O Ponto de Vista do Vilão

Capítulo 863

O Ponto de Vista do Vilão

"Este é o fim… guerreiro da Seita das Sombras."

Após manter sua posição contra um dos demônios mais fortes...

um portador do título de Duque do Inferno em seu auge...

a maré havia virado, e Alexander Rybak se encontrava em uma posição que ninguém invejaria.

Maskith, que havia dependido apenas de aura desde o início,

subitamente invocou um poder completamente diferente...

uma energia cinzenta envolvida em lampejos negros, crepitando como um relâmpago na escuridão.

Sua presença era fraca comparada à aura, mal o suficiente para revestir sua mão...

e ainda assim, o raio que ela liberou foi impossivelmente rápido,

conquistando o que nenhum de seus ataques anteriores havia conseguido.

O raio cinza-escuro perfurou diretamente o peito de Alexander,

abrindo um buraco grotesco que expunha o vazio atrás dele.

Alexander passou a mão lentamente pelo oco em seu próprio corpo,

um olhar de descrença gravado em seu rosto...

sua forma absoluta e indestrutível… violada por um golpe único e trivial.

Foi um choque completo para o orgulhoso guerreiro da Seita das Sombras.

De longe, Wesker observava em silêncio, igualmente abalado.

"Que… poder é esse?"

Seus olhos permaneciam fixos no raio cinzento que desaparecia, incapaz de compreendê-lo.

Não importava o quanto observasse, não importava o quanto analisasse...

nem mesmo o Olho do Rei podia decifrá-lo.

Era uma força que existia muito além de seu domínio.

"Você lutou bem", disse Maskith calmamente, dando um passo à frente.

"Se esta batalha tivesse sido decidida apenas pela aura…

você teria me derrotado sem dúvida alguma."

"Mas o mundo é muito maior do que você imagina, guerreiro da Seita das Sombras…

e seres como você veem apenas um fragmento dele."

Enquanto a energia cinzenta desaparecia lentamente,

Alexander cambaleou no lugar, agarrando seu peito, mal conseguindo se manter de pé.

Nenhum sangue fluía de sua ferida...

seu corpo era forjado daquela mesma substância sombria que um dia consumiu Frey dentro da tumba.

Mas a ausência de sangue não diminuía a dor.

Ele sentia tudo.

Cada gota de dano. Cada fratura de sua existência.

Maskith e Wesker se aproximaram, determinados a desferir o golpe final,

enquanto Alexander lutava para permanecer consciente, pego completamente de surpresa.

Ele havia perdido.

Ele entendia isso muito bem.

Ele havia perdido no momento em que Maskith rompeu sua defesa...

no momento em que aquele golpe fatal atingiu o alvo.

Aquela energia cinzenta…

parecia a própria morte — apagando tudo em seu caminho.

Com grande esforço, Alexander ergueu a cabeça, encarando seus inimigos...

antes de desviar lentamente o olhar para a tumba distante atrás dele.

O lugar onde seu rei dormia.

Seus olhos azuis se acenderam com uma chama rugidora,

seus dentes rangendo enquanto ele se forçava a respirar.

Com uma resolução trêmula, ele afastou as mãos do peito...

revelando o buraco escancarado sem hesitação… e fechou os punhos mais uma vez.

Pronto para lutar.

A visão sozinha deixou tanto Maskith quanto Wesker atordoados.

"Você ainda pretende lutar… mesmo agora?", perguntou Maskith friamente.

Com um aceno de seu cajado, ele liberou uma onda de aura sombria,

enquanto Wesker seguia com uma torrente de sombras,

engolindo Alexander dentro de uma tempestade negra sufocante.

Maskith não usava mais Éter [1]...

[1] - Éter: Uma fonte de energia pura e mística, superior à aura comum.

a batalha, em sua mente, já estava decidida.

"Acabe com ele, Wesker", disse ele, seu olhar mudando para a tumba distante.

"Eu cuidarei do que está além."

Seu corpo emanou energia enquanto ele se preparava para se mover...

Mas ele congelou.

Uma onda esmagadora de aura colidiu contra ele, parando-o no meio do movimento.

Virando-se bruscamente, sua expressão escureceu ao testemunhar

uma explosão de poder que estilhaçou tanto suas forças quanto as de Wesker.

Alexander Rybak havia se libertado.

Seu corpo estava envolvido em chamas azuis rugidoras,

todo o seu ser consumido por uma aura feral e desenfreada.

Com um rugido monstruoso, ele liberou sua presença...

uma pressão que se espalhou por dezenas de quilômetros em um instante.

"Vocês não vão a lugar nenhum… nenhum de vocês!!!"

Seu grito rasgou o campo de batalha,

sua pele metálica rachando sob a pressão avassaladora.

Esta… era sua última resistência.

O desafio final de um guerreiro disposto a dar tudo...

sua vida, seu corpo, sua própria existência...

apenas para atrasá-los.

Mesmo que por um segundo.

Mesmo que por um único suspiro.

Se ele pudesse pará-los por tanto tempo…

ele aceitaria a morte sem hesitação.

Deveria ter sido uma visão lamentável.

Mas nem Maskith nem Wesker sentiram pena.

Apenas pavor.

A aura de Alexander explodiu para fora,

comprimindo-se em uma pressão sufocante que os prendeu no lugar.

Eles não conseguiam se mover.

Ele não conseguia atacar...

tudo o que podia fazer era segurá-los ali… apenas mais um pouco.

E ainda assim, à beira da morte,

seu ato final conseguiu restringir dois monstros...

um no auge do SSS, e outro em seu quinto estágio.

Sob aquela força esmagadora… Maskith riu.

"Incrível, guerreiro… verdadeiramente incrível."

Com grande esforço, ele juntou os braços, resistindo à pressão.

"Isso é pura força de vontade…?

Ou algo muito mais profundo?"

Lentamente, ele começou a recorrer àquele poder proibido mais uma vez...

O Éter se formando em seu aperto enquanto ele lutava contra a aura avassaladora de Alexander.

"Tanta lealdade… digna de respeito."

Sua voz tornou-se mais fria.

"Permita-me honrá-la… acabando com você com meu ataque mais forte."

O velho se estabilizou,

forçando a instável energia negativa mais uma vez...

um poder que era destrutivo até para ele.

E ainda assim…

Ele escolheu usá-lo.

Como um tributo final ao guerreiro diante dele.

A energia escura e cinzenta brilhou violentamente entre as mãos de Maskith...

então disparou para frente em uma velocidade aterrorizante, rasgando o ar em direção a Alexander.

O Éter abriu seu caminho diretamente através da aura esmagadora de Alexander,

dispersando-a completamente com uma facilidade absurda… até que finalmente o alcançou.

Desta vez, Maskith mirou na cabeça — pretendendo acabar com tudo em um único golpe.

Por um momento fugaz, tanto ele quanto Wesker viram...

a visão da cabeça do guerreiro da Seita das Sombras sendo apagada da existência.

Em suas mentes… ele já estava morto.

Mas a realidade… contava uma história diferente.

No último instante, um segundo raio cinzento surgiu do nada...

idêntico em natureza ao de Maskith… e colidiu com ele antes que pudesse atingir o alvo.

As duas forças devoraram uma à outra, desaparecendo em uma explosão ensurdecedora.

Os olhos de Maskith quase saltaram das órbitas ao ver aquilo...

seu próprio poder… refletido de volta para ele.

A expressão de Wesker escureceu ao perceber… que outra pessoa havia entrado no campo de batalha.

As veias de Maskith latejaram, seus olhos ardendo em vermelho com intensidade.

Wesker instintivamente deu um passo para trás.

O motivo era simples...

um homem mascarado agora estava entre eles e Alexander… tendo aparecido do nada.

'Que diabos está acontecendo…?'

O demônio não conseguia compreender.

Ele não sentia nada. Nem mesmo um vestígio de aura.

Ele podia vê-lo… mas o Olho do Rei não conseguia percebê-lo.

Sem informações. Sem leitura. Nada.

Porque ele não conseguia mais entender o que estava olhando.

Flutuando no ar, Frey finalmente havia entrado no campo de batalha...

pegando o corpo quebrado de Alexander Rybak, impedindo-o de cair.

Alexander encarou seu rei, seus olhos antes brilhantes agora diminuídos e enfraquecidos —

porém preenchidos com um alívio inegável ao vê-lo.

"Meu senhor… eu—"

"Não fale. Não diga nada, Alexander… você já fez mais do que o suficiente."

Os olhos de Frey refletiam calma… e um calor que Alexander sentia claramente.

Colocando a mão sobre o ferimento maciço no peito de Alexander,

um sorriso fraco se formou sob a máscara.

"Eu não aceitarei a perda de um grande guerreiro… e de um amigo valoroso.

Portanto, não morra, Alexander. Viva… e lute ao meu lado."

Com um único movimento, uma energia cinzenta surgiu da mão de Frey...

mas ao contrário da de Maskith, esta pulsava com um brilho carmesim… viva.

Maskith encarou aquilo, sua expressão mudando de formas que nunca havia mudado antes.

"Energia positiva…"

Um poder muito além do que servos jamais poderiam manejar…

tinha aparecido diante de seus próprios olhos.

Em um ato sem esforço, Frey preencheu o oco no peito de Alexander...

reconstruindo seu corpo em segundos, restaurando-o a quase perfeição.

A vida retornou aos olhos de Alexander instantaneamente —

até ele estava atordoado, incapaz de entender o que acabara de ocorrer.

Assim que a cura foi concluída, Frey descansou a mão em seu ombro,

dando-lhe tapinhas suaves antes de emitir um comando baixo.

"Recue. Eu cuido daqui."


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