O Ponto de Vista do Vilão

Capítulo 558

O Ponto de Vista do Vilão

A teleportação foi rápida... era só questão de segundos até que Frey e seus aliados apagassem a distância, chegando ao outro lado do mundo, onde ficava a Ilha Santa de Sicília.

Os três materializaram-se naquele território vibrante, com espadas em punho, prontos para lutar imediatamente — tinham se preparado para dezenas de cenários possíveis.

Porém, contra todas as expectativas… o local onde Frey e os demais pousaram estava completamente vazio.

Eles patrulharam a área ao redor, o silêncio se estendendo entre eles por um tempo.

Um pasto verdejante, fértil. Árvores altas e exuberantes.

Uma aura limpa e revigorante.

O ar era fresco, carregando uma atmosfera estranha para aqueles que haviam passado o mês inteiro lutando pelas terras mortas dos Ultras.

Comparada àquele deserto amaldiçoado de onde vieram, a Ilha Santa parecia um paraíso — especialmente com aquela cachoeira colossal caindo dos céus, alimentando a ilha sem parar.

Analisando o entorno, a expressão de Frey endureceu.

"Não vejo Uriel em lugar algum."

Libertando toda a sua aura ao máximo, Frey formou uma enorme cúpula celestial ao seu redor, se estendendo por quilômetros.

Porém, seus sentidos aprimorados não detectaram nada.

"Que diabos está acontecendo aqui?"

Chegaram preparados para a luta, apenas para deparar com nada além de vazio.

"É como se toda a ilha tivesse sido abandonada", murmurou Aegon, olhando ao redor.

"Mover a base deles pode ter sido uma jogada inteligente, embora eu duvide que seja o caso aqui."

Seu olhar permaneceu na grandiosa cachoeira ao longe, bem como nos restos monumentais de uma fé que resistiu por séculos naquele solo.

Aegon balançou a cabeça.

"Não… eles estão aqui. Tenho certeza disso." A voz de Frey era firme.

"A teleportação me trouxe exatamente para este ponto. Isso significa que Uriel está aqui, mas algum tipo de força está impedindo que eu a alcance diretamente."

A lógica era simples — o que valia para Uriel, também valia para as forças da Igreja.

"Eles estão se escondendo de alguma forma."

"Então precisamos avançar e descobrir o que estão tramando", disse Snow, sacando a lâmina de Vermithor, que brilhava ainda mais intensamente do que antes.

"Já estive aqui várias vezes antes, mas nunca gostei deste lugar. Sempre senti que havia algo mais do que aparenta."

Com as suas auras cobrindo seus corpos, os três avançaram em alta velocidade.

"Se temos certeza de que eles estão aqui, então esta ilha deve esconder um segredo", observou Aegon, analisando o terreno.

"E esse segredo é o que vamos descobrir", respondeu Frey.

De passo em passo, chegaram a um dos principais santuários da Igreja — um lugar sagrado onde pessoas costumavam rezar.

Havia muitas estruturas de mármore antigo, construídas com cuidado meticuloso. O lugar quase podia ser considerado celestial.

Quase.

No instante em que pisaram lá dentro, os três congelaram… chocados por uma visão que capturou toda a sua atenção.

No topo de uma escadaria de mármore que levava para cima, erguia-se uma plataforma com vista para toda a ilha. Sangue rubro escorria por seus degraus, coagulado e apodrecendo após dias, deixando-se secar lentamente ao sol.

E na fonte daquele sangue —

"Haha! Olha só isso?" A risada de Aegon foi aguda e sarcástica.

"No final das contas, os seguidores chamados de puros e santos da Igreja não diferem dos lunáticos Ultras."

O príncipe parecia divertido, mas os rostos de Frey e Snow permaneciam cerrados.

No ponto mais alto daquela plataforma, nove lanças imponentes estavam erguidas como cruzes.

Em cada uma delas, uma jovem infeliz foi crucificada, com os corpos mutilados a ponto de seus sangue jorrar continuamente.

Aegon reconheceu todas, exceto uma.

"Oito delas são candidatas à Santidade — aquelas que têm chance de ascender ao cargo."

Como príncipe, ele as tinha conhecido antes. Porém, a nona era uma incógnita.

A cruz dela era a maior de todas. Sua pele enrugada, desidratada, como a de uma velha que já passou do melhor da idade.

Seus cabelos eram loiros, seus olhos inertes — bem abertos — de um vermelho profundo.

Apesar de parecer diferente, seus traços ainda eram reconhecíveis.

"Santa Yurasha…" a voz de Snow saiu de forma involuntária. Passara mais tempo com ela do que com as outras e a presença dela tinha sido gravada na memória dele.

E ali estava ela — crucificada e morta, deixada para apodrecer.

"Que diabos aconteceu aqui?! Por que ela está assim?!" Snow rugiu, libertando uma onda de aura que quebrou as cruzes e fez os corpos das garotas caírem uma a um.

Manipulando os ventos, Snow conseguiu segurá-los antes de tocarem o chão — mas foi inútil. Cada uma delas já estava morta.

Especialmente Yurasha.

Ela tinha sido uma jovem mulher, nem aos trinta anos.

"Ela não é como a Carmen, que esconde a idade. Yurasha estava mesmo no auge da juventude", falou Frey, examinando seu corpo.

Uma guerreira de nível SS+ — sua força vital deveria ser virtualmente inesgotável. Ela deveria viver por muito tempo antes que seu corpo sucumbisse.

Mas aqui estava ela… morta, com o corpo parecendo o de uma anciã no final da vida.

"Parece que aqui foi realizado algum ritual amaldiçoado", disse Aegon, escondendo seu sorriso distorcido enquanto seus olhos perambulavam pelo santuário.

Símbolos estranhos, com traços de sangue, estavam gravados em vários pontos do templo.

Era como se um ritual de invocação demoníaca tivesse acontecido aqui.

"Então é isso o paraíso na Terra de que eles falavam? Que ridículo", zombou Aegon.

A fúria de Snow só aumentou.

O olhar de Frey varreu novamente a área… procurando por alguém. Ela não estava ali, e esse fato trouxe-lhe uma pontinha de alívio.

"Não é brincadeira, Aegon. Acabamos de confirmar a perda de mais uma guerreira SS+," grunhiu Snow, sem conseguir esconder o tom de raiva na voz.

Ele tinha razão — guerreiras de nível SS+ eram tão raras que podiam ser contadas nos dedos de uma mão.

"Bem, não há garantia de que ela estivesse do nosso lado desde o começo, então talvez não seja uma perda total", disse Aegon com indiferença. Para ele, Yurasha sempre foi uma inimiga — mais uma peça da Igreja.

O maxilar de Snow apertou, pronto para retrucar, mas Frey falou antes.

"Não há tempo para discutir. Preparem-se." Sua voz foi firme ao sacar suas lâminas.

"Elas estão aqui."

Assim que soltou essas palavras ameaçadoras, uma onda esmagadora de aura se abateu sobre eles.

No alto, o céu se abriu, revelando enxames de anjos descendo um após o outro até cercar completamente o trio.

O número deles era tão grande que parecia uma praga de gafanhotos obscurecendo o céu.

Deixando os corpos das Santações para trás, os três avançaram.

"A batalha começa agora, Snow. Se aquilo que viu te deixou irritado, esta é a sua chance", disse Frey, com um sorriso sedento de sangue.

Seu corpo brilhou com poder radiante.

"Sem misericórdia! Desfaçam todas! Não deixem nenhum vivo!"

Com um rugido que sacudiu o ar, Frey lançou-se ao céu, com Snow e Aegon logo atrás.

A batalha havia começado.

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