O Ponto de Vista do Vilão

Capítulo 843

O Ponto de Vista do Vilão

O guerreiro mascarado desviou, esquivou-se e rompeu as defesas.

Suas espadas cortaram a armadura de Agaroth vez após vez.

Ele assumiu o controle.

Recuperando o domínio na arte da esgrima.

Como?

A resposta estava dentro do Domínio do Rei.

Incapaz de acompanhar o estado transformado do Rei, o Sem Nome reformulou o Domínio inteiramente...

Forçando-o a focar na adaptação à nova forma de Agaroth.

Em segundos...

Ele reconstruiu sua habilidade de romper mundos.

Essa foi a mudança.

Foi por isso que sua aura havia mudado.

Era uma aposta.

Uma aposta com sua vida... e com o resultado de toda a batalha.

Será que ele cairia antes que o Domínio completasse sua adaptação?

Ou será que ele teria sucesso primeiro?

O Sem Nome escolheu acreditar.

Ele acreditou em seu poder.

O poder que ele forjou do nada.

E o resultado—

Foi uma inversão completa da maré da batalha.

As lâminas não podiam mais feri-lo.

Agaroth foi forçado a entrar na defensiva.

As espadas do Sem Nome dançavam pelo espaço.

Pintando uma obra-prima de chamas violetas, destruição cinzenta e aura sombria.

Ele parecia um artista...

Ousando apresentar seu trabalho diante de um pesadelo chamado Agaroth.

Por um momento—

O Rei ficou surpreso.

E no instante seguinte—

Essa surpresa transformou-se em alegria.

Seu sorriso se alargou.

Seu poder aumentou.

A aura sombria surgiu.

Seus golpes tornaram-se mais pesados.

Cada golpe estilhaçava e apagava vastas porções do solo sob eles.

Até que a própria terra desapareceu—

E os dois lutaram no espaço aberto.

Eles feriam um ao outro.

Novamente.

E novamente.

Cada golpe atingia o alvo.

Cada ferimento se formava...

E se curava instantaneamente.

Mas o que tornava esta batalha verdadeiramente extraordinária...

Era isto:

O Sem Nome o alcançara.

Ele igualara o Rei.

Apagara a diferença—

Através de controle absoluto.

Um nível de maestria além dos limites.

Um nível que ninguém mais jamais alcançara.

Eles colidiam sem pausa, friccionando um contra o outro até que o próprio vazio parecesse tremer.

Cada golpe extraía sangue, cada troca estilhaçava carne e força igualmente.

No entanto, nenhum deles caiu.

Chamas violetas colidiam com a escuridão furiosa, e o choque entre eles ardia como o nascimento de uma estrela moribunda.

Longe de tudo, em um canto esquecido do universo, eles lutavam sem serem vistos.

Nenhum olhar testemunhava. Nenhuma criatura sequer sabia que eles existiam ali.

Golpe após golpe, ataque após ataque...

uma corrente interminável de destruição que se recusava a romper.

As lâminas do Sem Nome rasgavam a armadura de Agaroth, cortando, talhando, ferindo...

fazendo tudo o que deveria ter sido o suficiente.

Mas o Rei permanecia de pé.

E a cada segundo que passava... seu poder apenas crescia.

Ele ainda tinha mais.

Muito mais.

Horrores infinitos permaneciam dentro dele, mas seu oponente acompanhava o ritmo—

suportava, resistia, sobrevivia.

Era uma batalha que ecoava algo antigo.

Um confronto que ocorrera há muito tempo entre os mesmos dois seres.

Esse eco viajou—profundo, distante—

até chegar a Frey.

De pé, mais uma vez dentro da escuridão, ele observava o Sem Nome lutar em seu lugar.

O ser que assumira a tarefa que Frey falhara em completar.

Frey perdera.

Ele se rendera.

Depois de assistir Agaroth massacrar a todos... depois de ser derrotado sem esforço...

ele caíra.

E não tinha mais forças para ficar de pé.

Como ele poderia...

contra uma existência que ninguém sequer poderia sonhar em derrotar?

Contudo, o Sem Nome permanecia de pé.

O Sem Nome lutava.

Ele carregava o fardo de salvar inúmeras almas—

apesar de não lhes dever nada.

Ele resistiu contra o Rei Demônio.

Mesmo sabendo que a vitória era impossível...

ele continuava lutando, acreditando que, em algum lugar dentro da própria batalha, deveria haver um caminho.

Era um absurdo. Impossível.

E, ainda assim, ele sobreviveu aos ataques de Agaroth.

Desviou de suas cópias.

Suportou seus ataques capazes de romper o mundo.

Até mesmo resistiu à forma que o Rei criara especificamente para derrotá-lo.

Ele resistiu através de uma única coisa...

Perseverança.

E se havia alguém digno de ser chamado de verdadeiro guerreiro...

Era aquele homem mascarado.

Frey sabia disso agora.

Mas, mesmo assim—

mesmo com toda aquela perseverança—

A vitória permanecia distante.

Intocável.

O Sem Nome lutava contra o próprio tempo.

A cada momento, a cada respiração, ele buscava uma saída—

um único caminho que pudesse reverter o impossível.

Sua perseverança não poderia derrotar o Rei.

Mas ela fez outra coisa.

Permitiu que a outra metade de si mesmo... levantasse novamente.

A vida retornou aos olhos de Frey.

Sua mão se fechou.

Seus olhos se fecharam com força...

Então abriram-se mais uma vez, ardendo com uma determinação diferente de tudo antes.

"Sem Nome..."

Ele pronunciou o nome do homem sem nome.

E sua voz o alcançou.

"Queime."

"Queime minha alma... e transforme-a em fogo que lhe dará força."

Suas palavras ecoaram pelo mundo espiritual.

E chegaram ao Sem Nome...

Que congelou, chocado.

"Eu me recuso."

A resposta veio instantaneamente.

Mas Frey não aceitou.

"Não... você não tem o direito de recusar."

"Você sabe disso."

"Não importa o quanto você force meu corpo... você não o derrotará."

Frey baixou a cabeça levemente.

Os ecos da batalha continuavam a reverberar dentro de sua alma.

"Eu sou... diferente."

"Há algo dentro de mim... algo que um dia me permitiu criar um monstro como Agaroth."

"Um poder que não consigo manifestar sozinho... não importa o quanto eu tente."

Ele levantou o olhar.

"Mas você... talvez consiga."

"Você não é como eu."

"Então queime."

"Queime minha alma... e use-a para lutar contra ele."

Um leve sorriso surgiu em seu rosto.

"Eu sei que você consegue."

"Não... você é o único que pode."

O silêncio caiu.

Nada restava...

exceto o som distante do choque de lâminas.

O Sem Nome não disse nada.

Porque ele hesitou.

Porque algo dentro dele... uma estranha amargura, apertou seu peito.

Ele mudara.

Ele ganhara emoções.

E agora elas pesavam sobre ele... mais do que nunca.

"Você sequer entende... o que acontecerá se sua alma queimar?"

"Você entende o que isso significa para você?!"

Seu aperto em torno de suas espadas se intensificou.

Sua voz carregava algo desconhecido...

Dor.

Mas Frey permaneceu calmo.

E respondeu em um tom firme.

"Sim."

"Eu entendo."

"Para fazer isso... eu preciso morrer."

Ele virou-se lentamente.

Olhando para o mar de sangue que um dia fora seu mundo—

Agora colapsado inteiramente na escuridão.

Tudo havia caído...

Exceto um lugar.

O lugar onde a lâmina fora cravada—

onde o caminho fora talhado.

"Mas minha vida não importa."

"O caminho importa."

Frey sorriu fracamente.

"Se minha morte for o suficiente para abrir caminho... então eu não hesitarei."

"Nem por um segundo."

"Porque eu sei... que você percorrerá esse caminho."

"Nós não o talhamos sozinhos."

"Nós o talhamos juntos."

Ele ergueu a cabeça.

Sua expressão não continha medo.

Apenas aceitação absoluta.

"Queime."

"Queime... e transforme suas cinzas no poder de que você precisa."

"O caminho que criamos... juntos."

O custo era simples.

A morte de um homem.

E o sofrimento de outro.

Frey morreria...

sua alma transformada em um fogo furioso para guiar o caminho adiante.

E o Sem Nome suportaria a dor...

forçado a crescer mais forte através dela.

Do olho direito de Frey... uma lágrima caiu.

Do olho esquerdo do Sem Nome... outra a espelhava.

Frey juntou suas mãos ensanguentadas diante do rosto.

Seu corpo se incendiou—

Chamas violetas rugindo à vida.

E em seu rosto...

Havia paz.

Sua alma queimava.

E com ela... Todo o seu mundo.

Naquele momento, o Sem Nome abandonou toda a contenção.

Sua calma se despedaçou completamente, seus olhos incendiando-se com uma dor e fúria avassaladoras.

Ele rugiu.

Um grito profundo e trovejante que abalou a própria estrutura do universo...

um lamento de dor e ira tão profundo... que algo dentro do peito do Rei tremeu.

O ser diante dele mudara.

O Sem Nome não era mais o mesmo homem.

O guerreiro mascarado elevou-se no vazio, levantando sua lâmina em direção aos céus.

E então—o poder surgiu.

Uma vasta e esmagadora força jorrou, inundando o cosmos acima deles...

afogando tudo sob seu peso.

Os olhos de Agaroth se arregalaram.

Algo dentro dele... pulsou violentamente.

Da lâmina do Sem Nome, um imenso poder irrompeu... tomando a forma de uma estrela violeta devoradora que se espalhou pelo próprio universo.

Ela engoliu tudo.

Ela engoliu o Rei Demônio.

Agaroth desapareceu inteiramente dentro de seu brilho...

reduzido a nada diante de sua grandeza esmagadora.

E naquele momento...

O Rei sentiu algo que nunca experimentara antes.

Pela primeira vez em sua existência...

Agaroth sentiu-se ameaçado.

Ele sentiu medo.

Ele sentiu desconforto... incerteza...

Ao encarar algo que ele não tinha certeza se sobreviveria.

Essas eram novas emoções.

Estranhas. Desconhecidas.

Nascidas de uma verdade que ele nunca conhecera—

que ele chegara mais perto da morte do que nunca.

O Rei Demônio não se conteve mais.

Pela primeira vez, ele abandonou toda a contenção—

liberando a totalidade de seu poder contra o ataque do Sem Nome.

Entre o uivo selvagem e ecoante do guerreiro mascarado...

e todo o poder do Rei liberado em resposta...

Esta batalha amarga e catastrófica...

Finalmente chegou ao seu fim.

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