O Ponto de Vista do Vilão

Capítulo 855

O Ponto de Vista do Vilão

Nem mesmo o Nameless do passado foi poupado dessa tensão mental... sua condição era muito pior.

Ele não conhecia Abraham... e Frey parecia a ele nada mais do que um estranho que se parecia com ele.

O Nameless do passado deu um passo à frente, agarrando o peito, sentindo o coração acelerado enquanto emoções surgiam dentro dele pela primeira vez.

Ele arrancou sua máscara de metal, jogando-a de lado... revelando um rosto quase idêntico ao de Frey.

Então, ele estendeu a mão em direção ao homem e ao jovem... tentando tocá-los.

Mas ele congelou no último momento.

Uma voz ecoou — profunda... ressonante... diretamente dentro de sua alma.

"Pare. Não os toque... se você fizer isso, será expulso deste lugar."

A voz dela era suave... quase gentil... mas fria, e estranhamente familiar ao mesmo tempo.

Uma mulher capaz de provocar uma emoção tão avassaladora... apenas com a sua voz.

Frey e Nameless — passado e presente — levantaram suas cabeças simultaneamente enquanto ela aparecia acima deles.

Ela desceu calmamente por uma escadaria em espiral, sua mão esguia deslizando pelo corrimão dourado.

Ela usava um vestido preto que parecia vivo... fluindo ao redor dela como as próprias sombras.

Um véu escuro e translúcido ocultava parte de seu cabelo, enquanto o restante caía livremente.

Cabelos negros como a noite... pele pálida como a neve... e olhos completamente escuros — desprovidos de qualquer branco.

Assim como o Frey e o Abraham sentados abaixo.

Ela era linda.

Fria.

Familiar.

E absolutamente aterrorizante.

Frey sentiu uma tempestade irromper dentro de seu peito e mente, mal conseguindo sustentar o olhar dela por alguns segundos.

Até mesmo o Nameless do passado... apesar de sua presença avassaladora... abaixou a cabeça, incapaz de suportar o olhar dela.

"Quem... é você?", ele perguntou, sua voz tremendo de uma maneira totalmente estranha para ele.

"Você já sabe quem eu sou", ela respondeu, continuando sua descida até chegar a eles.

"Você simplesmente... esqueceu."

"Eu... não entendo...", o Nameless do passado deu um passo para trás, tentando se distanciar dela.

Porque cada parte de seu ser gritava para ele... não se aproximar.

Um sentimento que ele nunca conhecera antes.

Medo.

"Não corra", ela disse suavemente. "Você correu de mim uma vez... não faça isso de novo."

Ela estendeu a mão.

Por um breve momento, ela estava longe.

E então...

Sua mão pousou suavemente contra o rosto dele.

Sem perceber como, ele estava parado bem diante dela.

A distância entre eles desapareceu completamente...

Nem mesmo o Vazio poderia perceber como isso aconteceu.

Sua mão fria tocou a bochecha dele.

E seus olhos — como infinitos vazios negros — devoraram cada parte de sua existência.

"Eu... não entendo...", sussurrou Nameless, com a voz trêmula.

"Claro que não entende, minha querida criança...", ela disse suavemente.

"Você não é nada mais do que um ser quebrado... uma existência fragmentada."

Ela retirou a mão lentamente... gentilmente.

Então ela apontou... seu dedo esguio direcionando o olhar dele para o livro que o outro eu de Frey havia tocado.

"Se você busca respostas... se você busca a verdade... então vá. Toque aquele livro, aquele escrito por suas próprias mãos."

"Lá... você entenderá tudo."

Suas palavras carregavam um estranho encantamento — um que deixou Nameless incapaz de sequer considerar desobedecê-la.

Ele se recompôs, deu um leve aceno... então começou a caminhar, cada passo pesado de tensão, em direção ao jovem, à figura mais velha... e ao livro.

Atrás dele, o Frey e o Nameless do presente permaneciam diante da mulher, seus olhos roubando breves olhares para ela — apenas para voltarem ao chão momentos depois, incapazes de suportar seu olhar.

"Acalme-se, Frey", disse Nameless, sua mão se fechando em um punho, a tensão tornando seus nós dos dedos pálidos.

"Acalme-se!", ele repetiu, sua voz subindo, enquanto Frey ao lado dele tremia violentamente, veias pulsando dentro de seus olhos avermelhados.

"Como você espera que eu me acalme?!", disparou Frey, com a voz embargada.

"Como diabos eu deveria me acalmar?!"

Ele se forçou a olhar para ela... repetidas vezes... ignorando a pressão esmagadora que fazia todos os outros desviarem o olhar.

Mas Frey desafiou até isso.

"Por que... por que diabos ela se parece com aquilo?"

Algo se acendeu dentro dele — um fogo selvagem e incontrolável.

"Por que... ela se parece exatamente com ela...?"

Seus olhos se encheram de saudade... e de algo muito mais pesado.

Ela era diferente... o que estava diante dele agora parecia estar além da compreensão.

No entanto, aquela diferença residia apenas na presença... na aura.

O rosto dela — seus traços...

Eram os mesmos.

"Por que... ela se parece exatamente com a minha mãe?"

"Por que... ela se parece com a mãe que eu perdi... há tanto tempo?"

Frey desabou no chão.

Seu coração batia violentamente, seus pensamentos ainda mais.

Isso é impossível... Estas são as memórias de Nameless... eventos de milhares de anos atrás... muito antes de eu nascer... antes mesmo de ela existir.

Não pode ser ela... tem que ser outra pessoa.

Agarrando o peito, Frey negava tudo.

Nameless estendeu a mão em direção a ele... mas congelou no meio do caminho.

Ele também sentiu... a mesma tempestade na qual Frey estava se afogando — e, pela primeira vez, ele hesitou.

Enquanto o Nameless do passado se movia em direção ao livro, o Frey e o Nameless do presente permaneciam ali... desabados diante da mulher que espelhava sua mãe perfeitamente.

Frey se forçou a levantar novamente, apertando o peito, arrastando-se para olhar para ela mais uma vez...

E congelou.

Nameless fez o mesmo.

Porque a mulher... estava olhando para ele.

Diretamente.

Seu olhar estava fixo nos olhos de Frey.

Uma dor aguda perfurou a cabeça de Nameless enquanto ele lutava para compreender o que estava acontecendo.

'Isso é apenas uma memória... não somos nada além de observadores... será uma coincidência?'

'Ela simplesmente baixou o olhar... e Frey estava lá por acaso?'

'Não...'

Nameless rejeitou aquilo imediatamente.

Os olhos dela estavam fixos nele... em Frey.

Parecia que ela queria dizer algo.

Mas, no final... ela se virou, voltando sua atenção para o Nameless do passado sem dizer uma única palavra.

Aquele momento apenas aprofundou o mistério... e o desconforto.

Mas nada disso importava.

Porque o momento mais importante estava prestes a começar.

Nameless... tocou o livro.

E foi isso...

O ponto de virada.

O momento que despedaçou tudo... e reescreveu a própria realidade.

Ele tocou por apenas alguns segundos.

No entanto, dentro daqueles momentos fugazes... ele viu algo que abalou sua própria existência.

Cenas — incontáveis cenas — muito além do que qualquer mente deveria suportar.

Informações... verdades que nenhum ser jamais deveria carregar.

Durou apenas alguns segundos.

Mas foi o suficiente... para quebrar algo dentro dele.

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