
Capítulo 181
Meu Talento Se Chama Gerador
Mantenho a expressão tranquila enquanto lentamente levanto as mãos, mostrando as algemas presas em meus pulsos. Dou uma respiração profunda e respondo: "O que você acha que eu poderia fazer com essas algemas e essa coleira? A última coisa que lembro é daqueles caras me batendo. Então... ela fez alguma coisa, e foi só. Tudo ficou em branco."
O velho me encara por um longo momento, olhos afiados e imóveis. Depois, sem dizer uma palavra, vira-se para encarar o Rei.
Percebi imediatamente: o Rei parecia pálido. Havia medo em seus olhos, como se soubesse o que vinha pela frente.
— Quem lhe deu permissão para chamá-la? — perguntou o homem, frio.
O Rei engole em seco. Ouço isso alto. Ele gagueja ao responder: — Eu—Desculpe. Foi um erro meu. Não sabia que ela iria… não esperava que isso acontecesse.
O velho solta uma risada de desgosto, uma risada cheia de repulsa.
Então, de repente, com um estrondo, o corpo do Rei é jogado para trás como uma boneca de pano. Ele bate contra a parede com um estalo alto e escorrega até o chão. Seus dois matulões não se mexem. Ficaram lá, com a cabeça baixa, completamente silenciosos.
O homem vira-se ao lado de Grey. Seu tom é cortante e frio.
— Você é uma decepção, Grey. Olhando para vocês dois—ele e você—não vejo nada além de escuridão pela frente para a família Holt.
Grey não responde. Mas dá para perceber que sua expressão está carregada de raiva.
Então o homem volta-se para mim. Sua voz desta vez está mais calma, mas ainda carregada de advertência.
— Pode ir por enquanto, garoto. Mas vou descobrir o que você fez. Grey, leve-o lá para fora. Comece também a iniciação dele.
Sem dizer uma palavra, Grey faz um gesto para que eu o siga. Não discuto. Um instante depois, uma círcula de teletransporte se acende sob nossos pés. E outra.
E, num piscar de olhos, estou em um salão enorme.
Não… não é só grande. É enorme.
O teto é tão alto que parece que estou na base de uma montanha.
Pilares altos e grossos—pelo menos cinquenta pés de altura—franqueiam os lados do salão como guardiões silenciosos. Paredes adornadas com estátuas colossais de Nagas, esculpidas em poses elegantes, com expressões orgulhosas e ferozes. O ar cheira a pedra antiga.
Antes que eu possa me perder nos detalhes, Grey me empurra de trás.
— Vai logo, — disse.
Começo a caminhar, passos firmes no chão polido. No final do salão, passo por uma grande arco de pedra.
E no instante em que piso lá fora—
Meus olhos se arregalam.
Do lado de fora, o mundo se abre ao meu redor.
Imagine um terreno amplo, plano e liso, feito do mesmo tipo de pedra do salão.
O céu acima é límpido, pintado em tons suaves de azul e dourado, como se estivesse sempre perto do pôr do sol aqui.
Uma barreira amarela brilhante cintila ao longe, envolvendo a área como uma cúpula gigante. Ela não faz barulho, nem vibra—apenas brilha suavemente, lançando uma luz quente sobre tudo dentro.
No centro do terreno aberto há uma estátua. Não uma estátua qualquer—essa é colossal.
Pelo menos quinhentos metros de altura.
Representa uma mulher bonita, com cabelos longos que caem pelas costas, rosto sereno, e uma mão levantada em direção ao céu. A outra mão repousa sobre o coração. Ela parece pacífica… mas poderosa. Como alguém que você desejaria venerar ou temer—ou talvez ambos.
Além da barreira luminosa, vejo densas florestas verdes se estendendo até onde a vista alcança em todas as direções. E por trás dessas florestas se ergue uma cadeia de montanhas tão altas que os picos desaparecem nas nuvens.
Algumas montanhas parecem pontiagudas, quase como lâminas. Outras são tão largas que parecem paredes de pedra.
Mas o que realmente chamou minha atenção foi mais longe, no céu.
Lá, flutuando à distância, estão enormes estruturas quebradas—como partes de construções ou cidades antigas arrancadas do chão e que ficaram penduradas no ar. Elas flutuam lentamente, algumas girando, outras imóveis, todas rachadas e desgastadas.
Fiquei ali, quieto, observando tudo com atenção.
O ar estava fresco e agradável.
E então eu os vi—membros da família Holt, junto com as pessoas que trabalhavam para eles.
Dezenas deles, talvez mais. Todos se moviam livremente pelo espaço aberto, sem coleiras no pescoço, sem algemas nos pulsos. Pareciam relaxados, conversando entre si ou indo em direção a diferentes partes da floresta, como se fossem os donos do lugar. E talvez fossem mesmo.
Apenas essa visão já fez algo arder no meu peito.
Grey me dá mais um empurrão de trás, mais forte desta vez. Eu quase tropeço, e começo a ficar realmente irritado. Mas mantenho a boca fechada e sigo andando.
Após alguns passos, vejo rostos familiares—Steve, Xin e o resto do nosso grupo. Aproximo-me e fico ao lado deles. Todos nós olhamos para Grey, que parou na nossa frente e começou a falar.
— O plano não mudou, — disse ele. — Mínimo duas aberrações. E lembrem-se, nada de matar.
Com um movimento de pulso, vários anéis pequenos voam em nossa direção. Pego um deles. Um anel de armazenamento.
— Vocês podem ir agora, — acrescentou sem emoções.
Todos começam a se virar, caminhando em direção a uma série de pequenas construções que parecem postos de controle. Os edifícios estão alinhados ao longo da borda interna da barreira luminosa.
Eu dou uma leve cotovelada em Xin e pergunto baixo: "E aí, o que está acontecendo?"
Ele inspira fundo, respirando o ar fresco como se fosse a única coisa boa por aqui. Depois responde:
— Vamos trabalhar. É simples: capturar duas aberrações vivas e trazê-las de volta para esses caras.
Minhas sobrancelhas se cruzam. — Vivas? Por quê?
Xin encolhe os ombros, com a expressão neutra. — Sem ideia. Provavelmente para algum experimento nojento ou pesquisa.
Olho de novo para a barreira e depois para ele. — Então… eles vão tirar as algemas e nos mandar para a floresta? Por que você não tenta fugir?
Ele solta uma risada baixa e balança a cabeça.
— A única saída é pela entrada, garoto. E eles vão colocar rastreadores na gente. Você pode tentar correr, claro, mas eles te encontram. Têm mestres poderosos aqui—pelo menos um grande mestre, também.
Fico pensativo. — Então, caçamos, capturamos aberrações vivas e as trazemos de volta? Não podemos reagir ou fugir?
Ele assentiu, mas depois parou.
— Bem… fugir talvez não funcione. Mas esconder? Talvez. Se tiver coragem suficiente. Você teria que entrar bem mais fundo na floresta. E esse lugar está cheio de aberrações. Você provavelmente morreria antes de chegar longe.
Fiquei em silêncio, deixando a ideia penetrar.
Depois Xin apontou para o horizonte, para aquelas ruínas flutuantes que se moviam ao longe.
— Ali, — disse. — Aquelas construções no céu… talvez tenham algo nelas. Talvez uma forma de se esconder. Ou escapar. Ninguém conseguiu ainda, mas quem sabe?
Fiquei olhando as formas quebradas flutuando acima da floresta distante.
Uma ideia surgiu na minha cabeça—imprudente, arriscada, talvez até idiota.
Mas segurei ela. Só por precaução.
Perguntei baixinho: "Quanto tempo a gente tem?"
Xin respondeu: "Voltar antes do anoitecer. E, seja o que for, não suba de nível. Se descobrirem que você ganhou um nível, podem te jogar para as aberrações como um teste. Ah, e esses anéis que a gente ganhou? São feitos para prender criaturas vivas. Técnica especial dos Nagas—roubada pelos malditos Holt."
Pisquei. — Ah, é mesmo…
Nos alinhamos nos postos de controle. Um por um, as pessoas na nossa frente entraram nas pequenas construções. Vi alguns Nagas irem primeiro, desaparecendo pela porta sem dizer uma palavra. Tudo era rápido, como uma rotina bem treinada.
Depois, chegou minha vez.
Entrei lá dentro. O ar estava mais frio, e uma luz solitária iluminava o cômodo pequeno. Um jovem estava na frente de uma mesa de metal, segurando um dispositivo estranho na mão. Ele não parecia particularmente interessado no trabalho.
Passei o olhar nele instintivamente.
[Matt Henry – Nível 72]
Ele olhou para mim com uma expressão entediada. — Vire-se, — ordenou.
Virei as costas para ele. Momentos depois, ele colocou o dispositivo contra minha coleira. Houve um leve zumbido, e percebi que a cor da coleira mudou para preto. Num instante, senti algo que não sentia desde que cheguei aqui—minha conexão com a Psinaipse.
A coleira virou uma casca oca, ao invés de uma barreira.
— Você é novo, — falou o homem de forma preguiçosa. — Então escuta aqui. Você tem doze horas. Depois disso, a restrição da coleira será reativada. Agora, volte a me encarar.
Virei-me novamente. Ele pressionou o mesmo dispositivo contra as algemas. Com um clique, elas se abriram e caíram em suas mãos. Ele as colocou na sua ring de armazenamento e olhou para mim.
— Tudo bem. Agora você vai ser rastreado de agora em diante. Não importa o nível das aberrações. Traga duas—vivas. E não se esqueça de voltar antes do tempo acabar.
Assenti com a cabeça.
Ele fez um gesto com a mão, dando por encerrada a minha presença, como se eu fosse apenas mais uma tarefa na sua lista.
Saí do prédio lentamente, minha mente acelerada, passos pesados, pensando no que esperar a seguir.