O Ponto de Vista do Vilão

Capítulo 671

O Ponto de Vista do Vilão

"Hmm…"

Com uma expressão séria, o Rei Demônio olhou para a forma contorcida de Wesker diante dele.

A leve ponta de divertimento nos lábios logo desapareceu.

A princípio, Wesker só gritou…

mas então o silêncio tomou conta. Seu corpo começou a convulsionar violentamente, tremendo de maneiras que desafiavam a anatomia.

Sangue jorrou do terceiro olho na testa dele, escorrendo pelo rosto.

O Quarto Seat tinha alcançado o limite da sanidade.

"Até você… o mais forte entre eles em resistência mental…

ainda assim, você quebra tão facilmente."

Wesker caiu nesse estado após Agaroth anular todos os seus absolutos que quebravam o mundo, despojerando-se de qualquer proteção.

Aquele ato permitiu que o Olho do Rei de Wesker vislumbrasse o destino do Rei Demônio…

uma visão nunca destinada às mentes mortais ou imortais.

Agaroth tinha curiosidade sobre seu próprio destino; foi por isso que entregou o Olho do Rei a Wesker em primeiro lugar.

Mas parecia que o destino havia decidido que seu próprio futuro permaneceria oculto para sempre.

Quando a mente do Quarto Seat começou a desmoronar, Agaroth encerrou o processo.

Ele reativou suas barreiras internas, bloqueando a visão de Wesker para o impossível.

No instante em que fez isso, Wesker caiu de costas, aos prantos… quebrado, mas vivo.

Agaroth olhou mais uma vez para ele, depois virou-se de costas, desinteressado.

Uma onda de fumaça de aura negra surgiu atrás dele enquanto se afastava, deixando Wesker deitado em uma poça de sangue negro que jorrava incessantemente do olho destruído.

---

Enquanto o Rei Demônio perambulava pelos corredores imponentes de sua vasta cidadela…

aquele monumento construido exclusivamente para ele…

ele se perdeu em pensamentos.

De forma casual, ergueu a mão, depois fechou-a em um punho.

O próprio ar ao seu redor se revelou fraturado.

Uma imensa onda de aura rasgou o vazio, distorcendo o ar em ondas de ondulação.

Tudo isso, de um só movimento de sua mão.

Dizem que um único golpe de Agaroth, carregado de aura,

equivalia a um ataque de uma habilidade capaz de destruir mundos.

Apenas Nameless, com sua Aura de Buraco Negro, superou até mesmo o controle natural de agaroth sobre a aura.

No entanto, o perigo do rei ia muito além disso…

pois ele podia manipular múltiplos poderes que destroem mundos, e até combiná-los.

"Estranho…" murmurou ele.

"Com todo esse poder, ainda não consigo perceber meu próprio destino."

Agaroth… o Rei Demônio.

O Devora-Tudo.

Tantos nomes, mas todos carregam o mesmo significado.

Seus olhos conseguiam ver tudo… cada vida, cada futuro, cada possibilidade.

Não havia existência que escapasse de sua visão.

Ele podia perscrutar o destino de todos com um único olhar.

E, ironicamente…

ele não podia ver o próprio.

A alma do Rei Demônio era algo alienígena… envolta em escuridão absoluta.

Ninguém jamais conseguiu penetrar nela.

Aqueles que tentaram perderam a sanidade… assim como Wesker havia feito.

Até Agaroth tentou uma vez… e falhou.

Ao olhar para dentro, não via nada além de uma sombra interminável e impenetrável.

Até mesmo ele… o mais poderoso de todos… sucumbiu a si mesmo naquele momento.

"Ele foi o único," Agaroth sussurrou,

"o único que conseguiu ver através dessa escuridão."

Seu olhar ficou vago, enquanto memórias antigas surgiam…

ecos de um tempo muito anterior ao que ele se tornou o que é hoje.

---

Em algum lugar, em uma era esquecida do vasto mundo…

havia uma grande casa, sua estrutura lembrando os tempos antigos, pré-industriais, dos humanos…

como algo extraído diretamente de uma era vitoriana perdida no tempo.

Dentro dela, viviam seres estranhos…

criaturas que optaram por assumir forma humana.

Havia meninas e meninos,

correndo pelos corredores,

rindo e brincando de caçar um homem que os visitava frequentemente.

Esse homem…

era uma memória…

uma lembrança pesada que se recusava a desaparecer.

Enquanto esses ecos de risadas e passos ressoavam fracos em sua mente,

Agaroth chegou ao 131º andar de sua torre…

um lugar conhecido apenas por ele e Crimson.

Ele abriu a porta e entrou numa sala diferente de todas as outras na cidadela escura.

Ao contrário do resto da fortaleza opressiva, este cômodo foi artisticamente elaborado…

com o piso coberto de tapetes carmesim, as paredes decoradas com padrões dourados elaborados,

e mobiliado no estilo vitoriano das lembranças que assombravam seus pensamentos.

E ali, no centro, atrás de cortinas de seda branca, havia uma mulher sentada em uma espécie de trono.

Seus olhos estavam fechados, sombras escuras florescendo sob eles.

Cabelos vermelhos, soltos e selvagens,

e de dentro de seu corpo, estendiam-se milhares de fios vermelhos luminosos,

ziguezagueando pelo chão, pulsando fracos com luz…

cada um alimentando o solo, drenando algo dela mesma.

Ao seu redor, borboletas vermelhas voavam silenciosas, espectrais, desaparecendo e surgindo na existência.

Agaroth a observou em silêncio,

e na sua mente, quase podia ouvir o eco daquela antiga voz…

a voz do homem que uma vez chamou as crianças daquela casa:

"Lia… Seth… Frey… Audrey… Arlecchino…"

"E você, Agaroth."

A mulher à sua frente não era outra senão a Taça Lendária… Audrey.

A garota que ele mantinha perto de si por eras.

Audrey possuía uma habilidade capaz de destruir mundos, conhecida como Núcleo Infinito…

um poder que lhe concedia um reservatório inesgotável de aura.

Sua energia era ilimitada…

uma fonte infinita de força vital, incomparável por qualquer ser que existisse.

Por isso, Agaroth a transformou numa usina viva,

alimentando a raça demoníaca com vitalidade sem fim,

substituindo a vida que eles não podiam mais roubar após cessarem suas invasões a outros mundos.

E assim ela permaneceu…

presa, exausta e atormentada em silêncio por incontáveis anos.

Ninguém a visitava… exceto Agaroth.

Ele agora se aproximava, sua presença monstruosa pairando sobre sua forma ainda imóvel.

Suas pálpebras permaneciam firmes,

mas ela estava acordada… consciente de tudo.

A dor que ela suportava era tão intensa que não lhe permitia a misericórdia do sono.

Não era mais a aura sendo drenada…

era sua alma.

Décadas… séculos a destruíram além do reparo.

Ela já não conseguia se mover.

Somente sentava ali, tremendo, enquanto sua mão corrompida passava pelos fios de cabelo emaranhados.

"Você está sofrendo… não está?"

O sorriso do Rei Demônio se aprofundou.

"Sinto muito.

Faz tanto tempo que nem sinto mais dor…

dúvido que consiga compreender a sua."

Ele limpou o sangue do rosto dela com um toque lento, quase suave,

depois deu um passo atrás, sua expressão se tornando ligeiramente distante.

"Nem sei por que vim aqui," ele murmurou.

"As memórias devem ter me trazido até aqui… sem que eu percebesse."

E, enquanto suas palavras ecoavam suavemente na câmara,

Agaroth—o Devora-Tudo—

ficou diante da mulher cuja existência o conectava a um passado que até ele já não conseguia recordar claramente.

"Será que ela me odeia, eu me pergunto?"

"Porque sou eu quem o matou?"

"Porque sou eu quem tirou sua vida?"

A voz de Agaroth era calma, quase curiosa—depois, soltou uma risada suave.

"Mas ele nunca morreu de verdade. Ele está bem aqui."

Comentários