar a pedra grande de lado. Um buraco apareceu sob ela. Sem hesitar, os ratos mergulharam lá dentro.
Então, o caranguejo cuidadosamente rolou a pedra de volta sobre a entrada e voltou ao seu lugar no topo da pedra.
Meu coração pulou. Nenhuma corrupção. Nenhuma marca de aberração em nenhum deles.
"Finalmente… algo limpo. Talvez até comestível," pensei, com o estômago roncando ao imaginar carne de verdade.
Ficamos esperando.
O caranguejo permaneceu imóvel. A corrente sussurrava ao nosso redor.
Então, fiz minha jogada.
"Absoluto," sussurrei.
Minha vontade se espalhou, misturando-se à água. Comandei a afinidade a se ajustar—para que a água aceitasse minha presença. Fluir comigo. Resistir menos a mim.
A água tremeu. Senti-a. Menos arrasto. Menos pressão. Agora fazia parte dela.
A Essência se acumulou aos meus pés.
Explosão.
Disparei como uma lança. O caranguejo percebeu imediatamente, soltando um grito distorcido e levantando as pinças.
Perdido.
"Gelo!" ordenei, estendendo a mão para frente.
A água ao redor do caranguejo torceu e girou. Num segundo, congelou—transformando-se numa coluna espiral de geada que envolveu o inimigo como uma prisão. Seus movimentos pararam instantaneamente. Alcancei o bloco de gelo e coloquei a palma na superfície.
Mais Essência passou por mim. Reforcei o gelo, engrossando o bloco, aplicando camada após camada até que a prisão tivesse quase dez metros de altura—um cubo de gelo suspendido no fundo.
Deixei entrar água suficiente apenas para manter o caranguejo vivo. Ele flutuava, silencioso, rígido, com os olhos pretos fixos em mim dentro da tumba congelada.
E então, ele piscou.