O Ponto de Vista do Vilão

Capítulo 865

O Ponto de Vista do Vilão

Então, sem pausa, ele se virou para o velho — Maskith —

e flutuou em direção a ele em um silêncio lento e deliberado.

Maskith o viu chegando…

mas não se moveu.

Até que Frey estivesse parado diretamente à sua frente.

"O que você fará agora, Maskith?"

A voz de Frey sussurrou ao lado de seu ouvido…

enviando um calafrio a cada fibra de seu ser.

"O Éter não funcionará contra mim. Seu controle é muito inferior."

"A Aura também não vai te salvar — você é ainda pior nisso."

Frey inclinou-se mais, seu rosto quase roçando a orelha de Maskith.

"Então, o que agora? Como você vai sobreviver? Mostre-me… estou curioso."

Naquele momento…

Maskith se moveu.

O velho caiu de joelhos, curvando a cabeça em completa submissão.

"O grande herdeiro… descendente do Primeiro Escritor… criador deste mundo…

perdoe minha insolência — perdoe os pecados cometidos por estas mãos!"

Ele implorou por misericórdia…

enquanto Frey o observava com a mesma frieza insensível.

"O que exatamente você está fazendo?", Frey perguntou secamente.

"Você acha que este pedido de desculpas patético significa alguma coisa?"

Maskith levantou a cabeça levemente, ainda ajoelhado.

"Eu nunca fui seu inimigo, meu lorde.

Você é o herdeiro daquela a quem sirvo e reverencio… mas perdoe-me…

eu precisava ter certeza de que você havia realmente retornado. Foi por isso que ataquei."

"Tudo o que fiz… foi pelo seu retorno — pela sua libertação deste mundo."

Sua voz carregava absoluto respeito.

Frey olhou para ele em silêncio… então falou.

"Entendo… então foi você.

Aquele que deixou aqueles vestígios antigos para mim…

o segundo servo que minha mãe enviou, ao lado de Audrey."

"Exatamente!", respondeu Maskith com firmeza, um alívio passando por seu rosto.

Mas aquele alívio…

Desapareceu instantaneamente.

Frey removeu sua máscara…

inclinando-se, revelando aquele mesmo sorriso arrepiante.

"E? Isso muda alguma coisa?"

"…Perdão?", Maskith congelou, atordoado.

Frey deu uma risada baixa.

"Você achou que eu não o mataria… só por causa disso?"

"No fim das contas, você serve à minha mãe — não a mim.

Sua lealdade pertence a ela."

"Então por que… eu deveria deixar você viver?"

Maskith congelou completamente, incapaz de responder — sua voz falhando.

"Meu lorde… como eu poderia causar-lhe algum mal? Você é o herdeiro dela—"

"Mas você faria", Frey interrompeu friamente.

"Se ela ordenasse. Não faria?"

"Minha senhora nunca faria isso—!", começou Maskith—

"Chega."

Frey o silenciou instantaneamente.

"Poupe-me de suas palavras vazias. Elas não significam nada para mim."

Seus olhos brilharam com uma intensidade aterrorizante enquanto ele se inclinava.

"Dê-me uma garantia. Uma de verdade.

Algo que assegure sua lealdade… até o fim."

"Ou eu encerro sua vida aqui."

"Eu… eu…", Maskith tremia violentamente.

"Eu não sei… meu lorde… eu realmente não sei—"

"Oh? Não sabe?"

O sorriso de Frey se alargou.

"Então vamos fazer isso."

Um som úmido de algo sendo rasgado ecoou…

A carne foi perfurada.

Sangue espirrou.

A mão de Frey afundou profundamente no peito de Maskith.

Então—

De dentro, Éter positivo surgiu—

aquela energia cinzenta tingida de carmesim envolvendo seu coração.

Frey o arrancou…

e o manteve diante de seu rosto.

Sorrindo.

Um sorriso cruel e manchado de sangue.

"Posso preservar seu coração com Éter.

Mantê-lo vivo… indefinidamente."

"E tão facilmente quanto… posso acabar com você."

Ele aproximou o coração.

"Tudo o que preciso fazer… é esmagá-lo."

"Esta é uma garantia adequada."

Maskith permaneceu paralisado… ouvindo com medo.

Sua vida estava agora nas mãos de Frey.

Bastaria apenas…

uma mudança da energia positiva… para a negativa.

E seu coração desapareceria.

Assim como ele.

"Você irá traí-la?", perguntou Maskith, com a voz trêmula.

"Trair a Grande Mãe?"

"Trair minha mãe?", Frey franziu a testa.

"Você está louco?"

"Como eu poderia me voltar contra ela?

Meu amor por ela… supera tudo."

Ele fez uma pausa… então sorriu levemente, dando um passo para trás.

"Mas… um filho pode se rebelar de vez em quando…"

"…antes de voltar para casa no final."

Ele colocou sua máscara de volta.

Então fez um gesto.

"Venha."

"É hora de resolver tudo… na Terra."

Maskith hesitou apenas por um momento—

antes de se levantar… e seguir.

Seu chamado foi direcionado a Alexander e Shiva, que testemunharam tudo…

parados em silêncio atônito diante da presença transformada de seu rei.

Ele não era mais o guerreiro frio que eles conheceram um dia…

ele havia se tornado algo muito mais aterrorizante.

Um tipo de terror que transcendia a razão—

como se o mundo tivesse começado a se mover apenas ao seu ritmo.

E o próximo destino deles… era a Terra.

Com facilidade, Frey rasgou uma fenda no espaço e no tempo,

abrindo um caminho de volta para o planeta.

Ele atravessou… seguido por seus subordinados… e Maskith…

deixando Londor para trás.

Mas logo antes de desaparecer, ele virou a cabeça levemente…

seu olhar fixo em um ponto distante.

"Todo ser vivo é livre para escolher seu caminho…

mas alguns caminhos são muito mais sombrios que outros."

"Meu caminho é de sombra e ruína…

diga-me… você consegue percorrê-lo?"

Com essas palavras, ele desapareceu—

sua presença apagada de Londor inteiramente.

O silêncio caiu.

Uma quietude pesada retomou o campo de batalha—

permanecendo por um tempo…

Até que uma mão emergiu dos escombros.

Uma mão trêmula.

Pertencia a uma demônia surrada e quebrada…

alguém que havia suportado horrores além da medida.

Vayne rastejou para frente, seu corpo estilhaçado, mal conseguindo se manter inteira…

lutando desesperadamente para sobreviver.

Seu rosto contorcido de medo… e de uma raiva ardente.

"Ele não me matou… ele não matou…", ela sussurrou, com a voz trêmula.

"Ele é um monstro… mas um tolo! Ele me deixou com força suficiente apenas para viver!"

Ela cambaleou, lutando para se mover.

"Aquele maldito Wesker… eu deveria ter matado ele eu mesma!

Como ele ousa… como ele ousa fazer isso comigo!!"

Seus dentes se cerraram, a fúria fervendo dentro dela—

jurando retornar mais forte do que nunca.

Mas aquela determinação…

Foi esmagada instantaneamente.

Sombras explodiram debaixo dela…

empalando seu corpo como inúmeras estacas negras.

Elas perfuraram cada centímetro de sua carne.

Vayne arquejou em agonia, seus olhos injetados de sangue disparando freneticamente…

procurando a fonte.

E então… Ela a viu.

Outra demônia estava diante dela.

Cabelos brancos longos. Dois chifres escuros.

Um vestido preto esvoaçante que se arrastava pelo chão como uma sombra viva.

"Frey Starlight…", ela falou baixinho, com a voz calma.

"Você é o homem mais estranho que já conheci… não consigo mais entendê-lo de jeito nenhum."

Ela sorriu.

"Mas você deixou este presente para mim…

então, apesar de tudo o que você diz… você se importa. Não se importa?"

"V-você… o que você está fazendo…?", Vayne gaguejou, o pânico aumentando…

seus olhos fixos no sorriso distorcido de Sansa.

Sansa não disse nada.

As sombras ao seu redor tremeram…

então avançaram, despedaçando Vayne.

Elas se contorceram… se abriram… tornando-se bocas vorazes…

devorando a demônia de Terceira Categoria pedaço por pedaço.

Seu sangue fluiu…

direto para dentro de Sansa.

Sansa elevou seu olhar em direção ao horizonte distante,

seus olhos escuros brilhando levemente.

"Se eu devo seguir o mesmo caminho que ele…

então não tenho escolha a não ser segui-lo."

"O caminho da voracidade."

O único caminho…

que permitiria a um ser como ela suportar tamanha escuridão.

Para suportar a escuridão…

deve-se descer em algo ainda mais profundo.

E assim, Sansa fez sua escolha.

Devorar sua própria espécie…

começando por uma demônia de Terceira Categoria.

Os gritos de Vayne não duraram muito.

Ela foi consumida completamente.

Assim que o silêncio retornou, Sansa fechou os olhos…

deixando-se afundar em sua própria sombra.

Veias negras pulsavam sob sua pele pálida, brilhando levemente.

E então, Ela desapareceu.

Como se ela nunca tivesse existido em Londor.

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