
Capítulo 841
O Ponto de Vista do Vilão
Sem Nome expandiu seu poder apenas um pouco.
Um pequeno raio se formou ao seu redor... não mais do que alguns metros, no máximo.
Parecia insignificante.
Quase trivial.
Mas Agaroth soube imediatamente—
Não era nada disso.
Os ataques chegaram no instante seguinte.
Golpes avassaladores, o suficiente para apagá-lo da existência.
Contudo, no momento em que tocaram o Domínio—
Eles se desfizeram.
Completamente.
Os ataques, capazes de despedaçar o mundo, estilhaçaram-se como se nunca tivessem existido.
Então, eles se reformaram.
Redirecionados.
Desta vez, atingindo uma das muitas cópias de Agaroth que o cercavam.
Aconteceu uma vez.
Depois, outra.
E mais uma.
Toda vez que um ataque à distância entrava no Domínio, ele era desmontado… e voltado contra as próprias forças do Rei.
Era assim que os ataques distantes eram tratados.
Quanto aos físicos—
Nem um único golpe tocou Sem Nome.
Quando Agaroth tentou abatê-lo, no momento em que suas lâminas sombrias entravam no Domínio, o corpo de Sem Nome movia-se automaticamente.
Evasão perfeita.
Ou defesa perfeita — sempre que a evasão era impossível.
E ao mesmo tempo—
Ele atacava.
Agaroth entendeu imediatamente o que Sem Nome tinha feito.
O que aquele Domínio realmente representava.
"Quatro… não, cinco."
Um sorriso aterrorizante se espalhou por seu rosto, refletindo tanto empolgação quanto sede de sangue.
O Rei Demônio começava a mergulhar na batalha.
O Domínio do Rei de Sem Nome era uma das ferramentas mais poderosas em seu arsenal.
Uma técnica que fundia cinco habilidades capazes de destruir mundos de uma só vez.
A quinta fase da Adaptação Sombria.
O Vazio — para determinar todos os caminhos.
A terceira fase — para controlar a aura dentro do Domínio e reduzir o consumo a zero.
A primeira fase — para se adaptar aos ataques recebidos, permitindo que fossem analisados e desmontados.
A quarta e a sexta fases — para gerar uma aura avassaladora, formando um Domínio que não poderia ser rompido nem contornado.
Uma fusão perfeita.
Uma habilidade transcendente, nascida sob a bandeira da Adaptação Sombria.
Mas usar tal poder tinha um custo.
As almas dentro do corpo de Sem Nome queimavam a uma taxa aterrorizante.
Tão rápido… que muitas eram extintas completamente, desaparecendo sem retorno.
Felizmente—
A alma imortal de Thanatos permanecia.
Fornecendo um suprimento infinito de fogo espiritual.
Sem Nome sustentava tudo isso…
Enquanto ainda mantinha a manipulação da vida e da morte na Terra.
Isso era controle em um nível totalmente diferente.
Um nível que nem mesmo o Rei jamais alcançara.
"Eu sempre soube… que você era o único—"
Agaroth atravessou o Domínio do Rei, colidindo com Sem Nome sem a menor hesitação, totalmente indiferente à habilidade aterrorizante que o cercava.
"Você é o único capaz de surpreender estes olhos… olhos que se cansaram deste mundo material entediante e insignificante!"
Ele investiu com sua arma sombria e flamejante.
Sem Nome mal conseguiu aparar.
Entre a lâmina negra de Agaroth e a cinzenta de Sem Nome, faíscas surgiram no ar.
Mas não eram faíscas comuns — eram fragmentos brancos, como estrelas, flutuando como poeira cósmica.
Como se fantasmas dançassem em um palco de caos.
Os olhos de vazio de Sem Nome inundaram sua mente com uma quantidade avassaladora de dados.
Um grande guerreiro, enfrentando Agaroth, suas incontáveis cópias e suas habilidades devastadoras, tudo ao mesmo tempo.
Ele se libertou de um cerco que teria matado outros centenas de vezes.
O Perseguidor continuava a empurrá-lo ainda mais.
Mais alto.
A saída de sua aura cresceu violentamente, forçando Agaroth a elevar seu próprio poder em resposta.
E a batalha continuou.
Uma batalha sem fim… ou assim parecia.
Porque, na realidade—
Mal tinham se passado cinco minutos.
No entanto, dentro desses cinco minutos, os dois trocaram um número imensurável de golpes capazes de romper o mundo.
Agaroth estava à direita… ileso, já que cada ferimento infligido nele desaparecia instantaneamente.
Sem Nome estava à esquerda, vapor subindo violentamente de seu corpo.
Um vapor ardente, como se sua própria aura tivesse se tornado um reator nuclear prestes a entrar em colapso.
E, além dos dois—
Nada mais restava.
Sem Nome havia desmontado todas as habilidades destrutivas.
Redirecionou-as.
Destruiu cada cópia de Agaroth diante de seus próprios olhos.
Tal feito só era possível…
Porque o oponente era Sem Nome.
E mais ninguém.
Um monstro continua sendo um monstro—
Não importa o quê.
E Agaroth entendia isso melhor do que ninguém.
"Isso é inútil", o Rei murmurou, balançando a cabeça enquanto lentamente trazia sua aura de volta para o corpo.
"A menos que eu use o Purificador contra você… você sobreviverá a quase tudo."
"Mesmo em seu estado incompleto."
Sem Nome estreitou o olhar levemente.
Algo havia mudado.
O fluxo de aura dentro do corpo de Agaroth tinha mudado completamente — para algo que ele nunca tinha visto antes.
"Eu sempre perdi para você em duelos", Agaroth continuou calmamente.
"Não importa quantos talentos de espada eu devorei… nunca consegui derrotá-lo com a lâmina."
"Então, desta vez…"
"Eu preparei algo diferente."
"Algo feito… especificamente para você."
A expressão de Agaroth escureceu.
Seus dentes apareceram em um sorriso distorcido, forçando Sem Nome a dar um passo atrás, totalmente em guarda.
E então—
Foi revelado.
O corpo do Rei se inflamou com uma aura negra como a breu.
Suas sombras rastejaram por ele, remodelando-o.
Sua longa capa negra desapareceu.
E, em seu lugar… Agaroth surgiu em uma forma totalmente diferente.
Maior.
Seu corpo envolto em uma armadura negra fundida à sua pele, gravada com padrões sombrios que ninguém poderia compreender.
A armadura o cobria inteiramente.
Estendendo-se sobre sua boca e nariz—
Deixando apenas seus olhos vermelhos carmesim e seu longo cabelo negro visíveis.
Todo o resto… foi consumido pela armadura.
De seus braços, lâminas carmesim se estenderam.
Duas de suas mãos.
Duas de seus cotovelos.
Uma forma feita para duelar.
E nada mais.
A Forma Yaksha [1].
[1] - Yaksha: Na mitologia hindu e budista, são espíritos da natureza que podem ser benevolentes ou ferozes guardiões. Aqui, representa uma forma de combate letal e monstruosa.
"Tente resistir o máximo que puder", disse Agaroth, sua voz fria ecoando de trás da máscara.
"Eu não sou habilidoso o suficiente… para conter totalmente o poder desta forma."
Ele levantou um dos braços com lâmina.
E em um instante—
A lâmina se estendeu.
Como um feixe metálico, cortando tudo em seu caminho.
Sem Nome evadiu-se por um triz.
A lâmina continuou infinitamente… antes de retornar ao seu tamanho original, como se nada tivesse acontecido.
Agaroth atacou novamente.
Um corte horizontal.
A lâmina carmesim se estendeu mais uma vez.
Aquilo não era um golpe de espada.
Era algo totalmente diferente.
Sem Nome mal evitou novamente.
Mas a lua abaixo dele não teve a mesma sorte.
A lâmina estendeu-se—
E cortou através dela.
Dividindo uma porção massiva ao meio.
Sem Nome contra-atacou.
Ele atingiu Agaroth.
O Rei bloqueou com uma de suas lâminas, então girou seu corpo em um ângulo impossível, atacando pelo ponto cego de Sem Nome.
Sem Nome virou-se instantaneamente.
Ele bloqueou.
Mas dezenas de golpes seguiram-se imediatamente, forçando-o para trás.
Os dois colidiram em uma velocidade cada vez maior.
Cada troca mais rápida que a anterior.
Sem Nome ainda era tão habilidoso quanto antes.
Mas a diferença entre o passado e o presente…
Era que Agaroth agora podia igualá-lo com a lâmina.
Não—
Ele o superava.
Empurrando-o para trás.
Sem Nome expandiu o Domínio do Rei, tentando rastrear e responder com mais eficácia.
Mas a velocidade do Rei nesta forma transcendia todos os limites.
Até mesmo os olhos de vazio lutavam… levados ao seu limite absoluto apenas para conseguir acompanhar.
As lâminas carmesim cortavam o corpo de Sem Nome repetidas vezes.
E não havia regeneração.
Aquelas lâminas foram forjadas fundindo múltiplas habilidades capazes de destruir mundos.
Um metal inquebrável.
A batalha tinha mudado completamente.
No momento em que Agaroth liberou aquela forma.
E ao ver isso—
Sem Nome começou a se perguntar.
Se esta era apenas uma das cartas que Agaroth mantinha escondidas…
Então, quantas mais restavam?
Quantas armas ele ainda não tinha revelado?
Havia realmente um limite… para o seu poder?
O Rei estava se divertindo.
Completamente.
Não havia sinal de ameaça.
Ele não sentia que sua vida estava em perigo… nem por um momento.
E essa percepção—
Esmagou qualquer chance restante de vitória.
Enquanto trocavam golpes, Sem Nome entendeu isso mais claramente do que qualquer outra coisa.
'Eu sei… não posso derrotá-lo.'
O pensamento ecoou dentro de sua mente.
Frey — perdido dentro da escuridão — ouviu claramente.
'Mas eu não tenho escolha… a não ser lutar.'
Dentro do alcance de Sem Nome—
Incontáveis almas permaneciam presas.
As almas dos mortos, ligadas por sua manipulação da vida e da morte.
'Se eu cair… todos eles morrerão.'
'Então eu não tenho escolha… a não ser resistir até o fim.'
Ele tinha um plano?
Não.
Havia alguma chance de vitória?
Não.
Era isso que os olhos de vazio lhe mostravam.
E ainda assim—
A corrente do destino continuava.
E ninguém poderia prever o seu fim.
Sem Nome continuou lutando.
Ao mesmo tempo, procurando.
Por uma maneira de virar o jogo.
Por uma saída para o impossível.
A pressão era avassaladora.
Esmagadora.
E ainda assim—
Ele lutou. Até o último momento.