
Capítulo 578
O Ponto de Vista do Vilão
Frey, Aegon—até Snow e Calistes—
todos olharam com olhos carregados de uma dúzia de julgamentos:
desprezo... ódio... piedade... desprezo.
Blattier já não se importava mais com o que seus inimigos pensavam.
Sob o peso que o esmagava, com tudo desmoronando ao seu redor, enfrentando a perda de tudo ao que se apegara, ele perdeu completamente o controle.
Boca aberta até o limite, Blattier mordeu o próprio braço restante com toda a força que tinha. Seus dentes afundaram fundo; uma ferida horrenda surgiu onde rasgara a carne.
"Aaaaaaaaargh! Aarghhhhhhh!"
Não foi suficiente uma vez. Ele rasgou e mastigou, roendo carne e osso até que seu próprio rosto estivesse encharcado de sangue. Ele não parou até morder completamente seu último braço—um espetáculo selvagem que congelou todos no lugar.
Blattier prendeu a mão decepada entre os dentes, respirando com gemidos rasteiros e horríveis que ninguém acreditaria serem de uma garganta humana. Lentamente, ergueu a cabeça em direção ao céu, levantando aquela mão alta, presa na sua boca ensanguentada.
Era uma ruína—membros cortados, peito aberto, banhado de vermelho—
mas seus olhos continham uma resolução aterradora que provava que o alto bispo ainda não havia caído.
No instante em que levantou aquela mão, ela se acendeu com uma luz carmesma ameaçadora. Runas de sangue surgiram do nada, e todos entenderam que o bispo moribundo estava prestes a fazer algo.
Três figuras explodiram do chão e correram em sua direção ao mesmo tempo—
Frey, Snow e Calistes.
Os três apareceram na sua frente e atacaram com força brutal.
Cutilada!!!
Uma tempestade de sangue irrompeu pelo recinto enquanto metais cortavam carne—
mas a carne não era de Blattier.
Um homem tinha se jogado na frente no último instante, protegendo-o com o corpo.
Frey, Snow, Calistes—todos pararam, surpresos ao ver Platini, que tinha pulado na frente de Blattier e dado as costas para eles. O golpe foi avassalador; Platini não teria chance de sobreviver—mas ele conseguiu garantir ao menos alguns segundos para Blattier. Segundos suficientes para agir.
"Blattier… Eu sempre te acompanhei. Estive com você por mais tempo do que qualquer um."
Quando Blattier assumiu seu cargo de alto bispo, Platini sempre foi sua mão direita.
"Este lugar era corrupto e escuro desde o começo—mas você manteve essa construção de pé. Você a construiu. Sem você, não há Igreja."
Essas eram as palavras que Platini queria dizer. Elas nunca saíram de sua boca. As lâminas não lhe pouparam, e a vida lhe escapou dos olhos de uma vez só.
Mas, antes de morrer, ele confiou tudo ao alto bispo que sempre respeitou.
"Ofereço minha vida insignificante por você. Deixo meu sonho e minha força nas mãos de seu senhor. Não importa como este dia termine—se a Igreja será apagada ou persistirá—mas… que eles sintam medo.
Mostre a eles o verdadeiro terror da instituição pela qual vivemos—and pela qual agora morremos."
Platini desapareceu. Seu corpo caiu.
Mas seu próprio ser se infiltrou em Blattier—outro sacrifício para alimentar a ambição insana de seu mestre.
"Esta Igreja é parte de mim. Se eu viver, ela vive comigo… e se eu morrer, ela morre comigo!!"
Blattier rugiu, puxando as palavras de dentro de si, da profundidade de sua alma.
"Mais uma vez! Deixe-me usá-la—uma última!!"
A mão presa entre os dentes de Blattier explodiu, e o palco foi preparado.
Na mesma hora, bem longe dali, um par de olhos finalmente se abriu.
Dentro da nascente onde ela tinha acabado de seu próprio sangue, Uriel Platini acordou e abriu os olhos—antes azuis, agora brilhando com um fulgor dourado ominoso.
Erguendo-se de pé—seu corpo nu, ainda grudado com dezenas de tubos cheios de sangue—Uriel levantou a mão em direção a Blattier, e uma aura sinistra se formou do nada, curvando-se à sua vontade.
"Uriel… o que…?" Frey respirou, surpreso com o peso da aura que sentia.
Uriel Platini tinha depositado sua mão sobre um poder imenso—uma aura extraída da Árvore Dourada que tremia acima deles.
Nesse instante, todos se prepararam para lutar, supondo que essa força estivesse prestes a fluir para Blattier. Por causa disso…
Frey foi o primeiro a mover-se em alta velocidade.
Com toda sua força, acertou o pescoço de Blattier, decapitando-o antes que o velho pudesse reagir.
A cabeça de Blattier rolou pelo chão ensanguentado.
Parecia que Frey o havia parado—mas o cenário que todos imaginaram estava errado desde o começo. Aquele poder nunca fora destinado a Blattier.
Com um movimento rápido do pulso, Uriel moldou a aura em um feixe de luz branca, cegante e pura.
Ela disparou em direção ao céu, sumindo em outro lugar totalmente diferente.
Uriel mesma não tinha consciência; ela agora se movia como uma máquina.
Seus gestos eram estranhos—ninguém entendia o que ela tinha feito.
O que era aquela luz? Para onde ela a enviou?
Ninguém sabia, mas a expressão sombria de Ramiel Calistes deixou claro que o resultado seria catastrófico.
"Rápido! Mate o santo—agora!"
Calistes avançou como um relâmpago, atacando Uriel. Sua mão esteve a centímetros dela quando Snow interveio, cortando aquela mão antes que tocasse nela.
"Que diabos você pensa que está fazendo?!" berrou Calistes, enquanto Snow se colocava entre ele e Uriel.
"Essa é minha questão, bispo. Você ia matar essa garota depois de torturá-la por anos?!"
"Idiota! Você não faz ideia do erro gravíssimo que acabou de cometer!"
Calistes gritou desesperado, tentando passar por Snow—que o bloqueou completamente.
Costas para o Snow, Uriel pairou lentamente no ar enquanto a árvore sagrada despejava uma radiância pura que a envolvia e protegida.
Ao ver isso, Calistes tinha uma expressão trágica. "Já era tarde…"
Ao ouvir aquilo, Snow o derrubou no chão. "Tarde demais? Do quê? Fala! O que está acontecendo?!"
"Aquela luz," Calistes riu amargamente, com os olhos fixos na santa. "Era a Luz da Revelação."
"A Luz da Revelação?"
Ao ouvir suas palavras, todos sentiram uma vibração estranha—como um terremoto distante, retumbando em algum lugar lá embaixo.
Frey e Aegon, em especial, olharam na mesma direção, captando uma parte do que estava acontecendo.
Aquela luz imensa despencou rapidamente—até atingir um local específico:
A Tábua do Oráculo.
O bloco que a Igreja usava há gerações para receber os comandos do Senhor da Luz brilhou novamente, com novas ordens.
Anjos rodearam a tábua, com os olhos incendiados enquanto examinavam as linhas inscritas.
E naquele mesmo instante, em todo o mundo—especialmente em todo o Império—anjos partiram ao ar. Seus olhos brilhavam, e dessas presenças emergiram projeções bidimensionais exibindo a tábua, reluzindo com essas ordens.