Meu Talento Se Chama Gerador

Capítulo 132

Meu Talento Se Chama Gerador

Arma Despertada, uma das muitas habilidades poderosas concedidas pelo Sistema a aqueles que tinham evoluído.

Quando uma pessoa passava pela sua primeira evolução de classe, ela ganhava a chance de ligar uma arma diretamente à sua classe.

Após a ligação, a arma se fundia completamente com seu portador, tornando-se única e pessoal. Ela se adaptava ao estilo de combate do usuário e até adquiria habilidades especiais, de acordo com sua classe e natureza.

Era raro ver uma, quanto mais em ação. Ainda observava o tridente dourado, faiscando raios em suas mãos, quando uma voz interrompeu meus pensamentos.

"Ho... ho... ho... Você não mudou nada, Arkas."

A voz não era alta. Soava como um sussurro beijando meu ouvido, suave, mas arrepiante.

Minha cabeça virou de repente, procurando a origem.

Arkas respondeu.

"Que tipo de homem eu seria se mudasse?"

Um risinho suave veio na sequência.

"Então você seria um homem progressista."

Quase ri da resposta, mas me controlei.

Arkashowu o queixinho, bufando.

"Estou bem do jeito que sou."

Ele fez uma pausa e aumentou um pouco o tom de voz.

"Agora, por que você não aparece logo e me diz por que está aqui?"

A voz respondeu, ainda invisível, com um tom de brincadeira fria.

"Não há necessidade."

Uma risada leve soou.

"Tenho lugares a visitar."

Mais uma pausa.

"Mas não se preocupe... te verei em breve."

A voz ficou mais baixa, como se estivesse se aninhando no meu ouvido.

"Quanto à razão da minha vinda..."

Um instante.

"Bem, só estava passando por aqui... e ouvi dizer que Arkas tem um novo estudante. Enfim, estou indo."

O silêncio voltou.

Arkas pairou acima, sem dizer uma palavra.

Depois de quase um minuto, finalmente exalou e desceu lentamente.

Fiquei em pé, sacudi a poeira e fiz a pergunta que queimava na minha cabeça.

"Comandante… quem era aquela pessoa? Ela era forte?"

Ele pousou a poucos metros de mim, mas não respondeu de imediato. Franziu a testa, a boca se fechando com força.

Então, de repente, sua voz ecoou pelos escombros, sacudindo o chão sob meus pés.

"Velho, sai daqui, pelo amor de Deus."

Friccionei com a força daquilo.

E então, aquele sussurro voltou, mais perto desta vez, quase brincando.

"Garoto… eu sou muito mais forte que ele. Vamos logo."

Ouvi um grito e um som de quemos forte atrás de mim. Me virei na hora certa para ver o corpo do homem encapuzado saindo do domo de relâmpagos, deixando para trás um estrondo sônico agudo enquanto atravessava o céu.

Em um segundo, minha bengala passou girando pelo ar e pousou com um clique metálico bem ao meu lado, a ponta afundando um pouco no chão.

Pisquei, com a boca aberta de surpresa.

Um calafrio percorreu minha espinha.

'Quem diabos é aquele velho?'

Arkas esfregou a testa, com uma expressão cansada e frustrada. Soltou um suspiro longo, depois acenou casualmente com a cabeça e a tridente dourado sumiu no ar.

Não pude deixar de olhar para ele, curioso, com o coração acelerado.

Ele finalmente olhou para mim e suspirou novamente.

"Ahh... que confusão."

Virei de um lado, inquieto, até não aguentar mais e perguntar o que me queimava por dentro.

"Comandante… quem era aquele cara de capuz? E quem era aquela outra voz?"

Ele ficou em silêncio por alguns segundos, esfregando a cabeça calva, como se estivesse decidindo se me contava ou não.

"Bem… podemos pensar neles como a unidade de assassinos do Império."

Seus olhos se iluminaram ao ouvir isso.

"Espera, unidade de assassinos? Temos uma unidade dessas? Por que nunca ouvi falar disso?!"

Arkas riu da minha reação.

"Porque, oficialmente… ela não existe."

Minha cabeça girava com perguntas e teorias.

Ele levantou uma sobrancelha.

"Por que essa empolgação toda? Acho que seu estilo não combina muito com um assassino."

Eu dei de ombros, sorrindo.

"Tanto faz. Ainda acho elas muito legais. Sempre quis conhecer pelo menos um assassino na vida."

"Ah, é mesmo?" Arkas disse, meio sorrindo.

Assenti rapidamente.

"Então, o cara de capuz era um membro da unidade. E aquele velho que sussurrava… era o Dante. O líder deles."

Ele fez uma pausa, depois continuou.

"Quanto à força dele, sim, ele é mais forte que eu. Pode até ser um dos cinco mais poderosos do mundo. Mas quase nunca aparece em público."

Ele me lançou um olhar penetrante.

"E se você der de cara com um velhinho encurvado, com barba branca longa e um cajado, cuidado. Não aceite nada do que ele pedir. Por mais que pareça inocente."

Inclinei a cabeça, confuso.

"É assim que o Dante se parece?"

Arkas negou com a cabeça.

"Não. É só a fantasia que ele usa quando está recrutando crianças. Já perdi muitos bons alunos para aquele velho."

"Nem é brincadeira. Falo sério. Já perdi meu neto para ele."

Fechei os olhos por um instante.

"Seu neto?"

Ele assentiu devagar.

"Sim. O irmão mais velho do North. Tinha grandes expectativas nele, e um dia ele simplesmente desapareceu, decidiu seguir aquele maldito velho. Agora nem sei onde ele está. Pode estar em qualquer canto do mundo, em alguma missão secreta. Dante só responde ao Imperador."

Minhas ideias rodaram na cabeça.

'O irmão do North é um assassino…?'

Assenti silenciosamente, tentando assimilar tudo o que Arkas tinha acabado de me contar.

Mas uma dúvida não parava de martelar na minha mente.

"Ele veio aqui me recrutar?"

Arkas deu um encolhido de ombros casual.

"Sinceramente, não sei."

Ele fez uma pausa, mudando de assunto.

"De qualquer forma, como você está de progresso? Conseguiu terminar o que veio fazer aqui?"

Olhei para a minha tela de status e soltei um suspiro, depois balancei a cabeça.

"Ainda não. Estou quase, mas ainda tenho algumas coisas para ajustar antes de avançar para a próxima fase."

Arkas concordou com a cabeça, compreendendo.

"Tudo bem. Você ainda está perto dos limites da zona que eu selar, então, se quiser realmente se esforçar, aprofunde-se mais. Mas cuidado, há áreas perigosas mais dentro, com aberrantes de alto nível."

Eu acenei novamente com a cabeça.

Então, com um estalo suave, relâmpagos cruzaram seu corpo e, assim, ele desapareceu em um piscar de olhos.

Meus olhos ficaram fixos no chão, em silêncio. Passei a mão no peito onde aquilo tinha me atingido, bem na hora em que meu plano poderia se concretizar.

"Então, fui derrotado à toa", murmurei para mim mesmo.

Isso não me agradou. Nunca me importei de lutar, vencer ou perder, mas ser jogado assim, sem propósito, doeu mais do que o golpe em si.

'Dante, hein...' Fiz uma anotação mental. 'Vou me lembrar de você, velho.'

Puxei minha máscara, coloquei de volta e ajustei as tiras. Depois, puxei minha bengala do chão e comecei a caminhar de volta para a base.

Minhas ideias voltaram ao plano novamente, alguns pedaços girando na minha cabeça.

Numas coisas estavam indo bem… outras, não tanto.

Sei que preciso sentar e reavaliar tudo. Se continuar indo sem ajustar o caminho, corro sério risco de cometer um erro antes mesmo de chegar ao final.

Depois de caminhar um pouco, encontrei uma sala meio destruída. O teto havia caído, o chão coberto de entulho, mas pelo menos três paredes ainda de pé. Era o suficiente. Apoiei minha bengala na parede e sentei, exalando fundo.

Minha mente voltou ao momento em que Arkas tirou sua Arma Despertada. Aquilo tridente, reluzindo com relâmpagos dourados.

Poder real, avassalador. Do tipo que só podia sonhar em ter. Olhei para as minhas mãos, imaginando quanto tempo levaria para alcançar sequer uma fração daquela força.

Entrei na minha bolsa de armazenamento e peguei um recipiente lacrado.

No instante em que o abri, saiu vapor, carregando o aroma delicioso de carne e arroz recém-cozidos. O calor tocou meu rosto, e meu estômago roncou de fome.

Retirando a máscara, comecei a comer devagar, pensando em tudo que tinha passado, nas lutas, nos momentos de perigo e na sensação de subir de nível repetidamente. Meu corpo tinha ficado mais forte, meu controle, mais afiado.

Mas estabeleci um limite para mim.

Nível 40.

A essa altura, tinha traçado um ponto de parada. Quando atingisse esse limite, pararia e focaria. Terminar o que vim fazer. Existem coisas que preciso entender, partes do meu poder que ainda não compreendo completamente.

Queria uma base sólida, e, depois de construí-la, planejava radicalizar na evolução e nos upgrades dos meus atributos.

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