
Capítulo 864
O Ponto de Vista do Vilão
Apesar de se sentir plenamente capaz de continuar a luta,
Alexander obedeceu sem hesitar, curvando-se profundamente.
"Como desejar!"
Com submissão absoluta, ele se retirou imediatamente...
em direção a Shiva, que já havia entrado no campo de batalha.
'Venha, Alexander. Vou restaurar sua aura.'
A voz dela ecoou em sua mente, e ele assentiu, movendo-se para perto dela de imediato.
Embora Frey tivesse curado seu corpo completamente,
ele não havia restaurado sua aura... Aether não podia criá-la.
Enquanto Alexander recuava, Frey virou-se para Maskith… e Wesker.
"Então… servo do Primeiro Escritor…" ele disse friamente,
antes de desviar o olhar para o demônio ao lado dele.
"E você… Demônio de Quarto Escalão — Wesker."
A expressão de Wesker se contorceu no momento em que ouviu seu nome...
percebendo que Frey o via com clareza.
"Venham até mim. Ambos."
Era a voz de Frey.
O mesmo jovem que Wesker outrora atormentara incessantemente.
O mesmo — sem dúvida alguma.
E, no entanto… o peso por trás de suas palavras havia mudado completamente.
O ser diante dele…
já não era algo que ele pudesse compreender.
Maskith paralisou no lugar.
Wesker, contudo, atacou imediatamente —
liberando suas sombras com força total.
Tudo o que tinha. Sua aura plena. Seu controle máximo.
Uma onda colossal de escuridão surgiu...
um abismo devorador destinado a engolir Frey por inteiro.
Frey não se moveu.
Ele nem sequer tentou se defender.
A onda parou diante dele… então dissolveu-se completamente...
circundando seu corpo em um arco perfeito.
Completou uma rotação inteira...
Depois se reformou… e avançou de volta contra Wesker.
O demônio ficou atônito —
seu próprio ataque refletido de volta para ele… sem que Frey levantasse um único dedo.
Wesker forçou-se a reagir, despejando tudo o que tinha para bloqueá-lo...
causando uma explosão maciça e ensurdecedora.
Ele sobreviveu.
Mas no momento em que a explosão diminuiu...
Frey já estava na frente dele.
Encarando-o através das fendas em formato de gavião de sua máscara.
Wesker sentiu imediatamente.
Aquela amargura. Aquele medo.
O mesmo sentimento que ele só havia conhecido…
ao estar diante de um único ser.
Ele tentou negar.
Mas cada tentativa o levava à mesma conclusão.
Aqueles olhos…
E a pressão por trás deles…
Eram idênticos… ao que ele sentia na presença de Agaroth.
"Wesker… quantas vezes já amaldiçoamos um ao outro até agora?"
Frey falou calmamente, sua voz baixa e firme. Wesker não respondeu... em vez disso, atacou.
Mas cada golpe se dissolvia no momento em que se aproximava do corpo de Frey, como se a própria realidade o rejeitasse.
Mesmo seu punho falhou em alcançá-lo… o braço endurecido de Vayne desintegrando-se no instante em que entrou no domínio de Frey.
"Sua existência me causa repulsa, Wesker… ela ofende minha própria visão...
especialmente quando me lembro de que foi minha mãe quem trouxe criaturas como você à existência."
"Do que diabos você está falando?!" Wesker retrucou, com a fúria aumentando.
"Você não precisa entender. Não há valor nisso para você.
Você não verá a luz novamente."
A voz de Frey tornou-se mais fria — mais sombria —
enquanto ele erguia a mão e agarrava o rosto de Wesker, movendo-se pela primeira vez desde que entrou no campo de batalha.
Naquele exato momento, Maskith atacou por trás...
formando aquele mesmo Aether cinza-escuro, tentando pegar Frey desprevenido com o mesmo ataque que perfurou Alexander antes.
Mas no momento em que ele tentou liberá-lo…
O Aether explodiu em suas próprias mãos.
Ele espirrou fora de controle violentamente...
e, em um instante, ambos os braços de Maskith desapareceram, apagados da existência enquanto o sangue jorrava do que restava.
Só então Maskith percebeu...
Frey havia interferido em seu Aether… à distância, sem sequer se virar para olhar para ele.
"Não se incomode", disse Frey, lançando-lhe um olhar de soslaio.
"Você já sabe que servos não podem competir com Escritores."
"Fique onde está. Não se mova. Eu lidarei com você… em breve."
Seu olhar voltou para Wesker.
"E agora… saia. Pare de se esconder atrás do rosto repugnante de sua irmã."
Em menos de um segundo, a mão de Frey perfurou o peito de Vayne —
então retirou-se com a mesma rapidez.
Uma chama sombria irrompeu de dentro do corpo dela,
tomando forma enquanto se contorcia… até se tornar a figura de um espírito demoníaco grotesco.
Três olhos. Chifres rasgando o crânio.
A alma de Wesker.
Frey descartou o corpo de Vayne sem cuidado, deixando-o cair à distância...
toda a sua atenção agora fixa no demônio diante dele.
Wesker tremeu, o terror tomando conta dele ao perceber...
que havia sido arrancado… sem esforço.
Sem opções, ele ativou sua carta final.
Sua alma inflamou-se — então deslizou através do braço de Frey, invadindo seu corpo.
Possessão.
A habilidade que ele passara incontáveis anos refinando.
"Maskith!!!" Wesker rugiu, o desespero preenchendo sua voz.
"Use seu controle sobre a vida e a morte — ajude-me a prendê-lo!!"
Este era o plano deles.
Com o poder de Maskith rivalizando com o de Nameless na manipulação da vida e da morte,
Wesker pretendia tomar o corpo de Frey.
Mas não importava quantas vezes ele chamasse —
Maskith não se movia.
Ele apenas permanecia ali… observando.
Medo, cru e inconfundível, gravado em seu rosto.
"Maldito seja, seu velho bastardo!!"
Forçado a agir sozinho, Wesker liberou sua técnica dentro do mundo interior de Frey...
correntes sombrias irromperam ao redor de Frey, prendendo-o completamente.
Wesker ficou diante dele, estendendo a mão — tentando assumir o controle.
Então...
Tudo se inverteu.
No instante seguinte, Wesker viu-se acorrentado...
enquanto Frey permanecia diante dele, completamente livre.
"…O quê?" Wesker engasgou, encarando as correntes — suas correntes — enroladas nele.
Frey riu suavemente.
"Então é isso? Seu grande plano, Wesker?"
Zombando dele, Frey removeu sua máscara —
revelando olhos violeta preenchidos com uma intenção assassina fria e impiedosa.
"Você realmente pensou que poderia roubar meu corpo… com algo tão patético?"
"Você está tentando brincar com a vida e a morte…
contra aquele que concedeu vida a este mundo inteiro?"
Sua risada tornou-se mais alta.
"Mesmo com a ajuda de Maskith… o resultado teria sido o mesmo."
A cada palavra que Frey pronunciava, as correntes apertavam Wesker.
O demônio lutou violentamente… o pânico consumindo-o por completo.
"Você sempre se agarrou à vida como um parasita, Wesker…
Você a teme, não é?"
"Você teme a morte… tanto que criou essa habilidade —
para fugir para outros corpos sempre que ela vem buscar você."
O sorriso de Frey alargou-se lentamente enquanto ele erguia a mão.
"Mas não se preocupe… eu não vou matá-lo."
"A morte é uma misericórdia que você não merece."
"Você viverá, Wesker…
você viverá dentro de mim… enquanto sua alma queima até virar cinzas."
"E essas cinzas… se tornarão poder. Poder que usarei para esmagar meus inimigos."
Wesker tremeu, cada parte dele desmoronando...
a expressão de Frey agora não passava de um pesadelo.
Como se os papéis tivessem se invertido...
como se ele tivesse se tornado humano… e aquele diante dele, o verdadeiro demônio.
"Queime. Sofra. Pelo tempo que lhe restar,
Demônio de Quarto Escalão."
"Esta é a última vez que amaldiçoamos um ao outro…
e a última vez que verei seu rosto miserável."
"Desapareça… e suma no esquecimento."
Com um único movimento, Frey descartou a alma de Wesker...
enviando-a espiralando para o abismo.
Mais fundo.
E mais fundo.
Até alcançar as profundezas…
Onde outra alma já queimava.
A alma de Thanatos —
Uma alma que sofrera tanto tempo…
que seu dono perdera a sanidade há muito tempo.
Wesker encarou-o em terror — com medo, quebrado, reduzido a algo que ele nunca fora antes.
Aqui, nas profundezas da escuridão, ele não podia fazer nada.
Aqui… ele aprendeu o verdadeiro significado da impotência.
Ele tremeu repetidas vezes até que, de repente, sem aviso…
Um inferno furioso irrompeu de dentro dele.
Sua alma inflamou-se, queimando lentamente...
e com ela veio uma agonia insuportável.
Dor tão avassaladora que o levou à loucura.
Ele gritou. E gritou.
Ele implorou. Ele rastejou. Ele pediu misericórdia.
Mas naquelas profundezas… sua voz não alcançava ninguém.
Nada restou...
apenas tormento eterno… até que ele desaparecesse da existência.
E naquele momento… Wesker compreendeu.
Este era o fim.
O Demônio de Quarto Escalão foi apagado —
sua existência completamente extinta.
Frey acabou com ele sem hesitação.