Meu Talento Se Chama Gerador

Capítulo 82

Meu Talento Se Chama Gerador

Enquanto caminhávamos em direção ao refeitório, olhei para North e perguntei:

— Quer ligar para seus amigos?

Ela hesitou, só por uma fração de segundo, antes de balançar a cabeça.

— Não, tudo bem.

Algo em sua resposta pareceu um pouco estranho, mas não insisti.

Em vez disso, acenei com a cabeça.

— Tudo bem.

O refeitório era maior do que eu esperava: limpo, espaçoso e um pouco mais avançado do que o da minha academia. O teto tinha painéis de iluminação elegantes e os balcões de comida tinham telas exibindo as opções do menu.

Quando entramos, ocorreu uma mudança perceptível na atmosfera. As conversas diminuíram, os olhos se voltaram e sussurros nos seguiram. Não foi sutil, as pessoas encaravam. Alguns pareciam curiosos, outros desconfiados, mas a atenção era inegável.

Eu não tinha dúvidas sobre o motivo.

No nível 25, eu era o estagiário de maior nível e mais forte aqui, e meu nome já tinha corrido solto. Steve, caminhando ao meu lado, soltou uma risada baixa.

— Caramba, cara. Você é uma celebridade agora.

Ignorei os olhares e continuei andando.

Pedi algo simples: carne grelhada, arroz e um shake de proteína de alta caloria. Steve, fiel à sua forma, escolheu a maior refeição disponível, algo rotulado como "Especial Combustível de Combate" e murmurou sobre a necessidade de ganhar massa.

North demorou um pouco, eventualmente decidindo pela mesma refeição que Steve.

Depois que nossos pedidos foram feitos, levamos nossas bandejas para uma mesa vazia e nos sentamos.

Eu expirei, olhando ao redor.

— Este lugar é enorme. Se eles têm tantas instalações só para nós, imagino que tipo de estrutura os soldados oficiais têm.

North deu de ombros.

— Não muito diferente, na verdade, só maior. Embora existam algumas áreas restritas e coisas confidenciais que eu não conheço. Fora isso, é quase tudo igual.

Eu assenti, então de repente me lembrei de algo e perguntei:

— Ei, vocês já receberam suas recompensas pela missão?

Steve balançou a cabeça.

— Não ouvi nada até agora. Estou realmente ansioso por isso.

O refeitório zumbia com conversas silenciosas enquanto esperávamos nossa comida. Alguns minutos depois, uma notificação apareceu no painel de pedidos, informando que nossas refeições estavam prontas para retirada.

— Eu vou pegar — eu disse, levantando-me.

Steve preguiçosamente acenou para mim.

— Boa, camarada.

North deu um pequeno sorriso.

— Obrigada.

Caminhei até o balcão, onde um funcionário do refeitório me entregou as bandejas. As refeições estavam cuidadosamente arrumadas. Levei-as de volta com cuidado e coloquei cada bandeja na frente deles antes de me sentar.

— Aproveitem.

Steve atacou imediatamente, enquanto North adotou uma abordagem mais medida, mas sua refeição era tão pesada quanto a de Steve.

Enquanto comíamos, North se virou para mim.

— Então, quando você vai desbloquear sua classe?

— Hoje à noite — respondi entre mordidas. — Pensei em cuidar de todo o resto primeiro.

Steve assobiou.

— Caramba, você é paciente. Eu teria feito isso no segundo em que tivesse a chance.

Dei de ombros.

— Queria clarear minha cabeça primeiro. Além disso, eu tinha outras coisas para lidar.

North inclinou a cabeça ligeiramente.

— Como o quê?

Bati na mesa.

— Melhoria de habilidade. Dar a vocês o núcleo. Comer comida boa em vez de desmaiar logo após evoluir uma habilidade.

Ela riu.

— Justo.

Steve sorriu.

— O que ele não está dizendo é que provavelmente estava agonizando sobre que tipo de classe ele vai conseguir.

Lancei-lhe um olhar.

— Eu não estava agonizando.

Ele bufou.

— Aham, aham.

Continuamos comendo, a conversa fluindo casualmente.


Depois de terminar a comida, fomos direto para a biblioteca.

O prédio da biblioteca fazia parte da ala de pesquisa. A entrada tinha scanners de segurança, mas passamos sem problemas. Dentro, fileiras e fileiras de prateleiras bem arrumadas se estendiam em todas as direções.

Displays holográficos pairavam sobre diferentes seções, marcando assuntos como Táticas e Estratégia, Estudos de Abominação, Especialização em Armas, Teoria da Essência, História Militar e assim por diante.

Alguns outros soldados estavam espalhados, lendo livros físicos ou percorrendo arquivos digitais em painéis de tela sensível ao toque elegantes. A atmosfera era silenciosa.

— Parece que você sabe para onde está indo — disse Steve enquanto eu ia direto para a seção de Essência.

— Tenho algumas coisas que quero verificar — eu disse, examinando as prateleiras.

North olhou ao redor.

— Vou procurar algumas coisas relacionadas ao arco e flecha.

Steve se espreguiçou.

— Vou ver se eles têm algo interessante sobre técnicas de espada. Talvez eu possa encontrar algo legal para experimentar.

Peguei um livro intitulado Os Fundamentos da Essência e me acomodei em uma das estações de leitura próximas.

O livro se aprofundava na natureza da Essência, descrevendo-a como o bloco de construção fundamental da realidade. Detalhava como os elementos interagiam com a Essência, os princípios subjacentes que governavam seu fluxo e até mesmo tocava em certas leis que ditavam seu comportamento.

Me perdi nas páginas, absorvendo cada pedaço de informação, até que uma mão de repente repousou no meu ombro, me puxando de volta ao presente.

Virei a cabeça para ver quem era — Arkas. Imediatamente me levantei e saudei.

— Comandante.

Ao meu grito, os outros soldados ao meu redor também se levantaram rapidamente.

Arkas fez um pequeno aceno. — À vontade.

Abaixei minha mão e perguntei: — Comandante, como posso ajudar?

Sua expressão era séria, suas sobrancelhas franzidas.

— Encontre-me no meu escritório em dez minutos.

Com isso, seu corpo ficou borrado e ele se foi.

Eu engoli em seco.

— Será que eu fiz alguma besteira?

Mas então me lembrei da minha conversa com Steve, aquela sobre pedir ajuda a Arkas.

Sem perder tempo, peguei o livro e o coloquei de volta na prateleira antes de correr pela biblioteca em busca de Steve.

Quando o encontrei, rapidamente contei a ele que Arkas havia me chamado e eu queria que ele viesse junto. Sua expressão ficou séria e ele assentiu.

Isso deixou North. Não parecia certo simplesmente ir embora depois de tê-la trazido aqui. Hesitei por um momento antes de decidir contar a ela a verdade.

— O Comandante me chamou. Eu tenho que ir.

Ela aceitou numa boa, assentindo.

— Eu vou com você. Eu preciso falar com June de qualquer maneira.

Isso resolveu. Nós três saímos da biblioteca juntos e seguimos em direção ao escritório do Comandante.

North nos deixou no meio do caminho, indo em direção ao escritório de June enquanto Steve e eu continuávamos em direção ao escritório de Arkas.

Paramos em frente à porta fechada. Assim que eu estava prestes a bater, Steve agarrou meu pulso.

— Espere — ele disse. — Como eu devo abordar isso? Devo simplesmente entrar e dizer que estou me voluntariando para ser treinado junto com você?

Eu balancei a cabeça.

— Isso pode funcionar, mas tenho certeza de que muitas pessoas já se voluntariaram. Alguns deles provavelmente estão dispostos a passar pelo céu e pelo inferno só para conseguir o favor de Arkas.

Steve franziu a testa.

— Então o quê?

Eu sorri.

— Nós chantageamos.

Ele piscou.

— Hein?

Inclinei-me ligeiramente, mantendo minha voz baixa. — Eu vou dizer a ele que se você estiver por perto, eu vou me esforçar ainda mais. Mas se você não estiver, bem... meus resultados podem não ser tão bons.

Steve olhou para mim por alguns segundos antes de um sorriso se estender por seu rosto.

— Sim, nós chantageamos. Cara, estou tão feliz por ter feito de você meu melhor amigo.

Eu o cutuquei.

— Não, você não fez. Eu fiz.

Ele deu de ombros.

— Mesma coisa.

Revirando os olhos, respirei fundo e bati na porta.

— Entre — A voz grave de Arkas ressoou de dentro.

Steve e eu entramos e a porta se fechou atrás de nós com um clique suave.

O escritório de Arkas era minimalista. As paredes eram nuas, exceto por uma, onde um mapa enorme de todo o império se estendia, detalhado até as menores cidades e estradas.

Em outra parede, algumas telas grandes exibiam imagens ao vivo de diferentes seções do complexo de treinamento. Reconheci algumas áreas, campos de combate, corredores de dormitórios, até mesmo o refeitório.

A peça central da sala era a mesa de Arkas, uma superfície metálica elegante repleta de tablets. Linhas de dados rolavam em suas telas.

Arkas estava sentado atrás da mesa, sua expressão ilegível enquanto seus olhos afiados se voltavam para nós.

Então Arkas falou.

— Eu me lembro de ter chamado apenas você, Sr. Ironhart.

Meus olhos se estreitaram ligeiramente. A última vez que conversamos dentro do vulcão, ele estava muito mais relaxado, quase amigável. Mas agora, seu tom era mais cortante, mais formal.

Decidi corresponder.

— Comandante, temos algo para discutir com você.

Arkas se inclinou para trás, cruzando os braços sobre o peito. Suas próximas palavras vieram planas e ilegíveis.

— Como me chantagear para conseguir o que você quer?

Mantive minha expressão firme, mas ao meu lado, Steve engoliu tão alto que ecoou por toda a sala.

Comentários