O Ponto de Vista do Vilão

Capítulo 770

O Ponto de Vista do Vilão

Em questão de segundos, Agaroth ativou seis ou sete habilidades capazes de romper as fronteiras do mundo como se não fossem nada...

Tudo isso enquanto as enormes bocas que cercavam o campo de batalha continuavam seu bombardeio implacável.

— Eu não entendo — Agaroth rugiu.

— Vocês não vieram aqui hoje com a intenção de me matar?!

BOOOOOOM!!

Agaroth despedaçou o chão sob seus pés, expandindo sua sombra.

Esta era a Sombra do Rei...

Mas ele não parou por aí.

A sombra incendiou-se com chamas negras, multiplicando seu poder várias vezes.

Sombras flamejantes ergueram-se da terra como lanças forjadas para empalar qualquer um que ousasse ficar diante do Rei Demônio.

Agaroth fundia habilidades que rompiam o mundo com uma maestria sem esforço.

Mesmo com todo o seu poder transcendente, defender-se dos ataques de Agaroth era um verdadeiro inferno para os Grandes.

— Com quem vocês acham que estão lidando agora?

BOOOOOOM!!

Agaroth obliterou outro dos Grandes, atravessando-o sem esforço enquanto continuava seu avanço.

— Se é só isso que vocês têm a oferecer...

então por que vieram aqui afinal?

— Vocês desejam a morte assim tanto?!

Respondam-me, Grandes!!

Seu rugido sacudiu o mundo como um terremoto...

E em resposta, um pilar colossal de luz desceu dos céus, atingindo-o em cheio.

Aquele que o desencadeou assemelhava-se a um sol flamejante.

Um dos Grandes dos Portadores da Luz.

— Rei Demônio — a entidade falou —, você é considerado um dos Grandes, assim como nós. No entanto, ousa opor-se à vontade d'Ele. Não somos nós que buscamos a morte — é você, ao opor-se a Ele.

Enquanto o ataque avassalador do Grande dos Portadores da Luz descia...

Os Grandes restantes desencadearam todo o seu poder simultaneamente, empurrando Agaroth para o fundo da terra sob a pressão absoluta.

Eles o cercaram por todos os lados, atacando implacavelmente — tendo finalmente conseguido lidar com as bocas grotescas que Agaroth soltara anteriormente.

O poder do Portador da Luz era antagônico aos demônios, seu efeito quase idêntico ao da Alma de Luz[1]...

uma força capaz de infligir danos severos ao Rei Demônio.

Combinado com os ataques de todos os outros Grandes, o assalto era absoluto.

No entanto, mesmo sob aquela pressão esmagadora...

O Rei Demônio caminhou para frente calmamente, atravessando o feixe de luz, suportando-o de frente.

— A vontade d'Ele? — Agaroth zombou.

— Não me faça rir.

Um manto de escuridão enroscou-se em seu corpo enquanto ele avançava, o solo abaixo dele explodindo completamente.

Os Grandes intensificaram seus ataques ao testemunharem sua resistência... mas foi inútil.

Agaroth continuou avançando em direção a eles, passo a passo.

— Vocês não passam de escravos...

escravos de uma entidade imunda que se apega à vida da maneira mais patética que se possa imaginar.

Em meio aos pilares de luz convergentes do ataque combinado dos Grandes, o corpo de Agaroth contorceu-se enquanto ele invocava uma torrente avassaladora de poder.

A risada do Rei Demônio semeou o terror nos corações dos Grandes...

criaturas que não conseguiam compreender como aquele monstro continuava se movendo apesar de suportar o ataque unido deles.

— Vocês disseram antes que eu sou um dos Grandes, assim como vocês — Agaroth continuou, sua voz fria e divertida.

— Então me digam...

isso significa que vocês acreditam que estamos no mesmo nível?

Agaroth cerrou o punho e avançou... despedaçando o pilar de luz.

— Então vamos ver a resposta!

BOOOOOOOOOOM!!!

Diante dos olhos dos Grandes restantes, Agaroth atravessou diretamente o corpo do Grande dos Portadores da Luz, obliterando-o em um único golpe esmagador.

Então, sem pausa, ele moveu-se com velocidade insana... destruindo-os um após o outro.

— Se é só isso que vocês têm, então o seu fim está próximo!!

Explosões seguiram-se em sucessão implacável enquanto a escuridão e o fogo devoravam tudo.

Os Grandes correram em direção a Agaroth um após o outro... mas o Rei Demônio sobrepujou-os um a um.

— Hoje... vocês aprenderão o verdadeiro significado do terror.

Agaroth era como um fantasma...

impossível de perceber, impossível de ver, impossível de se defender.

Não importava o que atirassem contra ele, não importava como atacassem...

eles não podiam pará-lo.

Aquele corpo dele não era natural.

Até mesmo a luz que era antagônica aos demônios falhava em afetá-lo.

O atual Rei Demônio estava no ápice absoluto de seu poder...

o cume que ele alcançara após sua batalha com o Sem-Nome no passado distante.

Esta versão de Agaroth era algo cuja força não podia ser medida...

a própria lógica não se aplicava a ele.

Enquanto Agaroth os massacrava, ele finalmente parou quando um deles conseguiu bloqueá-lo.

Era um Grande com um corpo semelhante ao de Agaroth...

carne cinzenta, como cinzas, envolta em um metal estranho e desconhecido.

— Haha! Você bloqueou meu golpe? — Agaroth riu.

— Essa resistência... você é um dos Grandes do Panteão, não é?

Agaroth investiu instantaneamente... e o Grande respondeu à altura.

Os dois trocaram golpes a uma velocidade estonteante, martelando um ao outro com força catastrófica.

Cada colisão enviava ondas de choque massivas de destruição que apagavam tudo em seu caminho...

e se não fossem pelas muralhas de sangue de Izalith, Helmond já teria sido aniquilada.

O Grande do Panteão resistiu com tudo o que tinha contra Agaroth.

Mas, apesar de sua durabilidade e poder avassalador...

Agaroth começou a dominá-lo, pouco a pouco.

Em meio ao embate, os socos do Grande do Panteão atingiram o corpo de Agaroth várias vezes...

mas ele nunca sentiu que estava atingindo um ser vivo.

— Eu não entendo... — o Grande do Panteão murmurou em confusão.

— No que exatamente meu punho está batendo?

Enquanto ele falava, Agaroth aumentou seu ímpeto, esmagando-o impiedosamente.

O corpo imensamente durável do Grande do Panteão começou a fraturar-se...

e o terror infiltrou-se em seu coração.

Ele não sentia como se estivesse atingindo carne e sangue.

Em vez disso, parecia que cada soco afundava em um abismo sem fim.

Uma realização surgiu em sua mente...

Este é o Rei Demônio? O monstro que dizem devorar tudo?

Perdido naquele pavor e admiração, o Grande do Panteão não percebeu que Agaroth já o havia destruído completamente, não deixando nada além de sua cabeça.

Segurando aquela cabeça, Agaroth apertou o aperto...

e a esmagou até o nada.

— Vocês não entendem, Grandes — Agaroth falou friamente —, criaturas que afirmam estar no ápice.

Ele caminhou para frente através de cadáveres, fogo e sangue.

— Eu disse a vocês antes...

vocês não passam de escravos daquela entidade imunda. Criaturas forjadas por ele, enganadas ao acreditar que são o auge de suas raças.

O corpo de Agaroth inflamou-se com um poder ainda maior e avassalador enquanto ele avançava novamente.

— Sua força pode colocá-los no topo do mundo...

mas diante de mim, vocês não passam de seres vazios e insignificantes...

sem vontade, sem significado.

Agaroth continuou seu massacre.

Era um pesadelo...

uma aniquilação unilateral.

Aquilo não era uma batalha.

Era um abate.

Em meio a toda a destruição, Agaroth começou a gritar.

— ODIN!!!!!

O Rei Demônio chamou pelo soberano dos Grandes enquanto dilacerava mais deles.

— Eu sei que você está assistindo! Saia e me enfrente!

Ele rugiu enquanto massacrava os Grandes com facilidade sem esforço.

— Seus seguidores patéticos não podem fazer nada contra mim!

Não importa quantos você envie... o resultado será o mesmo!

BOOOOOOM!!!

Explosões continuaram enquanto a catástrofe se desenrolava.

— Mostre-se!!

Lute comigo!!

Agaroth pressionou, chamando pela entidade imunda que observava tudo por trás das cortinas.

Os Grandes estavam sendo derrotados miseravelmente diante do Rei Demônio...

o fim deles estava próximo.

Desde o início, os Grandes vieram a Helmond para alcançar um objetivo específico...

e para alcançá-lo, precisavam suprimir o Rei Demônio.

Mas eles cometeram um erro fatal.

Eles o subestimaram.

Subestimaram Agaroth, o Rei Demônio... e seu poder excedeu em muito as expectativas deles... a ponto de ele estar à beira de erradicar todos eles.

Uma derrota tão rápida dos Grandes nunca foi prevista.

E por causa dessa situação sem precedentes...

Algo totalmente inesperado ocorreu.

Agaroth ainda estava massacrando os Grandes —

quando de repente parou, sentindo algo.

Parado em meio a rios de sangue e fogo furioso, Agaroth lentamente voltou seu olhar para o céu.

Lá, uma nuvem cinzenta de aura desconhecida começou a se formar...

uma aura diferente de tudo que alguém já tinha testemunhado antes.

Uma aura sentida por cada criatura em toda Helmond, forçando todas a erguerem a cabeça e encararem o fenômeno.

O Rei Demônio havia superado as expectativas.

Portanto... sua intervenção tornou-se necessária.

O céu carmesim de Helmond começou a mudar.

De uma maneira bizarra e incompreensível, ele tornou-se puro, radiantemente branco.

Tudo no mundo tremia, preparando-se para a chegada dele.

Quanto a Agaroth...

Um sorriso aterrorizante espalhou-se por seu rosto, deleite evidente em seus olhos.

— Finalmente.

De dentro daquela névoa pálida, olhos incendiaram-se com um brilho dourado,

anunciando o retorno de um antigo desastre que o mundo há muito esquecera.

[1] - Alma de Luz: Elemento mágico puro que serve como antítese direta da essência demoníaca, causando danos corrosivos ou purificadores em entidades das trevas.

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