O Ponto de Vista do Vilão

Capítulo 560

O Ponto de Vista do Vilão

Snow, ao interpretar mal o gesto, achou que Aegon queria lutar e ficou na defensiva—

mas o príncipe simplesmente flexionou a mão, que Frey quase tinha esmagado até o osso.

"Calma aí, Frey. Nem todos nós somos monstros como você," Aegon riu suavemente, acenando para o braço machucado. Finalmente, ele enfrentou as acusações.

"Para ser honesto, sua conclusão está correta… mas também errada. Vamos dizer que você acertou cerca de cinquenta por cento."

Frey permaneceu em silêncio, com os olhos fixos no príncipe, enquanto Snow franzia a testa.

"O que você está dizendo, Aegon? Não negue que aquela mancha no seu braço é um contrato demoníaco!"

"Não estou negando. Estou dizendo que você só descobriu uma parte da verdade. Se eu fosse realmente um contratante demoníaco, Frey já teria me derrotado."

Snow percebeu o ponto.

Frey ainda não tinha atacado. Ainda não.

O príncipe avançou rapidamente, consciente de como sua posição tinha se tornado precária.

"Com seus sentidos aprimorados, Frey, apostaria que você já reconheceu esse relâmpago antes. Talvez até suspeitasse da verdade. Deixe-me confirmar."

Sorriu de orelha a orelha.

"Seus palpites estão corretos."

A voz de Frey cortou o ar.

"Dragoth — o Demônio Humano."

"Exatamente!" Aegon exclamou, quase com entusiasmo.

A confusão de Snow aumentou, mas Frey explicou com gravidade.

"Eu já lutei contra ele. Matei com minhas próprias mãos. Dragoth… um guerreiro que alcançou o topo da classificação SS+, empunhando um relâmpago único. Relâmpago negro, tingido de carmesim."

Assim que falou, Snow entendeu.

"Me diga, Aegon… como você tem o mesmo poder de Dragoth?" O tom de Frey carregava o peso de uma ameaça. "Sua resposta vai decidir como eu vou lidar com você."

Instintivamente, Aegon deu um passo para trás—mas sua compostura nunca se quebrou.

Ele já esperava por esse momento. Revelar que o relâmpago não tinha sido por descuido. Era algo inevitável, uma vez que os sentidos de Frey entraram em ação.

"Simplificando… vamos dizer que estou contratado. Mas não estou preso a um demônio. Não fiz nenhum pacto com nenhum diabo."

Faíscas escuras escorriam pelo seu braço, relâmpagos negros com uma ponta carmesim vibrando de energia.

O relâmpago pulsava com uma aura tão imponente e majestosa quanto a que Dragoth um dia empunhou.

"Não sou um contratante demoníaco… porque quem fiz um contrato foi o próprio Dragoth."

Ao ouvir essas palavras, Frey levantou uma sobrancelha, enquanto Snow imediatamente negou.

"Isso é impossível! Contratos só funcionam com demônios!" Snow protestou.

Aegon assentiu calmamente.

"É verdade. Mas Dragoth não era um humano comum. Ele foi o primeiro a romper seu contrato demoníaco, libertando-se dessa amarra. Mas, para alcançar tamanha força, ele caiu na loucura—bebeu sangue de demônio em excesso, até devorar sua carne."

"Em algum momento, Dragoth deixou de parecer um homem. Ele virou algo no meio do caminho—uma entidade que ficava entre humano e demônio. Por isso, foi possível fazer um contrato com ele. Isso é o que eu chamo de Contrato de Quarta Geração."

Ele falou com entusiasmo febril.

A primeira geração de contratos era fraca—apenas transferia aura de demônio para humano.

A segunda, mais infame, injetava sangue de demônio diretamente nos humanos. Era o tipo mais comum, e inúmeras pessoas em Ultras morreram por isso. Homens como Gavid Lindemann eram exemplos claros.

A terceira geração era ainda mais grotesca—cruzamentos entre humanos e demônios, gerando híbridos como Mergoth. Eram poucos os que conseguiam sobreviver a isso, pois a maioria não suportava o processo.

"O que diferencia a humanidade," continuou Aegon, com um tom reverente e sombrio, "é a adaptabilidade. Essa é a verdadeira força da nossa espécie. Começamos do zero e, por adaptação, fomos evoluindo. Por isso, os demônios preferem usar humanos como cobaias. Mesmo que a maioria morra, alguns sobrevivem—evoluindo para algo monstruoso."

Seu sorriso se tornou uma expressão sádica.

"E Dragoth foi o melhor deles. Ele conseguiu escapar das correntes de um demônio e se transformou em um monstro quase equivalente a eles. Foi nesse momento que a ideia me veio."

"Contratos de Quarta Geração. Um pacto entre humanos. Você empresta o poder de alguém infinitamente mais forte do que você. É loucura, não acha?" Ele deu uma risada. "Mas deu certo. E eu tenho provas vivas."

Por um instante, nem Frey nem Snow souberam como responder. As palavras de Aegon estavam repletas de lacunas e contradições.

Snow atacou uma imediatamente.

"Isso não faz sentido. Está dizendo que tratou Dragoth em segredo? Contratos escravizam a outra parte ao mais forte. Isso não significa que você deveria ser subjugado por Dragoth? Um peão dos Ultras?"

Aegon apenas assentiu.

"Isso mesmo. E mesmo assim… isso nunca aconteceu."

"O que você está dizendo?" Snow insistiu, perplexo.

A voz de Frey cortou o ar, fria como aço.

"Dragoth desapareceu depois de perder para meu pai. Por anos, todos acharam que ele tinha morrido. Só reapareceu pouco antes do início desta guerra. Está dizendo que você teve alguma participação nisso, Aegon?"

O príncipe sacudiu a cabeça.

"Não no começo. Quando Dragoth perdeu para Abraham, eu era apenas um bebê. Apesar de sua derrota, o Demônio Humano não morreu. O Império capturou seu corpo, mantiveram-no em cativeiro secreto quando não conseguiram matá-lo de vez."

Revelou verdades que poucos no mundo alguma vez tiveram acesso.

"Durante anos, alguns grandes nomes da Casa Valerion fizeram experimentos com ele, tentaram moldá-lo ainda mais. Era um segredo tão bem guardado que nem meu pai, Maekar, tinha conhecimento. Mas, quando ganhei influência no Império, encontrá-lo era só questão de tempo."

Seus olhos brilhavam com orgulho cruel.

"No final, os encontrei. Matei todos. Depois, expus o segredo ao meu pai e às outras grandes casas, levando à criação de quatro selos que o prenderiam para sempre."

"Mas, antes de entregá-lo… eu já tinha brincado com ele."

O que Aegon tinha feito quase não pode ser colocado em palavras.

Ao descobrir Dragoth, ele o torturou dia e noite, destruindo-o de maneiras terríveis. Quando Dragoth foi libertado, estava um lunático destruído. Mesmo após recuperar a sanidade, o trauma era tão profundo que ele não se lembrava do que tinha sido feito com ele.

"Sim, assinei um contrato demoníaco com Dragoth. Mas ele não me pode comandar. A aliança de mestre e escravo não existe mais."

A verdade era arrepiante.

Aegon o quebrou, pedaço por pedaço—até transformar o grande Demônio Humano em uma marionete fragilizada em suas mãos.

Ou seja, Aegon tornou-se um contratante livre. Sem correntes, sem algemas. Nunca aceitaria servidão—nem de humanos, nem de demônios.

"Eu teria preferido um verdadeiro demônio," Aegon admitiu com uma risada fria, "mas Dragoth era tudo o que eu tinha."

Ele fechou a mão, faíscas de relâmpagos negros e escarlates saltando violentamente.

"Eu extraí poder de Dragoth. Mas era incompleto. Para tomar controle total, alguém tinha que matá-lo. Acabar com ele de forma a impedir que se regenerasse. Por isso—"

"Você ajudou a libertá-lo," Frey finalmente compreendeu.

"Exatamente," Aegon sorriu.

"Eu não podia matá-lo sozinho. Precisava de alguém mais forte. Alguém capaz de dizimá-lo sem chance de recuperação. Fracassei. Abraham fracassou. Até meu avô fracassou."

"Mas você, Frey… conseguiu. Você o matou."

"E graças a você… meu plano finalmente está completo."

Relâmpagos negros se inflamaram violentamente, ficando mais densos, irracionais, com energia que ultrapassava o nível suposto de Aegon.

O príncipe diante deles tinha enganado os Ultras, manipulado o Império e transformado Dragoth em seu peão. E, quando terminou… deixou-o solto apenas para morrer, ganhando o poder que desejava e o favor de seus inimigos.

Com esse tipo de acordo, Aegon não perdeu nada—pelo contrário, ganhou tudo.

Um plano de longo prazo, elaborado ao longo de anos… executado com minúcia. Sem erros. Sem falhas. Tanto que até Frey acabou involuntariamente fazendo parte dele.

"Você foi quem libertou Dragoth—monstro da classe SS+," Snow disse, incapaz de esconder seu choque.

"Isso mesmo," Aegon respondeu casualmente. "Mas, como você pode ver, Dragoth não consegue me desafiar. Sempre fui o mestre dele à distância. E, graças a ele, agora sei a maior parte do que os Ultras planejam. Em outras palavras… essa guerra não passa de um grande jogo de damas. Quem joga melhor suas peças, vence."

"Libertar Dragoth resultou na morte de milhares!" Snow rugiu.

"Eles morreriam de qualquer jeito—porque eram fracos," Aegon respondeu friamente. "Em comparação ao que obtenho, a vida deles foi apenas um preço barato."

Por fim, Aegon revelou uma de suas cartas… um dos segredos que havia guardado com tanto cuidado até então.

Frey e Snow o olharam com uma nova percepção.

O príncipe era uma fera capaz de elaborar planos que se estendiam por anos, manipulando ambos os lados e distorcendo tudo para seus próprios interesses.

Só podiam chegar a uma conclusão.

Perigoso.

O príncipe era muito mais perigoso—uma ameaça além da previsão.

Um monstro de sua escala, talvez até pior.

Naquele momento, a expressão de Frey escureceu enquanto uma intenção assassina fervia nele em ondas.

O jovem diante dele… Príncipe Aegon Valerion.

Era perigoso demais deixá-lo viver. Contra uma fera dessas, matar na hora era a única opção.

Pensamentos assim dominavam Frey enquanto dava o primeiro passo em direção ao príncipe diante dele.

A atmosfera tensa se intensificava, girando rumo ao desconhecido…

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