
Capítulo 168
Meu Talento Se Chama Gerador
Finalmente, eu já tinha tido diversão o suficiente pelo dia.
Chamei por ele, sorrindo de orelha a orelha.
"Parei de enrolar. Pode sentar aí, Steve. Você está nos deixando envergonhados."
Ele parou no meio do caminho, com uma mão ainda tocando a parede como uma criança perdida.
"Billion?" perguntou, apoiando os olhos na escuridão. "Onde você está?"
"Do seu lado. Dois passos pra trás, um pra sua direita. Parabéns, você passou na navegação básica."
Ele suspirou e seguiu minha voz até encontrar as barras novamente. Então, segurando-as com ambas as mãos, se inclinou para a frente.
"Esse lugar é uma droga."
"Pois é, bem-vindo à nossa suíte de hospitalidade All-Inclusive Holt. Temos acessórios de cortesia também," eu disse, levantando as mãos algemadas, mesmo sabendo que ele não podia me ver.
Steve soltou um suspiro e escorregou pelas barras até ficar sentado no chão.
"Quanto tempo perdi de vista?"
"Nem sei. Acordei há uns vinte minutos, mais ou menos. A cabeça tava girando como um pião. Você perdeu minha queda dramática no chão. Ia ser o ponto alto do seu dia."
"Parece que perdi a melhor parte."
"Perdeu sim. Até tentei fazer música com as algemas. Sem aplausos. Público difícil."
Ambos rimos, mas logo o silêncio caiu por alguns segundos até que Steve perguntou calmamente: "Você tá bem?"
"Tô respirando. Isso já é uma vitória. E você?"
"Estou bem. Apenas com uma dor de cabeça, mas fora isso, tudo parece tranquilo. Odeio essa escuridão."
Ele inclinou a cabeça para trás.
"E eu odeio inimigos inteligentes. Não dá pra gente voltar a matar aberrações?"
"Tenha cuidado com o que deseja. Esses caras podem ter planos parecidos pra nós."
Steve gemeu. "Não brinque assim. Ainda estou tentando me recuperar daquele sono estranho que eles me deram. Meu hálito parece que usei meia velha."
"Você costuma lamber suas meias?"
"Você sabe o que quero dizer."
Rimos novamente, mas por baixo, a tensão fervia.
Steve ficou ali por um momento, depois bufou.
"Não consigo enxergar uma porra de nada aqui dentro. É só impressão minha ou esse lugar tá mais escuro do que o normal?"
"Provavelmente só você," eu disse, deixando o sorriso transparecer na minha voz.
"Sério? E então, como você consegue ficar tão tranquilo?"
"Porque não estou trombando em paredes como um pato bêbado."
"Você poderia ter me contado antes!" ele snapou, exasperado. "Fiquei sentindo as paredes como um caçador de tesouro desesperado!"
Ri. "Você foi bem profissional nisso. Muito furtivo. Ia enganar qualquer um... cego."
Ele soltou um suspiro cansado. "Bom saber que meu sofrimento te diverte."
"São as pequenas coisas, Steve. Temos que aproveitar as vitórias onde der."
Ele bufou. "Então, qual é a sua aposta? Prisão? Base secreta? Experimentos?"
"Parece demais silêncio para uma prisão normal."
"E também é muito limpa," acrescentou. "Sem cheiro. Sem rodízio de guardas. Sem gritos estranhos. Ainda não, ao menos."
"Passo de gritos."
Sentamos em silêncio por um tempo, a pesada escuridão do cômodo silencioso nos pressionando.
Quebrei o silêncio chamando de novo, dessa vez mais alto.
"Tem mais alguém aqui? Eu agradeceria uma festinha de boas-vindas."
Mas os dois homens nas celas ficaram em silêncio.
A voz de Steve cortou o silêncio.
"Você acha que tem mais presos aqui?"
Sem hesitar, a resposta era óbvia.
"Sim, considerando o tempo que andamos até chegar aqui, devia haver mais celas. As chances de haver outras pessoas aqui são altas."
Steve riu. "Isso é—"
Ele morreu a frase no ar quando ouvimos passos se aproximando.
Instintivamente, tentei ampliar minha percepção, esperando senti-los antes. Mas a dor voltou a irradiar na minha cabeça, forte e repentina. Fiquei contraído e parei imediatamente, minha concentração escapando.
Os passos ficavam mais próximos, e então entraram no meu alcance. Reconheci King Holt na hora, ladeado por duas pessoas que não conhecia. Fiz uma varredura neles, mas não havia nada—sem níveis visíveis, sem indicação clara de quem eram.
Minhas pálpebras estreitaram enquanto esperava, tentando decifrar seus movimentos.
Todos usavam óculos, que imaginei serem para enxergar no escuro. King parou bem em frente à minha cela, um pequeno sorriso se formando nos cantos da boca.
"Espero que vocês dois estejam curtindo a nossa hospitalidade," ele disse, com a voz carregada de divertimento.
Mesmo tendo já o visto, ainda allow a uma expressão de surpresa surgir no meu rosto.
"Rei?" falei, fingindo surpresa.
Ele riu suavemente. "Acertou. Então, achou que ia acabar aqui algum dia?"
Aprimei os olhos, lutando para segurar minha raiva. "Você nos capturou?"
Ele aplaudiu uma vez, fazendo um sorriso mais largo.
"Bom, sim e não. Não é exatamente verdade, mas tenho minha parte de responsabilidade."
Depois, indicou um dos homens ao seu lado. O homem assentiu e avançou. Um por um, eles entraram na minha cela. Mal tive tempo de reagir antes que o que tinha sido indicado me puxasse pelo ombro, fazendo-me levantar de repente.
Certifiquei-me de fazer papel de quem não conseguia enxergar nada, cambaleando como um cego.
Do lado, ouvi King rir.
"Gostou mesmo de me bater, hein?" ele disse, quase zombando.
Foquei nele novamente, analisando-o rapidamente.
[King Holt – Nível 29]
Levantei uma sobrancelha.
'Então, conseguiu sua classe.'
Não respondi imediatamente. Em silêncio, minha mente fervia enquanto pensava na situação. Ainda não precisava dizer nada. Ainda mais com ele ali, curtindo o joguinho dele.
King fez um gesto para os dois homens ao lado dele, um sorriso sombrio se espalhando pelo rosto.
"Bata nele, o bastante para que possamos aproveitar isso amanhã também."
O homem à esquerda levantou a palma na minha direção. Uma rajada de vento saiu dela, atingindo-me direto no peito. A força me lançou para trás, batendo com força na parede de pedra fria com um baque alto.
A dor explodiu nas minhas costas, e eu gemi, lutando para respirar enquanto escorregava pela parede. O golpe me deixou zonzo, desorientado.
Levei um tempo para me recompor, levantando-me com esforço, fitando os dois caras. Mas antes que pudesse me preparar para o próximo movimento, o homem à direita avançou.
Seu corpo apareceu na minha frente e seu punho desceu como um martelo, atingindo meu abdômen. O ar saiu de mim com força, e eu meCurvei, ofegando.
A risada de King ecoava pelo ambiente escuro e opressor. "Divertido, não, Billion?"
Eu cuspi sangue na boca, sem dizer nada.
Então, num impulso, pula.
Atirei-me contra o homem que tinha me acertado, esperando que o impulso do ataque giratório me desse vantagem. Meu corpo torceu no ar enquanto mirava nele.
Mas na metade do salto, algo parecia errado. A força que eu estava reunindo de repente... sumiu. A força familiar na qual confiava simplesmente desapareceu. Quando atingi o ponto máximo do giro, minhas visões começaram a ficar embaçadas, e senti meus membros ficarem pesados.
Fui vacilando no ar e caí de costas, batendo com força na pedra fria do chão com um baque surdo.
A risada de King aumentou de volume. "Você não tem mais poder aqui, Billion," ele zombou, com a voz carregada de cruel diversão.
.fixed my teeth, tentando me levantar, mas minha energia tinha se esgotado.
Os dois caras não hesitaram. Chegaram na minha direção num piscar de olhos, chutando e socando.
Ambos eram muito mais fortes que eu, e cada golpe parecia marteladas devastando meu corpo. Evitei usar habilidades, pois minha defesa não ajudaria contra eles.
Cada golpe causava ondas de dor, e eu sentia a energia escapando dos meus membros a cada impacto.
O cara do left deu um chute na minha cabeça, acertando bem na mandíbula. A força fez meu crânio bater na pedra com um estalo nojento. Minha visão ficou turva, e lutei para manter a consciência.