Meu Talento Se Chama Gerador

Capítulo 204

Meu Talento Se Chama Gerador

Me aproximei um pouco e perguntei: "Que tipo de plano?"

Ana não respondeu imediatamente. Em vez disso, levantou-se e disse: "Vamos lá. Eu vou te mostrar."

Olhei para Steve, que deu de ombros. Nós dois nos levantamos e seguimos ela para fora da casa.

Enquanto caminhávamos pelo caminho de pedras tortuoso, Ana falou por cima do ombro.

"Este reino… aquele em que estamos agora—é diferente. Acho que costumava pertencer a alguém muito importante da raça Naga. Talvez até a um dos seus anciãos."

Passamos pelo jardim, onde o vento fazia a grama alta balançar e uma luz suave filtrava-se através das casas. Uma calma me invadiu à medida que nos aproximávamos do templo.

Havia algo diferente sobre este lugar. A Essência aqui não girava intensamente como geralmente fazia; estava serena, silenciosa. Os elementos pareciam equilibrados, quase como se estivessem em paz.

O templo surgiu à vista—uma estrutura esculpida em pedra branca, com superfície lisa e polida, apesar do passar do tempo. Curiosamente, não havia portas nem portões, apenas um arco aberto que levava diretamente ao interior.

Entramos.

A temperatura caiu um pouco, não frio, apenas… mais fresca. Mais calma. O salão era uma única câmara vasta, com paredes altas que quase atingiam dez metros. Tudo—paredes, piso e teto—era feito de mármore branco reluzente, que capturava e refletia cada lampejo de luz.

No centro do salão, erguia-se uma estátua enorme. Era o único objeto no espaço inteiro.

A estátua retratava uma serpente, enrolada firmemente sobre si mesma.

Escamas espessas e sobrepostas cobriam seu corpo, cada uma detalhada com quase realismo. Sua coloração era marcante—preto profundo riscado com veias vermelhas, como linhas de magma congeladas na pedra. A cabeça da serpente repousava sobre seus aguardentes, os olhos fechados em uma espécie de sono eterno.

Fiquei fascinado, incapaz de desviar o olhar.

Havia algo antigo neste lugar—sagrado, até.

Até Steve, que normalmente tinha algo a dizer, ficou em silêncio ao meu lado, mãos nos bolsos, olhar fixo na estátua.

Ana se virou para nos encarar.

"Isto," ela disse suavemente, "é onde o plano começa."

Desviei os olhos da grande estátua da serpente e voltei-me para Ana, com a curiosidade crescendo.

Ela cruzou o olhar comigo e continuou: "Bem, a estátua atrás de mim não é apenas uma estátua. É a guardiã deste reino."

Minhas sobrancelhas se levantaram. "Guardião?"

Ana assentiu.

"Sim. Uma das razões pelas quais as Nagas são consideradas a raça mais forte desta galáxia é por causa de suas armas de guerra. E o que você está vendo atrás de mim—é uma delas. Quando a descobri, reconheci os sinais. Ouvi meus anciãos falarem várias vezes sobre guardiões como esse."

Parpadeei, com a mente acelerada. Que tipo de técnica poderia criar algo assim? Uma arma de guerra disfarçada de estátua?

Steve inclinou a cabeça e perguntou: "Mas é feita de pedra? Se fosse de metal, talvez eu acreditasse que é uma arma, mas isso…"

Ana se virou para ele.

"É de pedra agora, sim. Mas, quando despertada, ela se transforma numa arma capaz de causar destruição. Esses guardiões são feitos a partir dos corpos preservados de Nagas caídos, seres de nível Grande-Mestre. Sua essência permanece. Quando ativados, eles se tornam armas vivas."

Um calafrio percorreu meu corpo.

Perguntei: "E como fazemos para ativá-la?"

Ana deu uma leve tossida de ombros, sem esperança.

"Esse é o problema. Não há nenhuma pista neste templo sobre como ativá-la. Procurei por toda parte neste reino várias vezes. Se quisermos usá-la, teremos que descobrir o método por conta própria. Mas, se conseguirmos, teremos uma força suficiente para enfrentar um Grande-Mestre dos Holt."

Coloquei as mãos nos bolsos e encarei o chão, deixando meus pensamentos vaguearem.

Existiam algumas opções. A primeira e mais confiável seria contactar Arkas. Se eu conseguir enviar uma mensagem pelo comunicador, talvez eles possam encontrar registros antigos ou técnicas de ativação de um guardião como esse.

Outra possibilidade era a base dos Holt, onde os Ferans estavam presos. Se os Holt soubessem da presença do guardião, poderiam ter guardado pistas de ativação ou relíquias sem sequer saberem o que eram.

E, por fim… aqueles edifícios flutuantes lá no alto, gravados com runas brilhantes. Eu os tinha visto antes, pairando acima deste reino, como olhos vigilantes.

Voltei meu olhar para Ana e perguntei: "Você sabe alguma coisa sobre esses edifícios flutuantes lá em cima? Ou as runas neles?"

Ana balançou a cabeça. "Não, mas, pela forma e pelo design, parecem edifícios residenciais que já vi nas cidades Naga. Por quê? Você acha que o método de ativação pode estar escondido lá?"

"É uma possibilidade," respondi. "Não temos muitas pistas, então teremos que seguir todas as pistas."

Steve se aproximou e perguntou: "Como vamos subir lá em cima?"

Ana levantou a mão e, num instante, seus passos se iluminaram—asas largas, majestosas, brancas como neve fresca. A luz refletia nelas na medida certa, e por um momento ela parecia um anjo tirado de um mito antigo.

"Eu consigo voar lá para cima," ela disse com um sorriso tímido.

Revirei os olhos.

"Não. Você ficaria muito exposta. Se alguém estiver observando do céu ou monitorando os movimentos aéreos, você seria descoberta na hora."

Ela sorriu de canto.

"Não assim, obviamente. Lembra que os Ferans têm duas formas, né? Essa aqui é só minha forma humanoide."

Isso me fez hesitar. Ainda não tinha pensado direito em qual poderia ser a outra forma dela.

Crusdei os braços. "Então, diga logo. Qual é a sua outra forma?"

Ela sorriu de uma maneira fofa e respondeu:

"Vim do clã do Águia Penacho Branco, da tribo das Águias," disse Ana, com um tom casual, mas orgulhoso.

"Na minha forma de fera, posso alterar meu tamanho. Posso voar até lá como um passarinho, se precisar."

Siveisum um assobio baixo. "Uau… clan de Águias Penacho Branco? Ouvi dizer que são um dos clãs mais fortes do seu mundo."

Ela assentiu.

"Entre os clãs voadores, somos o segundo mais forte. Pelo menos, foi o que sempre me disseram."

Steve levantou uma sobrancelha.

"Segundo mais forte? E quem é o primeiro?"

Ana sorriu, quase com uma pontada de nostalgia.

"Os grifos Skyrazor."

Pensei silenciosamente sobre a proposta dela, voltando a analisá-la de todos os ângulos.

Não era uma ideia ruim. Se o guardião funcionasse como ela afirmou, poderia ser nossa melhor oportunidade de nivelar o jogo. Mas agir com pressa seria insensato.

Depois de pensar por um momento, assenti lentamente e falei:

"Vamos seguir o seu plano," disse eu.

"Mas ainda não. Primeiro, resolvemos a questão dos colares. Quando isso estiver resolvido, ficaremos escondidos, observando. Dê alguns dias. Vamos ver como os Holt reagem ao nosso sumiço. Só então decidiremos o próximo passo."

Ana deu um pequeno aceno, compreendendo a cautela por trás das minhas palavras.

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