O Ponto de Vista do Vilão

Capítulo 563

O Ponto de Vista do Vilão

Ilha Santa – Sicília

A fortaleza dos seguidores do Senhor da Luz—supostamente seu paraíso abençoado. E, no entanto, de alguma forma, ela permanecia vazia.

Sobre aquela terra, isolada do restante do mundo, três homens vagueavam sozinhos entre os cadáveres de anjos e humanos alike.

Horas haviam se passado desde a sua chegada, mas Frey e seus companheiros não encontraram vestígios de Joseph Blattier, aquele que estavam procurando, nem de Uriel Platini, que se dizia estar por perto.

Enquanto vasculhavam santuários e igrejas espalhados pela ilha, o silêncio pesado pairava entre eles. A razão era simples: o que tinha acontecido mais cedo entre Frey e o príncipe.

Snow Lionheart, usando sua espada, buscava pistas que pudessem levá-los a desvendar o mistério atual. Mas nem mesmo Vermithor lhe oferecia uma direção.

Enquanto isso, Frey liberou toda a sua aura, expandindo-a para cobrir toda a ilha em busca de respostas próprias.

A magnitude da energia emanando de seu corpo causava arrepios em Snow, mesmo após tudo o que tinha passado.

"Apesar de meu poder ter crescido imensamente graças ao caminho demoníaco, ainda não consigo percebê-lo…" Snow suspirou enquanto se aproximava de Frey.

Este abriu os olhos no momento em que seu amigo se aproximou.

"Ah—desculpe. Interrompi você?" Snow perguntou com desculpas, mas Frey balançou a cabeça.

"De jeito nenhum. Eu estava apenas cansado de procurar pistas nesse lugar asqueroso."

Ele expirou, examinando os santuários arruinados à sua frente.

"É como procurar uma agulha no palheiro… exceto que, neste caso, é uma ilha inteira de palha."

Mesmo levando seus sentidos ao limite extremo, apesar de espalhar sua aura por cada centímetro daquela terra, Frey não conseguiu detectar qualquer vestígio dos seguidores da igreja.

Parecia que eles tinham desaparecido do mundo completamente.

"Nos planejamos agir rápido e recuar, aproveitando o elemento surpresa. Mas essa oportunidade acabou," disse Snow, sentando-se ao lado de Frey no telhado de um dos santuários mais imponentes da ilha.

"Depois do ataque angelical mais cedo, é quase certo que eles sabem que estamos aqui. Ou seja, mesmo que encontremos alguma pista, eles já estarão prontos para nos receber."

Frey assentiu de modo sério. Era a conclusão óbvia.

"Há algo ameaçador nesta ilha… algo que não augura nada de bom," murmurou Frey, lembrando-se do santo sacrificado que testemunhara.

"Estão sacrificando seus próprios para adquirir poder maior… chegaram a matar um acordado de patente SS+. Não consigo mais compreender o que a igreja tenta alcançar."

Ele falava com sinceridade. Até o romance que tinha escrito uma vez não lhe dava mais pistas agora. Na sua história original, a igreja era pouco mais que uma incômodo—uma força que Snow deveria eliminar sem grandes dificuldades.

Mas aquela igreja—the de verdade—não era nada assim. Frey tinha abandonado toda ideia de confiar no romance que um dia escreveu. Ele não se via mais como o criador daquele mundo.

"Aegon disse que há um enigma que precisamos desvendar se quisermos encontrar Platier…" Snow falou, seu olhar pairando na direção do príncipe, que se afastava um pouco, buscando por conta própria de uma maneira peculiar.

A expressão de Snow ficou carregada de suspeita, uma nuvem de desconfiança. Frey percebeu imediatamente.

"Desculpe… Acho que o que aconteceu mais cedo te deixou mais inquieto."

"Bem… estaria mentindo se dissesse que não."

Recostando-se, Snow revia a cena na cabeça.

"Primeiro você tentou matá-lo—e dava pra ver claramente que você levava a sério. A intenção de matar que emanava de você não era algo que alguém pudesse interpretar de outra forma. Mas então, no último momento, você parou. Como se alguma coisa tivesse te segurado… algo que fez você fechar um acordo com Aegon ao invés de continuá-los."

Na visão de Snow, vendo de fora, ele não conseguiu entender exatamente o que Aegon havia sussurrado. Não tinha como saber a verdadeira razão de Frey ter hesitado.

Para ele, parecia que algum poder estranho tinha congelado Frey no lugar. E, de modo desconcertante, Frey tinha imediatamente feito algum tipo de acordo com o príncipe logo após.

Snow não conseguia compreender isso. Então, por ora, decidiu focar na questão principal, deixando de lado o enigma de Aegon.

"Me diga, Snow—qual você acha que é a melhor maneira de lidar com Aegon?" perguntou Frey, a voz calma porém carregada de peso.

Snow ficou em silêncio por alguns segundos, refletindo antes de responder.

"Sinceramente? Acredito que seguir um cara assim só leva ao desastre. Não acredito nessas ideias superficiais de bem e mal, então não vou dizer que Aegon é simplesmente 'mal' e precisa ser morto. Mas, sem dúvida, ele merece punição—e é alguém de quem devemos nos cuidar."

Ele relembrou tudo o que Aegon tinha revelado… sobretudo seu uso de Dragoth em seus esquemas. Essa revelação o havia chocado.

Apesar disso, ele não achava que Aegon merecesse a morte. Apesar de toda sua desconfiança pelo príncipe, Snow reconhecia sua astúcia. Aegon Valerion era capaz de muito—and if estivesse ao lado deles, poderia ser uma arma devastadora nesta guerra, inclinando a balança contra qualquer inimigo.

Por isso, Snow não apoiou Frey quando tentou matá-lo—but also didn’t intervir to stop him.

Ou seja, optou pela neutralidade. Enquanto Aegon lutasse ao lado deles, Snow deixaria-o vivo—embora claro que com consequências. Seja lá qual fosse a punição, não seria execução.

Frey, ouvindo, assentiu lentamente.

"Seu raciocínio não está errado… mas também não está completamente certo." Seus olhos se endureceram ao olhar para onde Aegon vagava.

"Aegon Valerion pode ser um recurso tremendo nesta guerra. Mas nenhuma garantia que ele sempre estará do nosso lado. Ele age apenas por interesse próprio. É uma variável imprevisível… melhor que esteja morto antes que continue jogando o jogo."

Frey soltou uma risada amarga, espalhando os braços.

"Mas, como pôde ver, matá-lo virou… algo difícil. Aquele bastardou me derrotou completamente."

Ele riu de novo, levantando-se de onde estava sentado.

A verdade era simples: o pensamento em Aegon consumia Frey. Não saía da cabeça dele nem por um momento desde o confronto.

Por ora, ele tinha aceitado a oferta de Aegon. Concordara em lutar ao lado dele. Mas era uma questão de compulsão, não de escolha.

Matar Aegon agora poderia desencadear desastres incalculáveis.

No pior dos casos, poderia atrair a entidade que tinha lhe dado seu verdadeiro nome. No melhor, talvez Aegon tivesse obtido esse nome por outros meios.

Por exemplo, como o Caçador de Névoa fez no passado… quando usou suas memórias contra ele mesmo.

Talvez o príncipe possuísse um método ou artefato que lhe permitisse ler mentes… mas essa possibilidade era remota.

De qualquer forma… o risco era grande demais.

Entre o risco de matar Aegon e provocar tudo o que ele escondia, ou seguir a conveniência e esperar… Frey optou pelo segundo.

Era frustrante—seus inimigos haviam começado a se multiplicar demais ultimamente: os Ultras, os Demônios Superiores que tinham surgido recentemente…

A Igreja, envolta em mistério, e agora Aegon, com seus segredos escondidos.

Parecia que Frey tinha sido cercado de todos os lados… até mesmo do lado do Império, já não podia confiar, por causa do príncipe.

"Vamos nos mover," disse Frey antes de pular do topo do mausoléu, com Snow logo atrás.

"Para onde?!"

"Pra onde você acha? Para o lugar onde os filhos da Igreja estão escondidos," respondeu Frey, com o olhar fixo na cachoeira que cortava o céu e descia para nutrir esta terra com bênçãos.

"Quando cobri esta ilha com minha aura, consegui sentir tudo que acontecia aqui… nada escapava aos meus olhos."

"Mas aquela cachoeira foi a exceção. Por mais que tentei penetrar com minha aura, era como se alguma força me repelisse. Sabe o que isso significa, não é?" Frey perguntou, enquanto Snow captava a implicação.

"Que aquela cachoeira é a chave…"

"Provavelmente."

Com a aura classe SSS de Frey e seus sentidos aguçados, encontrar o caminho não foi difícil.

"Provavelmente, a Igreja nunca esperou enfrentar alguém como eu."

Depois de tudo, nenhum humano vivo era conhecido por possuir uma aura classe SSS. A Igreja nunca imaginaria que Frey fosse a exceção.

"Vamos arrastar aquele maldito príncipe até a cachoeira… é hora de desvendar esse mistério."

E assim, os três encontraram a primeira pista que os levaria ao local desejado.


Levaram apenas alguns minutos para Frey e Snow se reencontrarem com Aegon e, juntos, avançaram em direção à cachoeira.

Ao se aproximarem, os três ficaram maravilhados com a cena bizarra… uma cachoeira que descia direto do céu.

"Isso definitivamente não é algo feito pelo homem…" disse Snow, e Frey concordou.

"Você provavelmente está certo."

Aegon foi o primeiro a avançar, colocando a mão sobre a cachoeira, tentando atravessá-la… mas sua mão parou antes de cruzar para o outro lado.

"Estas águas não são comuns—estão carregadas de poder divino."

Pareciam águas normais, mas a verdade era muito diferente do que os olhos percebiam.

No momento em que Frey e Snow se aproximaram, ambos compreenderam que o príncipe tinha dito a verdade.

A quantidade de energia sagrada emitida por aquelas águas era imensa—tão imensa que ultrapassava até o que Vermithor, a lâmina sagrada de Snow, já tinha liberado.

"Incrível. À primeira vista, parece uma cachoeira comum… mas na realidade, é uma corrente de energia divina tão densa que tomou a forma de água," disse o príncipe, empolgado com a descoberta.

"Isso explicaria por que esta ilha transborda de aura tão pura…"

A ilha sagrada de Sicília era descrita como um paraíso na Terra, abençoada com riquezas infinitas e fartura. Nenhum lugar era mais sagrado do que este.

E o motivo era nada menos que a própria cachoeira, que nutria e curava a terra incessantemente com sua energia divina.

Essa percepção levou todos a uma mesma dúvida…

"De onde diabos vem toda essa energia sagrada?"

Uma cachoeira que jorrava aura sem parar há anos… qual seria sua verdadeira fonte? E que tipo de aura era essa, que nunca se esgotou ao longo de todos esses anos?

A resposta era um enigma que os confundia, mas resolvê-lo não era sua prioridade.

Ao mesmo tempo, os três tentaram atravessar a cachoeira—mas as águas pareciam uma parede, negando passagem.

"Parece que estamos no lugar certo…" disse Aegon com um sorriso, enquanto Frey sacava a Dark Sister.

"Essa cachoeira é mais como uma barreira… ou, para ser mais preciso, um portão. Esconde o que há do outro lado."

Poderiam simplesmente rodear, mas a cachoeira não escondia o que está por trás—ela ocultava algo completamente diferente.

"Deve haver algum mecanismo para passar," disse Aegon, apontando para o óbvio.

"Isso é verdade, mas não temos tempo para descobrir qual é o mecanismo."

Reunindo uma aura escura ao redor da lâmina e amplificando-a com a Dark Sister, Frey se preparou para atacar.

"Vai ser mais fácil abrir um caminho à força."

Incorporando sua espada, Frey planejava abrir passagem sozinho, deixando a aura das trevas invadir a cachoeira.

Comentários