O Ponto de Vista do Vilão

Capítulo 771

O Ponto de Vista do Vilão

O céu vermelho de Helmond desapareceu completamente...

substituído por um branco imaculado e ofuscante.

Um céu pálido que incutia uma sensação amarga e inquietante em todos que o contemplavam.

Lentamente, uma nuvem de névoa pálida ganhou forma...

uma aura estranha, diferente de tudo o que já se vira antes.

De dentro dessa névoa, olhos dourados surgiram, brilhando com uma luz amarela maldita.

Gradualmente… a névoa assumiu uma forma física.

Membros tomaram forma.

Então, um corpo.

Braços, pernas...

e, finalmente, as feições.

Ele tinha a mesma altura de Agaroth,

porém sua pele era cinzenta como cinzas, pálida e completamente desprovida de vida.

Seus traços eram marcantes...

carregando um ar de supremacia e majestade ancestral.

Seu cabelo era longo e branco,

fluindo atrás dele como fios de aura pura e condensada.

Ao seu redor formou-se um manto de aura pálida,

uma aura que infundia terror nos corações de todos que a sentiam… mesmo que por um único segundo.

Ele abriu os olhos,

anunciando seu retorno ao mundo material após uma ausência inimaginavelmente longa.

A Devastação Pálida era uma calamidade que o mundo há muito esquecera...

e agora… todos estavam prestes a se lembrar.

Enquanto Odin se manifestava plenamente diante dele, o sorriso do Rei Demônio se alargou lentamente.

Ele subiu no ar, flutuando para frente até que os dois ficassem frente a frente.

"Esta presença… estes traços…"

Agaroth murmurou, encarando seu oponente com seus olhos distintos.

"É realmente você."

Não havia dúvida.

Aquele que estava diante dele era Odin — e ninguém mais.

Não importava o quanto Agaroth tentasse, o Olho do Rei não conseguia ver através dele.

Na verdade, quanto mais Agaroth encarava, mais violentamente seu olho tremia...

até que uma fina linha de sangue escorreu por sua bochecha devido ao esforço.

Odin, enquanto isso, pareceu indiferente por um momento...

antes de lentamente formar um sorriso debochado e arrogante.

"Ó, Rei Demônio,"

"Ó, você que se autodenomina a fera que devora tudo."

A voz de Odin ecoou ao lado do ouvido de Agaroth...

e por toda Helmond.

No entanto, nenhum dos demônios entendeu uma única palavra.

Apenas Agaroth entendeu.

Eles não eram seres capazes de ouvir a voz de Odin...

tudo o que percebiam era um som de ranger sinistro, como um chamado do abismo no fim do mundo.

Na verdade, até mesmo a forma de Odin era pouco clara para eles.

Tudo o que podiam perceber era uma névoa sinistra e pálida.

O único que podia vê-lo claramente…

o único que podia ouvi-lo...

era Agaroth.

"Você não entende nada deste mundo, Rei Demônio,"

Odin continuou.

"Você brinca com o destino, desafia a causalidade, e sua arrogância cresceu tanto que você se atreveu a se opor a mim."

Odin flutuava calmamente sob o céu imaculado que ele mesmo formara,

seus olhos dourados perfurando diretamente Agaroth.

O Rei Demônio, no entanto, não demonstrou preocupação.

"Você fala do alto," respondeu Agaroth friamente,

"mas mal consegue manter esta forma. Abra os olhos... este mundo não se lembra mais de você."

Diante da provocação do Rei Demônio, Odin permaneceu imperturbável.

"O mundo?"

"O que é o mundo?"

Odin perguntou, enquanto o estranho poder ao seu redor se intensificava.

"Eu sou o mundo, Rei Demônio.

É verdade, não posso permanecer no reino material por muito tempo... mas isso será mais do que suficiente para lidar com você."

Odin declarou, com desdém pingando de suas palavras.

"Você — que se dizia o mais forte em uma era em que eu estava ausente —

você se coroou rei e proclamou que ninguém poderia matá-lo."

"Deixe-me abrir esses seus olhos, Rei Demônio.

Apesar de todos os seus poderes visuais... você é cego — totalmente incapaz de ver a verdade."

Nesse exato momento…

tanto Odin quanto o Rei Demônio sorriram.

Um com uma certeza confiante e condescendente...

o outro com um prazer sádico e aterrorizante.

Agaroth não era tolo.

Ele já havia percebido há muito tempo que os Grandes[1] estavam tentando algo aqui em Helmond...

algo tão significativo que o próprio Odin descera, usando todo o seu poder para se manifestar mais uma vez no mundo material.

Odin existia principalmente no reino espiritual... um nível percebido por apenas um punhado de seres vivos.

Ele havia perdido sua forma física há muito tempo.

No entanto, ao recorrer ao poder acumulado ao longo de incontáveis anos,

Odin podia enganar temporariamente a causalidade e o fluxo do destino...

permitindo-se aparecer no mundo material por um breve período.

Tal ato, sem dúvida, tinha um custo imenso.

O que significava que tudo o que Odin buscava alcançar aqui

valia esse risco.

Agaroth compreendia tudo isso.

E, no entanto… ele não se importava.

Cada célula no corpo do Rei Demônio gritava para ele destruir o oponente à sua frente.

Um oponente que, pela primeira vez em eras... o deixava incerto se sairia vitorioso… ou derrotado.

O Rei Demônio, envolto em escuridão abissal... contra Odin, a Devastação Pálida.

Essa era a cena que se desenrolava diante dos olhos de Helmond.

Entre os espectadores, Izalith observava atentamente, com inquietação estampada no rosto.

Seu olhar nunca deixava Odin...

aquela Devastação Pálida que surgira do nada.

Os Grandes haviam sido poderosos… até mesmo avassaladores...

mas aquilo era diferente.

Mal absoluto.

Um mal da mesma natureza que o de Agaroth —

porém fundamentalmente diferente ao mesmo tempo.

Não importava o quanto ela tentasse, Izalith não conseguia medir o poder dele.

E isso a aterrorizava mais do que qualquer outra coisa.

Inconscientemente, ela reforçou as muralhas de sangue que cercavam o campo de batalha,

temendo o que poderia resultar de um confronto entre aqueles dois seres.

Então...

por um único momento...

o silêncio caiu.

Um único segundo de imobilidade…

antes que a catástrofe começasse.

Agaroth avançou em velocidade insana em direção a Odin,

uma expressão sinistra esculpida em seu rosto... e o confronto estava prestes a começar.

O punho do Rei Demônio incendiou-se com um fogo sombrio, selvagem e furioso enquanto ele golpeava sem piedade… seu ataque visando diretamente Odin.

Odin permaneceu parado onde estava.

Ele não se moveu.

Nem mesmo um centímetro.

Então...

a colisão aconteceu.

Toda Helmond ouviu.

Uma explosão ensurdecedora, acompanhada por um grito estranho, como de vidro se estilhaçando, que perfurou todos os ouvidos.

O punho detonante de Agaroth...

o mesmo punho que havia aniquilado os Grandes com facilidade...

parou completamente diante do rosto de Odin.

Ele não conseguiu alcançá-lo.

Era como se uma força invisível impedisse o Rei Demônio de avançar ainda mais, a ponto de que, não importa quanto poder avassalador ele liberasse, isso não resultava em nada.

Diante daquela pressão, o sorriso de Odin se alargou —

seus olhos brilhando com um fulgor sinistro.

Então, sem aviso...

Agaroth foi lançado para longe.

Uma força invisível o atingiu com tanto vigor que o corpo do Rei Demônio foi arremessado para trás, colidindo com a muralha de sangue de Izalith, perfurando-a diretamente para o outro lado.

Ele continuou a ser lançado para trás...

colidindo com a Torre do Fim, atravessando-a diretamente e explodindo pelo lado oposto.

Quando o Rei Demônio recuperou o controle de seu corpo,

ele havia sido jogado a uma distância insondável de seu oponente.

Naqueles breves momentos, Izalith e os outros demônios não conseguiam compreender o que havia ocorrido.

Com um único golpe invisível, Odin havia arremessado o Rei Demônio por toda Helmond —

e perfurado sem esforço a muralha de sangue na qual Izalith havia depositado toda a sua força.

Enquanto isso...

No instante em que Agaroth se estabilizou... o chão sob ele começou a subir em direção ao céu.

Não.

Não era o chão.

[1] - Grandes: Refere-se a seres de poder elevado e antiguidade, equivalentes a entidades divinas ou primordiais no cenário.

Comentários