Meu Talento Se Chama Gerador

Capítulo 179

Meu Talento Se Chama Gerador

As rachaduras se espalharam mais rapidamente, rasgando o céu falso como teias de aranha. O gigante de ouro tremeu, sua forma dourada piscava enquanto a fundação deste mundo de memórias desabava.

Pedaços do chão flutuaram, se desfazendo em poeira luminosa. O ar próprio afinou, distorcendo-se e se desfiando.

Fiquei ali, observando tudo se desfazer.

A jaula ruía. O gigante imponente se partiu em partículas de luz dourada. A mente despedaçada de Vermelho não conseguiu mais segurar o mundo junto.

Uma puxada silenciosa agarrou-me. Como uma corrente de maré, arrastando-me para trás, longe dos pedaços quebrados, de volta ao mundo real.

Fechei os olhos.

A última coisa que vi foi a figura destruída de Vermelho, amassada dentro do mundo que se dissolvia.

Depois—

Meus sentidos se reconectaram como uma borracha esticada.

Gimulei ao sentir a realidade me envolver.

Estou de volta.

De volta na cela cheia de trevas.

O peso da mão dela ainda repousava sobre minha cabeça, mas agora era diferente. Sem força. Pesado.

Deixei minha percepção se estender lentamente ao redor do lugar.

O Rei Holt estava perto, de braços cruzados, com uma expressão de satisfação como se estivesse esperando por algo. Seus dois guardas estavam ao lado, e Steve estava preso contra a parede à minha direita, machucado e roxinho.

E então veio Vermelho.

Ela deslizou a mão de minha cabeça, caindo inutilmente ao lado do corpo.

Ela cambaleou, os joelhos vacilando.

Seu rosto pálido—mais pálido do que antes. Seus olhos negros, que antes tinham uma expressão de malícia, estavam vazios agora.

Vazios.

Ela caiu no chão sem fazer som.

Eu a segui pouco depois, jogando o rosto na pedra fria, fingindo estar inconsciente.

Holt piscou surpreso, dando meio passo na direção dela.

"Vermelho?" chamou.

Ela não se mexeu.

Estava lá, respirando de forma superficial, como uma marionete com os cordões cortados.

Ela não estava morta. Mas tinha desaparecido.

A mente dela tinha sido destruída além do reconhecimento. Ela nunca mais acordaria.

Pelo menos não como a pessoa que ela costumava ser.

Um dos capangas de Holt se apressou a ajoelhar ao lado de Vermelho, verificando seu estado.

Seus olhos estavam abertos, mas vazios, olhando fixamente para a escuridão.

O homem murmurou: "Ela está viva, mas… parece que está em choque."

Ri internamente.

Ela era mais do que só chocada.

O homem se levantou e se aproximou de mim.

Controlei minha respiração, mantendo-me imóvel, silencioso.

Ele virou meu corpo, e não consegui perceber exatamente o que verificou, mas após um momento, disse simplesmente: "Parece bem."

A voz de Holt cortou a calma, com urgência. "Tente acordá-la."

Outro homem se inclinou, sacudindo-a com força, até mesmo dando um tapa na bochecha. Mas Vermelho não respondeu.

A irritação de Holt aumentou. "Vamos logo. Precisamos tratar dela o mais rápido possível."

O capanga pegou o corpo mole de Vermelho e eles saíram apressados da cela.

Eu não me movi imediatamente. Minha percepção os seguiu enquanto corriam pelo corredor e sumiam de vista. Esperei, garantindo que realmente tivessem ido.

Só quando tive certeza de que estavam longe o suficiente, me sentei lentamente, soltando uma respiração profunda que nem percebi que estava segurando.

"Droga, foi intenso," murmurei baixinho.

Todo aquele encontro com ela pareceu um pesadelo. Nunca imaginei que Holt tivesse alguém como Vermelho trabalhando para ele. Alguém tão perigosa, tão completamente descontrolada.

Steve mexeu-se lentamente do seu lugar. Sua voz saiu trêmula.

"Ei... o que aconteceu?"

Suspirei, esfregando o rosto com as mãos, ainda sentindo a tensão remanescente no corpo. Então, baixinho, expliquei tudo para ele—como Vermelho tentou invadir minha mente, como virei o jogo contra ela, e o que fiz para cortá-la de vez.

Quando terminei, Steve soltou uma risada seca, cansada.

"Por que sinto que você só nos meteu em mais confusão?" disse.

Sorri um pouco e me encostei na parede.

"Era a única saída que eu tinha para pará-la. Imagine se ela tivesse mexido com nossas cabeças. Se tivesse me controlado... ou controlado você... e descoberto a verdade sobre nossa missão."

Steve fez um gesto de concordância, com a expressão séria. Entendeu, mesmo que não gostasse.

Ficamos ali na escuridão gelada, tentando recuperar o fôlego.

Ouvi Ming chamando de um lado da cela.

"Ei, garoto, o que aconteceu?"

Respondi de forma casual: "Não sei. A Vermelha tentou fazer alguma coisa comigo... aí ela simplesmente desmaiou."

Ele bufou.

"Vi essa parte. Tô perguntando o que realmente aconteceu. Ela mexeu com nossas cabeças bem forte quando chegamos aqui. Mas entre vocês dois... algo mais aconteceu, não foi?"

Balancei os ombros.

"Sinceramente? Não lembro de nada."

Ele explodiu numa risada, a voz ecoando pelas paredes de pedra.

"Rapaz, faz um tempo que estamos presos aqui. Você não precisa ficar tão na defensiva com a gente. A gente pode te ajudar mesmo, sabia? E você definitivamente não parece mais aquele garotinho inocente."

Sorri baixinho.

"Quando foi que eu disse que era inocente? E para de me chamar de 'garotinho'. Meu nome é Bilhão."

Ele riu novamente, desta vez de forma mais suave.

"Certo, Bilhão. Então... consegue me dizer o que realmente aconteceu?"

Sorrio, apesar de todo o meu corpo doer.

"Não, não sei de nada. E, sinceramente, agora estou querendo descansar, se não se incomodar."

A cela ficou em silêncio depois disso. Só o som de respirações superficiais preenchia a escuridão.

Abri a tela de status e olhei novamente para a nova habilidade, [Sobrecarga Psynapse].

A habilidade dava um impulso ainda maior à minha Psynapse, e o melhor era que me permitia impor minha vontade não só sobre mim mesmo, mas sobre o mundo ao meu redor.

Curioso para ver como funcionava fora do mundo de memórias, ativei.

[Sobrecarga Psynapse]

Essência brotou do meu núcleo, fluindo pelos canais de essência em direção ao meu cérebro. Minhas sensações se aguçaram imediatamente.

Mas a maior mudança não foi apenas a percepção aguçada—foi a nova sensação de que eu poderia influenciar o mundo ao meu redor ao forçar minha vontade sobre ele.

Claro, não era nada tão extremo quanto dentro do mundo de memórias, como criar aquela gigantesca construção de relâmpagos.

Aqui, o efeito era bem mais limitado.

O alcance onde eu podia impor minha vontade mal alcançava trinta metros—apenas um décimo do meu alcance total de percepção. E a vontade não criava objetos ou estruturas; era mais uma questão de afirmar meu domínio, minha convicção, pressionando-a contra inimigos e o ambiente ao redor.

Deixei a habilidade esmaecer e me encostei na parede fria.

O corpo não estava lá essas coisas depois da surra que levei dos capangas de Holt. Tudo doía.

Não tinha ideia do que fariam ao perceber que Vermelho tinha ficado fora de combate, mas tinha que estar pronto. Precisava me recuperar.

Ativei [Motor de Essência] e deixei meu núcleo absorver lentamente a energia do ambiente, convertendo-a em pura Essência.

Com um suspiro silencioso, fechei os olhos e mergulhei no sono.

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