O Ponto de Vista do Vilão

Capítulo 844

O Ponto de Vista do Vilão

"Queime... incendeie... deixe que as chamas furiosas guiem você."

Dor, fúria, pesar e sofrimento...

emoções que se incendiaram no peito do Sem Nome como um incêndio florestal que escapou dos poços mais profundos do inferno. Até ele, o grande Sem Nome, não conseguia mais reprimi-las.

Então, ele deixou tudo sair.

Um rugido rasgou seus pulmões... um grito de guerra selvagem que ecoou por todo o universo, um grito tão violento que ensurdeceu todos os que puderam ouvi-lo. Era trágico, aterrorizante... um brado nascido das profundezas de um guerreiro que suportou demais.

Erguendo a mão bem alto, sua lâmina se estilhaçou e desapareceu por completo.

Em seu lugar, uma erupção violenta de chamas violetas e uma aura abissal explodiram de dentro dele, engolindo o espaço ao redor de Agaroth por inteiro. Uma estrela negra em chamas... um sol escurecido de poder esmagador, diferente de tudo o que já se vira antes.

Agaroth encarou, com os olhos arregalados—

—e então, sangue jorrou deles.

O olho do Rei chorou, incapaz de suportar sequer a visão daquele poder... muito menos de resistir a ele.

'Nem o Olho do Rei... nem o Olho do Destino... podem apagar isso...'

Com o rosto banhado em sangue, Agaroth finalmente entendeu a magnitude da catástrofe diante de si.

A força pura fez seu corpo tremer—

seu coração, silencioso por eras incontáveis, bateu mais uma vez.

Medo. Inquietação.

Pela primeira vez... a morte parecia próxima.

A escuridão surgiu como uma inundação de dentro do Rei Demônio enquanto ele liberava todo o seu poder.

O Sem Nome se aproximou, decidido a despejar tudo sobre ele...

e, pela primeira vez, o Rei não teve escolha a não ser responder.

A aura inundou o exterior, o espaço em si tremeu, e as marés de escuridão colidiram contra a estrela violeta ardente.

Mas elas não duraram nem um segundo.

A aura de Agaroth se estilhaçou instantaneamente...

ele perdeu a primeira colisão em menos de um batimento cardíaco.

O Rei se recompôs, tentando liberar uma de suas maiores técnicas—

o Purificador, o próprio ataque que um dia derrotou o Sem Nome.

Mas ele parou.

No momento em que sentiu a escala avassaladora daquele poder preenchendo o espaço ao seu redor...

algo o congelou no lugar.

"Mesmo se eu liberar o Purificador... ele não resistirá a isso."

A percepção atingiu como um relâmpago.

Pela primeira vez, Agaroth hesitou — incapaz de compreender a natureza do poder diante dele.

Em meros segundos, ele foi levado ao limite,

e nenhuma de suas incontáveis habilidades foi suficiente para salvá-lo da maré que se aproximava.

Sua mente correu mais rápido do que a de qualquer ser vivo,

o próprio tempo distorcendo-se em sua percepção.

Embora apenas um segundo tivesse se passado na realidade,

uma eternidade se desenrolou dentro de seus pensamentos.

Ele analisou. Calculou. Buscou.

E então—

Ele entendeu.

"Esta não é a aura do Sem Nome... isso nem sequer é aura..."

Ele encarou aquilo, imóvel.

Ele não sabia quando... ou como...

mas o Sem Nome havia tocado um poder que não deveria existir neste mundo.

Um poder que sempre dormiu dentro de Frey—

uma força que o próprio Frey nunca conseguiu acessar, não importa o quanto tentasse.

E ainda assim... de alguma forma...

Frey mudou isso.

Ele deu ao Sem Nome acesso a isso.

Focando seus sentidos completamente, Agaroth compreendeu a verdade.

"É incompleto... uma fusão de aura... e algo totalmente diferente."

Como era a primeira vez que o empunhava, o Sem Nome não podia manifestar totalmente aquele poder. O que ele liberou foi uma mistura...

aquela força desconhecida, entrelaçada com toda a aura que ele possuía.

Percebendo tudo, os cantos dos lábios de Agaroth se curvaram em um sorriso sangrento e aterrorizante enquanto ele puxava toda a sua aura de volta para o próprio corpo.

"Para combater tal força... não tenho escolha a não ser responder com o mesmo tipo de poder."

Seu corpo tremeu. Seu punho se fechou. Seu coração trovejou mais alto do que nunca.

"O próprio poder que me criou... e me concedeu a existência!!"

O abismo dentro do Rei respondeu.

O monstro devorador revelou sua verdadeira natureza, tentando engolir tudo à sua frente em resposta ao ataque do Sem Nome.

Agaroth rugiu também...

um grito de guerra banhado em sangue que igualava o do Sem Nome em peso e fúria.

Eles avançaram um contra o outro.

Ambos liberaram tudo—

ambos tinham como objetivo acabar com o outro.

A hora das brincadeiras havia acabado.

Isso não era mais uma batalha unilateral...

tinha se tornado um confronto real, igual em força.

Uma batalha até a morte.

A alma de Frey queimou—

—e com ela, um mundo inteiro.

Um inferno furioso que inundou o Sem Nome com um poder inimaginável. Dor e sofrimento suportados por ambos... em prol desse golpe final.

E as forças colidiram.

O Sem Nome fechou os olhos, liberando tanto sua chama quanto a de Frey sobre Agaroth, afogando tudo na escuridão.

Uma escuridão que durou apenas um instante...

antes que tudo se tornasse branco.

Tudo caiu no vazio.

Um vazio sem fim. Um abismo sem fundo.

Uma tela em branco e silenciosa.

Frey caiu nele—queimando, desaparecendo...

e o Sem Nome o seguiu.

O guerreiro mascarado estendeu a mão.

Ele lutou. Estendeu novamente. Recusou-se a soltar—até que, finalmente, o alcançou.

Segurando-o com força, com medo de perdê-lo... com medo de deixá-lo escapar.

Ele tentou trazê-lo de volta.

Mas ele não conseguiu.

Então, em vez disso—

O Sem Nome escolheu cair com ele.

Juntos...

nas profundezas mais abismais da existência.

...

...

...

— Ponto de vista de Frey Starlight —

As paredes da vida me assustam.

Não importa o quanto eu avance, sempre encontro outra parede imponente em meu caminho... me bloqueando, me impedindo. Às vezes, consigo escalar com uma dificuldade insuportável... mas, na maioria das vezes, falho e fico preso diante dela, incapaz de me mover.

E sempre que consigo superar uma, outra — mais alta, mais severa — me aguarda depois dela.

Houve momentos em que quis fechar os olhos, desviar o olhar... com medo do que viria pela frente. Com medo de continuar.

No entanto, curiosamente...

Eu sempre os abria novamente.

Repetidas vezes, escolhi seguir em frente — apesar do medo, apesar da minha impotência.

Aconteceu tantas vezes que começou a parecer infinito... como um ciclo sem fim.

Mas desta vez foi diferente.

Desta vez... realmente pareceu ser a última.

Quando o Rei Demônio esteve diante de mim...

em todo o seu poder avassalador e tirania...

Eu soube.

Este era o fim.

E eu não resisti.

Eu não me importei em morrer.

Porque eu tinha certeza — o que eu deixei para trás permaneceria.

O caminho já havia sido esculpido...

e nenhuma força neste vasto universo poderia apagá-lo.

Então, em paz...

Fechei meus olhos.

E me deixei levar.

A queimação foi dolorosa.

Parecia que eu estava sendo consumido por chamas piores do que magma derretido... sufocado por uma fumaça mais pesada do que qualquer neblina.

Doeu.

Mas, dentro daquela dor... encontrei conforto.

Porque era a mesma dor que Danzo e Clana suportaram.

Senti-me próximo deles.

E aceitei aquilo... como meu quinhão.

Nessa aceitação, encontrei paz.

E trouxe um longo capítulo da minha jornada ao fim—

uma jornada onde nada foi comum.

Mas então...

A queimação diminuiu.

A fumaça desapareceu.

E uma sensação de frio lavou meu corpo... libertando-me de um tormento que eu estava pronto para suportar para sempre.

E, mais uma vez...

Abri os olhos que havia fechado.

E a história... continuou.

Quando o fiz... o Sem Nome estava parado diante de mim.

Encaramo-nos na escuridão, nossos olhos idênticos refletindo um ao outro como espelhos violetas—

como se tivessem sido criados para nos lembrar do que realmente éramos.

Sorri para meu companheiro mascarado...

inclinando a cabeça levemente.

"Vamos?"

O Sem Nome assentiu.

E, juntos, caminhamos...

mais fundo na escuridão e na névoa tênue que a preenchia.

"Como foi?" perguntei, a curiosidade escapando em minha voz.

"O poder da minha alma ardente..."

O Sem Nome respondeu, um vestígio de admiração em seu tom.

"Foi... incrível. Maior do que qualquer coisa que já vi."

"E o Rei Demônio... como ele ficou quando viu isso?"

O Sem Nome baixou a cabeça levemente antes de responder.

"Ele parecia assustado... inquieto... e empolgado... tudo ao mesmo tempo."

"Entendo... então minha alma realmente é tão especial."

Ele assentiu.

E continuamos andando.

A escuridão ficou mais pesada a cada passo—

mais densa, mais sufocante.

Após um longo silêncio...

Fiz a pergunta que mais pairava em minha mente.

"Por que... você parou a queimação?"

Virei-me levemente para o guerreiro mascarado ao meu lado.

Ele não respondeu imediatamente.

Em vez disso, ele elevou o olhar para a escuridão infinita—

como se procurasse algo dentro dela.

Então ele falou.

"Eu não parei."

Aquela resposta me surpreendeu.

"O que você quer dizer?"

Minha alma deveria ter queimado completamente—

consumida até o último fragmento do meu ser.

Esse era o plano.

No entanto, ela parou.

E aqui estava eu... abrindo meus olhos novamente.

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