Meu Talento Se Chama Gerador

Capítulo 46

Meu Talento Se Chama Gerador

Eu estava sozinho, afastado do nosso acampamento, batendo levemente a cabeça contra o tronco de uma árvore.

— Estúpido, estúpido, estúpido.

Eu tinha agido como um idiota.

North provavelmente pensou que eu era o cara mais burro do mundo por nem sequer conseguir manter uma conversa decente.

Eu podia sentir que havia algo entre nós. E tinha certeza de que até North sentia isso. A tensão, a mudança. Mas, em vez de avançar, eu entrei em pânico, inventei uma desculpa esfarrapada sobre praticar minha habilidade e saí correndo.

— Que inteligência a minha — murmurei, suspirando.

Respirei fundo e decidi testar minha nova habilidade primeiro e, depois, praticar "como ter uma conversa com uma garota" com Steve.

Esse era o plano, de qualquer forma.

Abri meu Status para dar uma olhada.

[Status]

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Nome: Billion Ironhart

Raça: Humano

Classe: N/A

Leis: N/A

Nível: 14

Talento:

- Gerador 2

- Essência: 10/10

Atributos:

- Força: 38

- Constituição: 30

- Destreza: 26

- Psynapse: 36

Estatísticas não utilizadas: 0

Habilidades:

- Manipulação de Essência (Inata) Nível 2

- Impulso Psynapse (Inato) Nível 2

- Punho Sísmico Nível 1

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Minha nova habilidade estava lá, na parte inferior da tela de status, esperando para ser testada.

Girando os ombros, alonguei-me um pouco, fiz alguns agachamentos e relaxei. Assim que me senti pronto, aproximei-me de uma árvore e comecei a dar socos.

Não fui com tudo, apenas um aquecimento.

Meus punhos golpearam a casca, firmes e controlados. Quinze minutos depois, a árvore estava coberta de amassados profundos, sua superfície áspera e castigada.

Respirando fundo, ajustei minha postura e dei um soco com força total.

Boom!

Meu punho rasgou direto, dividindo o tronco ao meio. A seção superior rangeu antes de desabar.

Eu expirei, observando a poeira baixar.

Movi-me para outra árvore e preparei minha postura.

— Agora, vamos ver como a habilidade se compara ao meu soco de força total.

Firmando os pés, cavei fundo, respirei de forma constante e puxei meu punho direito para trás. Então, ativei a habilidade.

[Punho Sísmico]

Uma sensação estranha percorreu meu braço, como uma bobina ficando cada vez mais apertada, armazenando força dentro dos meus músculos. Era diferente de um soco normal: não era apenas força, era poder concentrado, reunido em um único ponto, esperando para ser liberado.

Então eu soquei.

No momento em que meu punho se conectou com a árvore, a força armazenada detonou para fora.

Um impacto profundo e ressonante ondulou através do tronco, não apenas quebrando-o, mas estilhaçando-o.

A árvore não apenas rachou e caiu: ela explodiu, lascas voando em todas as direções como se algo tivesse explodido dentro dela.

Dei um passo para trás, sacudindo minha mão. Meus nós dos dedos ardiam, mas eu sorri.

— Isso… foi incrível.

Olhei para a minha mão, flexionando os dedos. O poder por trás daquele soco era mais de um quarto mais forte do que meu golpe de força total. E isso era apenas no nível um.

Mas, mais importante…

Eu já conseguia pensar em maneiras de melhorá-lo.

E se eu pudesse controlar onde essa força se espalha? E se, em vez de apenas liberá-la de uma vez, eu pudesse direcioná-la? Talvez até enviar ondas de choque para o meu alvo em vez de apenas para fora?

As possibilidades me excitavam.

Olhei ao redor para as inúmeras árvores que me cercavam.

Senti um pouco de pena delas, mas só um pouco. Isso não me impediu de sair em um ataque, socando cada árvore à vista com o Punho Sísmico, observando-as rachar e estilhaçar uma após a outra.

Passei cerca de três horas experimentando o Punho Sísmico, descobrindo seus meandros.

A habilidade dependia muito do meu atributo de Força, mas notei que a Constituição também desempenhava um papel.

Eu podia disparar seis Punhos Sísmicos seguidos, mas depois disso, o esgotamento me atingia, não o tipo que vinha de correr ou esforço físico, mas uma fadiga mais profunda, como se eu tivesse drenado minhas reservas internas.

Eu precisava de tempo para me recuperar antes de poder usar a habilidade novamente.

Não se tratava apenas de balançar meu braço e socar com força, exigia um acúmulo adequado.

Se eu apressasse, o impacto não era tão forte.

Mas se eu tirasse um momento para firmar meus pés, respirar e canalizar tudo para aquele golpe, a diferença era enorme.

A força por trás dele não apenas explodia para fora; ondulava através de tudo o que eu atingia, enviando rachaduras profundas nas árvores, mesmo que eu não as quebrasse completamente.

Experimentei diferentes posturas. Um soco reto tinha poder, mas se eu torcesse minha cintura no último momento, a força parecia viajar mais fundo.

Havia também a questão do controle. Se eu me concentrasse, poderia ajustar quanta força eu liberava.

Minhas primeiras tentativas tinham sido tudo ou nada: ou eu ia com força total, ou não usava a habilidade.

Mas agora, consegui liberar um Punho Sísmico com metade da potência, ainda mais forte do que um soco normal, mas não o suficiente para destruir completamente meu alvo.

Isso foi bom. Se eu quisesse usar isso em combate real, não podia me dar ao luxo de desperdiçar toda a minha energia em um único golpe.

Eu expirei e estiquei meus braços, sacudindo o cansaço.

— Certo — murmurei para mim mesmo. — Já chega de destruição por hoje.

Agora, eu só tinha mais uma coisa a fazer: descobrir como falar com North sem me envergonhar.

Eu suspirei.

— Talvez o Punho Sísmico fosse o desafio mais fácil.

Respirei fundo e girei os ombros antes de começar a correr.

Serpenteando entre as árvores, aumentei minha velocidade, sentindo o vento passar por mim. Meu corpo ainda estava um pouco exausto por testar o Punho Sísmico, mas correr assim ajudou a sacudir a rigidez.

A floresta ficou turva ao meu redor enquanto eu pulava sobre raízes e me abaixava sob galhos baixos.

Não demorou muito para que eu visse Steve.

Ele estava sentado em um tronco caído, curvado para frente, com os cotovelos apoiados nos joelhos. Seu peito subia e descia pesadamente, e ele parecia ter acabado de terminar um longo treino.

Eu diminui a velocidade quando me aproximei.

— Você parece um homem morto.

Steve gemeu sem olhar para cima.

— Eu me sinto como um. O Flash de Ruptura [1] é brutal. Acho que minhas pernas estão realmente chorando.

Eu sorri.

— Tão ruim assim?

Ele finalmente levantou a cabeça, olhando para mim.

— Eu estive me lançando por aí sem parar. Minhas pernas parecem geleia. Experimente piscar dez vezes seguidas e me diga como seus joelhos se sentem depois.

— Passo. Eu gosto dos meus joelhos. — Sentei-me em frente a ele, apoiando os braços nas coxas. Hesitei por um segundo antes de expirar e dizer:

— Preciso da sua ajuda com algo.

Steve estreitou os olhos.

— Se envolver me socar, eu me recuso.

Eu revirei os olhos.

— Não é isso.

— Então o que é?

Olhei para o lado por um momento, coçando a cabeça. Isso já estava começando a parecer estúpido, mas eu tinha que fazer isso.

— Preciso que você finja que é a North.

Steve piscou. Ele passou a mão no rosto e piscou de novo.

— Desculpe, acho que a exaustão me fez ouvir algo insano. Você acabou de dizer—

— Preciso praticar como falar com ela — interrompi rapidamente. — Eu congelei totalmente antes, quando éramos só nós dois. Foi estranho pra caramba.

Steve apenas olhou para mim por um segundo, então caiu na gargalhada.

— Oh, isso é ótimo. Billion Ironhart, completamente destruído por uma conversa com uma garota.

Eu fiz uma careta.

— Você quer ajudar ou não?

Ele enxugou os olhos, ainda sorrindo. Então falou com uma voz estranha de garota.

— Ah, estou ajudando. Isso é bom demais para deixar passar. Tudo bem, vamos fazer isso. Eu sou a North agora.

Eu imediatamente me arrependi da minha decisão.

Steve endireitou a postura, jogou o cabelo dramaticamente e, com uma voz aguda absolutamente ridícula, disse:

— Oh, Billion, é tão bom da sua parte vir me procurar! O que você poderia querer?

Eu enterrei meu rosto nas minhas mãos.

— Esquece. Isso foi um erro.

Steve me ignorou e agitou os cílios.

— Oh não, você está corando? Que fofo! O que foi, Billion? Não aguenta a minha beleza?

Eu gemi alto.

— Eu vou te socar.

— Mas Billion — ele ofegou, agarrando o peito. — Violência não é a resposta! O que aconteceu com o seu amor eterno por mim?

Chega.

Eu pulei nele, e Steve gritou, rolando para fora do tronco para escapar. Sua risada ecoou pelas árvores enquanto eu o perseguia.

Corremos pela floresta, Steve reclamando o tempo todo sobre suas pernas que pareciam que estavam prestes a cair.

Em pouco tempo, chegamos ao nosso acampamento e eu diminui a velocidade imediatamente, surpreso com o que vi.

North estava ali, mas ela não estava sozinha. Uma garota e dois garotos estavam com ela. Um dos garotos estava perto demais dela para o meu gosto.

Eu não gostei nem um pouco disso.

Eu pisquei, meu maxilar se apertando ligeiramente, então comecei a andar em direção a eles.


[1] - Flash de Ruptura: Habilidade que permite ao usuário se mover rapidamente a curtas distâncias, como se estivesse "piscando" para frente.

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