O Ponto de Vista do Vilão

Capítulo 710

O Ponto de Vista do Vilão

"Carmen…" Ada sussurrou, a voz tremendo enquanto pronunciava o nome da mulher que estivera ao seu lado por tanto tempo… protegendo-a, orientando-a, ajudando-a em tudo.

Carmen…

a irmã mais velha de Ada e Frey Starlight.

No instante em que Ada e Carmen despertaram, a contagem regressiva já havia começado. O julgamento não pararia agora, a menos que uma delas morresse; essas eram as regras que Maika mesmo havia estabelecido.

Seja Ada ou Carmen…

ambas compreendiam completamente a situação.

O Equilíbrio transmitira as informações necessárias direto às suas mentes no momento em que abriram os olhos.

Eles sabiam que Maika—próprio filho de Carmen—era o responsável por tudo que lhes acontecia.

Ele tinha esperado o momento perfeito.

Quando o ataque demoníaco ao Império começou, ele atacou Carmen de surpresa, causando-lhe danos severos, o que levou à derrota na luta seguinte.

Ambos, Carmen e Maika, eram rank SS.

Em condições normais, Carmen nunca teria perdido para ele numa luta justa.

Mas Maika sabia disso muito bem—

por isso escolheu exatamente o momento em que ela estaria mais fraca.

Já Ada…

Ela não era uma lutadora de verdade. Derrubá-la depois era tarefa fácil.

Lentamente, lágrimas começaram a se formar nos cantos dos olhos de Ada ao compreender a crueldade da situação.

Ou ela morre… ou Carmen morre.

Foi brutal…

cheio de crueldade.

Carmen fazia parte da família deles. Perder ela assim era algo que Ada jamais poderia aceitar.

Desde o começo, Ada recusou-se a lutar contra a mulher que a apoiou por tantos anos.

Mas a expressão de Carmen mostrava algo que Ada não esperava…

Carmen parecia completamente disposta a derramar sangue.

"Carmen… o que você está tentando fazer agora?" perguntou Ada, cautelosa, enquanto Carmen se aproximava, passo a passo lentamente.

"Não temos escolha, Ada.

Um de nós tem que morrer."

"Não!" gritou Ada, recuando vários passos.

"Eu me recuso a submeter-me a esse aparelho amaldiçoado… e me recuso a lutar contra você, Carmen!" ela afirmou firmemente, olhando para o cronômetro… já havia se passado um minuto inteiro.

Carmen forçou um sorriso frio e sutil.

"Você está entendendo errado, Ada.

Você não pode lutar contra mim…

e não pode lutar contra esse dispositivo…

porque você é simplesmente fraca demais."

Seu tom era pesado, completamente diferente de sua natureza habitual, impulsiva, mas cuidadosa.

"Eu poderia te matar de onde estou, e nem estou entre as dez melhores do Império.

Esse é o quanto você é fraca… como líder de uma família."

Ada mordeu o lábio. Ela sabia o que Carmen tinha feito no passado…

como abandonou seu próprio filho,

como viveu uma vida imunda longe de todos,

como chegou a matar o pai do seu filho antes mesmo dele descobrir que estava grávida dele.

Carmen cometeu coisas terríveis.

Coisas imperdoáveis.

Mas isso nunca mudou os sentimentos de Ada em relação a ela.

Todos cometem erros.

O que importa é como vivem depois.

Carmen foi a guardiã e mentora de Ada, e isso por si só era suficiente para Ada agarrar-se a ela com todas as forças.

"Seja o que for que aconteça… eu não lutarei contra você", repetiu Ada, como se tentasse firmar sua determinação.

Sorriso de Carmen cresceu.

"Então, se eu não sou quem vai morrer…

você morrerá no meu lugar, Ada?" ela insistiu.

"Você vai se matar para me salvar?"

Ela foi se aproximando a cada palavra.

"Vai jogar sua vida fora? Tudo pelo que viveu?"

"Vai deixar Frey para trás—e morrer longe dele?"

O olhar de Ada se intensificou.

"Não."

"Não tenho intenção de morrer.

E não vou deixar você morrer também."

"Ninguém vai morrer hoje à noite."

"Doce Ada… você sabe que o mundo não funciona assim.

Não no mundo em que vivemos."

As regras eram absolutas.

Ninguém poderia quebrá-las.

Mas Ada não brincava. Ela queria desafiar tudo pelo que acreditava ser certo.

Dentro de seus braços, Ada retirou um dispositivo estranho que guardava há muito tempo.

Uma ferramenta dada por aquele homem.

Ele lhe dissera claramente:

"Use-a somente quando parecer que seu mundo desabou completamente, quando tudo realmente tiver acabado."

Este momento não correspondia exatamente a essa descrição…

mas Ada desesperadamente precisava do poder de destruir o maldito Equilíbrio que mantinha ela e Carmen como reféns.

O dispositivo era um gatilho cilíndrico.

Ninguém sabia exatamente o que fazia.

Ninguém sabia do que era capaz.

Mas Ada acreditava nele—acreditava que não era algo comum.

Assim, sem hesitar,

com total resolução,

ela puxou o gatilho.

O instrumento que só podia ser usado uma vez…

seu última carta, seu último recurso…

foi acionado daquele jeito.

Isso por si só mostrava o quanto ela amava Carmen…

o suficiente para apostar tudo o que tinha por ela.

Ada apostou suas vidas no dispositivo do engenheiro.

Na hora em que puxou o gatilho, a ferramenta brilhou intensamente, emitindo uma onda estranha de aura que fez todos recuarem por um momento.

Não havia dúvida…

que esse gatilho continha algo assustador, algo monstruoso.

Até Frey sentiu o impacto daquela aura bizarra.

A esperança pulsou no peito de Ada enquanto o dispositivo brilhava cada vez mais forte.

Mas então…

Por fim…

algo impossível aconteceu.

O brilho desapareceu.

A aura sumiu.

O dispositivo simplesmente… parou de funcionar.

Como se nada tivesse acontecido.

A contagem do julgamento continuou, passando o tempo.

Todos estavam de volta ao ponto de partida.

Ada congelou, a respiração presa.

"Huh?"

Ela não entendeu.

Será que quebrou?

Falhou?

O que deu errado?

"Ada…" Carmen murmurou após testemunhar o que Ada tentou fazer.

"O que você está tentando fazer?

Está realmente confiando em algo que nem entende para escapar dessa situação em que está presa?"

A decepção passou pelo rosto de Carmen.

Ela também não sabia o que era o dispositivo, mas tinha certeza de que Ada o obtivera de uma fonte desconhecida…

uma ferramenta destinada a fazer algo,

em algum momento,

em alguma situação.

Tudo sobre ele era aleatório e imprevisível.

Ada tinha apostado cegamente.

E, como resultado, o dispositivo se recusou a responder…

deixando-os exatamente onde estavam.

"Tempo restante: 3 minutos."

A contagem regressiva continuava, segundo a segundo.

Eles tinham apenas três minutos para tomar uma decisão…

ou ambos morreriam.

Naquele momento, parecia que Carmen já havia feito sua escolha, ao contrário de Ada, cuja compostura começou a se desmanchar após o fracasso de sua última esperança.

"Por que… não está funcionando?"

Ela tinha sido orientada a usar aquele dispositivo somente quando toda esperança se acabasse…

quando seu mundo realmente desabasse…

e, no fim, o dispositivo se recusava a responder.

Como se estivesse dizendo para ela:

Isso aqui não é o lugar,

e esse não é o momento.

Fui feito para algo completamente diferente.

Mas isso importava agora…

quando Ada poderia morrer ali?

De longe, Maika e Frey assistiam ao cenário se desenrolar…

cada um com emoções completamente diferentes.

Maika parecia encantado, especialmente ao ver Carmen se preparando para matar Ada.

Tudo que ele tinha preparado estava se encaixando tão perfeitamente que parecia um sonho.

"Vou admitir… aquela onda de aura estranha me assustou por um instante, mas Ada Starlight ainda é a mesma de sempre. Ela não consegue mudar nada."

Devagar, Maika virou-se para Frey.

"E agora, Frey… assista com seus próprios olhos.

Veja as verdadeiras cores da vadia em quem você confia tanto."

Ele provocou Frey ainda mais…

mas foi imediatamente silenciado ao ser atingido pela aura de Frey, que o fez cair de joelhos sob a pressão esmagadora.

Frey colocou um dedo sobre os lábios, sinalizando a Maika para ficar quieto, com uma expressão que dava medo, a ponto de balançar a própria alma de Maika.

"Escolha suas palavras com sabedoria.

Você só tem três minutos de vida."

Frey deixou claro que o mataria assim que o julgamento terminasse.

Ele o teria matado ali mesmo, se não fosse a regra de que Carmen e Ada morreriam no momento em que o portador do Equilíbrio morresse.

Aquela condição era a única coisa que mantinha Maika vivo.

Frey estava furioso por causa disso.

Raiva fervia nele, e ele falou agudemente em sua mente:

"Anônimo… você um dia esteve no topo do mundo, droga. Está me dizendo que não consegue parar esse maldito dispositivo!?"

O Anônimo respondeu frio, sem expressão, como sempre:

"Não na minha condição atual.

Não posso mexer nas leis da vida e da morte.

Se o Equilíbrio tivesse sido ativado em você—ou em mim—eu poderia revertê-lo.

Mas em Carmen e Ada?

Impossível."

O Equilíbrio era de Wesker.

Tinha um poder esmagadoramente absoluto.

Uma vez ativado, com todas as condições atendidas, atingia seu auge…

e, infelizmente para Frey, tudo já estava preparado.

Se ao menos tivesse chegado antes, antes que Maika finalizasse a instalação…

Se ao menos pudesse, de alguma forma, tornar-se o alvo do Equilíbrio ao invés de Carmen ou Ada…

Se ao menos.

Mas nada na vida de Frey tinha saído como ele queria,

nem mesmo com o Nameless ao seu lado.

Tudo que ele podia fazer agora era ficar ali assistindo…

forçado a aceitar mais uma amarga realidade.

"Mais uma vez… vou ter que ficar aqui, assistindo as pessoas que amo morrer bem na minha frente."

Ele cuspia essas palavras com raiva.

Enquanto isso, mesmo com o rosto esmagado no chão pela aura de Frey,

Maika sorria loucamente, assistindo sua mãe se aproximar de Ada.

"Agora, sua vadia desgraçada… mate ela.

Acabe com isso."

Este era o momento que ele aguardava.

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