
Capítulo 53
Meu Talento Se Chama Gerador
Arkas balançou a cabeça com um sorriso e deu um tapinha no meu ombro.
— Pode relaxar, Bilion. Eu não sigo as regras militares tão à risca assim. Mas enquanto você estiver na Unidade 02, ainda tem que me chamar de Comandante.
Eu concordei e relaxei um pouco os ombros.
Arkas me estudou por alguns segundos antes de gesticular em direção à enorme caverna.
— O que você acha que é este lugar?
Eu olhei em volta, absorvendo as cápsulas pulsantes, o calor, as piscinas de magma.
— Acho que este é o ninho da Abominação orc. Você mencionou uma Abominação poderosa sendo enjaulada aqui, certo? Talvez seja aqui que os orcs são criados.
Arkas balançou a cabeça.
— Você errou em duas coisas, Bilion. Primeiro, esses orcs não são Abominações.
Eu franzi a testa.
— Não são? Então o que eles são?
— São criações daquela Abominação poderosa. Os orcs, os golens, até mesmo os cães lá fora, não são criaturas independentes. São marionetes, talvez até apenas animais de estimação invocados. Eles foram criados usando leis e Essência.
Eu cerrei os olhos.
— Leis? Se ela pode criar tantas criaturas, quão forte é essa Abominação? E se é tão perigosa, por que está enjaulada? Por que não a matamos?
Arkas estalou os nós dos dedos.
— Você ainda não é forte o suficiente para saber esses segredos. Mas sim, é poderosa. A forma como ela usa a Essência e as leis... é genial.
Então ele se virou para mim, sua expressão mudando.
Arkas balançou a cabeça, um pequeno sorriso brincando no canto dos lábios.
— A segunda coisa que você errou é que não é aqui que eles são criados. Mas você acertou em uma coisa, que este é um ninho.
Eu concordei com sua explicação, mas antes que eu pudesse perguntar qualquer coisa, ele continuou.
— Enfim, estou te observando desde o primeiro dia, e você realmente me surpreendeu. Sua taxa de crescimento é fenomenal. Nunca vi ninguém avançar tão rápido em toda a minha vida.
E eu não esperava que você chegasse tão longe. Achei que você ficaria lá fora, esperando por mais ondas, mas em vez disso, você pulou direto sem hesitar. Não sei se te chamo de corajoso ou apenas de idiota.
Eu respondi.
— Comandante, eu estava confiante na minha força. Então, sugiro que você fique com a coragem.
Arkas me deu um peteleco na testa.
— Pirralho atrevido.
Mas eu gosto de como você luta e de quão rápido você está melhorando. Claro, ainda há muito trabalho a ser feito. Você precisa aprender técnicas adequadas de combate desarmado, como usar uma arma, e então tem sua classe, leis e mais uma centena de coisas.
Ele fez uma pausa antes de adicionar.
— Eu até tentei entrar em contato com sua avó para saber a opinião dela, mas ela rejeitou minha reunião.
Meus olhos se arregalaram.
— Ela te rejeitou? Por quê?
Arkas deu de ombros.
— Nós não nos damos muito bem. Ela é o tipo que acredita em disciplina militar rígida.
Eu? Prefiro liberdade. Então, ela basicamente me disse que você pode se virar sozinho e pronto.
Eu ri.
— É, isso soa como ela.
Arkas colocou uma mão firme no meu ombro. Sua expressão ficou séria.
— Bilion, você já está no nível 15. Neste ritmo, você logo alcançará o nível 25 e ganhará sua classe. Mas aqui está a questão, não acho que essa velocidade seja suficiente. Cada dia que passamos no cativeiro do Eterno é um dia que eles ficam mais fortes.
Cada dia que nosso mundo permanece fraco é um dia que corremos o risco de sermos devorados por mundos mais fortes.
Precisamos de pessoas que possam ultrapassar seus limites, pessoas que possam atingir seu potencial máximo o mais rápido possível.
Eu concordei. Eu também acreditava nisso. Eu não tinha interesse em fazer as coisas devagar. Eu queria ficar forte e ficar forte rápido.
Arkas continuou, abaixando o tom.
— E então, tenho uma proposta para você.
Um caminho que, se você não tomar cuidado, pode te matar.
Mas enquanto você sobreviver, você brilhará como um meteoro; flamejante, poderoso, invejado por todos. E se você conseguir passar por isso, você não será apenas o mais forte do nosso mundo... você terá a chance de crescer além dele.
Eu pisquei, minha mente correndo.
Eu me perguntava que diabos o demônio careca estava planejando?
Um plano que poderia me matar ou me tornar o mais forte?
Eu não tinha certeza do que poderia ser.
Então eu perguntei.
— Que tipo de proposta você tem, Comandante?
Arkas assentiu.
— Antes de te contar, você se lembra de como os níveis são divididos em patamares?
Eu concordei.
— Sim, aprendemos isso na academia.
E expliquei a ele o que eu sabia.
O sistema dividia os níveis em Patamares. Havia três patamares que nos foram ensinados na academia.
- Patamar Mortal (Nível 0 - 99)
- Patamar Mestre (Nível 100 - 199)
- Patamar Grão-Mestre (Nível 200 - 299)
Quando uma pessoa ganhava sua classe, ela também obtinha a capacidade de usar Essência em algum nível, concedendo-lhe poderes relacionados a elementos e outras leis naturais.
As principais diferenças entre os patamares também estavam ligadas à Essência.
Indivíduos do patamar Mortal só podiam usar Essência em quantidades limitadas, seja por meio de suas habilidades de classe ou outras habilidades específicas. Esta fase servia como sua introdução à Essência, permitindo-lhes compreender suas aplicações básicas. Mas os patamares Mortais nunca poderiam controlar diretamente a Essência.
Ao evoluir no nível 100 e alcançar o Patamar Mestre, todos ganham o atributo Essência e sua capacidade de sentir e manipular a Essência se expande significativamente. Os patamares Mestres podiam brandir leis menores, integrando-as ao seu estilo de combate, habilidades e até mesmo às suas habilidades de classe.
Os patamares Grão-Mestres possuíam uma compreensão mais profunda das leis menores do que os patamares Mestres, capazes de entender e utilizar múltiplas leis menores ao mesmo tempo.
Nosso status só mostrava os patamares depois que ganhávamos uma classe. As pessoas mais fortes do nosso mundo eram Grão-Mestres. Até o Imperador era apenas do patamar Grão-Mestre.
Arkas continuou.
— Certo. Agora, você também deve entender que existem patamares mais altos além do nosso mundo.
Então ele me disse os patamares além do Patamar Grão-Mestre.
- Patamar Transcendente (Nível 300 - 499)
- Patamar Santo (Nível 500 - 699)
- Patamar Semideus (Nível 700 - 899)
- Patamar Deus (Nível 900 - 1000)
Meu queixo caiu.
Semideus? Deus?
— Que merda? Por que eles usariam esses nomes? Eles são realmente tão fortes?
Eu não consegui conter minha curiosidade.
— Deus? Por que chamar assim?
Arkas sorriu.
— Porque eles são como deuses. Tão fortes que poderiam destruir nosso mundo com um estalar de dedos.
Eu fiquei olhando.
— Tão fortes? Eles realmente existem?
Arkas balançou a cabeça.
— Só ouvimos boatos. Ninguém nunca viu um. Mas se o sistema existe, por que não pessoas do patamar Deus?
Eu engoli em seco. Ele não estava errado.
— Enfim, tenho dois motivos para te contar isso.
Arkas respirou fundo.
— Primeiro, ninguém no nosso mundo nunca ultrapassou o patamar Grão-Mestre. É muito difícil. Para se tornar Transcendente, você precisa de força, potencial e tempo. E quando a maioria de nós atinge o pico de Grão-Mestre, já estamos velhos demais.
Ele suspirou, balançando a cabeça.
— E o segundo motivo pelo qual estou te contando isso é porque houve uma época em que nenhum de nós tinha patamares, apenas níveis. O sistema nunca dividiu os níveis em Patamares.
Os olhos de Arkas se estreitaram.
— Mas então os Eternos vieram.
Sua voz carregava um peso que me deixou tenso.
— Ficamos chocados ao descobrir que os Eternos não tinham níveis — ele continuou. — E ainda mais chocados ao saber que eles não tinham sistema nenhum.
Eu congelei.
Sem sistema? Sem níveis?
Isso... não fazia sentido.
Cada pessoa despertada no nosso mundo tinha o sistema.
O sistema era a base da nossa força, a própria coisa que ditava como crescíamos.
E ainda assim, os Eternos, os seres mais poderosos que já encontramos, não o tinham?
Um arrepio percorreu minha espinha. Se eles não estavam presos pelas mesmas regras que nós, então que tipo de monstros estávamos realmente enfrentando?
Arkas me tirou dos meus pensamentos.
— Mas então algo inesperado aconteceu.
O sistema se atualizou e introduziu os patamares e foi aí que percebemos que os Eternos já tinham Patamares.
Ninguém, nem mesmo as pessoas da Galáxia Prime, jamais havia registrado uma instância do sistema se atualizando. Era como se o sistema estivesse se adaptando apenas para reconhecer o poder deles.
O sistema se atualizou... isso significava que não era alguma força rígida e imutável como eu sempre acreditei.
Era adaptável.
O fato de que ele reagiu aos Eternos significava que ele tinha a capacidade de evoluir, de reconhecer algo além da nossa compreensão e se ajustar de acordo.
Mas o que isso dizia sobre os próprios Eternos?
Eles eram anomalias que até o sistema tinha que contabilizar, ou o sistema sempre foi feito para revelar camadas mais profundas apenas quando as condições certas fossem atendidas?
Eu olhei para Arkas e perguntei.
— Mas Comandante, se eles não têm um sistema, como eles progridem e ficam mais fortes?
Arkas exalou, seu olhar distante.
— Não tenho certeza sobre os níveis mais altos, mas assim como nós despertamos o sistema, eles despertam um Núcleo de Essência quando são jovens. E para avançar pelos patamares, eles refinam e atualizam esse núcleo.
— Um Núcleo de Essência? Então eles não dependem de níveis ou atributos, eles têm sua própria maneira de ficar mais fortes?
Isso mudou completamente como eu os via. Se eles não estavam presos ao sistema, isso significava que não havia limite para sua força?
Nenhum caminho predefinido a seguir? Era perturbador.
O sistema era algo em que eu sempre confiei, algo em que todos confiavam. Mas os Eternos existiram sem ele e prosperaram sem ele.
O sistema realmente nos atrasava?
Esse pensamento me perturbou, e minhas sobrancelhas se franziram.