
Capítulo 854
O Ponto de Vista do Vilão
A verdade… a verdade por trás de tudo.
A resposta para incontáveis perguntas deixadas sem solução e para um mistério que perdurava há tempo demais.
Frey sentiu seu coração bater violentamente no peito, sua tensão atingindo o ápice enquanto ele estava no limiar da revelação.
O que o Sem Nome havia descoberto naquele passado distante?
Que tipo de loucura ele testemunhou — o que ele ouviu — que forçou até mesmo uma criatura desprovida de emoções como ele a rejeitá-la... a apagar a memória completamente e descartá-la?
No auge de sua jornada, o Sem Nome seguiu os rastros deixados para trás... deliberadamente colocados por uma entidade desconhecida, uma presença que ele não conseguia identificar nem encontrar qualquer pista sobre sua origem.
No entanto, através desses vestígios antigos, ele alcançou um lugar onde ninguém jamais havia pisado antes… e confrontou a verdade oculta.
O rosto de Frey endureceu, e a mesma tensão se refletiu no Sem Nome atual.
Até mesmo o Sem Nome sem emoções do passado não parecia calmo como de costume — ele parecia perturbado, incapaz de manter a compostura que antes o definia.
Tudo estava no limite agora.
Quaisquer que fossem as respostas que eles estavam prestes a descobrir, elas moldariam tudo o que viria a seguir.
Pois, a partir do que eles testemunhariam e compreenderiam… a versão final de Frey nasceria... aquele que continuaria a guerra da existência.
As almas que pereceram na Terra… ainda permaneciam, seu destino sem solução.
E incontáveis outras vidas seriam transformadas pela mudança que Frey estava prestes a sofrer.
Não seria exagero dizer que o que Frey Starlight enfrentava agora… mudaria tudo.
Marcaria o amanhecer de uma nova era — diferente de tudo o que existiu antes.
Lado a lado com o Sem Nome atual, ambos seguiram seu eu do passado para dentro do fluxo de luz...
"Foi ao mesmo tempo inebriante… e aterrorizante", disse o Sem Nome, com a expressão firme enquanto caminhava ao lado de Frey.
"A emoção de descobrir a verdade… de responder a perguntas deixadas no silêncio. E o medo de uma realidade tão dura… que poderia quebrar até mesmo um homem sem emoções."
O Sem Nome do passado não suportou.
"Mas nós suportaremos", respondeu Frey, encontrando seu olhar com determinação inabalável.
"Depois de uma vida cheia de nada além de miséria e sofrimento… depois de anos de luta afogados em dor… não acho que qualquer verdade, não importa quão amarga, possa me quebrar agora."
O Sem Nome sorriu fracamente com aquelas palavras.
"Como se todo aquele sofrimento… não passasse de preparação para este momento."
"É… eu acho que foi", respondeu Frey, retribuindo o sorriso antes de respirar fundo.
E, enfim… a grande luz se abriu, revelando o que havia ocultado.
Frey testemunhou com os próprios olhos o momento em que o Sem Nome rompeu o véu...
O momento em que ele entrou no lugar onde todos os segredos haviam sido escondidos.
Diante deles desenrolou-se um reino inteiramente novo… um lugar que fez um calafrio percorrer suas espinhas, apesar de suas formas espectrais.
O Sem Nome entrou no que parecia ser… uma biblioteca.
Uma familiar — Frey a reconheceu instantaneamente.
Era idêntica à que ele vira dentro da máscara, assustadoramente similar àquelas retratadas nas pinturas que tinham acabado de testemunhar.
Suas prateleiras estendiam-se infinitamente... ascendendo e descendendo por níveis infindáveis.
Era vasta, repleta de mesas e cadeiras de madeira finamente trabalhadas, com paredes adornadas com ouro e pedra negra.
Escadas e passagens entrelaçavam-se por toda a estrutura, conectando seções distantes em sua extensão imensurável.
Uma biblioteca além da compreensão… que guardava incontáveis segredos.
No momento em que o Sem Nome entrou ali pela primeira vez… seu corpo tremeu violentamente.
Então, ele caiu de joelhos.
Frey e o Sem Nome atual observaram em choque enquanto testemunhavam...
Pela primeira vez… o calor surgir em seu peito.
Um calor que ele nunca havia conhecido.
O Sem Nome do passado não entendia o que estava acontecendo.
Ele não conseguia compreender o estranho calor fluindo por ele… nem as emoções desconhecidas que o haviam tomado do nada.
"Ele está… sentindo…", murmurou Frey, incrédulo, por ter acreditado que o Sem Nome só ganhara emoções através dele.
Essa memória provava o quão errado ele estava.
Dominado por aquelas sensações, o Sem Nome permaneceu paralisado — incapaz de se mover, incapaz até mesmo de perceber o que estava diante dele.
Ele passou aqueles momentos tentando entender o que havia acabado de despertar dentro dele.
Frey e o Sem Nome atual, no entanto, eram diferentes.
Eles já possuíam emoções… e, portanto, não sentiram nada do que ele experimentou naquela época.
A atenção deles mudou para outro lugar dentro da biblioteca… em busca de respostas.
E o que viram… os congelou no lugar.
"…Diga-me que o que estou vendo é uma ilusão", sussurrou Frey, com os olhos trêmulos.
"Não", respondeu o Sem Nome, com a voz igualmente pesada. "É real. Inegavelmente real."
Diante deles havia uma mesa simples... nem grande, nem pequena.
À frente dela… uma única cadeira.
E sobre aquela mesa descansava um grosso e estranho livro negro… sua capa adornada com elegantes letras douradas.
Seu título dizia claramente:
"Terra da Sobrevivência."
Um nome familiar — para Frey… e para o Sem Nome, que compartilhava suas memórias.
Mas o verdadeiro choque não veio do livro… nem de seu título.
Veio de quem estava sentado diante dele.
Um jovem rapaz estava na cadeira, sua mão descansando sobre a capa do livro.
Parado. Silencioso. Imóvel.
Ele parecia… sem vida.
Como se sua alma já tivesse deixado seu corpo.
Seu cabelo era longo, escuro e impressionantemente belo.
Suas feições… eram inconfundíveis.
Eram as mesmas feições… compartilhadas por Frey… e pelo Sem Nome.
"…Ele se parece conosco."
De forma perturbadora.
No entanto, havia uma diferença...
A escuridão que consumia seus olhos…
como se tivessem sido substituídos por brilhantes pérolas negras de sombra.
O jovem parecia quase idêntico a Frey — como se fosse outra versão dele, uma mais completa… mais refinada… e com uma presença muito mais pesada.
Ele vestia trajes negros desconhecidos, sutilmente diferentes de qualquer coisa que Frey já tivesse visto antes.
Ao lado dele estava um homem mais velho, na casa dos quarenta anos… com cabelos brancos espessos, uma barba clara e feições que irradiavam um calor e uma familiaridade inexplicáveis.
O homem estava atrás do jovem, descansando sua mão gentilmente sobre seu ombro.
No entanto, seus olhos também estavam cheios de escuridão — sem vida, vazios… como se sua alma já tivesse partido.
Ambos estavam no mesmo estado.
Um sentado, com a mão sobre o livro… enquanto o outro estava de pé atrás dele, com a mão sobre seu ombro... como se estivessem ligados por algo invisível.
Frey encarou o homem mais velho por um longo tempo, com os olhos trêmulos e a boca levemente entreaberta, incapaz de formar uma única palavra.
"Minha mente quer dizer que isso é impossível… mas meus olhos insistem que o que estou vendo é real."
Ele deu um passo à frente lentamente, cada movimento pesado… enquanto o Sem Nome permanecia atrás dele.
Frey continuou a caminhar, passo a passo… até estar diretamente diante deles.
"Não há dúvida…", disse ele, a voz instável.
"Não importa como eu olhe para ele… não importa por quanto tempo eu encare… mais certo eu fico…"
"…de que este é… meu pai."
Naquele momento, a verdade se revelou.
O homem era um reflexo perfeito de Abraham Starlight… porém ainda mais completo… mais imponente.
E aquele sentado na cadeira…
"…sou eu."
Frey cambaleou para trás, uma forte dor de cabeça o atingiu, seguida por uma onda de tontura.
"Que diabos está acontecendo aqui…?"
Olhando ao redor, ele notou os livros ao seu redor — incontáveis deles.
No entanto, por alguma razão… eles pareciam sufocantes.
Eles o cercavam por todos os lados, como se suas palavras tivessem se tornado gritos ecoando em sua mente e alma.
Eles pareciam reais… vivos… suas vozes reverberando profundamente dentro dele.
Especialmente aquele livro negro… ele exercia a presença mais forte de todas.
Frey sentiu-se perdido… como se estivesse prestes a ser arrastado por aquelas vozes.
Mas o Sem Nome interveio imediatamente, segurando-o com firmeza.
"Controle-se! Não deixe que eles o levem!"
Trazendo-o de volta à realidade, o Sem Nome cobriu os ouvidos de Frey com ambas as mãos, seu próprio olhar examinando o ambiente com confusão.
Diante deles estavam Frey e Abraham — imóveis perante o livro que parecia ter roubado suas almas.
E, ao redor deles… os livros gritavam com palavras vivas, como se pessoas reais estivessem clamando de dentro deles.
A cena inteira parecia surreal… como uma poderosa ilusão imposta sobre eles.