
Capítulo 711
O Ponto de Vista do Vilão
"Mostre ao mundo… suas cores verdadeiras."
Essas cores…
aquelas que enterrariam ela viva.
Maika estava completamente convencida da verdadeira natureza de Carmen:
Egocêntrica.
Sem coração.
Vivendo apenas para si mesma…
era nisso que ela acreditava com cada fibra do seu ser.
Seus pensamentos eram moldados por anos de dor,
anos de abandono,
anos de ódio tão profundo que o transformaram em alguém irreconhecível.
Para ela, toda a sua vida era uma prova—
Carmen Starlight vivia apenas para si mesma.
Frey via isso claramente…
e, mais uma vez, amaldiçoou o mundo por sua maneira perversa de virar tudo contra ele.
"Preste muita atenção, Maika Starlight…
isso será a última coisa que você verá."
A voz de Frey era baixa e fria.
Maika percebeu a fúria dele…
mas algo estava errado.
Onde estavam o desespero?
Onde estava a loucura?
Ada estava prestes a morrer…
e Frey amava sua irmã mais do que tudo.
Perder ela deveria tê-lo destruído completamente.
Mas ele permanecia calmo.
Com raiva—sim.
Com nojo—sim.
Mas calmo.
Por quê?
Maika não sabia.
Sua atenção voltou-se para o julgamento,
onde Carmen agora encarava Ada de frente.
A mulher mais velha e a jovem se olhavam em silêncio…
segundo após longos segundos…
Até que restava apenas um minuto no cronômetro.
Então, Carmen finalmente falou.
"Ada… olhe para mim.
Olhe para si mesma.
Olhe a situação em que estamos."
Ela colocou a mão delicadamente na cabeça de Ada, acariciando-a.
"Este mundo em que vivemos… é governado pela força.
Nada mais importa.
Não importa sua habilidade ou inteligência…
você não alcançará nada sem poder."
"Essa é a lição que a vida me ensinou."
Se Ada fosse poderosa como os outros chefes de família…
Maika nunca teria conseguido pegá-la.
Se Ada fosse tão forte quanto seu irmão Frey…
essa situação jamais teria acontecido.
"Ninguém estará sempre lá para protegê-la, Ada.
Você precisa confiar em si mesma… na sua força."
"Você terá aliados… e isso é bom.
Terá inimigos… e isso é completamente natural.
Sofrerá, repetidas vezes… mas lembre-se disto, Ada:
sua força sozinho decidirá tudo.
Deixe de lado suas fraquezas, abra os olhos para o mundo…
porque o tempo para você está se esgotando."
Carmen falou suavemente, então um sorriso delicado e gentil surgiu nos seus lábios.
"No meu caso… meu tempo é bem menor do que o seu.
Haha… sinto muito, Ada.
Eu… sinto muito."
E naquele momento,
Ada percebeu algo.
"C–Carmen… o que você—"
Mas já era tarde demais.
No piscar de olhos,
o braço de Carmen se iluminou com uma luz brilhante…
…e uma explosão rasgou a arena enquanto sangue jorrava por toda parte.
Ada foi rápida demais; não reagiu.
Mas Frey e Maika viram claramente tudo.
Carmen tinha enfocado a mão no próprio peito…
atirando-a fundo,
destroçando seu próprio coração.
Sangue escorreu pelo rosto e corpo de Ada enquanto Carmen desabava no chão, o carmesim jorrando rapidamente e manchando tudo ao redor.
Por um momento,
Ada permaneceu imóvel, diante do corpo agonizante de Carmen.
Um forte suspiro escapou de seus lábios.
"Huh?"
Um suspiro fraco escorreu… revelando sua completa incapacidade de compreender o que acabara de acontecer.
Então, a contagem regressiva parou.
O julgamento terminou, anunciando uma única verdade:
Carmen Starlight… fora executada. Por sua própria escolha.
"Não… Carmen… Carmen… por quê… por mim… por quê!!"
Ada desabou sobre o corpo sem vida de Carmen, seu grito preenchendo toda a sala—um grito carregado de dor e sofrimento insuportável.
Pela primeira vez, Ada provou uma fração do sofrimento de Frey.
A dor de ver alguém morrer por você.
Carmen morrera para que Ada pudesse continuar vivendo… mas Ada sabia que nunca mais viveria normalmente.
O peso daquela alma sacrificada ficaria grudado nela para sempre.
Frey compreendia isso melhor do que ninguém.
Desde o começo, ele nunca temeu pela vida de Ada… nem uma única vez.
Sabia que Carmen jamais a machucaria.
Carmen as amava profundamente, e já estivera pronta a morrer por elas há muito tempo.
Frey nunca perdeu a confiança nela, nem mesmo ao descobrir o que ela tinha feito ao próprio filho…
No entanto, a morte dela deixou uma cicatriz profunda nele.
Não tão fundo quanto na própria Ada.
Mas Carmen importava… ela era família.
E por isso, sua raiva cresceu como uma tempestade.
Do outro lado, Maika permaneceu imóvel, incapaz de acreditar no que tinha visto.
A loba egoísta que ele desprezava há tantos anos tinha acabado de sacrificar sua vida…
Por alguém mais.
Ela, de todas as pessoas… morreu por outro?
Aquela simples verdade destruiu algo dentro dele.
"Não… não brinca comigo, seus filhos da p—!! Levanta, sua vagabunda idiota! Acorda!! Você—de todos—morre por alguém mais?!"
"Não mexa comigo!!!"
Ele se levantou furioso, sua aura explodindo violentamente e quebrando a barreira de vidro que os separava de Ada e Carmen.
Nada do que viu lhe agradou.
Nada fazia sentido.
Ele avançou em direção a Ada e ao corpo dela… mas nunca percebeu o quão patético parecia.
No instante em que deu o primeiro passo, seu corpo ficou rígido… e uma onda de aura escura brilhante o engoliu por completo, arrastando-o para cima, no ar.
No instante seguinte, ele se viu pendurado na mão de Frey.
Frey o segurava com facilidade com um braço.
"Eu te avisei, não foi? Disse que você morreria bem rápido."
Nesse momento… Frey não parecia mais humano.
Ele parecia uma figura de ceifador preparado para colher mais uma alma miserável.
Sua força era avassaladora—tão esmagadora que Maika mal conseguia se mexer.
Enquanto isso, Ada finalmente percebeu a presença do irmão após ele se revelar.
"…Frey…"
Ao vê-lo ali… sujo de lágrimas e sangue de Carmen… ela percebeu que ele tinha presenciado tudo.
E essa constatação fez seu coração, já partido, doer ainda mais.
Ela não queria que ele sentisse essa dor.
Mas, de alguma forma, ela o obrigou a vivenciar tudo novamente.
Então, algo impossível aconteceu—
"Frey…"
Era a voz de Carmen.
Carmen, deitada no chão com o peito rasgado, segurando os últimos fios de consciência.
Ela olhou fixamente para Frey… para o garoto que segurava seu único filho pelo pescoço.
O filho que representava seu maior arrependimento.
Seu pecado imperdoável.
Ela tinha dado a esse menino apenas desespero… dor… ódio.
Ela sabia disso. Aceitava isso.
Não pediu desculpas.
Mas, com seu último suspiro, dirigiu sua voz a Frey.
"Por favor… deixe-o… deixe-o viver…"
Eram suas últimas palavras.
O último desejo de Carmen…
simplesmente que seu filho pudesse viver.
Ele cometeu inúmeros erros…
Mas ela pelo menos queria que ele sobrevivesse… que não morresse por causa dela.
Por isso, ela implorou a Frey, no seu momento final.
Frey a ouviu claramente.
Sabia que era a última coisa que ouviria de Carmen… daquela mulher que esteve ao seu lado por anos, que o protegeu inúmeras vezes.
Ele a olhou por um instante.
Então, virou-se de volta para Maika.
"Não."
Essa foi sua única resposta.
Cético. Absoluto.
Antes mesmo que Maika pudesse respirar, Frey esmagou seu crânio… transformando sua cabeça em pouca coisa, bem na frente da mãe, que morria ao mesmo tempo.
Lentamente, Frey deixou o cadáver cair no chão.
O silêncio tomou conta da sala.
O único som restante… era o soluçar abafado de Ada.
Frey virou-se para sua irmã, com a expressão vazia.
"Não acredito… estou começando a me acostumar com isso…"
Sua voz era quase mecânica… sem vida.
Depois de tantos choques de desespero, tristeza, trauma, perda… Frey havia ficado insensível.
A morte de Carmen doeu nele.
Mas era apenas mais uma cicatriz acumulada numa montanha de feridas.
Neste ponto… até a dor perdeu o significado.
Ele olhou para Ada.
Ela o olhou de volta.
Ninguém sabia o que dizer.
Nenhum sabia o que fazer.
A pressão sufocante do momento apertou o peito de Frey.
Ela esmagou sua mente.
E tudo mais.
Seu rosto mudou… vazio… tristeza… luto…
E então…
choque.
Seus olhos se arregalaram.
Sua boca se abriu.
Seu pé bateu forte no chão…
enquanto o aviso de Nameless explodia em sua mente.
No instante seguinte, Frey desapareceu numa velocidade quase invisível.
Ele reapareceu bem na frente de Ada, agarrando-a, protegendo-a com seu corpo inteiro…
Ele a puxou em um abraço apertado.
Ada piscou, confusa, incapaz de entender o porquê…
Mas então…
*BOOOOOOOOOOOOM!!!!!!*
Num piscar de olhos, tudo ficou branco.
Uma explosão ensurdecedora engoliu o mundo ao redor…
apagando de vez o templo com um único e devastador golpe.
Naquele dia… naquele momento…
O templo foi destruído.
Um único ataque avassalador tinha atacado a posição de Frey… e aquele ataque marcou o começo da guerra.