
Capítulo 561
O Ponto de Vista do Vilão
– Ponto de Vista de Frey Starlight –
Aegon Valerion…
O príncipe tinha superado minhas expectativas por quilômetros. Apesar de pensar que o conhecia, o que ele revelou agora acabou provando o quanto eu era ingênuo.
Dragoth, o humano-demônio… uma criatura de classificação SS+ — nada mais do que um brinquedo em suas mãos.
Ele forjou seu próprio contrato demoníaco, distorceu o poder de Dragoth para suas próprias finalidades, explorando o Império e até mesmo usando a mim para completar a missão de acabar com ele.
O que aconteceu não apenas deu a Aegon a força que buscava — também lhe forneceu os meios de espionagem contra os Ultras de uma forma que ninguém suspeitaria.
O príncipe diante de mim, embora não possuísse força bruta, mostrou ser um mestre na manipulação a longo prazo… capaz de tecer armadilhas cujos efeitos se estenderiam por anos. Mesmo agora, cercado aqui comigo e com Snow, ele permanecia completamente calmo, como se a situação não significasse nada para ele.
"‘Aegon Valerion é uma variável imprevisível… um estrategista no mesmo nível do Engenheiro…’"
Nessa perspectiva, ele não era inferior a esses monstros. Novele anos de idade, mas com a astúcia de seres que vivem há séculos.
Manter ele vivo por mais tempo… só traria desastre.
Ele escondia suas cartas com uma precisão assustadora. Eu só descobri o caso de Dragoth porque ele decidiu me revelar. Se tivesse decidido o contrário, talvez eu nunca tivesse percebido.
Quem pode dizer que esse foi o único segredo que ele guardava? Podem haver inúmeros outros… planos infernais esperando o momento certo para se desdobrarem.
Não podia mais permitir que ele andasse livre. Os inimigos eram muitos, seus poderes cresciam a cada dia.
Não podia lutar com essa cobra rastejando atrás de mim, esperando o momento perfeito para cravar suas presas na minha garganta.
Aqui e agora… eu tinha que matá-lo.
No instante em que tomei minha decisão, a pressão no ar mudou como se fosse magia. Tanto Snow quanto os olhos de Aegon rolaram instintivamente em minha direção.
"Segure sua mão, Frey. Este não é o momento nem o lugar para isso," disse Aegon, com uma risada forçada, seu sorriso carregado de nervosismo enquanto recuava.
"Você realmente acredita nisso? Eu diria… que não há hora melhor do que agora." respondi, já preparado para atacar.
Snow hesitou, incerto. Mas ele não se colocaria contra mim.
O que significava que eu podia atacar Aegon diretamente e acabar com ele aqui mesmo.
"Saiba disso: se você tentar, irá decretar o fim do Império nesta guerra. Pode acreditar ou não, mas minha simples presença mantém à distância horrores que você nem consegue imaginar."
"Como peças de dominó caindo uma atrás da outra, eu posso ser uma pedra pequena… mas minha queda fará colapsar coisas muito maiores. Pense bem antes de dar o próximo passo, Frey," disse Aegon, apostando tudo na minha hesitação.
"Então, qual será? Vamos lutar aqui mesmo ou fingir que nada aconteceu e seguir em frente?"
"Vou arriscar. Acredito que matar você não agravará minha situação mais do que já está, Aegon," falei com um sorriso suave, enquanto meu pé batia forte no chão.
lancei. Minha lâmina rasgou o ar, indo direto ao pescoço dele.
No último instante antes de sua cabeça voar, Aegon liberou uma enorme onda daquele relâmpago negro roubado, encontrando minha espada com a dele. A lâmina de Valerion cortou profundamente, fatiando uma parte do pescoço dele, escapando por pouco da morte.
Ele cambaleou para trás, segurando a ferida sangrenta com a mão livre. Aquele sorriso voltou — mas não era sua máscara habitual de confiança.
Não, esse era diferente. Um sorriso apreensivo. Um sorriso que indicava alguma expectativa.
Talvez Aegon simplesmente não soubesse como demonstrar medo. Mesmo que estivesse aterrorizado, tremendo por dentro… toda sua face só mostrava aquele sorriso sujo.
"Frey! Você realmente vai fazer isso agora?!" bufou Snow.
"Sim. Deixar ele vivo só traria desastre."
Snow parecia dividido. Ele também via o príncipe como alguém que precisava ser controlado. Mas matá-lo aqui… não parecia certo pra ele.
Isso não importava. Eu tinha que terminar a questão antes que Snow pudesse interferir.
Verdade, a força de Aegon crescia bastante com o relâmpago que roubara de Dragoth. Mas esse poder não significava nada para mim. Meu próximo golpe iria acabar com ele.
Um golpe com toda minha força — suficiente para cortar seu pescoço e eliminar de uma vez por todas.
Nos meus olhos, eu via dezenas de caminhos para sua morte na batalha que vinha. Ele não era meu igual.
E, ainda assim, sabia… que isso não era a verdade.
Aegon Valerion… estrategistas como ele nunca se coloca em perigo sem pelo menos uma saída.
Isso era certo. Por isso o pressionava até o limite — forçando-o a revelar qualquer carta secreta escondida na manga.
"Mostre-me, Aegon. O que você realmente é?"
O que está escondendo? Que poder está por trás de você?
Eu sabia que sua queda acionaria calamidades. Mas já era um homem amaldiçoado, condenado a lutar contra seres além da compreensão desde há muito tempo.
Que diferença fariam mais maldições?
Auras de escuridão de minha lâmina aumentaram, dominando facilmente o relâmpago negro dele.
De frente com Aegon, eu estava a segundos de despedaçá-lo.
E, enquanto isso, eu esperava… esperava por qualquer truque que o príncipe pudesse lançar para sobreviver.
Seria alguma potência alienígena? Uma arma proibida? Algo muito pior?
"O que você está escondendo, Aegon?"
Mostre sua verdade. Mostre suas verdadeiras cores.
Imaginei muitas possibilidades. Incontáveis cenários.
Mas, no final… Aegon não revelou nenhum deles.
Nem uma arma poderosa. Nem um poder novo.
E, mesmo assim — mesmo sem isso — minha espada congelou antes de seu pescoço no último instante possível.
E, pela primeira vez em muito tempo, uma sensação de choque que não consegui nomear cruzou meu rosto.
Snow ficou ao lado, confuso com como tudo tinha acabado.
Há pouco, ele tinha certeza de que veria a cabeça de Aegon se separar do corpo — mas essa cena nunca aconteceu.
"Ele… parou?" perguntou Snow, perplexo.
Não foi Aegon quem me parou. Foi eu quem congelei diante dele — por minha própria vontade. Não foi força, foi escolha.
Um suor frio escorria pesadamente pelas costas de Aegon, enquanto ele cambaleava para trás, segurando a garganta parcialmente cortada e respirando aliviado.
"Isso foi por pouco…"
Segurando o ferimento para conter a sangria, ele caiu no chão. Eu, por minha parte, permanecei imóvel, encarando-o.
Minha mente estava em caos, mal conseguindo processar o que tinha acabado de acontecer.
A razão de eu ter parado não foi por algum poder que me restringisse. Foi algo bem mais simples… palavras.
Palavras que Aegon moldou com os lábios no último instante. Ele sabia que eu percebia até o menor detalhe, então sussurrou elas silenciosamente, deixando-me como único a notar.
E aquelas palavras—apenas uma palavra—foram suficientes para me paralisar, impedindo que eu o cortasse.
Uma única palavra. Só uma.
"Aegon… como é que você conhece esse nome?" perguntei, com uma nova luz nos olhos.
O príncipe soltou uma risada suave, cuspindo sangue pela boca.
"Mate-me, Frey. Quem sabe? Talvez aí você descubra a resposta para sua pergunta."
Nossos olhares se cruzaram friamente. Senti-me dividido, incapaz de avançar.
Com uma única palavra, aquele príncipe amaldiçoado virou o tabuleiro. Falou um nome que eu nunca imaginei ouvir novamente.
No próprio último instante, ele sussurrou-o. Sem som. E, mesmo assim, ouvi claramente, como se ele tivesse sussurrado em meu ouvido.
Era meu nome. O verdadeiro nome que abandonei há muito tempo… o nome que deixei para trás quando me tornei Frey Starlight.
Um nome perdido há séculos. Um nome que só o Rei Demônio já pronunciou.
E agora—por meios impossíveis—o príncipe o havia dito.
Somente ao pronunciá-lo, fiquei congelado, minha mente invadida por uma tempestade de perguntas.
Ele sabe que sou um Reencarnado?
Se sim, como poderia saber?
Quem é realmente o que está diante de mim, um príncipe humano com menos de vinte anos — ou algo completamente diferente?
Aproveitando minha hesitação, Aegon pressionou, ainda segurando sua garganta sangrando.
"Estamos do mesmo lado, Frey. Você tem seus segredos… e eu tenho os meus. Mas, no fim, estamos lutando na mesma frente nesta guerra. Talvez nossos caminhos estejam destinados a se cruzar — mas essa é a jogada que você e eu sempre jogamos, não é?"
"Você pode tentar me matar, ou pode me deixar vivo e tirar respostas de mim. A escolha é sua."
Suas palavras foram ditas com leveza, como se não tivessem grande importância.
Mas só eu percebi o peso verdadeiro por trás delas.
Revelar meu verdadeiro nome não foi por acaso — foi uma prova de que alguém estava por trás dele.
Alguém que sabia exatamente o que eu realmente sou.
Quanta gente sabe? E quem, exatamente, é essa entidade?
Eu poderia matar Aegon agora e talvez descobrir. Mas Aegon sabia que eu não podia.
Porque até eu tenho meus limites. Se algo poderoso o suficiente para desvendar meu segredo estiver mesmo por trás dele… então não posso enfrentá-lo com minha força atual.
Poderia ser um monstro avassalador… ou algo bem mais simples.
Mas eu não tinha resposta. Isso me impedia de arriscar matá-lo ali.
Com uma única palavra, ele garantiu sua sobrevivência.
"Agora vejo… te subestimei bastante."
Se ele conseguiu essa vantagem por mérito próprio ou por sorte, pouco importava.
O que importava era que o príncipe já tinha ultrapassado o limite que eu tinha imposto a ele. Seus limites não estavam mais claros para mim.
"Este mundo é vasto, Frey. Somos apenas fragmentos minúsculos à deriva no mar da existência. Cada um tenta jogar, sobreviver, moldar seu destino com as próprias mãos," disse Aegon, olhando para o céu.
"Você está mexendo com forças que não consegue suportar. Nem mesmo compreender," respondi friamente.
Ele balançou a cabeça.
"Isso não importa. Desde que cumpram seu propósito, já é suficiente. Desde que eu seja quem vence no final, nada mais importa."
"Lutamos na mesma linha nesta guerra. Se puder evitar, não quero ser seu inimigo, Frey. Deixe-me provar minha boa-fé." Com um sorriso largo, Aegon escolheu suas próximas palavras com cuidado cirúrgico.
"Quando esta guerra acabar, prometo que te direi de onde conheci esse nome. O que acha?"
Do nada, Aegon me ofereceu uma promessa que jamais esperava.
E, pra ser sincero… eu já vinha pensando em maneiras de obrigá-lo a revelar a verdade. Mas ele me antecipou, dando-me o próprio meio.
"Se palavras forem insuficientes, vou me vincular a um Contrato de Aura. Vou te dar o que deseja — em troca, vamos lutar nesta guerra lado a lado."
Aegon Valerion parecia desesperado para me manter de seu lado — pelo menos durante esta guerra.
Talvez esse fosse seu verdadeiro objetivo o tempo todo.
Desde o momento em que veio comigo até esta ilha…
Talvez tudo tivesse sido parte do seu plano.
Pensei que o tinha encurralado ao trazê-lo até aqui, isolado e sozinho. Mas a verdade era o contrário.
Desde o começo, ele tinha jogado comigo. Perfeitamente.
Não podia matá-lo. Não podia forçá-lo a falar. Nem mesmo a tortura daria resultado.
Ele não deixou alternativa senão fazer exatamente o que ele queria.
Eu tinha perdido — completamente — contra ele.
Pois, desta vez, a batalha não foi no campo. Ela já tinha sido decidida muito antes.
Algumas batalhas não se vencem com a espada. E essa era uma delas.
O campo de batalha preferido do príncipe Aegon Valerion.
Naquela noite, diante do olhar perplexo de Snow — que era testemunha e não entendia o que via —
eu fechei um pacto com o príncipe.
Decidindo que, a partir daquele momento, lutaríamos a guerra juntos.