
Capítulo 852
O Ponto de Vista do Vilão
Em um dos incontáveis planetas espalhados pelo vasto universo, um homem vestido inteiramente de preto vagava sem rumo, ocultando seu rosto e sua identidade enquanto viajava de um lugar para outro.
Atrás dele caminhavam duas figuras de porte quase idêntico, até mesmo na altura... mas não passavam de espectros, observando silenciosamente sua jornada e revivendo-a ao seu lado.
À sua direita caminhava Frey, com a curiosidade estampada no olhar, enquanto à sua esquerda movia-se o Nameless [1] presente, com as mãos nos bolsos e o rosto desprovido de emoção... já que ele sabia a maior parte do que estava prestes a se desenrolar.
[1] - Sem Nome.
Esta era a era em que a jornada de Nameless realmente começou. Ele percorria o cosmos em busca da verdade por trás de sua existência fragmentada, refinando as técnicas que um dia o definiriam.
Após escapar do aprisionamento do Grande de Krat, os eventos transcorreram praticamente como Frey já sabia.
Nameless previu a invasão demoníaca anos antes de ela acontecer, preparando-se para a sobrevivência. Então veio a aniquilação... cada ser em Krat pereceu... todos, exceto Nameless, que sobreviveu apenas através de seu domínio das leis do espaço.
O que chamava a atenção, no entanto, era que o Grande de Krat nunca apareceu durante aquela batalha catastrófica. Ninguém o viu. Nem mesmo um vestígio de sua existência permaneceu.
Nameless tentou encontrá-lo mais tarde, quando sua força havia crescido, mas mesmo assim... ele falhou.
"Eu o procurei", disse Nameless ao lado de Frey, enquanto flashes de suas batalhas passadas contra outros Grandes se desenrolavam diante deles. "Eu queria capturá-lo... forçá-lo a falar, se fosse necessário. Ele claramente sabia coisas que eu não sabia. Mas nunca o encontrei."
"Eu já era poderoso naquela época... acredito que matei um ou dois Grandes durante minhas viagens por seus mundos. Mas nenhum deles sabia de nada."
"Eu até encontrei o mestre deles — Odin — uma vez. Mas ele veio até mim... e eu não pude fazer nada contra ele. Ele nunca se manifestou fisicamente... apenas como uma névoa amaldiçoada e sem forma."
Frey testemunhou aquelas memórias pessoalmente e só pôde concordar. Mesmo como ecos do passado, elas carregavam um peso inegável.
"O que ele queria de você? Esse tal de... Odin."
Frey sabia muito pouco sobre esse nome. Ele só tinha ouvido falar dele recentemente, através de Audrey, que o alertou sobre isso. Até mesmo a própria Audrey permanecia uma existência estranha para ele... tanto desconhecida quanto estranhamente familiar.
Nameless fechou os olhos levemente antes de responder.
"Não sei o que ele queria. Mas, pelo que ele disse... concluí que ele tinha interesse em mim... e no Rei Demônio, Agaroth."
"Como se ele estivesse procurando por algo... algo que apenas nós dois possuímos."
"E o que exatamente seria isso?", perguntou Frey.
Nameless levantou a mão em resposta, invocando aquela energia cinza-avermelhada.
"Ele provavelmente queria este poder... e quanto a Agaroth, não sei. Talvez esteja ligado à fonte de sua força. Poder como o dele... não vem do nada."
"Agaroth tem algo dentro dele... algo que o tornou o que é hoje."
Frey assentiu levemente ao ouvir aquilo, depois soltou um sorriso fraco e amargo.
"Eu deveria ser quem conhece a fonte desse poder... já que fui eu quem o criou. No entanto, sou quem menos o compreende em todo este mundo."
Havia uma certa ironia nisso. Mas Nameless não o culpou. Em vez disso, colocou a mão levemente sobre o ombro de Frey, instando-o a continuar observando.
"Não há necessidade de remoer isso agora. Encontraremos as respostas quando chegar a hora. Venha... é hora da próxima memória."
Frey assentiu.
"Mas... agora que você recuperou todas as suas memórias, isso não significa que você já sabe de tudo? O que exatamente você está tentando me mostrar?"
Nameless balançou a cabeça calmamente.
"Isso não é verdade. Nem mesmo eu... sei o que essas memórias revelarão no final."
"O que você quer dizer?" A curiosidade de Frey se aprofundou. Isso estava muito além do que ele esperava... até mesmo o próprio Nameless não sabia o que os aguardava.
Nameless permaneceu em silêncio por um momento antes de finalmente falar.
"Existe uma memória... que foi apagada. Uma memória que eu mesmo removi... depois de descobrir algo que não pude suportar na época."
A expressão de Frey endureceu instantaneamente.
Que tipo de memória poderia fazer até mesmo o frio e impassível Nameless apagá-la... incapaz de suportar seu peso?
"Não há necessidade de pressa", disse Nameless calmamente. "Você entenderá em breve."
Ele gesticulou para frente, e Frey o seguiu sem hesitação.
O que Nameless lhe mostrou a seguir foram as origens de suas habilidades de vida e morte — como ele aprendeu a incendiar almas, como moldou receptáculos capazes de contê-las e como trouxe os mortos de volta à vida.
Eram habilidades extraordinárias, avassaladoras em escopo, tornando-o um dos maiores manipuladores da vida e da morte.
No entanto, todas compartilhavam uma única origem.
Aquela estranha energia cinza-avermelhada.
Um poder que Nameless nunca pôde utilizar plenamente, não importava o quanto tentasse. Porque, exatamente como o Grande de Krat havia dito... sua existência estava incompleta.
"Eu sempre fiquei intrigado com esse poder", disse Nameless enquanto observava seu eu do passado treinar e experimentar.
"No início, pensei que fosse simplesmente uma extensão da vida e da morte... mas, depois, percebi que estava muito além disso."
"Um poder cuja origem está completamente fora deste mundo."
Ele disse essas palavras em voz alta, refletindo sobre tudo o que havia descoberto.
"Esta é a mesma energia usada por aqueles... conhecidos como Escritores [2]."
[2] - Writers.
Os olhos de Frey brilharam no momento em que ele ouviu essa palavra.
Era o mesmo termo usado pela entidade por trás do sistema... aquela que se autodenominava um Escritor.
"Se esse é o poder dos Escritores... isso significa que eu também posso usá-lo?"
Nameless assentiu.
"Sem dúvida. Eu senti isso dentro de você quando você queimou sua alma durante nossa batalha contra Agaroth."
"Mas o que existe dentro de você... também está incompleto. Assim como o meu."
Nameless virou-se para Frey, seus olhos se encontrando.
E naquele momento... ambos estavam pensando a mesma coisa.
No entanto, nenhum deles falou. Eles simplesmente continuaram em frente, carregados pela corrente de memórias.
"Então... quem são os Escritores? Qual é a diferença entre o mundo material e o Éter? E o que jaz por trás de todo esse mistério?"
Mais importante ainda... será que o Éter era real, ou apenas uma ilusão?
A ideia de um mundo muito maior existindo além do véu era fascinante... e profundamente perturbadora.
Dizia-se que o próprio Odin vinha daquele reino... e se o poder dos Escritores também se originava de lá, então isso significava que a própria origem de Frey poderia remontar a ele.
Essa realização apenas aprofundou o tumulto existencial de Frey. Ele ainda não tinha compreendido totalmente o mundo material... então como poderia esperar compreender algo muito maior como o Éter?
Até mesmo pensar sobre isso causava uma forte dor de cabeça, que piorava a cada momento que passava.
Então, ele optou por deixar para lá... por confiar tudo a Nameless.
Ele seguiu o fluxo das memórias, esperando que, em algum lugar dentro delas, a verdade se revelasse.
A partir daquele ponto, tudo ficou mais lento. Ambos permitiram-se afundar nas memórias frias e distantes do passado de Nameless.
No entanto, a presença de Nameless — sua orientação — dava àquelas memórias calor... uma estranha sensação de vida que nunca tiveram antes.
Enquanto caminhavam, Nameless explicou muitas coisas a Frey... pacientemente, sem pressa.
Ele o ensinou o que o verdadeiro controle significava... e como alguém poderia levar suas habilidades aos limites absolutos.
Ele lhe mostrou que uma única habilidade dominada com perfeição valia muito mais do que dezenas deixadas incompletas.
"A aura é a força vital que sustenta este mundo", disse Nameless, demonstrando seu controle avassalador.
"Se alguém a domina completamente, pode realizar milagres. E em toda a história do mundo material... ninguém a controlou melhor do que eu."
Frey ficou admirado com a precisão absoluta de seu domínio — no entanto, algo mais o intrigava.
"Você alcançou esse nível com a aura... mas não conseguiu controlar aquele outro poder..."
"Porque é diferente", respondeu Nameless, revelando calmamente a distinção.
"Controlar a aura é manipular o que já existe... extraí-la do mundo ao seu redor e redirecioná-la."
A aura preenchia o mundo material — ela estava em toda parte, pronta para ser moldada e dobrada.
"Mas aquela energia cinza-avermelhada...", continuou ele, levantando a mão levemente, "ela vem do nada. Essa é a diferença."
"Parece simples... mas foi a coisa mais complexa que já enfrentei."
Manipular a aura significava remodelar algo que já existia.
Mas aquele outro poder... exigia criar algo do nada.
Era, em essência... impossível.
Nameless nunca entendeu como ele conseguiu produzi-lo em primeiro lugar. Parecia que vinha de dentro dele — das camadas mais profundas de sua alma e existência.
E até mesmo alguém como ele... um mestre sem comparação... não conseguia compreendê-lo.
"Eu não conseguia entendê-lo... porque sua origem está fora deste mundo."
No momento em que ele disse essas palavras, as memórias mudaram novamente — revelando algo totalmente novo.
"Estes... são os vestígios", disse Nameless. "Prova do Éter... e dos Escritores da história."