O Ponto de Vista do Vilão

Capítulo 768

O Ponto de Vista do Vilão

"Vamos avançar."

Os corpos dos três demônios irradiaram poder enquanto avançavam, mergulhando mais profundamente no continente.

No entanto, apesar de inúmeros indivíduos terem entrado de uma só vez...

Crimson e seu grupo não encontraram nada.

Não importava o quão longe avançassem, nada surgia em seu caminho.

Era como se a terra à frente não tivesse fim.

Como se fosse—

"Um labirinto... ou uma ilusão."

Crimson parou subitamente após avançar por muito tempo sem resultados.

Não importava sua velocidade, o cenário à frente permanecia inalterado.

"O que há de errado?"

Marvas perguntou, virando-se para Crimson após sua parada abrupta.

Crimson não respondeu.

Em vez disso, ele sacou sua arma e a cravou violentamente no solo.

Sem aviso...

Uma pressão ensurdecedora explodiu, forçando Marvas e Agares a se ajoelharem.

"Esta... esta é a presença do Rei!"

Agares gritou, lutando para suportar a pressão avassaladora que Crimson havia liberado.

Crimson possuía uma presença e uma aura iguais às do próprio Rei Demônio—

apenas estar diante dele já era uma provação insuportável.

Crimson expandiu seu poder implacavelmente, inundando uma vasta área ao redor deles.

A pressão se intensificou, despedaçando o solo sob seus pés.

"Como eu suspeitava," Crimson disse calmamente,

"algo estranho está acontecendo aqui."

Ele continuou destruindo tudo ao redor deles.

"Esta terra não é o verdadeiro continente.

É meramente um labirinto amaldiçoado, projetado para nos manter longe do que quer que este lugar esteja escondendo."

Para mantê-los longe...

ou para mantê-los ocupados.

O terreno aparentemente infinito não era o que parecia ser.

Na verdade, era um espaço limitado...

mas cada vez que alguém alcançava sua borda, era retornado ao início.

Pior ainda, o próprio terreno mudava a cada segundo, tornando quase impossível discernir o mecanismo.

Ninguém poderia perceber que estavam sendo constantemente reiniciados...

porque nada parecia igual.

Mas Crimson viu através disso quase imediatamente.

Então ele liberou todo o seu poder, aniquilando o labirinto por completo.

A ilusão se estilhaçou.

E, enfim...

Eles entraram no verdadeiro continente.

...

Desta vez, os três se encontraram dentro de algo muito mais complexo.

Eles estavam sobre uma escadaria simples.

Tudo parecia comum...

Exceto pelo fato de que estavam de cabeça para baixo.

Ao redor deles, estendiam-se incontáveis escadas e plataformas, entrelaçadas infinitamente...

estendendo-se para longe em padrões caóticos e incompreensíveis.

A cada passo dado nas escadas, o estado de alguém mudava.

Às vezes estavam de cabeça para baixo.

Às vezes caminhavam ao longo das paredes.

Outras vezes, tudo parecia normal.

"Droga... outro labirinto,"

Marvas praguejou.

A expressão de Crimson tornou-se ainda mais sombria.

"Há algo errado."

Ao ouvir isso, tanto Marvas quanto Agares se voltaram para ele imediatamente.

"O que você quer dizer?" Agares perguntou.

Crimson permaneceu em silêncio por um momento, expandindo sua percepção até cobrir uma área enorme.

"Este lugar parece... artificial," ele disse lentamente.

"Como se estivesse tentando ativamente nos manter afastados — tentando nos prender."

Ele se virou para as escadarias intermináveis e emaranhadas.

"Mas não é isso que mais me preocupa."

O Primeiro Assento cerrou o punho, sua expressão ficando severa.

"Desde o início, este deveria ser o lugar onde os Grandes [1] se reuniriam."

Ele fez uma pausa.

"E, no entanto, desde que chegamos..."

"Não senti nenhum deles."

Crimson falou friamente enquanto caminhava em um ritmo pausado, sua arma firmemente em mãos.

"Os Grandes não podem escapar dos meus sentidos," ele disse categoricamente.

"Apenas um ou dois entre eles são capazes de se esconder de mim... mas não consegui encontrar sequer um."

Ao ouvir isso, as expressões de Marvas e Agares também mudaram.

A intuição de Crimson era aterrorizante.

Pois, no exato momento em que eles romperam o misterioso continente...

O mundo estava prestes a testemunhar algo sem precedentes.

Algo que nunca havia ocorrido na história registrada.

Algo que ninguém havia previsto... e para o qual ninguém estava preparado.

...

...

Começou enquanto o Rei Demônio Agaroth ainda estava sentado em seu trono no cume da Torre do Fim em Helmond.

O Mundo Demoníaco era como sempre fora.

Um planeta desolado e morto...

repleto de um número avassalador daquelas criaturas imundas.

Os demônios haviam se dividido em duas facções:

uma que partiu para o misterioso continente,

e outra que foi confrontar a Seita das Sombras na Terra.

Como resultado, pouquíssimos seres poderosos permaneceram em Helmond.

No entanto, o próprio Rei Demônio estava presente.

E por causa disso...

ninguém esperava o que estava prestes a acontecer.

Naquele dia...

O Rei Demônio levantou-se de seu trono.

Ele caminhou lentamente em direção à borda da imponente Torre do Fim.

Agaroth contemplou o horizonte distante.

Então, lentamente...

Um sorriso aterrorizante se formou em seu rosto,

enquanto seus olhos se acendiam com um brilho pavoroso.

"Devo admitir..." ele disse baixinho,

"eu nunca esperei por isso."

O Rei Demônio riu, cerrando o punho enquanto uma rara onda de excitação percorria seu corpo.

De longe, os seres poderosos de Helmond começaram a perceber...

um após o outro.

De dentro da torre, o Sétimo Assento, Izalith, correu para fora,

uma expressão sombria gravada em seu rosto.

O céu carmesim de Helmond tremeu...

E então, sem aviso...

A primeira onda estranha desceu.

Ela se espalhou pelo céu como uma força invisível,

varrendo toda a região.

Uma onda acompanhada por um som sinistro—

como as trombetas estridentes de uma guerra aterrorizante.

Lentamente...

Todos os demônios começaram a ouvi-las.

Sons que não pertenciam a este mundo.

O Rei Demônio Agaroth foi o primeiro a vê-los.

De pé no cume,

ele os percebeu claramente.

Formas estranhas...

seres transcendentes e avassaladores que apareciam apenas nas mais raras ocasiões.

E agora, todos haviam surgido do nada.

Alguns eram tão colossais que obscureciam o próprio céu.

Outros possuíam formas simples, vagamente semelhantes a demônios.

Mas o que todos compartilhavam...

Era sua aura.

E seu poder esmagador e absoluto.

Diferente do sorridente Agaroth...

Izalith sentiu apenas terror.

"Estamos... sendo invadidos," ela sussurrou.

Diante daquela visão avassaladora...

aqueles seres que eclipsavam os céus carmesins...

Todos finalmente entenderam o que estava acontecendo.

Pela primeira vez em sua história—

Helmond estava sob invasão.

Invadida...

Pelos Grandes [1].

[1] - Grandes (Great Ones): Entidades ou seres de poder supremo que habitam dimensões superiores.

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