
Capítulo 842
O Ponto de Vista do Vilão
O choque das lâminas trovejou...
uma tempestade de gumes, um vórtice de aço e arcos cortantes que rasgaram o próprio silêncio do espaço.
Agaroth havia assumido uma forma completamente diferente.
Uma forma criada com um único propósito —
Enfrentar o Sem Nome.
No que dizia respeito à esgrima, o Sem Nome sempre teve a vantagem.
Ninguém podia rivalizar com sua habilidade, ninguém conseguia sequer chegar perto do seu nível.
E isso…
Era o que Agaroth havia decidido derrubar.
No momento em que assumiu a forma Yaksha [1], o Rei ascendeu a um plano inteiramente diferente.
Sua velocidade ultrapassou os limites, seu controle sobre as lâminas tornou-se absoluto.
Cada gume carregava uma força e durabilidade imensuráveis —
o suficiente para partir uma lua inteira com um único movimento.
Ele manejou uma técnica que lembrava a grande claymore…
porém, infinitamente mais letal.
Suas lâminas podiam se estender quase instantaneamente, golpeando como feixes de aniquilação condensada…
apenas para retrair tão rápido quanto, como se nada tivesse acontecido.
Agaroth abandonou o espetáculo.
Abandonou as exibições grandiosas e as técnicas devastadoras em larga escala.
Agora, tudo estava focado —
No combate corpo a corpo.
Ele colidiu com o Sem Nome cara a cara, e ambos foram engolidos por uma tempestade de arcos violetas e sombrios.
Um furacão de lâminas se chocava implacavelmente, espalhando faíscas brancas, negras e carmesins... uma dança violenta de destruição.
"Os movimentos dele… são completamente diferentes…"
Para resistir ao assalto de Agaroth, o Sem Nome levou seus sentidos aos limites absolutos.
Ao mesmo tempo, ele confiava no Domínio do Rei para rastrear as trajetórias dos ataques recebidos.
Mas as lâminas…
Elas carregavam algo a mais.
Uma aura estranha — que fluía na direção oposta.
Uma existência fundamentalmente oposta ao próprio Domínio.
E por causa disso —
O Domínio do Rei não conseguia mais rastreá-las adequadamente.
Agaroth havia tomado o controle total do campo de batalha.
"Essas lâminas…"
Os olhos do Sem Nome brilharam em meio à batalha.
"Quantas habilidades ele fundiu… para forjar esse metal?"
Estas não eram armas comuns.
Eram manifestações —
encarnações de múltiplas habilidades de ruptura mundial fundidas, extraídas do vasto arsenal de Agaroth.
Os dois desapareceram dentro de uma sombra colossal.
Suas mãos moviam-se mais rápido que a luz.
O Sem Nome levou-se ao limite apenas para sobreviver —
mal conseguindo desviar da investida implacável.
Ele não conseguia contra-atacar.
Agaroth o forçou inteiramente à defensiva.
O mais aterrorizante…
Era que essa forma, por si só, exercia mais pressão do que as centenas de clones e a enxurrada esmagadora de habilidades de destruição mundial que Agaroth havia lançado anteriormente.
Naquela época… o Sem Nome ainda podia revidar.
Agora…
Ele estava sendo esmagado.
Gradualmente, as lâminas começaram a talhar seu corpo.
Ferimentos se acumularam.
Passo a passo, ele era empurrado para trás.
E, ainda assim, suas espadas moviam-se com precisão impecável —
uma extensão do seu próprio ser.
Uma maestria além da compreensão.
Essa habilidade, por si só, o mantinha vivo sob a tempestade do assalto do Rei Demônio.
Mas até isso —
Era apenas atrasar o inevitável.
O dano causado por aquelas lâminas não cicatrizava.
A segunda fase da Adaptação das Sombras tornara-se completamente inútil.
"…Não consigo bloquear isso com o Domínio do Rei."
Diante do pesadelo chamado Agaroth, o Sem Nome viu a verdade claramente.
A derrota era inevitável naquele ritmo.
Uma lâmina perfurou seu abdômen —
Saindo por suas costas quando ele falhou em interceptar um golpe que veio como uma bala.
O dano piorou.
Ele foi empurrado ainda mais para trás —
Até que suas costas colidiram com as ruínas deixadas por sua própria destruição.
Agaroth não parou.
Ele avançou, enterrando o Sem Nome sob os escombros.
O tempo desacelerou.
O mundo tornou-se cinzento na visão do Sem Nome. Ele viu dois arcos carmesim-escuros vindo em sua direção... Ele os bloqueou.
Então quatro —
Ele bloqueou esses também.
Então oito —
E, mais uma vez, ele se defendeu.
O número continuava subindo.
Dobrando.
Expandindo.
Ele bloqueou.
E bloqueou.
E bloqueou —
Até que seus braços tremessem, apesar do imenso poder que fluía por eles.
E então —
As lâminas romperam sua defesa.
Ele minimizou o dano da melhor maneira que pôde.
Preservando-se o suficiente apenas para continuar lutando.
Mas os ataques de Agaroth cavavam mais fundo a cada segundo que passava.
A defesa do Sem Nome enfraqueceu.
Seu Domínio oscilou...
Distorceu, remodelou-se, como se ele estivesse tentando algo.
Mas isso só piorou as coisas.
E isso…
Irritou Agaroth.
"É este… o limite da sua esgrima?"
Corte.
O Rei cortou mais fundo, seu poder intensificando-se à medida que o próprio tecido do espaço fraturava sob seu golpe.
"Sua habilidade é realmente tão… patética?"
Ele estava descontente.
Esperava mais.
A esgrima que um dia o fascinou —
cair tão facilmente diante de sua forma atual?
Ele queria resistência.
Uma luta mais feroz.
Mas isso lhe foi negado.
As reações do Sem Nome diminuíam a cada segundo.
Até a defesa estava se tornando difícil.
Tudo o que ele podia fazer agora…
Era mitigar o dano.
Apenas o suficiente para permanecer na luta.
Ele prolongou a batalha.
Mas era inútil.
Sangue jorrava de suas feridas.
Aura vazava de seu corpo na mesma proporção.
E, ainda assim —
O guerreiro mascarado continuou.
Ele lutou.
Resistiu.
Forçou-se a seguir em frente.
O que "impossível" realmente significava?
Lutar contra um ser monstruoso —
uma criatura cujo poder desafiava toda a compreensão, cuja origem permanecia desconhecida.
Um ser que nunca havia sido derrotado.
Lutar com um corpo quebrado.
Com poder incompleto.
Enfrentá-lo sem sua armadura —
A Armadura do Zênite da Noite, rival da Armadura de Sangue de Crimson.
Sem sua maior arma…
A Espada da Soberania das Sombras, dita capaz de cortar o próprio espaço.
Lutar contra o Rei Demônio mais poderoso —
Uma batalha que não renderia nada…
A não ser desespero.
Lutar carregando as almas de um mundo inteiro —
tentando salvá-las…
tentando impedir que desaparecessem para sempre…
O Vazio lhe mostrava todos os caminhos.
Todos os resultados possíveis.
E em todos eles…
ele via a derrota, clara e absoluta.
Até Frey havia se rendido uma vez… afogado na escuridão quando sua mente falhou em conceber um único cenário onde pudesse enfrentar o Rei Demônio.
Mas o Sem Nome não.
O que significa enfrentar o impossível?
Se há uma resposta —
então é simples.
Ser o Sem Nome.
Ele suportou o ataque de Agaroth.
E após um choque brutal que durou apenas minutos…
minutos que se estenderam por uma eternidade —
o Sem Nome desviou daquelas lâminas milhares de vezes, sendo atingido apenas algumas poucas.
Ainda assim, seu corpo estava devastado.
Feridas sobre feridas, até que seus braços quase foram arrancados —
grandes porções deles já estavam decepadas sem possibilidade de recuperação.
Os olhos de Agaroth se estreitaram levemente.
Ele observou enquanto os braços do Sem Nome caíam, sua força finalmente cedendo.
Havia decepção em seu olhar.
Mas ele avançou para terminar de qualquer maneira.
A lâmina se estendeu.
Ela desceu em direção ao corpo quebrado do Sem Nome.
O Sem Nome permaneceu imóvel.
Seus olhos vazios, encarando o chão.
Se aquele golpe acertasse —
Tudo acabaria.
Ele entendia isso.
No entanto, ele não fez nada.
Por um momento —
Pareceu que tudo havia chegado ao fim.
"Eu não sou um deus…"
"Não sou nada além de um homem que dedicou toda a sua vida à espada… e a descobrir a verdade oculta neste mundo."
"Eles podem me chamar de grande guerreiro… um rei… um monstro…"
"Mas não é isso que eu sou."
Seus pensamentos ecoaram.
Dentro do reino das almas…
Onde Frey permanecia, ao lado de incontáveis espíritos ardentes afogando-se em um mar de sangue.
"Tudo o que tenho… é perseverança."
A lâmina de Agaroth o alcançou.
E pouco antes de atingi-lo…
Algo mudou.
O Domínio do Rei incendiou-se.
Da ponta da lâmina de Agaroth, uma faísca violeta tênue nasceu.
Ela se moveu mais rápido que a própria lâmina.
Perfurou o Sem Nome.
Correu através de seus nervos.
Através de seus órgãos.
E penetrou em sua mente.
Sua consciência brilhou.
E com ela —
Seu corpo inteiro inflamou.
Os olhos do vazio brilharam mais uma vez.
E a lâmina de Agaroth cortou apenas uma imagem residual.
O Sem Nome já havia se movido.
Os olhos de Agaroth se arregalaram.
Ele atacou novamente de imediato, perguntando-se se o que tinha acabado de ver era coincidência.
Mas não havia coincidências neste mundo.
O Sem Nome evadiu novamente.
Perfeitamente.
Pela primeira vez desde que a forma Yaksha fora liberada —
Ele revidou.
Seu contra-ataque forçou o Rei a recuar.
Chegando a arranhar a armadura negra que parecia intocável.
O corpo do Sem Nome queimava com uma chama violeta quente.
Suas feridas começaram a cicatrizar.
Lentamente.
Os olhos de Agaroth brilharam, intrigados.
E a resposta se revelou…
Através do Domínio.
O Sem Nome ergueu suas espadas mais uma vez.
E caminhou para frente.
"Diferente de você… eu não possuo um reservatório infinito de habilidades de ruptura mundial."
"Eu tenho apenas algumas."
"Mas a diferença entre nós, Agaroth… é simples."
"Eu criei essas habilidades sozinho."
"Eu as levei além de seus limites… por conta própria."
"Enquanto você…"
"Você só possui uma."
"E as outras… você roubou."
"Você as devorou."
O Sem Nome ergueu sua lâmina…
E avançou mais uma vez.
A batalha recomeçou.
Mas desta vez —
Tudo mudou.
O Sem Nome começou a igualar a forma Yaksha.
Não —
Ele a sobrepujou.
O choque das lâminas trovejou.
[1] - Yaksha: Na mitologia hindu e budista, seres divinos ou semidivinos, frequentemente associados a uma natureza feroz e protetora, aqui representando a forma de combate destrutiva de Agaroth.