
Capítulo 769
O Ponto de Vista do Vilão
Helmond… Sob invasão.
Helmond estava sob invasão.
Isso era um precedente na história… algo que nunca havia acontecido antes.
Desde que a história existia, eram sempre os demônios que invadiam outras raças.
Nunca o contrário.
Desde o início dos tempos, ninguém jamais ousara atacar os demônios em sua própria terra natal… e o motivo era simples.
Eles eram poderosos.
Assustadoramente poderosos.
Apenas seu rei amaldiçoado possuía um nível de força inigualável por qualquer outro ser no mundo.
Mas hoje — pela primeira vez — a regra havia sido quebrada.
Os céus vermelhos de Helmond desapareceram além do horizonte distante, completamente eclipsados à medida que os Grandes [1] avançavam com um impulso selvagem em direção à Torre do Fim.
[1] - Grandes: Seres transcendentais de outra realidade, possuidores de um poder absoluto.
Os Grandes não eram seres naturais.
Cada um deles possuía uma forma completamente diferente dos outros… mais como monstros transcendentais de outra realidade.
No entanto, suas aparências grotescas não eram o que inspirava medo.
Era a pressão avassaladora que cada um deles liberava.
Uma pressão acompanhada por rugidos e gritos que soavam como trombetas anunciando o fim do mundo.
A Grande Bruxa Izalith voava ao lado da Torre do Fim, o terror estampado em seu rosto.
Ao mesmo tempo, a Demônio Superior de Oitavo Nível, Yosefka, também surgiu, organizando as defesas.
Sua expressão espelhava exatamente a de Izalith.
Porque seus inimigos estavam além da compreensão.
Não havia menos de cinquenta Grandes avançando juntos.
— Todos eles… existências de nível SSS avançado — anunciou Izalith, com a voz trêmula.
Apesar de ser uma das Dez Demônios Superiores, ela não tinha confiança de que poderia derrotar nem mesmo um daqueles seres.
Muito menos cinquenta.
Não importava como avaliassem a situação… aquilo era uma catástrofe absoluta.
No entanto, o ímpeto dos Grandes e o medo que dominava os demônios…
Tudo isso congelou por um breve momento.
Porque cada criatura em Helmond ouviu a voz dele.
A voz do Rei Demônio.
Ele estava rindo.
Rindo loucamente.
Uma risada sádica que ecoou por todo o mundo.
Diante dos olhos de Izalith… e dos olhos de cada demônio presente…
Agaroth lentamente subiu ao céu, posicionando-se sozinho na linha de frente, encarando diretamente os incontáveis Grandes que convergiam sobre ele.
O Rei Demônio era inspirador.
Seu corpo estava submerso em uma aura sombria, cabelos negros chicoteando violentamente ao seu redor.
Seus olhos carmesins brilhavam, como se vissem muito além dos limites do próprio mundo.
Ainda assim, apesar de sua majestade, ele parecia quase insignificante diante daquele exército de Grandes.
Como um único ponto negro diante de uma maré monstruosa que engolia os céus.
E ainda assim…
O Rei Demônio parecia relaxado.
Não — ele parecia satisfeito.
— Quanto tempo faz… quantos anos se passaram desde a última vez que senti essa sensação?
Lentamente, Agaroth abriu os dois braços em direção aos Grandes.
— Intenção assassina direcionada a mim de todos os lados.
O som de uma guerra declarada contra a minha existência.
Criaturas com audácia suficiente para ficarem diante de mim.
Seu sorriso se alargou… contorcendo-se em algo aterrorizante.
Os Grandes já o haviam alcançado, tendo obliterado tudo em seu caminho e massacrado incontáveis demônios durante a investida.
O primeiro confronto era iminente.
Parecia que o céu inteiro estava prestes a desabar sobre a cabeça de Agaroth.
O Rei Demônio estreitou seus olhos carmesins, varrendo seu olhar por cada inimigo à sua frente.
Atrás dele…
A Torre do Fim ainda permanecia erguida, com a elite dos demônios reunida ao seu redor.
Izalith e Yosefka não ousavam se mover.
O Rei Demônio estava prestes a lutar pessoalmente.
Elas entendiam melhor do que ninguém quem Agaroth realmente era.
Não importava o quão terrível a situação parecesse.
Não importava o quão assustadora fosse a visão.
O terror irradiado por todos os Grandes combinados…
Não podia superar o terror do Rei Demônio refletido em seus olhos.
Um homem permanecia sozinho, detendo uma horda inteira de seres incompreensíveis.
E então…
A catástrofe começou.
Em menos de um segundo, Agaroth liberou toda a sua aura.
O poder completo de um monstro que nunca havia conhecido a derrota.
A pressão de sua aura era absoluta.
Esmagadora.
Avassaladora.
O espaço ao seu redor se estilhaçou, a força expandindo-se em todas as direções até envolver todo o Helmond.
Naquele instante…
Cada demônio caiu do céu.
Eles colidiram contra o solo, forçados a se ajoelhar — não por escolha, mas por compulsão.
Todos desmoronaram sob o peso puro da presença do Rei Demônio.
Até mesmo Izalith e Yosefka lutavam desesperadamente apenas para permanecerem de pé atrás dele.
Os Grandes suportaram sua aura… e continuaram avançando.
Mas quando aqueles monstros o alcançaram —
Algo inimaginável ocorreu.
O corpo do Rei Demônio explodiu.
Ele se despedaçou violentamente…
E de dentro dele…
Erupções de centenas — não, milhares — de bocas colossais surgiram.
Entidades grotescas, contorcidas e sombrias de tamanho avassalador.
Aquelas abominações jorraram do Rei Demônio, colidindo com os Grandes sem aviso ou misericórdia.
Os seres que antes bloqueavam o céu com suas formas imensas foram completamente cercados em menos de um segundo pelo enxame sombrio.
A escuridão engoliu Helmond.
E a guerra havia começado.
Os Grandes colidiram com aquelas abominações negras, aniquilando uns aos outros em uma troca brutal e horripilante.
Uma batalha além da compreensão…
além da própria lógica.
O que Agaroth havia liberado era uma de suas muitas habilidades: um poder que lhe permitia alterar sua própria forma à vontade, adaptando-a ao oponente que enfrentava.
Graças a isso, em menos de um segundo, ele dominou os Grandes — seres que pareciam invencíveis momentos antes.
Em meio ao caos, a forma original de Agaroth reconstituiu-se entre os Grandes, que ainda estavam presos na luta contra as incontáveis bocas sombrias.
Parado entre eles, Agaroth rugiu — sua voz soando como um trovão.
— Venham até mim!
Todos vocês!!
Seu punho direito incendiou-se com chamas furiosas e negras como breu, enquanto sua mão esquerda brilhava com uma densa e imunda aura sombria.
Liberando seu poder avassalador, Agaroth colidiu com um dos Grandes, atingindo-o de frente…
e o golpe estrondoso apagou metade do corpo do Grande da existência.
Agaroth manipulou sua aura com uma velocidade aterrorizante.
Instantaneamente, milhares de bocas sombrias dispararam contra os Grandes, cada uma liberando rajadas de aura condensada na forma de feixes letais que os perfuravam de todas as direções.
Milhares de pilares de escuridão irromperam simultaneamente, cercando-os por todos os lados.
Em poucos segundos, os Grandes estavam completamente cercados.
O alcance destrutivo do Rei Demônio era esmagador… aterrorizante.
Aquele único ataque era suficiente para eliminar uma civilização inteira.
Percebendo a gravidade da situação…
A Grande Bruxa Izalith avançou imediatamente, liberando todo o seu poder e fundindo-o com sua Alma de Sangue.
Usando tudo o que tinha, sangue irrompeu do corpo de Izalith como uma maré colossal, surgindo para engolir o campo de batalha onde Agaroth e os Grandes estavam em combate.
No momento em que seu sangue os cercou, Izalith exerceu seu controle — forçando-o a subir, formando paredes carmesins maciças que se ergueram tão alto que perfuraram o próprio céu.
Em segundos, Izalith conseguiu bloquear completamente a destruição, protegendo tanto os demônios quanto Helmond com seu poder.
Exalando profundamente, a Bruxa de Sangue lutou para se manter de pé.
Se o Rei Demônio pudesse lutar sem restrições…
O próprio Helmond poderia ser aniquilado como dano colateral.
Ciente dessa verdade aterrorizante, Izalith rezou com todo o seu coração para que a batalha terminasse rapidamente.
Mas Agaroth não ouviu suas preces.
Nem as de qualquer demônio.
Porque tudo o que existia para ele agora…
Era a batalha que se desenrolava diante de seus olhos.
O Rei Demônio movia-se como um trovão, investindo de um Grande para outro.
Seus ataques eram absurdamente rápidos e devastadoramente poderosos…
cada golpe enviando os Grandes para longe no momento em que conectava.