
Capítulo 853
O Ponto de Vista do Vilão
Frey encarava, seus olhos se arregalando lentamente em descrença.
Eles estavam espalhados pelo mundo... em ruínas antigas, relíquias esquecidas, pinturas escondidas que ninguém jamais fora capaz de decifrar.
O Sem Nome havia encontrado muitos deles durante sua jornada.
"É como se alguém os tivesse colocado deliberadamente... deixando para trás pistas para quem quer que viesse depois... alguém em busca do Éter", disse ele, um leve franzir de cenho cruzando seu rosto.
Frey permaneceu em silêncio, tentando processar o que estava vendo.
Ele via figuras envoltas em trevas, reunidas ao longo das bordas das pinturas — cada uma emanando faíscas estranhamente semelhantes àquela energia estranha que o Sem Nome manejava.
Homens e mulheres... todos seguindo uma única mulher, desenhada de forma maior e mais proeminente que os demais.
A escuridão se espalhava ao redor dela como sombras vivas, e de sua mão surgia uma faísca muito maior do que todas as outras combinadas.
No lado oposto da pintura, Frey viu algo mais.
Uma névoa densa e rastejante — viva, como se respirasse — dentro dela brilhavam olhos dourados sinistros que pareciam arrastar todos que os contemplassem para o esquecimento.
Frey virou-se para outra pintura.
Ali, a mesma mulher estava novamente... sorrindo levemente.
Diante dela estava sentado um homem de ombros largos e longos cabelos pretos... sua presença irradiava força, calor e uma autoridade silenciosa.
Ao lado dele estavam duas crianças, uma mais velha que a outra — de costas, com os rostos invisíveis.
Parecia que ela estava ensinando algo a eles. Diante deles havia uma biblioteca enorme... cheia de inúmeros livros.
A respiração de Frey falhou.
Aquela biblioteca... ela se parecia com a que ele tinha visto dentro da máscara do Sem Nome. Parecia quase idêntica.
Ele se virou abruptamente, um amargor estranho subindo em seu peito... uma dor desconhecida apertando sua respiração.
Mais uma pintura chamou sua atenção.
Um castelo... ou talvez uma mansão maciça e sombria... seu interior revelado em detalhes assustadores.
Uma longa mesa de jantar ficava no centro de um vasto salão, suas paredes de pedra negra construídas em um estilo diferente de qualquer coisa que Frey jamais vira.
Sentados ao redor dela estavam o mesmo homem... e a mesma mulher.
Cercando-os estavam muitas crianças — mas seus rostos estavam borrados, como se tivessem sido apagados deliberadamente.
Quanto mais Frey olhava, mais pesada sua respiração se tornava... embora ele não fosse nada mais do que um fantasma dentro daquelas memórias.
Todas elas carregavam uma presença sufocante.
Mas aquela mulher... se destacava acima de tudo.
Ela era... avassaladora.
"Suporte isso", disse o Sem Nome calmamente, sua expressão espelhando a de Frey. "Esses vestígios... foram deixados para nós."
Havia inúmeras pinturas... mais e mais delas se estendendo infinitamente diante de seus olhos.
Cada uma retratava uma cena diferente, um momento diferente — distinto, vívido e inquietante à sua própria maneira.
Mas o que mais chamou a atenção de Frey... foi que muitas delas giravam em torno daquela mulher — e da criança mais velha que ele tinha visto antes.
Ela pairava ao redor dele como um fantasma.
Seu longo vestido preto arrastava-se pelo chão, envolvendo-o como o casulo de uma aranha, cercando-o de todos os lados.
Ela sussurrava em seu ouvido... da direita, da esquerda... sua presença era inescapável.
E cada vez... a criança se movia de acordo com o ritmo dela.
Eles caminhavam juntos, de mãos dadas, enquanto ela o guiava pela vasta biblioteca — ensinando-lhe coisas que o próprio Frey não conseguia compreender.
Até que, finalmente... eles chegaram diante de uma das maiores pinturas que o Sem Nome já havia descoberto.
Nela, a criança estava sentada em uma cadeira de madeira, com o rosto completamente obscurecido.
Atrás dele estava a mulher aterrorizante, suas sombras envolvendo-o por completo, suas mãos delgadas descansando gentilmente sobre os ombros dele... um gesto que falava de um vínculo inquebrável.
Diante deles havia uma mesa... e sobre ela, um livro aberto... sombrio, estranho e profundamente ameaçador.
À direita deles, o homem aparecia, estendendo a mão em direção à criança.
Seu rosto estava escondido, mas sua postura denunciava algo inconfundível... medo, urgência, preocupação.
Atrás dele, as outras crianças permaneciam à distância, observando em silêncio.
À esquerda deles, a névoa terrível surgia mais uma vez, estendendo-se em direção à criança também...
No entanto, a mulher a repelia violentamente, como se a própria névoa a temesse... temesse sua própria existência.
A pintura parecia viva.
O corpo de Frey foi tomado por um suor frio, sua respiração tornando-se irregular, incapaz de entender a origem de seu desconforto avassalador.
"Que diabos é isso...? O que essas pinturas deveriam ser?"
Ele apertou o peito com força, lutando para permanecer de pé, recusando-se a cair de joelhos.
"Por que... por que sinto esse vazio... esse amargor toda vez que olho para elas?"
A dor percorreu seu corpo.
O Sem Nome deu um passo à frente, colocando uma mão em seu ombro.
Frey levantou a cabeça lentamente... apenas para perceber que o Sem Nome também sentia aquilo.
A diferença era... que o Sem Nome suportava.
Ele a suprimia... a controlava.
"Isto, Frey...", disse o Sem Nome calmamente, sua voz pesada, "é a prova que me levou... à verdade."
Os olhos de Frey se arregalaram.
"Você... descobriu? O significado por trás dessas pinturas... a verdade da sua existência... e da minha?"
Eles encararam um ao outro, a tensão mais espessa do que nunca.
E tudo mudou... no momento em que o Sem Nome assentiu — lenta, pesadamente, como se carregasse o peso de mundos.
Frey estava atordoado.
A verdade... já estava ao alcance deles.
No entanto, o Sem Nome diante dele não parecia alguém que possuía tal verdade.
Ele parecia... tão perdido quanto Frey.
E havia uma razão para isso.
"Eu a encontrei", disse o Sem Nome, sua voz mais baixa agora. "Mas eu não pude suportar... não naquela época."
A memória mudou.
Frey observou enquanto o Sem Nome alcançava seu próprio interior... e arrancava algo.
Um fragmento de memória. De poder.
Algo radiante.
Algo importante.
"Eu o removi... e o confiei à única pessoa em quem confiei mais do que qualquer outra neste mundo."
Diante dos olhos de Frey, o Sem Nome entregou aquele fragmento.
Ao homem que acreditou nele sem hesitação.
Àquele em quem ele confiava completamente.
O Sem Nome... deu-o a Gehrman.
Ele o confiou a ele.
Disse-lhe para protegê-lo. Para escondê-lo... até que chegasse o dia em que ele precisaria ser devolvido.
Disse-lhe para guardá-lo com sua vida.
E Gehrman... obedeceu.
O Sem Nome soltou uma risada fraca ao lembrar.
"Eu nunca esperei que ele seguisse minhas palavras tão literalmente", disse ele. "Ele escondeu aquele poder dentro de seu próprio corpo... fundiu-o consigo mesmo, para que ninguém pudesse tirá-lo dele."
"Ele fez isso... sabendo muito bem o que significava."
"Que ele morreria... quando chegasse a hora."
Os olhos do Sem Nome tremeram.
Por um breve momento... ele quase desmoronou.
"Ele jogou sua vida fora sem hesitação... cumpriu a tarefa impossível que lhe dei... suportando um sofrimento que ninguém mais jamais poderia entender."
"Talvez você o tenha odiado durante a maior parte de sua vida..."
"Mas ele foi... a única pessoa que posso verdadeiramente chamar de..."
"Amigo."
Mais do que isso, até.
A morte de Gehrman... era necessária.
Somente através dela a memória poderia ser libertada... para que pudesse retornar ao Sem Nome agora.
Aquela memória havia se tornado parte da própria existência de Gehrman.
O que significava que... no momento em que ela fosse recuperada...
Gehrman deixaria de existir.
Embora.
Nem mesmo o domínio do Sem Nome sobre a vida e a morte poderia trazê-lo de volta.
Gehrman morreu... sem retorno.
E essa verdade gravou algo profundo tanto no Sem Nome... quanto em Frey, que agora percebia que, durante todo aquele tempo...
Ele nunca tinha verdadeiramente compreendido o homem de olhos azuis.
O homem que tornou este momento possível.
O homem que preparou o caminho... para a verdade.
A memória estava agora aberta.
O caminho estava diante deles.
Frey e o Sem Nome deram um passo à frente... em direção a ele.
Em direção à verdade.
Uma verdade comprada... pelo sacrifício de um homem.
No mesmo instante, ambos cerraram os punhos.
Sua determinação tornou-se mais afiada.
E juntos...
Caminharam para a luz.
O que quer que os esperasse além dela...
Eles enfrentariam.
Juntos.