Meu Talento Se Chama Gerador

Capítulo 154

Meu Talento Se Chama Gerador

Steve e eu estávamos do lado de fora do conjunto residencial, esperando King e sua turma aparecerem. Já era tarde, e a maioria das pessoas ia para a cafeteria buscar comida.

Enquanto passavam, notei como estavam silenciosos. Sem conversas, sem a energia de sempre. Apenas passos pesados e rostos cansados, todos ainda abalada(s) pela notícia do exterminio da Unidade 77.

Olhei para o Steve.

Ele estava ao meu lado, com as mãos nos bolsos, com uma expressão exageradamente casual para o que estávamos prestes a fazer. Havia até um pequeno sorriso tentando aparecer nos cantos dos lábios dele.

Eu dei um cotovelada nele.

— Não sorria, idiota. Fica com cara de bravo.

Ele me olhou, depois suspirou e forçou uma carranca no rosto. Não ficou perfeito, mas era suficiente.

Algumas pessoas já estavam por perto, formando pequenos grupos. Mas não era o bastante, não para a cena que eu queria provocar.

Então, abaixei a mão, desembaracei minha clava do cinto e deixei que minha Essência fluísse para ela. O metal se alongou com um som suave de shhhk, atingindo seu comprimento total enquanto a energia se espalhava por ela.

Depois, bati-a no chão ao meu lado.

Bum.

O impacto rachou a pedra e provocou uma pequena vibração na área. As conversas pararam. Cabeças se viraram. Todos olharam fixo.

Mantive a expressão neutra, olhos direcionados para frente, imóvel. A clava vibrava ao meu lado, pulsando com pressão.

Mais pessoas começaram a se reunir, atraídas pelo barulho, curiosas e tensas.

Esperei.

Até que os vi: King Holt saindo do prédio, com apenas Michael Hightower ao lado. Sem a turma de sempre nesta noite.

Assim que perceberam minha presença e a do Steve, o corpo de King se endireitou. Seus olhos travaram nos meus, e eu não olhei embora. Deixei a pressão no ar se intensificar ao redor dele.

Ele sabia.

E todos os demais que estavam ao redor também percebiam que eu ia fazer algo.

Pisei adiante, com a clava na mão, apontando-a diretamente para King.

— Você é da família Holt, — eu declarei, com a voz alta o bastante para todos ouvirem. — Então me diga: como é a sensação de descobrir que seu pessoal esteve envolvido no massacre da Unidade 77?

Suspiros e comentários se espalharam ao redor. Sussurros começaram a surgir como faíscas em grama seca. Todos os olhos se voltaram para King, que ficou congelado. Seus lábios se abriram, mas no começo nada saiu.

Depois, ele soltou uma risada aguda.

— Você é louco, — ele afirmou. — Do que diabos você está falando?

Inclinei a cabeça, caminhando lentamente em direção a ele.

— Estou falando do Fantasma. Das aberrações. Do massacre. Você acha que é coincidência eles terem encontrado a Unidade 77? Que só foram atrás deles? Eu sei que alguém deu essa informação para eles. E acho que essa pessoa veio de uma certa casa ‘nobre’, cheia de segredos e inimigos demais.

Michael avançou, com o rosto sombrio.

— Isso é uma acusação grave, Ironhart. É melhor você —

Estalou. —

Steve se moveu como um relâmpago, com a mão cerrada, dando um soco direto na barriga de Michael. O cara se dobrou instantaneamente, caindo no chão com uma tosse engasgada.

— Eu estou vendo, — murmurou Steve, com os olhos frios.

King se virou para ele, surpreso, e foi aí que eu agi.

Um golpe limpo e brutal na lateral dele, com a empunhadura da minha clava.

O corpo de King virou no ar, batendo de cabeça na parede do prédio atrás dele. A multidão gritou, chocada, enquanto seu corpo caía ao chão, ensopado de sangue e todo ensanguentado.

King gemeu, tentando se levantar, mas eu já estava sobre ele.

— Você acha que isso acabou, King? — grunhi, segurando-o pelo colarinho. — Achando que esconder-se atrás do nome da sua família vai te salvar?

Ele tossiu, sangue escorrendo do lábio, e deu um sorriso torto.

— Você é quem está escondido, Ironhart. Escondido atrás da saia do Império, como um menino assustado.

Sua voz tremeu, mas tinha peso.

— Você acha que o emblema no seu peito te torna poderoso? Você é nada sem eles. Mais um garoto que o Império pegou para jogar contra monstros.

Olhei fixamente para ele, apertando mais a mão.

King sorriu de canto.

— Os Holt... a gente não precisa do Império. Nós dominamos o Império. Somos os verdadeiros reis deste mundo. E, quando chegar a hora, vocês vão ver o quanto sua posição é insignificante.

Ele avançou como se fosse atacar, mas bloqueei facilmente e agachei, com o joelho cortando o ar em direção ao peito dele. O ar saiu de seus pulmões numa explosão. Ele se desequilibrou novamente, tossindo e se asfixiando.

— Então rasteje como um rei, — eu disse de forma fria, acima dele, imponente. — E reze para que seu pequeno reino não caia antes do meu se erguer.

Ao meu lado, Steve não hesitava em surrar Michael com violência. O cara tentou conjurar algum feitiço de defesa, mas Steve quebrou tudo com a empunhadura da espada e o fez tropeçar pelo chão.

— Pare! Pare! — gritou Michael. — Nós não fizemos nada!

— Exatamente! — gritou Steve.

King tentou rastejar para longe de mim.

Eu coloquei o pé nas costas dele e pressionei com força.

Ele arfou.

— Quero que a família Holt ouça isso — falei, alto e claro. — Quero cada espião que vocês colocaram aqui reporte o que aconteceu nesta noite. Achavam que não íamos perceber o jogo de vocês? Achavam que ficaríamos calados como cachorros?

Empurrei meu calcanhar com força contra as costas dele, fazendo-o gritar.

— Vocês subestimaram as pessoas erradas.

King se contorceu debaixo do meu pé, com o rosto raspando no chão áspero. Deixei que role para as costas.

Depois, lentamente, coloquei o pé sobre o rosto dele.

Seus olhos brilharam de ódio, mas seu corpo estava quebrado, fraco.

— Me diga, pequeno príncipe — sussurrei. — Ainda acha que está acima de nós?

A multidão ficou em silêncio assustado. Alguns com horror, outros com algo que parecia... concordância.

Então, uma voz veio da borda da reunião.

— Chega disso! — um jovem de Unidade 02 deu um passo à frente, com os punhos cerrados. — Vocês estão indo longe demais! Culparem ele sem provas. Ele faz parte da Unidade 02.

O murmúrio se espalhou pelo grupo. Alguns acenaram com a cabeça. Outros desviaram o olhar, incertos.

Eu não respondi. Só empurrei meu calcanhar ainda mais forte contra a bochecha de King, esfregando seu rosto na lama.

Ele gemeu, com sangue se misturando ao chão.

— Provas? — eu finalmente disse, com a voz baixa, fria. — Quer provas? Noventa e três corpos apodrecendo na lama. Um massacre perfeitamente planejado. E tenho certeza de que esse aí sabe do que estou falando.

Levei o olhar à multidão, que olhava com incerteza.

— A família Holt nunca foi leal ao Império. Você acha que eles são só uns ricos metidos? Não. Financiam grupos mercenários, compram silêncio, manipulam nas sombras. E agora, é bem possível que já estejam de mãos dadas com os inimigos lá fora, ao nosso lado.

Retirei o pé lentamente do rosto de King.

— Mas, claro, — meu tom virou gelo — vamos esperar pelas provas. Talvez a gente as encontre na próxima pilha de corpos.

Steve se aproximou, com sangue ainda escorrendo das mãos, e ficou ao meu lado.

— Se não fosse pelo sobrenome dele, ele estaria limpando chão agora, — ele murmurou, encarando King. — Toda essa arrogância? É poder emprestado.

King tossiu e cuspiu na minha bota. Não vacilei.

Levei minha clava, bati-a no chão ao lado da cabeça dele.

O som do impacto foi ensurdecedor. Ele deu uma encolhida.

Steve avançou.

Em um movimento rápido, agarrou King pelos ombros, puxando-o para cima e segurando seus braços ao lado do corpo. King tentou resistir fracamente, respirando com dificuldade, mas a mão de Steve não cedia, mantendo-o como uma boneca de pano.

Eu não hesitei. Aproximando-me, segurei o colarinho dele com uma mão e dei um soco forte no rosto.

O impacto foi brutal, fazendo a cabeça dele torcer para o lado. Sangue jateou do nariz, mas não parei por aí.

Antes que King pudesse se recuperar, dei outro soco, agora na barriga dele.

Ele gemeu, o ar saindo brutalmente enquanto seu corpo tremia sob a força. Steve não soltou, mantendo-o ereto enquanto meu punho continuava a agredir.

O rosto de King se contorceu de raiva enquanto tentava respirar, com voz rouca. — Eu vou fazer você se arrepender disso, — cuspiu, as palavras escapando de seus lábios quase sem som.

Sorri, me aproximando ainda mais. — Não, você não vai. Você é fraco demais para isso.

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