
Capítulo 143
Meu Talento Se Chama Gerador
Corri para dentro da zona com toda a força das minhas pernas. Quanto mais velocidade adquiria, mais meu corpo parecia impulsionado por uma força própria.
Assim que alcancei uma velocidade suficiente, lancei-me ao ar. Meu foco passou a concentrar-se no canal que percorria minha espinha dorsal.
A essência torcia-se em movimento, um comando, e mudou-se para fogo.
Uma explosão violenta surgiu das minhas costas. Não era apenas calor, era pressão. Uma força bruta que se lançou para baixo e para trás de mim.
"Ah—!"
As chamas não queimavam, mas o impacto foi como um golpe dos deuses. Meu corpo avançou como uma seta disparada de um arco. Voei em linha reta, paralelo ao chão.
O vento gritou nos meus ouvidos. Meus braços se lançaram para trás. Meu cabelo chicoteava meu rosto.
Inclinei-me na direção do impulso, ajustando minha inclinação, controlando o fluxo com microajustes.
"Deu certo... realmente deu certo. Hahaha—!"
Eu era um projétil vivo, sem equipamentos, sem asas, sem truques. Apenas essência pura transformada em propulsão.
Sorria como um louco.
O fogo se apagou assim que interrompi o fluxo. Meus pés tocaram o chão duro e escorregaram, faíscas saltando ao meu redor. Tropecei, mas recuperei o equilíbrio.
E ria.
"Isso foi insano…"
Mas eu ainda não tinha acabado.
Respirei fundo e concentrei-me novamente, desta vez no canal que atravessava meus braços.
A essência pulsou.
Redirecionei para o elemento vento.
Um sussurro agudo escapou de minhas pontas dos dedos. Correntes gêmeas envolveram meus braços como tornados enrolados.
Mirei adiante.
O ar comprimido foi lançado como um jato concentrado. Uma árvore à minha frente estremeceu, os galhos rachando sob a força.
Flexionei os dedos. O ar respondeu.
Então, agi.
Minhas pernas ardentes de potencial. Toquei os canais, mudando a essência mais uma vez, agora para eletricidade.
Os músculos ficaram tensos. Faíscas correram pelas coxas e panturrilhas. E então, um flash.
Desapareci, reaparecendo a cinco metros à frente, deixando um rastro de fumaça para trás.
Meu coração acelerava dentro do peito.
Uma essência de cada vez. Um canal de cada vez.
Adiantei as omoplatas, ainda vibe de minha última manobra. Meu corpo vibrava de energia, a essência fluindo pelos canais como fogo líquido.
Meus pensamentos retornaram ao novo estágio passivo que desbloqueei — Estágio II do Corpo Ípico.
[Estágio II desbloqueado: Musculatura Tensada]
[Seus músculos agora possuem fibras de alta tensão. Você pode ajustar sua rigidez, armazenar força e liberá-la quando quiser. Velocidade de recuperação aumentada.]
Concordei comigo mesmo, cerrando e relaxando os punhos. As fibras eram reais. Sentia-as se moverem sob a pele, como cabos tensionados prontos para romper. Ampliei minha percepção, procurando por alguma Aberração que pudesse estar escondida por perto, para testar alguns socos.
Nada.
Todo o território parecia silencioso de forma estranha. Sem movimentos. Sem sinais de energia hostil. Apenas o vento e o leve tremor dos meus próprios passos ecoando de volta.
"Carregar."
Sussurrei baixinho e ativei meu núcleo.
Já tinha gasto bastante experimentando os impulsos e explosões, precisava me reabastecer enquanto me movia.
Comecei a correr para dentro da zona. Meu ritmo acelerou rapidamente. Em segundos, estava em sprint, passando por árvores e rochas pontiagudas, meu corpo cortando o cenário como uma bala.
Então, fui ainda mais além.
Fogo saiu das minhas pernas, a explosão vindo aguda e controlada, fazendo-me avançar como uma projétil em zigue-zague de calor e fumaça. O chão atrás de mim rachou sob a força da explosão, chamas lambendo a terra.
BUM, bum, bum.
Cada passo soava como uma detonação, ritmo caótico, mas eletrizante.
Foi aí que senti algo estranho em minha percepção. Uma ondulação. Uma anomalia no fluxo da essência, antinatural e forte. Elemental.
Encostei o olhar.
Alternei de direção sem diminuir a velocidade. A sensação ficou mais forte à medida que me aproximava e, por fim, parei bem fora da área.
Na minha frente, uma cadeia de montanhas destruídas.
Quebradas, porque nenhuma delas permanecia inteira.
Cada pico tinha sido cortado, alguns com metade, outros quase sem topo algum. Pedras e rochas pontiagudas espalhadas como um campo de batalha congelado no tempo.
Pisei adiante, estreitando os olhos enquanto estendia minha percepção. Os elementos aqui eram instáveis — Terra e Ar. Mas algo na disposição parecia... errado.
Flexionei os joelhos e lancei-me para frente, correndo pelo topo de uma colina destruída. Assim que alcancei o topo, pulei direto ao ar.
BUM.
O solo encolhia sob meus pés enquanto eu subia mais e mais alto. Dirigi meu olhar pelo cenário e finalmente o enxerguei.
Meus olhos se arregalaram.
Isso não era natural.
A cadeia de montanhas era artificial. Cada fila de colinas era colocada deliberadamente, três por três. As três primeiras filas estavam espaçadas de forma equilibrada e paralela, depois o próximo conjunto mudou um pouco, e assim por diante. O padrão se repetia. Contava vinte e uma filas ao todo.
Pousei de volta na colina.
"Parece um campo de batalha artificial." murmurei, então desci e comecei a avançar mais profundamente na cadeia.
O elemento Terra aqui era forte, mas calmo e estável. O vento era mais selvagem, errático, mas fraco demais para ser perigoso. Segui em frente sem resistência.
Só quando alcancei a sétima fila que a mudança aconteceu.
Senti imediatamente. Uma leve vibração sob meus pés. Minhas sensações aguçaram. Algo se arrastava em minha direção, mas eu não me mexi. Queria ver o que era.
De repente, uma garra saiu do chão e agarrou meu tornozelo.
"Oh?"
Antes que eu pudesse dizer algo mais, ela puxou para baixo, tentando me puxar para o subterrâneo. Não resisti. Na verdade, permiti.
Mas a força era fraca demais para minha força aumentada.
Ri comigo mesmo.
"Certo. Deixa comigo."
Deixei que me puxasse para baixo. O chão cedeu como um redemoinho, e fui sugado para um túnel totalmente negro.
Sem luz.
Mas, com a essência fluindo por mim, via perfeitamente. O túnel se estendia à minha frente e, bem na minha frente, havia uma Aberração.
Novamente, do tipo morcego. Mas desta vez, diferente. Seu nível marcava 53.
Sorri e forcei os punhos.
Era maior, mais robusto, com asas semelhantes a lâminas e olhos brancos que brilhavam. Mas não atacou. Ficou parado, me observando.
Também não me movi.
Era uma oportunidade perfeita para testar meu novo passivo.
Fechei o punho direito e concentrei-me. A habilidade dizia que podia tensionar as fibras musculares, armazenar força e liberá-la toda de uma vez. Fiz exatamente isso.
Senti a tensão aumentar ao perceber as fibras do meu braço se torcendo e se endurecendo. Um rangido silencioso, como metal sendo esticado. Meu bíceps inchou, seguido pelo antebraço, e toda a minha estratégia, agora, ficava mais grossa, pelo menos dois centímetros a mais.
Não eram músculos novos. Era só minhas próprias fibras se tensionando, armazenando, coçando como molas.
Expirei lentamente, com os olhos fixos na fera.
"Não sei o que está esperando, mas não gosto de escuro. Então, vou primeiro."
Avancei de repente.
O morcego berrou ao ver minha aproximação rápida, seu grito ecoando pelo túnel. Abriram suas asas e abriram a boca para contra-atacar.
Cheguei na frente dele primeiro, torcendo a cintura, e soltei o soco.
Minha mão rasgou o ar e atingiu seu abdômen.
BUM.
O morcego explodiu.
Não morreu só, explodiu. Sangue e pedaços respingos nas paredes do túnel. E, atrás da criatura, um jato de ar comprimido saiu com força, abrindo um buraco na extremidade oposta do túnel.
A luz entrou.
Sorria.
Agora, isso foi um teste digno mesmo.