O Ponto de Vista do Vilão

Capítulo 851

O Ponto de Vista do Vilão

Sem Nome voltou lentamente o olhar para a sua versão mais jovem.

"O que ele está fazendo?", perguntou Frey, intrigado, enquanto observava a criança segurar uma das criaturas sem vida, brincando com o cadáver.

O menino estendeu a mão em direção ao corpo morto, depois a recolheu e estendeu novamente — como se tentasse tocar em algo invisível, algo que não estava ali.

"Observe com atenção", disse Sem Nome calmamente. "Foque no que acontece a seguir."

Ambos ficaram em silêncio.

Eles observaram.

Uma criança estranha balançando a mão no ar vazio, segurando uma criatura morta na outra.

Segundos se passaram.

Então...

Algo mudou.

A mão que se movia pelo ar começou, de repente, a brilhar.

Sem aviso, algo surgiu... um poder estranho.

Assemelhava-se à aura... mas era diferente.

Uma centelha de energia cinzenta, cercada por vibrações carmesins, pulsava com uma força que parecia antinatural... impossível de compreender.

O jovem Sem Nome estendeu lentamente a mão em direção ao cadáver, cauteloso... quase com medo.

No momento em que aquela energia estranha tocou o corpo sem vida...

Ela infiltrou-se nele.

Bem diante dos olhos de Frey.

Bem diante dos de Sem Nome.

A energia cinza-avermelhada espalhou-se pelo pequeno cadáver, e seu corpo começou a brilhar.

Suas veias se iluminaram.

Cada célula incendiou-se.

Um calor estranho espalhou-se por aquele corpo frio e sem vida.

E, do nada... algo extraordinário nasceu.

Os olhos de Frey se arregalaram, sua respiração falhou enquanto ele encarava a cena.

O cadáver tremeu.

E de dentro dele... um batimento cardíaco ecoou.

Nas mãos do jovem Sem Nome, a criatura semelhante a um esquilo abriu os olhos... e levantou-se novamente.

Viva.

Como se a morte nunca a tivesse tocado.

Ela nem percebeu o que havia acontecido. No momento em que viu a criança à sua frente, fugiu — correndo com total vitalidade, intacta, sem ferimentos.

Frey ficou paralisado em choque.

Mas aquele que estava ainda mais chocado...

Era o próprio jovem Sem Nome.

Sua mão tremia violentamente... a mesma mão que havia liberado aquele poder estranho.

Ele recuou, o medo tomando conta de si, como se algo que ele temia... tivesse acabado de se tornar realidade.

Frey estava prestes a falar, a questionar o que acabara de testemunhar.

Mas a pergunta veio de outra pessoa.

Uma nova presença havia surgido.

Uma mão fria e pesada agarrou o braço do jovem Sem Nome.

E uma voz arrepiante cortou o silêncio.

"O que você acabou de fazer?"

A voz veio de trás dele.

Lentamente... Sem Nome virou-se.

Apenas para encontrar um homem que nunca tinha visto antes parado ali.

Ele era alto, cercado por uma aura obscura que fazia Sem Nome sentir como se o ser à sua frente fosse algo inteiramente diferente. E ainda assim... o homem compartilhava os mesmos traços físicos... cabelos grisalhos, olhos frios e escuros, e uma tez pálida e sem vida.

Ele vestia roupas simples, nada notável, nada que o distinguisse de um homem comum. Mas isso apenas tornava sua presença mais inquietante. Havia algo fundamentalmente errado com ele.

Sem Nome não sabia o que dizer. O homem tinha visto tudo — ele havia testemunhado o milagre que acabara de ocorrer.

Em circunstâncias normais, tal evento teria sido relatado imediatamente... mas aquele homem era tudo, menos normal.

"Entendo... você não compreende", disse o homem calmamente, antes de agarrar Sem Nome e levá-lo embora. Não houve resistência, nem luta... Sem Nome não tinha nada que pudesse usar contra ele.

Ele foi levado a um lugar que nunca tinha visto antes. E o que era ainda mais estranho... ele não conseguia entender como tinha chegado lá. Sua noção de espaço e tempo distorceu-se no momento em que ele seguiu aquele homem.

A partir daquele encontro... nada parecia mais natural.

Sem Nome foi confinado dentro de um edifício sombrio... vazio, sem vida, como se ninguém jamais tivesse vivido ali. A situação inteira era bizarra. Mesmo após seu desaparecimento repentino, ninguém veio procurá-lo... como se sua própria existência nunca tivesse importado.

Mais tarde, ele percebeu... o homem tinha feito algo.

"Passei vários anos aprisionado por aquele homem", disse Sem Nome no presente, relatando o que havia acontecido.

O homem raramente aparecia, deixando-o sozinho por longos períodos. Mas sempre que ele vinha... trazia algo consigo.

Cadáveres.

"Cadáveres de diferentes criaturas... de vários tipos."

Às vezes eram corpos de sua própria espécie. Outras vezes, eram criaturas de raças completamente diferentes.

Foi a primeira vez que Sem Nome viu seres que não nasceram em Krat[1]... seres de um mundo completamente estranho para ele.

[1] - Nome do planeta ou mundo de origem do protagonista.

"Ele queria que eu fizesse a mesma coisa que fiz com aquela criatura... mas, desta vez, com eles."

O homem forçou Sem Nome a tentar usar aquele poder estranho novamente. Ele queria que ele trouxesse aqueles cadáveres de volta à vida. Sem Nome tinha pouca escolha... então obedeceu, tentando repetidamente recriar o que havia acontecido uma vez.

Mas, todas as vezes... ele falhou.

O homem nunca disse uma palavra sobre aquelas falhas. Ele simplesmente ia embora, abandonando Sem Nome sozinho com os cadáveres. Dias passavam em isolamento, cercado por corpos que apodreciam rapidamente.

Com o tempo, Sem Nome aprendeu a preservá-los, evitando sua decomposição. Gradualmente... eles se tornaram a única coisa que ele tinha.

O homem continuou trazendo mais. Cada vez... um novo tipo, uma nova espécie, algo inteiramente diferente. E assim, estudar aquelas criaturas tornou-se a única ocupação de Sem Nome.

Ele não conseguia trazê-los de volta à vida — ele falhava sempre. Mas ele conseguiu manifestar aquele poder estranho... uma energia cinza-avermelhada diferente de tudo naquele mundo.

Após inúmeras falhas, o homem finalmente falou — uma das poucas vezes em que Sem Nome o ouviu dizer algo.

"Sua existência é distorcida. Seu ser está fragmentado... o poder que meu mestre deseja existe dentro de você, mas você é incapaz de manifestá-lo."

Sua voz era fria, desprovida de emoção. Então ele se virou, abrindo a porta que sempre mantivera fechada para Sem Nome.

"Você está livre para ir. Você não tem mais utilidade para mim."

Ele o deixou para trás... sozinho, cercado por um oceano de cadáveres. Inúmeros corpos, cada um pertencente a uma raça diferente. Essa foi a última vez que Sem Nome viu aquele homem.

Um homem que, com toda a probabilidade, lhe mostrara quase todos os seres vivos que existiam no mundo material. Ele até lhe trouxera cadáveres de demônios, portadores da Luz, seres do Panteão... e humanos.

"Foi estranho... sua aparição diante de mim não foi aleatória", disse Sem Nome no presente, seu tom calmo.

"Eu não sabia quem ele era naquela época, nem o que representava. Ele parecia... avassalador. Como se estivesse sempre me vigiando, observando tudo o que eu fazia. Desafiá-lo era impossível."

"Mais tarde... finalmente entendi a verdade por trás dele. Entendi por que me sentia tão impotente diante dele, apesar de quão parecido ele parecia comigo."

"Aquele era o Grande da minha espécie... o Grande de Krat."

"Um ser enviado para mim... por razões que eu não entendia. Mas ele provavelmente desejava o poder que eu havia demonstrado."

Sem Nome falou, revelando o que aquele encontro havia deixado para trás — como isso o moldou, como construiu a pessoa que ele eventualmente se tornaria.

Aquelas palavras... apenas aprofundaram a crise existencial pela qual ele vinha passando.

Uma existência distorcida... um ser fragmentado.

Isso o levou a questionar sua origem mais do que nunca, forçando-o a descobrir a verdade por trás daqueles poderes estranhos com os quais nasceu.

Ele queria respostas.

E, para encontrá-las, Sem Nome percebeu que precisava entender completamente as leis da vida e da morte... e dominá-las. Os cadáveres ao seu redor já lhe haviam dado a primeira dica.

Aquele poder único dentro dele tornou-se a fonte de sua manipulação sobre a vida e a morte... a semente da qual tudo começou.

Uma semente plantada dentro dele... após seu encontro fatídico com o Grande de Krat.

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