Meu Talento Se Chama Gerador

Capítulo 203

Meu Talento Se Chama Gerador

Dane uma reguardada nela e dei um passo para trás.

Finalmente, ela respirou fundo e se levantou.

"Peço desculpas. É que… depois de ficar presa aqui por tanto tempo, não me sinto muito confiante para sair. Ainda mais com toda a segurança e força que eles têm."

Assenti.

" Está tudo bem. Pode confiar em nós. Não planejamos ficar aqui para sempre."

Ela assentiu novamente.

Steve deu um passinho à frente.

"Enfim, você tem algo pra comer? Depois podemos conversar mais."

Ana sorriu.

"Sim, temos algumas frutas do lado de fora. Vou buscar."

Ela virou-se e caminhou um pouco mais para dentro.

Steve respirou fundo e murmurou: "Bem, ela parece bem… não sei, protegida."

Sentei-me de volta na bancada.

"Por que você diz isso?"

Ele deu de ombros.

"Dá pra ver que ela está bem triste. E acho que ela nunca esteve numa situação assim antes."

Assenti.

"Vamos ver como as coisas vão evoluir. Por agora, podemos usar esse lugar como nossa base secreta enquanto descobrimos onde estão os outros Ferans."

Logo, Ana voltou de dentro, com os braços carregados de frutas coloridas. Com cuidado, ela as arrumou na mesa à nossa frente. O aroma de frutas frescas preenchia o ar e não hesitamos em devorá-las. Enquanto comíamos, a conversa manteve-se leve — papo furado, comentários rápidos, nada sério.

De repente, do nada, Ana olhou para cima e perguntou: "Aliás, de qual mundo vocês são?"

Terminei de mastigar e respondi: "Vaythos."

Ela ficou quieta, os olhos mirando no vazio como se tentasse lembrar do nome. A expressão no rosto dela mostrava que não fazia ideia de onde fosse aquilo.

Steve deu uma risadinha do lado.

"Não me diga que vocês nunca ouviram falar do nosso mundo."

As bochechas de Ana ficaram vermelhas de vergonha, ela sorriu sem graça.

"Desculpa. Não conheço. Sei que há três mundos humanos na nossa galáxia. É praticamente só isso mesmo."

dei um assobio.

"Pelo menos, vocês sabem que existimos. Isso já é bastante."

Ela tossiu de forma constrangida e tentou se recuperar.

"Então… em Vaythos, existem Ferans?"

Balancei a cabeça.

"Não, só humanos. Nunca vi um Feran até chegar aqui. E os Feradros? Vocês têm humanos morando lá?"

Ela assentiu.

"Sim, temos bastante humanos. Por isso que fiquei confusa quando vi o quão forte vocês são. Vocês são jovens, mas a força de vocês está no mesmo nível de alguns dos jovens Feran mais fortes que já vi."

Um sorriso tímido apareceu nos meus lábios.

"Obrigado."

Inclinei a cabeça e perguntei:

"Aliás, quantos anos você tem?"

Ana levou a mão ao queixo, pensando por um momento.

"Se contarmos em anos humanos, tenho dezenove."

Steve olhou intrigado.

"O que quer dizer com 'anos humanos'?"

Ela pegou uma maçã vermelha brilhante e deu uma mordida antes de responder.

"Ferans não têm um padrão uniforme de crescimento como os humanos. Cada clã amadurece de uma forma diferente. Por exemplo, os membros do meu clã Redscale crescem aproximadamente duas vezes mais rápido que o clã Frostclaw. Por isso, tenho que converter minha idade quando falo com humanos. Do contrário, não faria muito sentido."

Assenti, finalmente entendendo.

Isso explicava muita coisa. Se os Ferans realmente evoluíram de bestas, fazia sentido que tivessem ciclos de vida diferentes. Afinal, no mundo natural, até entre animais, cada espécie cresce e envelhece em ritmos distintos.

Após terminarmos as frutas, percebi que era hora de mudar de assunto. Havíamos evitado o problema de forma suficiente. Eu me inclinei um pouco para frente e falei com voz firme:

"Certo. Aqui vai minha ideia. Primeiro, precisamos lidar com os colares, desativá-los de alguma forma. Assim, eles não conseguirão mais rastrear ou monitorar a gente."

Ambos, Ana e Steve, olharam para mim com atenção silenciosa.

"Depois que sumirmos e não voltarmos, eles vão começar a procurar. Aí é a hora de agirmos. Tentamos capturar um deles — alguém importante, que saiba de coisas. Assim, podemos extrair informação."

Ana levantou uma sobrancelha, com sarcasmo, mas pensando.

"Parece uma boa ideia na teoria. Mas como você vai lidar com os colares? E se você estiver falando sério em pegar alguém importante, vai precisar conseguir alguém de alto escalão. Os soldados de linha não sabem de nada."

Assenti.

"Pois é. Ainda não sei exatamente como desativar os colares, mas temos algum tempo. Vou trabalhar nisso. E sim — nosso alvo é alguém de alto nível. Não faz sentido correr riscos se a recompensa não valer a pena."

Steve cruzou os braços e perguntou: "E depois? Quando conseguirem as informações?"

Minha expressão ficou mais séria.

"Existem dois caminhos depois disso."

Parei por um momento antes de continuar.

"Se eu conseguir encontrar uma forma segura de desativar os colares, aí aguardamos até que enviem outros prisioneiros para caçar. É nesse momento que agiremos. Ajudamos a escapar. Reunimos um pequeno grupo, aumentamos nossos números e, então, partimos contra os Holts. Bater neles forte, o suficiente para abalar o controle deles."

Steve assentiu lentamente, mas o rosto de Ana ficou mais tenso. Ainda não tinha acabado.

"Claro… há outra possibilidade."

Olhei para eles dois.

"Se os Holts perceberem que conseguimos desativar os colares, eles podem entrar em pânico. Talvez parem de mandar prisioneiros pra fora e passem a caçar a gente de forma total."

"Se isso acontecer, passamos para o plano B. Nada de esperar. Eliminamos um por um — de forma silenciosa, limpa, inteligente. Vamos desgastá-los, diminuir seus números. Quando estiverem desorientados e sangrando, atacamos a base direto."

Um silêncio pesado se instalou entre nós.

Ana me encarou intensamente, os olhos azuis defensivos, as sobrancelhas franzidas, inclinando-se um pouco, como se tentasse verificar se realmente eu dizia o que pensava.

"Você fala em libertar os prisioneiros… mas como sabemos quais podemos confiar?"

Assenti lentamente.

"Não precisamos confiar neles. Só precisamos que eles causem caos suficiente. Tenho certeza de que até eles querem escapar desse lugar. Mas, sob nenhuma circunstância, vamos contar aos prisioneiros sobre esse esconderijo. Isso fica só entre a gente."

Steve assentiu, mas levantou uma dúvida.

"Tudo isso parece viável e, sinceramente, acho que podemos conseguir, mas tem um grande problema… o Gran Mestre."

Minha expressão se fechou.

Ele estava certo. Era uma questão séria. Um problema enorme.

Eu tinha planejado avançar meu nível, ficar forte o suficiente para alcançar o rank de Mestre, e só então tentar resgatar alguém. Mas, mesmo assim, seria impossível enfrentar um Gran Mestre de frente. Esse tipo de poder está em uma liga totalmente diferente.

Olhei fixamente para o chão, tentando forçar meus pensamentos a se moverem. Procurando alguma brecha. Algum truque inteligente. Alguma ideia impossível.

Mas nada surgiu. Contra um poder absoluto, não tínhamos nada.

Foi então que a voz de Ana quebrou o silêncio.

"Na verdade," ela falou com cuidado, "talvez eu tenha um plano para o Gran Mestre."

Steve e eu olhamos para ela instantaneamente.

Ela tinha uma expressão calma, mas séria, como se estivesse guardando isso há algum tempo, esperando o momento certo.

Eu me inclinei um pouco e perguntei: "Que tipo de plano?"

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