O Ponto de Vista do Vilão

Capítulo 670

O Ponto de Vista do Vilão

Em Helmond, o retorno da Cúpula do Pesadelo anunciou calamidades que ameaçavam transformar tudo...

abrindo portas para terrores há muito enterrados em tempos antigos.

O ressurgimento desses desastres relembraria ao mundo, mais uma vez, uma era sombria e terrível do passado remoto.

As principais revelações da Cúpula do Pesadelo foram as seguintes:

---

1. A Terra Desconhecida

Em algum lugar do cosmos, surgiu do nada uma terra misteriosa...

uma vasta estrutura do tamanho de um continente flutuando silenciosamente no vazio.

Nem planeta nem lua, mas uma antiga cidadela, colossal em escala.

Ninguém sabia o que existia ali... era um mistério absoluto.

Porém, estranhamente, os Grandes mostraram um interesse perturbador nela, seu comportamento tornando-se errático desde sua aparição.

Até Agaroth, o Rei Demônio, percebeu isso.

Raças e grandes potências mundiais começaram a mobilizar expedições para alcançá-la, na esperança de obter o que quer que estivesse lá dentro.

E os demônios, parecia, fariam o mesmo.

Foi quando o inesperado aconteceu.

---

2. O Retorno do Primeiro Assento

Pela primeira vez desde a Guerra contra o Sem Nome,

o Primeiro Assento, Crimson, voltou a atuar ativamente...

focando diretamente nos Grandes, sob comando direto do Rei Demônio.

Sua força havia crescido monstruosamente desde sua última aparição, atingindo o auge da existência.

Agora, ele era equiparado a Agaroth e ao Sem Nome, capaz de destruir todos os outros Assentos Altos sozinho, em uma demonstração aterradora.

A próxima missão de Crimson era liderar uma expedição à Terra Desconhecida, acompanhado por Marvas (o Quinto Assento) e Agares (o Segundo Assento)—para declarar guerra aos Grandes.

---

3. O Retorno do Rei Demônio

O Rei Demônio Agaroth apareceu publicamente pela primeira vez em eras.

Sua simples presença era suficiente para sufocar qualquer criatura viva que ousasse olhar em seus olhos.

Apesar de calmo e reservado, era claro que o selo colocado sobre sua alma por Sem Nome estava enfraquecendo...

e não o conteria por muito mais tempo.

Para lidar com isso, Wesker (o Quarto Assento) recebeu total responsabilidade sobre o assunto,

mantendo o que já havia começado na Terra,

e prosseguindo com qualquer plano que já estivesse preparado para Frey Starlight.

Como de costume, seria acompanhado por Zibar e Geppetto.

---

4. Unificação da Raça Demoníaca

Com o retorno de Crimson, a era de autoridade dividida tinha acabado.

Os demônios retomariam sua invasão às outras raças,

agora unidos sob um comando único, em vez de divididos por facções.

Nem Marvas nem Wesker manteriam autonomia...

todos estavam agora sujeitos à vontade do Primeiro Assento,

que, por sua vez, seguia as ordens diretas de Agaroth.

---

5. O Interesse Oculto do Rei

Agaroth falava pouco, mas os atentos percebiam sua fascinação silenciosa não apenas pelos movimentos dos Grandes...

mas também pela Terra, e especialmente por Frey Starlight.

Um sinal de que o destino deste último estava enredado em algo muito pior ainda por vir.

---

Esses foram os principais desfechos da Cúpula do Pesadelo,

pessoalmente atendida por Agaroth.

Quando terminou, os Assentos Altos dispersaram-se um por um...

cada um abalado pelo que presenciaram.

Entre eles, Wesker saiu em silêncio, sua mente acelerada.

O Quarto Assento não ficou nada feliz.

Diante das figuras que surgiram... Crimson, Agaroth... sua influência agora significava pouco.

Wesker sempre foi astuto, sempre um passo à frente dos outros...

mas diante de seres como o Rei Demônio e o Primeiro Assento, tais táticas eram inúteis.

Eles eram entidades além da lógica ou manipulação.

Seu poder por si só os colocava muito acima de tudo.

Especialmente Agaroth... cuja mente era impossível de entender.

O Olho do Rei não conseguia percebê-lo; nenhum ser podia.

Agaroth era diferente de qualquer outro demônio.

Ele surgiu do nada no passado antigo,

e ascendia mais rápido que qualquer criatura na história para se tornar o mais poderoso de todos.

Esse mistério consumia Wesker.

Quando usou o Olho do Rei em Crimson, viu que Crimson havia nascido predestinado a se tornar o Rei Demônio...

mas Agaroth quebrou esse destino,

tomando o trono para si ao invés disso.

Isto significava uma coisa: Agaroth era uma anomalia.

Uma existência além do próprio destino...

capaz de alterar o próprio destino e moldá-lo à sua vontade.

A criatura conhecida como o Devorador de Tudo podia absorver inúmeras habilidades...

muitas delas capazes de romper mundos... e nunca perdeu uma batalha.

Nunca caiu, nunca foi forçado a se ajoelhar.

"Ele é… simplesmente extraordinário."

Wesker há tempos buscava desvendar o enigma de seu Rei,

mas, apesar de todos os seus esforços, falhou.

E, com Agaroth em dormência, imóvel, Wesker desejava uma coisa:

libertá-lo—quebrar as correntes que Sem Nome havia colocado sobre sua alma.

Pois, embora Agaroth fosse excecional, Sem Nome tinha sido seu igual.

Nas questões de vida, morte e manipulação espiritual,

Sem Nome havia até o superado—bastando para prender sua alma.

"Quanto mais forte Frey Starlight ficar," Wesker percebeu,

"mais fraco fica o selo no Rei."

Em outras palavras...

Frey Starlight deveria ser levado ao limite absoluto,

até se tornar o próximo Sem Nome.

Apenas assim o selo se quebraria completamente.

Frey não podia morrer—ainda não.

Ele precisava viver, ser derrotado lentamente...

ser levado ao extremo até sua mente e alma desmoronarem.

Wesker era mestre nessa guerra psicológica.

Ele preparou um plano grandioso e aterrador para a ruína de Frey...

uma estratégia para destruí-lo de dentro para fora.

Mesmo que Frey adquirisse poder inimaginável,

acabaria como uma casca vazia, uma marionete sem motivo para lutar.

Esse era o verdadeiro objetivo do Quarto Assento.

Ele já tinha jogado sua primeira carta—usando Zibar contra ele.

Embora parecesse que o Décimo Assento tinha agido por vontade própria,

Wesker tinha antecipado o movimento desde o começo...

e apenas acelerado seu resultado.

Aquela batalha levou Frey Starlight a um grau de potência nunca antes atingido, abrindo novas portas de poder.

Agora, Wesker se preparava para a próxima fase...

a continuação de seu duelo silencioso com o Engenheiro de olhos azuis,

que também tentava fortalecer Frey.

Por ora, ambos buscavam o mesmo objetivo.

Por isso, ainda não se confrontaram diretamente.

Mas Wesker não era ingênuo.

Se Frey realmente se tornasse o próximo Sem Nome,

o resultado seria catastrófico.

Até Crimson, em seu estado atual, talvez não fosse suficiente para enfrentá-lo.

Criar um monstro assim não era uma jogada sábia.

Por isso, a verdadeira estratégia de Wesker era quebrar a vontade de Frey,

destruí-lo lentamente e com firmeza...

forjar uma arma que não tivesse propósito de se mover sozinha.

Um Deus oco.

Após tomar sua decisão, Wesker se preparou para retornar à Terra,

para retomar o que havia começado.

Ficar longe era demasiado perigoso.

Quem saberia o que o Engenheiro, Gehrman, poderia fazer na sua ausência?

Enquanto se preparava para partir, de repente parou no meio do passo.

Seu corpo inteiro ficou rígido, e sua expressão passou a ser de pedra—quase caiu de joelhos.

"Quer sair logo, né? Diz aí, Wesker… a guerra na Terra é realmente tão divertida?"

A voz sussurrou ao seu ouvido, profunda e calma—mas tão imensa que cada partícula do seu ser tremia.

Wesker era alto, muito superior a dois metros, mas a figura que agora estava atrás dele era um pouco mais alta ainda.

Lentamente, com cautela deliberada, Wesker virou-se.

E então seus três olhos encontraram o olhar carmesim da entidade atrás dele.

Uma forma sombria se sobressaía lá... seu contorno ainda envolto em névoa negra, mas bastante distinta para que um dos poderes de Wesker discernisse os contornos de seu corpo.

Ele tentou se ajoelhar imediatamente, mas uma força invisível o manteve de pé.

Aquela que estava diante dele não era outra senão o próprio Rei Demônio... Agaroth.

"Perdoe minha insolência, meu Rei," conseguiu dizer Wesker entre dentes cerrados.

"Não senti sua presença de jeito nenhum..."

Era verdade. Mesmo o Quarto Assento… presente com o Olho do Rei… não podia perceber o Rei Demônio a menos que Agaroth quisesse.

Qual seria a imensidão do poder dessa entidade? Ninguém sabia.

Entre suas inúmeras habilidades, uma fazia todos os seres instintivamente sentirem medo dele:

para cada criatura, Agaroth aparecia como a incarnacao de seu pior pesadelo.

Esse efeito era universal—afetando todos os seres, exceto aqueles que alcançaram a classificação SSS.

Esses poucos raros podiam percebê-lo apenas como uma massa de névoa negra com olhos vermelhos ardentes.

E apenas os mais poderosos podiam vislumbrar sua verdadeira forma.

Wesker podia ver… pouco suficiente.

Os cabelos de Agaroth eram impossivelmente longos e negros, caindo como uma cachoeira que se dissolvia em sombras atrás dele.

Sua pele era pálida como osso, seus traços agudos, quase moldados pela maldade.

Seu corpo vestia um traje tecido da purauras negras, e seus olhos—

aqueles olhos brilhavam completamente em vermelho.

Um deles era o mesmo que brilhava na testa de Wesker: o Olho do Rei.

O outro, dizia-se, possuía outro poder que destruía mundos, embora ninguém soubesse ao certo o que realmente fazia.

Este era Agaroth, o Devorador de Tudo—o verdadeiro Rei dos Demônios.

E ele veio pessoalmente encontrar Wesker, segundos após a finalização da Cúpula do Pesadelo.

"Wesker," disse Agaroth, aproximando-se, com tom baixo porém autoritário.

"Você sempre esteve entre os demônios mais perspicazes.

Por isso te dei o Olho do Rei... porque sabia que você o utilizaria bem."

Wesker tremeu, as palavras lhe caíram como trovão.

"Sua homenagem supera qualquer coisa que eu mereça, meu Rei," murmurou, incapaz de olhar nos olhos do Rei.

Agaroth soltou uma risada silenciosa—um som demasiado gentil para um ser de sua grandeza.

"Poupe-me da falsa humildade, Wesker.

Diga-me... após carregar meu olho por milhares de anos,

o que você viu?

O que aprendeu?"

Wesker hesitou antes de responder, com a voz trêmula, mas firme.

"Aprendi que destino e fatalidade… são apenas dois lados da mesma mão—

facilmente virada e reescrita por quem sabe como."

Agaroth sorriu sutilmente, satisfeito.

"Bem dito."

Ele assentiu, aprovando. Wesker tinha razão.

Por incontáveis eras, seres desesperaram sob o peso do destino, acreditando que fosse imutável.

Mas, para entidades como Agaroth, o destino era apenas outro fio a ser cortado e refeito.

"Agora então, Wesker," continuou Agaroth suavemente, aproximando-se ainda mais,

"você sabe por que vim até você?"

O coração de Wesker acelerava. Cada segundo que passava parecia mais pesado.

"Não há modo de prever sua vontade, meu Rei…

mas talvez seja pelo conflito humano? Ou… Frey Starlight?"

Ele realmente acreditava que essa era a resposta... Agaroth já mostrara interesse há tempos pelo garoto.

Porém...

"Resposta errada."

As palavras foram ditas de forma casual, quase brincalhona.

Mas, no instante em que Agaroth as pronunciou, algo dentro de Wesker se quebrou.

Uma força invisível atravessou-o—sem ataque visível, sem movimento...

como se o mundo em si tivesse punido-o apenas por estar errado.

E Agaroth… nem sequer quis fazer isso de propósito.

A realidade parecia impor a sua vontade.

Esse era o nível de loucura e domínio que ele comandava.

Imperturbável diante do sofrimento silencioso de Wesker, o Rei continuou.

"Vê… habilidades que rompem mundos não são realmente absolutas, como vocês todos pensam."

"Elas são apenas extensões das leis que sustentam a estrutura deste mundo."

Agaroth ergueu uma mão, colocando-a diante do rosto trêmulo de Wesker.

"Olhe para mim, Wesker."

Wesker hesitou, mas o poder do Rei o obrigou a obedecer.

O olho vermelho de Agaroth começou a brilhar mais forte do que nunca.

"As leis do mundo não significam nada para mim.

Por isso posso anular os absolutos de qualquer habilidade de rompimento de mundos.

Em outras palavras… posso anular a absol utterabilidade do seu Olho do Rei."

Wesker ficou preso, a respiração falha. Seu maior benefício… tornou-se inútil diante da fonte.

Mas Agaroth não havia terminado.

"Da mesma forma," continuou,

"posso anular os absolutos dos meus próprios poderes.

Já desabilitei meu próprio Olho do Rei…

porque estou curioso."

Os joelhos do Quarto Assento tremeram violentamente.

"Sempre quis saber," disse Agaroth calmamente,

"como meu próprio destino parece aos outros."

Naquele momento, a compostura de Wesker quebrou.

Um grito rouco saiu de sua garganta enquanto seu corpo convulsionava.

Ao suprimir seu próprio olho, Agaroth tornou possível que Wesker visse o destino do Rei Demônio...

algo que nenhuma criatura na existência deveria testemunhar.

"Diga-me, Wesker...

o que você vê quando olha para mim?"

A voz do Rei era calma, divertida... quase ansiosa.

A única resposta que recebeu foi o grito enlouquecido de Wesker.

Sua mente ruiu diante da visão à sua frente.

Ele começou a rasgar o próprio rosto, tentando arrancar o olho da testa, desesperado para acabar com isso...

mas Agaroth o impediu.

Nesse instante final e desesperado, o olhar de Wesker caiu sobre a alma do Rei Demônio...

e o que ele viu ali era um horror que nenhuma criatura viva poderia suportar.

Os horrores do Devorador de Tudo.

Comentários