O Ponto de Vista do Vilão

Capítulo 672

O Ponto de Vista do Vilão

O Rei Demônio bateu no peito — bem onde um vórtice sem fim de vazio fervia lá no fundo de si.

"Para ser honesto, uma vez tive a intenção de te consumir também... de te juntar aos demais."

"Mas você é muito mais útil assim... exatamente como está agora."

Ele fez uma pausa, seu olhar carmesim esmaecendo um pouco.

"Achei que algo dentro de mim se moveria ao te machucar assim... ao te ver destruído, arruinado, uma sombra do que você já foi."

"Mas o vazio dentro de mim... é mais profundo, mais vasto do que imaginei."

"Eu não sinto nada."

Agaroth sentou-se à sua frente.

"Nada mesmo."

---

Em algum ponto de sua ascensão ao poder... para se tornar a criatura mais poderosa que já existiu.

..

Agaroth conquistou muito... e perdeu muito mais ainda.

Essa era a maldição que acompanhava o poder absoluto:

um vazio tão grande que só ele poderia compreender.

Ele, o Devora-Tudo...

consumindo para sempre, mas nunca satisfeito.

Por um tempo, permaneceu na câmara de Audrey, assistindo silenciosamente... ao Núcleo Infinito... até enfim partir, indiferente mais uma vez.

Ele subiu de volta ao topo de sua torre...

O 132º andar — O Céu Carmesim de Helmond

O nível mais alto era aberto aos céus vermelhos em chamas, com o horizonte de Helmond servindo como seu teto.

Lá, de pé na beira, Agaroth olhava para baixo.

De seu ponto elevado, podia ver o mundo inteiro que se estendia abaixo dele...

o reino que deveria ser seu.

Sua domain,

Sua criação.

Mas ele não sentia nada por isso.

Nem orgulho, nem pertencimento. Apenas um vazio.

Então, enquanto sua solidão se alongava, uma presença familiar se aproximou por trás...

a única autorizada a pisar no cume e ficar cara a cara com o Rei Demônio.

Crimson.

A Lua Vermelha.

A Primeira SH (Assento) dos Demônios Maiores.

"Meu Rei..."

Vestido com sua Armadura de Sangue, o Primeiro Assento ficou a uma pequena distância atrás, seus olhos carmesim cheios de emoções conflitantes—

principalmente: lealdade absoluta.

Agaroth sorriu levemente.

"Você sempre aparece nos momentos mais estranhos."

Ele deu um passo para longe da borda, seus passos pesados no chão de pedra, até ficar ao lado de Crimson.

Depois, estendeu a mão e a pousou sobre o peitoral do Primeiro Assento.

"Será que esses sentimentos te atormentam, eu me pergunto?"

Crimson não disse nada. Ele não podia.

O Primeiro Assento era único... não apenas pela força, mas porque ele era o único entre os demônios que tinha permissão para compartilhar múltiplos poderes capazes de romper mundos com o Rei Demônio.

No entanto, de todas as dádivas que Agaroth poderia conceder, Crimson recebeu a mais estranha de todas:

Emoção.

As emoções do Rei Demônio.

Suas dores e vazios refletidos.

Através delas, Crimson poderia entender exatamente o que seu Rei sentia...

a solidão esmagadora, o silêncio infinito,

a isolamento que vinha com um poder absoluto.

A solidão de um ser incomparável, que não podia mais sentir,

tendo ascendido a um nível que nenhuma criatura poderia alcançar.

Em tais momentos, Crimson só tinha uma resposta.

Ele ergueu sua arma... a Lança do Matador de Reis...

e liberou toda sua aura devastadora, pronto para a batalha.

E assim, no topo da torre sob o céu vermelho de Helmond,

Crimson, o Primeiro Assento, desafiou seu mestre, Agaroth, o Rei Demônio.

Seu confronto desafiou a compreensão...

uma batalha ensurdecedora, que abalou o mundo e rasgou o chão abaixo.

Crimson lutou com fúria desesperada,

ansioso para despertar algo... qualquer coisa... dentro de seu Rei.

Para fazê-lo sentir de novo.

Para lembrá-lo da emoção da batalha...

do que significava lutar pela vitória, lutar pela vida.

Ele treinou incansavelmente para isso,

superando limites além da compreensão,

atingindo um nível que rivalizava até os Grandes...

tudo por ele.

Ele até criou o Domínio Vermelho,

a técnica defensiva mais poderosa que existe...

uma barreira forte o suficiente para resistir ao próprio poder de Agaroth.

Mas, no final...

Sob o céu vermelho, Crimson caiu...

sua lança escorregando de sua mão, suas costas pressionadas contra o chão frio.

Ao seu lado, Agaroth permaneceu sentado,

com uma aura sombria se desenrolando ao seu redor como um manto negro espalhando-se pela terra como raízes.

Mais uma vez, o resultado foi o mesmo de sempre.

Crimson havia perdido...

como sempre...

todas as vezes que veio lutar contra o Rei, na esperança de despertá-lo.

Talvez essa fosse a maior mágoa de Crimson...

que ele nunca conseguiu dar ao seu Rei o que ele mais desejava:

sentir-se vivo novamente.

Um ser tão poderoso que nada na existência poderia desafiá-lo.

E, no entanto, ligado a um guerreiro que o venerava de forma tão completa,

que toda a sua vida era dedicada a servir a um só homem.

Agaroth permaneceu em silêncio ao lado do seu Primeira SH caído,

com sua mente voltando às profundezas da memória mais uma vez.

"Quando foi, eu me pergunto…

a última vez que senti minha vida estar em risco de verdade?"

A primeira coisa que veio à cabeça foi a batalha contra o Desconhecido...

o calor, a luta, o êxtase do combate.

Aquele havia sido o auge, sem dúvida.

Mas não era a única memória.

"Haha... estou me perdendo."

"Vivendo mais no passado do que no presente."

Quando foi a última vez que ele realmente esteve à beira da morte?

"Contra o Desconhecido? Contra meus irmãos?

Ou talvez... quando todos nos unimos contra aquele imundo?"

Cada resposta tinha sua validade à sua maneira.

Mas será que uma batalha assim poderia acontecer novamente...

para alguém como ele agora?

Ele olhou para o horizonte, seus olhos carmesim ardendo mais intensamente.

"Vá, Crimson... abra o caminho."

A voz do Rei Demônio ressoou pelo céu.

Um instante depois, seus olhos incendiaram com uma luz terrível,

e até Crimson... que enfrentou a morte inúmeras vezes... recuou ao ver aquilo.

"Preparem o caminho... até que eu quebre esta prisão."

"E quando finalmente deixar Helmond..."

Aura de Agaroth começou a subir como uma tempestade.

"...que o mundo saiba que o fim chegou."

Os Grandes.

O Panteão.

Os Portadores da Luz.

Não importa a raça ou o reino...

Todos esqueceram o que era ficar contra Agaroth.

E o Rei Demônio planejava lembrá-los...

de uma forma que nenhuma criatura viva jamais esqueceria.

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