Meu Talento Se Chama Gerador

Capítulo 133

Meu Talento Se Chama Gerador

Sentei-me com as pernas cruzadas dentro de um crater cheio de água, com cerca de noventa pés de profundidade. Mas aquela não era uma água calma. Ela girava como um redemoinho, com um único vórtice girando bem no centro.

O movimento também não era natural. Era causado por uma mistura estranha de vento e elementos do espaço incorporados à água. Essas forças mantinham todo o interior do craterão vivo e em constante agitação, nunca permitindo que a superfície permanecesse imóvel por sequer um segundo.

O verdadeiro desafio, porém, estava lá embaixo, abaixo da marca de noventa pés. A pressão naquele lugar era brutal, muito mais intensa do que na água comum.

O elemento do espaço se comprimia e se expandia constantemente, se dobrando sobre si mesmo como o interior de um túnel que colapsa. Mesmo com meu corpo adaptável, eu sentia a tensão.

Já fazia cinco dias desde que encontrei o homem invisível, Dante. E desde então, mergulhei cada vez mais fundo na zona selada que Arkas tinha mencionado.

No caminho, encontrei algumas regiões elementais estranhas, cada uma mais bizarra que a anterior.

Uma zona era completamente preenchida com fogo. Não apenas calor, mas uma energia de fogo bruta, pulsante e viva. O que a tornava especial era a maneira como sua concentração mudava continuamente.

Às vezes ela era tênue, depois repentinamente se tornava espessa e sufocante, e então explodia em extremos sem aviso. Movia-se como uma criatura viva. Fiquei lá por um tempo treinando o controle do meu fogo, me esforçando para me adaptar ao fluxo imprevisível.

Depois veio a zona da terra. Era uma das áreas mais perigosas que encontrei. O terreno mudava o tempo todo: numa hora era solo macio, na próxima, metal afiado, depois areia solta, e então materiais que eu nem reconhecia.

Não era só o solo que mudava. As Abominações que viviam lá eram mestres do ambiente, torcendo a terra em armas. Cada passo que eu dava precisava ser feito com cuidado extremo.

Depois, acabei entrando numa região mergulhada na escuridão pura.

Aquela zona parecia o covil de assassinos.

As Abominações ali se moviam em silêncio absoluto, escondidas nas sombras, atacando com precisão cirúrgica.

Mesmo com minha sensibilidade de Essência, era difícil localizá-las. Elas se misturavam perfeitamente com o elemento escuro ao redor.

Mas a pior dessas zonas, aquela que fazia minha pele arrepender, foi algo que chamarei de Zona da Erosão. O tempo ali era distorcido. Eu via ruínas quebradas se revertendo a construções completas e, segundos depois, desintegrando-se novamente. Era como se tudo estivesse preso num ciclo infinito.

Não perdi tempo. Corri.

Me lembrou demais a última vez que enfrentei zonas baseadas no tempo. Tentei controlar o elemento do tempo novamente, só para ver se tinha melhorado.

Eu sentia isso, escondido na Essência que comandava. Mas fazê-la obedecer? Ainda estava longe de conseguir. Era como tentar pegar algo que não existe.

Assim, fiz a coisa inteligente: escapei. Empurrei meu caminho espalhando uma quantidade enorme de Essência ao meu redor, perturbando a energia do ambiente e impedindo que o elemento do tempo se aproximasse demais.

Durante essas viagens pelos zonas, foquei em duas habilidades-chave: [Impulso Psínapse] e [Modelagem de Essência].

Precisava de ambas para o plano que tinha em mente. Algo grande. Algo arriscado.

Minha habilidade com a bengala também melhorou bastante.

Dia após dia, enfrentando Abominações, desmembrando-as, treinando com a arma, ia aperfeiçoando meu jeito de usar o bastão.

Seja bloqueando, atacando ou simplesmente tentando sobreviver, o bastão sempre esteve em minhas mãos. Não apenas balançava ele, eu me movia junto.

Mas o verdadeiro crescimento, na verdade, não veio da minha arma.

Veio do meu controle de Essência.

Graças à minha classe, minha relação com a Essência mudou completamente.

A cada nivel-up, eu sentia minha conexão mais forte, mais precisa. Não era mais só perceber ao redor, eu aprendia a moldar, dobrar, empurrar a Essência de formas que agora pareciam naturais.

E não foi só a classe que impulsionou isso. Meu atributo Psínapse disparou. Eu nem tava focando nele diretamente, mas ele subia como louco. Minha classe lendária dava um enorme impulso toda vez que eu subia de nível, e eu sentia claramente os efeitos.

Decidi então experimentar.

Passei horas trabalhando com a Essência que produzia pelo meu talento.

Queria entender melhor, descobrir o que fazia ela ser diferente da Essência que estava no ar ao redor.

E aí percebi algo importante.

No começo, achei que a Marca do Soberano só mudava a cor da minha Essência e me dava mais controle sobre ela, comparada à Essência natural. Ela tinha aquele brilho roxo, parecia mais poderosa. Mas quanto mais usava, mais percebia que havia algo profundo ali.

Não era só uma mudança visual. Estava alterando a própria natureza da Essência.

Era minha.

A Essência que eu gerava tinha um gosto diferente.

Obedecia mais rápido. Respondia com mais precisão. Era mais lisa, mais refinada, parecia feita sob medida pra mim. Eu podia fazer mais com ela do que com a Essência selvagem do mundo ao redor. Isso não era coincidência; era um sinal.

Foi assim que cheguei a uma grande conclusão.

Eu não era mais apenas um usuário de Essência.

Estava me tornando uma fonte. Uma criadora de algo único, que não pertencia ao mundo, aos elementos ou mesmo a qualquer lei.

Pertencia a mim.

Minha própria Essência.

Essa percepção deu origem a ideias mirabolantes, que faziam meu coração acelerar de empolgação.

A maior delas era esta: e se eu pudesse substituir a Essência natural ao meu redor pela minha própria Essência gerada? E se todo o espaço ao meu redor fosse preenchido só com a Essência que eu criasse?

Se conseguisse, teria total controle. Ninguém mais poderia usá-la, porque ela não pertenceria mais ao mundo. Pertenceria a mim. Eu seria como um imperador sem coroa, governando minha própria energia. Um verdadeiro Noblesse em todos os sentidos.

Abri meu painel de status e talentos para verificar o progresso que tinha feito nos últimos cinco dias.

[Status]

----------------------------------------------

Nome: Bilhão Ironhart

Raça: Humano

Classe: Noblesse de Essência

Leis: N/A

Rank: Mortal

Nível: 40

Talento:

- Gerador 4

- Essência: 35/35

Atributos:

- Força: 201

- Constituição: 194

- Destreza: 203

- Psínapse: 244

Habilidades:

- Modelagem de Essência (Innato) Nível 8

- Impulso Psínapse (Innato) Nível 8

- Troca de Essência (Innato) Nível 5

- Explosão Sísmica Nível 4

- Esfera do Caos Nível 2

- Raio Hakaí Blitz Nível 3

Habilidades especiais:

- Corpo Supremo – I (Passiva)

----------------------------------------------

[Talento]

-----------------------------------------------

Nome do Talento: Gerador

Função: Gera Essência a partir de energia absorvida

Nível: 4

Essência: 35/35 unidades

Requisito para subir de nível: 700 unidades de Essência gerada

Progresso: 689/700

Requisito para upgrade do talento: Nível 5

Comando de ativação do Gerador: Potencializar!

Fontes de recarga: Qualquer forma de energia

Habilidades:

- Transferência de Essência – Pode transferir Essência armazenada para um atributo. Após uso, 40% da unidade de Essência transferida permanece como aumento permanente.

- Infusão de Essência – Pode infundir Essência armazenada.

- Absorção de Partículas – Pode absorber partículas de energia diretamente do ambiente.

- Marca do Soberano – A Essência gerada carrega sua assinatura única, obedecendo apenas à sua vontade.

----------------------------------------------

Um sorriso involuntário surgiu no meu rosto ao olhar para meu progresso. Em apenas cinco dias, evoluí bastante. Todas as minhas estatísticas, exceto Constituição, passaram da marca de 200 pontos.

E toda vez que alguma estatística ultrapassava esse limite, sentia meu corpo mudando, ficando mais forte, ágil, mais refinado. Não era só números crescendo, era um crescimento real, físico.

Cheguei ao Nível 40 no primeiro dia.

Depois, optei por recuar um pouco. Enfrentei Abominações, desmontando-as, mas sem matá-las de fato.

Queria parar de subir de nível por um tempo e focar em executar meu plano. Essa decisão se mostrou certa, especialmente para praticar com minha bengala. Cada batalha afiava minha técnica, meus pés, meu timing.

Minhas habilidades [Impulso Psínapse] e [Modelagem de Essência] evoluíram várias vezes. Dediquei muito tempo e esforço a elas, sabendo o quão essenciais seriam para o que vinha pela frente.

E a maior delas? Eu estava ficando muito próximo, bem próximo mesmo, de aprimorar meu talento.

Parei de ativar totalmente o Núcleo Gerador para evitar produzir mais Essência. Ainda não era o momento. Mas a ideia de evoluir meu talento de verdade… me deixava empolgado. Sentia que estava quase lá.

Se tudo corresse bem, nos próximos dias, desbloqueária primeira etapa de upgrade do meu talento, e tinha a sensação de que esse não seria o último.

Comentários