
Capítulo 840
O Ponto de Vista do Vilão
O oponente... era o Rei Demônio.
Agaroth.
O monstro que nunca conhecera a derrota — nem uma vez sequer.
Diante dele, estava o Sem-Nome.
O único que já chegara perto de derrubá-lo.
Em uma lua distante, muito além do alcance da Terra, os dois caminhavam lentamente lado a lado.
Agaroth havia se tornado muito mais forte.
Seu nível subira consideravelmente desde a última batalha deles.
O Sem-Nome, por outro lado, entrou nessa luta incompleto.
Sua armadura se fora. Sua maior arma se fora.
De todo o seu arsenal de armas negras... apenas a lança Lança das Sombras restara.
Talvez o Manipulador Absoluto fosse seu único ganho real agora.
Os olhos vazios do Sem-Nome cintilaram fracamente.
Milhares de caminhos se estendiam a partir deles, fios de destino violeta ramificando-se em incontáveis futuros distantes.
No entanto, apesar da quantidade... todos eles levavam ao mesmo fim.
Derrota.
Nada além de derrota.
Agaroth era absoluto.
Avassalador.
Sua escuridão devorava cada caminho, curvando-os... até que todos levassem exatamente para onde ele desejava.
— Eu nunca entendi de onde vem o poder dele... ou como ele pode fazer algo assim.
O Sem-Nome fundia habilidades capazes de destruir mundos com uma facilidade impecável.
Com um controle que rivalizava — talvez até superasse — o próprio Rei Demônio.
Ele formou uma única lâmina em sua mão direita.
Uma espada cinzenta e sombria... mesclando ambos os tons perfeitamente.
Atrás dele, outras dez lâminas pairavam, cada uma carregando o mesmo nível de poder.
Em sua mão esquerda, a Lança das Sombras se materializou mais uma vez.
— Tenho certeza... de que nem mesmo o meu "eu" completo o entendeu.
— Mas eu não preciso entendê-lo... para detê-lo.
A aura do Sem-Nome se acalmou.
Ela encolheu... comprimiu-se... congelou de uma maneira antinatural.
Até ficar perfeitamente imóvel.
Agaroth demonstrou interesse.
Um sorriso surgiu em seu rosto.
— Vejo que seu controle de aura continua tão único quanto sempre.
Aquela imobilidade — livre de ondulações, livre de falhas —
Era algo que sempre o fascinara.
Algo que ele nunca conseguia replicar.
— Eu possuo uma aura quase infinita... e, no entanto, apesar de ele ter menos de cinco por cento do que eu carrego... eu seria o primeiro a me esgotar.
O sorriso de Agaroth se alargou.
— Venha. Quando estiver pronto.
Como se estivesse esperando por essas palavras...
O Sem-Nome se moveu.
Ele só tinha uma chance.
A verdade simples de que o Rei não podia permitir que aquela batalha se tornasse uma luta até a morte.
O que significava —
Que ele se conteria.
E o Sem-Nome viu isso como sua brecha.
O guerreiro mascarado ativou tudo.
Cada habilidade, levada ao seu limite absoluto.
Incluindo O Perseguidor — que ainda o impulsionava para frente, forçando-o a ir mais fundo na fase final do SSS.
Nesse nível... não havia mais teto.
Desde que ele pudesse se tornar mais forte —
Não haveria limites.
O Sem-Nome atacou.
Agaroth bloqueou com o braço.
O Rei conjurou uma chama — vermelha e negra, uma fusão de duas habilidades capazes de destruir mundos — e a lançou contra ele.
Mas a chama foi cortada em dezenas de fragmentos.
Dispersada instantaneamente.
Não atrasou o Sem-Nome nem por um momento.
Ele investiu com a Lança das Sombras.
Relâmpagos negros irromperam violentamente, pressionando Agaroth, que segurou a lança com a mão nua.
Naquele instante —
O Sem-Nome soltou a lança.
Ele sacou outra lâmina.
E golpeou com ambas as espadas, visando o pescoço de Agaroth.
A sombra envolveu o Rei imediatamente, protegendo-o.
O ataque foi contido.
Por um único segundo.
Então, o Sem-Nome rompeu a defesa.
A sombra de Agaroth se espalhou por toda a lua.
Centenas de milhares de tentáculos escuros surgiram, com suas pontas afiadas mirando o guerreiro mascarado de todas as direções.
Eles deslizaram em direção a ele como serpentes enfurecidas.
O Sem-Nome nem se deu ao trabalho de se virar.
Do nada...
Uma chuva de lâminas violetas maciças desceu como meteoros.
Elas perfuraram os tentáculos com precisão absoluta, prendendo-os à superfície.
No mesmo instante, o Sem-Nome atacou novamente.
Mas uma força invisível o repeliu.
Uma pressão semelhante à gravidade — de magnitude avassaladora.
Tão intensa que a lua inteira tremeu sob ela.
Centenas de vezes mais forte que a da Terra.
Agaroth a usara para afastá-lo.
Contudo, o Sem-Nome formou uma névoa violeta ao seu redor.
Ela o isolou completamente da força.
E, no momento seguinte —
Ele estava diante dele novamente.
Agaroth sacou duas longas hastes negras de suas mãos.
Ele as empunhou como espadões.
E atacou.
A batalha mudou.
Tornou-se um duelo.
À queima-roupa.
Os dois se golpearam sem misericórdia.
Cada ataque carregava poder suficiente para apagar qualquer coisa em seu caminho.
O Rei Demônio era um guerreiro completo.
Sua habilidade com a lâmina era impecável — indiscutivelmente entre as maiores de toda a história.
E, ainda assim —
Contra o Sem-Nome...
Ele foi forçado a recuar.
Agaroth atacou de todas as direções.
Ele despejou quantidades imensas de aura em suas armas.
Suas lâminas eram vastamente superiores às que o Sem-Nome formara.
A escuridão surgiu.
Ela dominou tudo.
O Sem-Nome tornou-se como uma lanterna cinzenta e fraca, cintilando em um oceano de escuridão.
Era como tentar parar um meteoro... com uma simples espada de ferro.
Mas a espada o deteve.
Toda vez que suas lâminas se chocavam, a arma de Agaroth ricocheteava de um jeito que ele nunca vira antes.
Exceto uma vez.
Do próprio Sem-Nome.
— Como ele está fazendo isso?
O Rei se perguntava.
Nem mesmo sua visão transcendente conseguia compreender.
Se a arma do Sem-Nome carregava um poder de cem —
Então a de Agaroth excedia mil.
A diferença era esmagadora.
Contudo, a força mais fraca repelia a mais forte.
Os dois trocaram dezenas de golpes em um instante.
Depois centenas.
Depois milhares.
E continuou a aumentar.
Até que o número alcançou algo além da compreensão.
Centenas de milhares de golpes, desferidos em uma fração de tempo — cada um, vindo apenas do Rei, era suficiente para estilhaçar a arma do Sem-Nome... e mais do que o suficiente para matá-lo completamente.
Isso significava que o Sem-Nome fora exposto à morte centenas de milhares de vezes em meros segundos.
Um único erro seria suficiente... apenas um, para infligir danos dos quais seu corpo nunca se recuperaria, pois o Rei fundira múltiplas habilidades destruidoras de mundos em suas armas, tornando a regeneração impossível.
O guerreiro mascarado lutava no fio da navalha.
Ele sobrevivia por um triz... repetidamente.
E, ao contrário de Agaroth, a arma do Sem-Nome encontrou o caminho.
Ela o perfurou.
Atingiu o corpo do Rei várias vezes — ferindo-o, forçando-o a sangrar... embora o que fluísse dele não fosse sangue, mas algo completamente diferente, algo que o Sem-Nome não conseguia identificar.
Ao se ver superado no combate corpo a corpo, o sorriso de Agaroth se alargou ainda mais.
— Vamos apertar o cerco.
Seu corpo brilhou com poder, e o próprio espaço tremeu em resposta.
Em menos de um segundo, números astronômicos de corpos celestes estranhos se formaram ao redor deles.
Cada aglomerado carregava poder extraído de diferentes habilidades destruidoras de mundos.
Alguns queimavam com fogo negro, outros com chamas laranja-escuras, outros com uma intensidade vermelho-sangue.
Havia massas de sangue, gelo, água, escuridão derretida... e formas de energia e aura nunca antes vistas.
A quantidade de aura liberada era avassaladora.
Talvez a maior produção desde o nascimento do próprio mundo material.
Agaroth se moveu —
E seu corpo se dividiu.
Usando a Alma da Reencarnação, incontáveis cópias dele se manifestaram ao redor do Sem-Nome, cercando-o completamente.
Havia pelo menos algumas centenas.
Cada uma carregava poder suficiente para abalar os céus.
— Essas cópias não podem fundir habilidades destruidoras de mundos — disse o Rei calmamente.
— Mas eu posso ignorar a limitação... e tornar cada uma delas igual a mim em cem por cento.
Os corpos celestes.
As cópias.
E o próprio Agaroth.
Todos desceram sobre o Sem-Nome de todas as direções... de todos os lugares ao mesmo tempo.
O Rei impôs uma restrição poderosa sobre o espaço e o tempo.
Até mesmo o movimento instantâneo foi selado.
Não havia escapatória.
Lutar —
Ou morrer.
A risada de Agaroth ecoou, profunda e aterrorizante, como uma tempestade irrompendo pelo vazio.
— Vamos ver quanto tempo você dura desta vez!
Corpos celestes, cada um desencadeando habilidades destruidoras de mundos.
Cópias com a mesma durabilidade do Rei.
E o próprio Rei, capaz de fundir um número ilimitado de habilidades destruidoras de mundos.
Não seria exagero dizer...
Que nenhum ser no mundo material poderia sobreviver a tal ataque.
E, ainda assim...
O Sem-Nome não tinha escolha a não ser enfrentá-lo.
Seus olhos vazios viam tudo.
Cada possibilidade. Cada trajetória. Cada ataque iminente.
E, devido ao volume colossal de informações... uma dor de cabeça violenta surgiu nele, sua mente inundada de uma só vez.
Ele fechou os olhos.
Seu corpo brilhou fracamente.
Aquela mesma aura imóvel retornou.
— Domínio do Rei.