
Capítulo 559
O Ponto de Vista do Vilão
A manhã surgiu sobre a Ilha Sagrada como de costume — a terra reverenciada como o próprio paraíso.
Normalmente, marcaria o começo de mais um dia abençoado sobre solo sagrado.
Mas hoje foi diferente.
Frey Starlight.
Snow Lionheart.
E Aegon Valerion.
Três homens haviam invadido um território sagrado, pisando em terra proibida. Depois de descobrirem o destino horroroso do Santo Yorasha, foram recebidos por bandos de anjos, descendo do céu com a intenção de acabar com suas vidas.
"Caminho das Dez Mil Sombras: Arte suprema — Eco do Abismo!"
"Uma Espada: Arte suprema — Ascensão Infernal"
Em perfeita sincronia, tanto Frey quanto Snow desencadearam técnicas destrutivas em larga escala, seus pilares de aura brilhando rumo ao céu e aniquilando dezenas de anjos com um só golpe.
Os dois EVOARAM a velocidades impossíveis, deixando atrás de si imagens após-imagem de pura aura enquanto rasgavam um anjo após o outro.
O espetáculo era deslumbrante, avassalador, e mesmo estando em número esmagador, o campo de batalha lhes pertencia totalmente.
Enquanto isso, Aegon cuidava apenas daqueles que ousavam se aproximar dele.
Empunhando uma espada dourada de pelo menos grau A, conjurava correntes de relâmpagos negros com precisão desconcertante, eliminando os poucos que se atreviam a chegar perto — deixando a maioria para Frey e Snow.
Enquanto eles lutavam lá em cima, o príncipe arrumava os corpos do Santo Yorasha e dos oito candidatos, alinhando-os lado a lado, arrastando os anjos mortos que tinha abatido e colocando-os ao lado dos cadáveres. Seus olhos examinavam cada detalhe.
Quando olhou de perto — após rasgar a maior parte das roupas das santos — Aegon descobriu dezenas de gravuras sangrentas e glifos esculpidos na própria carne delas, um sorriso de prazer surgindo nos lábios.
"Exatamente como suspeitava… Ritual amaldiçoado foi realizado aqui."
Os ruídos ensurdecedores das explosões sacudiam o santuário enquanto Frey e Snow desatavam o caos acima, mas Aegon ignorou a carnificina, fascinado pelos corpos diante dele.
Analisando os restos dos anjos, ele descobriu as mesmas marcas sangrentas esculpidas na pele deles e por toda a fundação do santuário.
"Parece um mecanismo de algum tipo… Essa língua, esses sinais — não são de origem humana. Não há uma língua assim neste mundo."
Ou seja…
"Esse poder vem de uma raça completamente diferente. Assim como o poder demoníaco e os contratos vêm de demônios, esses símbolos vinculam a humanidade a algo totalmente externo."
E não foi difícil para Aegon deduzir a origem.
Afinal, a Igreja nunca escondeu o nome da entidade que adora.
"O Senhor da Luz, não é?" murmurou Aegon, sentado entre os corpos profanados de garotas e anjos destruídos, espalhados pelo chão de mármore como insetos caídos.
"Mas diga aí… criações tão miseráveis assim são mesmo obra de uma entidade reverenciada como um deus?"
O Senhor da Luz era uma força além da compreensão — e ainda assim, os métodos da Igreja? Eram patéticos em comparação.
Símbolos gravados com sangue, sacrifícios de seres vivos... tudo para gerar armas como esses anjos, a maioria deles meros fracos.
"Será que realmente sacrificaram a Santo Yorasha — uma SS+ — por algo tão trivial?"
Faria sentido se só os candidatos fossem entregues em sacrifício.
Mas a própria santa?
E o mais estranho — a forma como a juventude de Yorasha tinha sido reduzida à aparência de uma velha enrugada…
"De fato, esse é um enigma. Um que eu poderia resolver facilmente se trouxesse minha ferramenta favorita… mas—"
Aegon inclinou a cabeça para cima, fixando o olhar em Frey Starlight.
Mesmo enquanto lutava contra inúmeros anjos, deixando uma tempestade de trilhas violetas no céu, o olhar de Frey nunca desviou dele.
"…Ainda é cedo demais para revelar aqui. Por ora, vou seguir as regras deles."
Empurrando o corpo de um anjo quebrado de lado, o príncipe se levantou e voltou ao combate.
Seja por acaso ou por intenção, os anjos estavam convergindo em sua direção.
Parecia quase que Frey os deixou passar de propósito, pois com seu poder, eliminá-los não teria sido nenhuma dificuldade.
Angels comuns, pelo que Frey tinha avaliado, mal alcançavam o nível A em força.
Soldados formidáveis — capazes de dominar grande parte do Império ou dos exércitos Ultra…
mas contra os verdadeiros elite? Contra SS e além?
Eram nada.
Isso explicava por que Snow e Frey cortavam tudo facilmente.
Mas e Aegon?
Da última vez que seu poder de combate foi avaliado, ele estava apenas no nível A-.
Somente com força bruta, ele era inferior a todos eles.
Agora, cercado por dezenas, esse deveria ser seu fim.
Mesmo assim, a compostura do príncipe nunca vacilou — nem uma vez.
Naquele instante, quando os anjos o cercaram… por apenas um instante…
uma estranha pressão irradiou para fora.
Uma mordida gélida de gelo percorreu as costas de Frey e Snow.
Eles não conseguiam explicar, nem rastrear…
mas era Aegon. Podiam ter certeza disso.
Da lâmina dele, inúmeras serpentes de relâmpago negro-escarlate deslizaram pela aresta, e com precisão sem igual, cortou os corpos dos anjos, despedaçando-os um após o outro.
Seu poder não era chamativo.
Nem avassalador.
Mas era absoluto.
Relâmpagos escarlates escuros — silenciosos, mortais — o suficiente para dividir seres do nível A com facilidade.
Os anjos contra-atacaram, disparando rajadas que cobriram o céu com explosões ensurdecedoras.
Mas da fumaça e dos destroços, o príncipe saiu ileso. Sua armadura brilhava com inscrições douradas, formando uma barreira de aura que desviava qualquer ataque.
"Desculpe," disse ele com frieza, enxugando o pó do ombro.
"Mas essa armadura me torna intocável para qualquer coisa abaixo de ranking S."
"Ou seja…"
"Você não consegue me ferir."
Corte!!
Com precisão sem esforço, o relâmpago negro cortou seus inimigos, destruindo-os. Em poucos minutos, a batalha terminou — centenas de anjos jazeram mortos aos pés de Frey e seus aliados.
Descendo do céu, Frey e Snow se reagruparam com Aegon, que permanecia ao lado dos corpos.
Aegon lançou mais um olhar às vítimas, mas foi Snow quem falou primeiro.
"Você se segurou bem ali. Não sabia que tinha essa força."'
Foi a primeira vez que Snow viu uma amostra do verdadeiro estilo de combate do príncipe.
Ele parecia quase comum — manejando seu relâmpago negro e escudo com calma eficiente. Nada nele parecia extraordinário… e mesmo assim, Snow não conseguiu se livrar da sensação estranha que o atingiu naquele momento em que Aegon revelou seu poder.
Seus olhares se cruzaram. Aegon parecia pronto para compartilhar algo, mas Frey cortou de forma abrupta com a pergunta que vinha martelando na sua cabeça.
"Aegon… de onde veio esse poder?"
O príncipe piscou, surpreso, e então sorriu.
"Esclareça — você está se referindo àquele escudo? Ou a algo mais?"
Fingindo ignorância, mas Frey insistiu com mais força.
"Quero dizer aquele relâmpago que você usa." A voz de Frey era firme, fazendo Snow franzir a testa.
"Não é só a forma mais avançada de relâmpago? Olha, eu também consigo usar."
Snow formou uma faísca preta casualmente na mão direita, como se fosse algo banal.
Porém, Frey balançou a cabeça.
"Não. Isso é diferente. O que você nos mostrou não era a forma mais avançada de relâmpago. Era algo completamente diferente."
Um brilho violeta profundo piscou nos olhos de Frey enquanto ele encarava Aegon.
"Nenhum humano vivo tem sentidos mais apurados do que eu. Você pode enganar os outros, mas não a mim, Aegon. Esse poder que você está usando… não é seu."
Num instante, Frey desapareceu e reapareceu na frente do príncipe, agarrando seu braço com força esmagadora.
Aegon não teve chance de resistir. Com facilidade, Frey arrancou a manopla do braço direito dele, revelando o que já suspeitava.
De início, Snow não entendeu. Mas ao ver as marcas, seus olhos se arregalaram.
"São…!" Snow exclamou.
O braço de Aegon estava coberto por tatuagens negras como a noite, que se entrelaçavam como correntes pela pele.
"Não são tatuagens," murmurou Frey, com uma expressão sombria.
"Isso é um contrato. Um contrato demoníaco."
Era inconfundível. Todo contratante demoníaco tinha o mesmo tipo de marca — igual às dos Ultras.
E agora era revelado: o príncipe herdeiro do Império, seu comandante supremo e futuro imperador… estava preso por um pacto com um demônio.
Isso por si só já justificava a execução imediata — a perda de seus títulos, suas conquistas e a marca de traidor.
Mas, ao invés de entrar em pânico, Aegon apenas suspirou irritado, desencadeando uma rajada de relâmpagos que fez Frey soltar seu braço.