
Capítulo 564
O Ponto de Vista do Vilão
Rumo à cascata de poder sagrado, a escuridão se acumulava na lâmina de Frey Starlight.
Com um movimento, ele desembainhou um golpe colosal que atingia centenas de metros de altura, apostando que isso faria a água da cachoeira se despedaçar.
O golpe de força total de Frey espalhou as águas com aura sagrada em todas as direções, e o chão tremeu violentamente.
O ataque foi esmagador—nem Snow nem Aegon poderiam ter feito melhor.
Um ataque daquele deveria ter sido suficiente não só para dividir a cachoeira, mas para destruí-la completamente…
Porém, nada disso aconteceu. É verdade que o golpe de Dark Sister criou ondas turbulentas na superfície da cachoeira de poder sagrado, mas ela logo retornou ao fluxo normal, como se nada tivesse ocorrido—engolindo a luz das estrelas de Frey por completo.
Atônito, Frey encarou sua espada, depois olhou novamente para a cachoeira.
"Eu não estava brincando… aquele negócio realmente bloqueou meu ataque?"
A cachoeira não parecia feita pelo homem, mas Frey nunca imaginara que um golpe carregado com toda a sua força nem chegasse a fazê-la tremer…
'O que faço agora? Devo usar Judgement Sem Nome ou algo assim?'
Frey franziu a testa, considerando seriamente apagar a cachoeira com a arma mais poderosa que tinha—mas Aegon apareceu para impedi-lo.
"Não é assim que se resolve, Frey. Isso aqui é uma porta—uma passagem mágica. Para passar, precisamos de uma chave. Caso contrário, mesmo que você a destrua, ela não se abrirá."
Em outras palavras, Frey poderia destruir a cachoeira com seu golpe mais forte, mas tudo o que conseguiria seria destruir o caminho—não abri-lo.
"Então quer dizer que agora temos que procurar a chave, depois de finalmente achar a porta?"
"É isso mesmo."
Após encontrar a passagem, estavam de volta ao ponto de partida—até que Aegon apontou algo mais que mudou o jogo.
"Se nossa hipótese estiver certa, toda a força da Igreja está do outro lado… o que provavelmente significa que a maneira de entrar é mais simples do que parece. Talvez você só precise pertencer à Igreja." Aegon falou, e Frey respondeu de imediato:
"Ou carregar algo que te ligue a ela."
Naquele momento, ambos se voltaram na direção de Snow Lionheart. Snow trocou olhares com eles por alguns segundos, franzindo a sobrancelha.
"O que foi?" perguntou—então percebeu o que queriam dizer.
"Ah… entendi."
Snow estendeu a mão, revelando a espada sagrada, Vermithor.
"Se o que importa é provar seu vínculo com a Igreja para entrar, duvido que exista algo melhor do que Vermithor—a espada sagrada concedida pelo próprio Senhor da Luz."
O que reforçava ainda mais a teoria era o brilho estranho que se propagava na superfície da cachoeira em resposta a Vermithor—provando que ela era a chave.
"Então? É só enfiar a espada na cachoeira como se fosse uma chave, ou o quê?"
Como não havia qualquer fechadura, aquilo não parecia ser a resposta.
"Basta liberar um pouco do poder sagrado da lâmina na cachoeira. Acho que isso deve resolver," disse Aegon, e Snow assentiu, avançando.
"Então vamos tentar."
Segurando a espada diante da cachoeira, Snow despejou uma quantidade considerável de poder sagrado nela—e, no instante em que o fez, o chão tremeu sob seus pés, e a superfície da cachoeira estremeceu.
"Efeito imediato…"
A reação foi instantânea, e uma passagem se abriu dentro da cachoeira—a formação de um portal estranho, feito inteiramente de poder sagrado.
Estranhamente, a passagem atravessou o próprio vazio, cortando um caminho que quebrava espaço e tempo; ela não levava ao outro lado da cachoeira de fato…
Mas a um lugar completamente diferente.
"A Igreja realmente escondia muita coisa," murmurou Aegon, enquanto Snow se virava para ele, com Frey ao seu lado.
"Fique perto de mim quando entrarmos. Este lugar parece rejeitar quem não carrega a chave."
Seguindo-o, Frey e Aegon permaneceram próximos de Snow enquanto os três pisavam na estrada moldada pelo poder sagrado.
O caminho tremia enquanto eles avançavam, tentáculos sagrados rastejando pelo chão e pelas paredes em direção a Frey e Aegon—apenas para se acalmarem na aproximação de Snow.
Pareciam especialmente agitados com Aegon; ele resistia com mais força.
"Esse túnel consegue localizar impurezas com precisão. Não é de se estranhar que ele esteja atraído por você," disse Frey ao príncipe, que deu uma risadinha.
"Não esqueça que você também está recebendo sua atenção."
Não estava errado; Frey também enfrentava resistência—mas nada comparado ao que Aegon enfrentava.
O que quer que esteja escondendo, claramente não está em harmonia com o poder sagrado.
O aura demoníaca, talvez? Frey ponderou, mantendo os olhos no príncipe o tempo todo.
O poder sagrado vem dos Portadores da Luz, antítese dos demônios.
Em outras palavras, uma aura demoníaca é exatamente o que provocaria tanta agitação no poder sagrado.
Isso deu a Frey algumas pistas, embora por ora fossem apenas suposições alucinadas.
A entidade que apoia Aegon… poderia ser um demônio.
Essa possibilidade existia, e Frey conectou os pontos.
O príncipe nunca havia deixado seus pensamentos—nem agora, quando estavam prestes a se confrontar com a Igreja. Frey priorizava ele acima de tudo.
Enquanto caminhavam sobre o chão luminóso do poder sagrado, o próprio tempo parecia desacelerar ao redor de Frey, enquanto ele refletia sobre a verdade do príncipe:
Se a entidade por trás de Aegon é um demônio, seria um de poder imenso—um cujo talento poderia revelar seu segredo.
Aegon falou seu nome—seu nome verdadeiro de outra vida.
E o único demônio que já pronunciou esse nome foi o Rei Demônio… Agaroth.
Este possui um olho capaz de enxergar o próprio destino… Ele pode discernir o passado, o presente e o futuro de quem olha. É o Olho do Rei—um poder que destrói o mundo, brincando com o destino em si.
Ao lado de Agaroth, há outro demônio que possui a mesma habilidade.
O demônio cujo nome vinha circulando por Frey recentemente—aquele que o Engenheiro avisou que tinha de atenção.
Talvez fosse exatamente essa entidade que sussurrou no ouvido de Aegon e lhe revelou seu nome—o ser maligno que assobia para toda humanidade e manipula tudo nas sombras.
Ao ligar os pontos, Frey chegou a uma conclusão.
Ele não tinha provas, nada que garantisse que seus pensamentos estavam corretos—mas essa era a inferência mais lógica que conseguia fazer.
O demônio que apoia Aegon… aquele que lhe deu meu nome—e talvez outras armas escondidas na manga…
'O Quarto Assento… Wesker.'
Quando essa hipótese surgiu na cabeça de Frey, seus olhos escureceram lentamente, enquanto sufocava a intenção de matar que consumia seu coração.
'Vou observar um pouco mais.'
Olhar fixo para as costas de Aegon, Frey exibia uma expressão verdadeiramente aterradora.
'Deixe-o jogar do jeito dele… e depois acabe com tudo do meu jeito.'
Desde o começo, Frey fez Aegon prometer que contaria a verdade assim que a guerra terminasse—um Contrato de Aura que o príncipe assinou.
Da mesma forma, Frey assinou um Contrato de Aura de que lutaria nesta guerra ao lado de Aegon e não lhe faria mal.
Mas o que Aegon não sabia era que os Contratos de Aura não funcionavam mais com Frey de modo algum.
'A primeira vez que fiz um Contrato de Aura foi há três anos—logo após minha reencarnação…'
Naquela época, foi com Ada. Desde então, a Afinidade Sombria já compreendia o funcionamento interno daquele contrato.
E agora, após Frey abrir o terceiro estágio da Afinidade Sombria—aquele que lhe permitia manipular aura com liberdade absoluta—ele se tornara capaz de anular a inevitabilidade presa aos Contratos de Aura.
Ou seja—
'Posso matá-lo.'
Frey fingiu estar completamente derrotado a partir do momento em que Aegon pronunciou seu nome verdadeiro.
Ele deixou o príncipe acreditar que tinha vencido totalmente—que Frey não representava ameaça.
Nenhum humano na história registrada jamais conseguiu cancelar um Contrato de Aura.
Em outras palavras, Aegon Valerion realmente acreditava estar seguro agora.
'Estou dançando ao ritmo de outros há tempo demais. Incontáveis entidades têm brincado comigo, tentando me manipular para fazerem suas vontades.'
Essa era a maldição da vida de Frey.
Aegon Valerion tentava a mesma coisa—manipulando-o e conduzindo-o para uma armadilha.
Mas as coisas já não eram mais as mesmas.
'Não sou mais aquele imbecil ingênuo que podem empurrar tão facilmente.'
Enquanto caminhavam pelo túnel de poder sagrado, Frey silenciosamente traçava seu plano, mantendo a cabeça baixa de propósito.
'Aproveite sua vitória, Aegon—e a falsa segurança que criou para si mesmo. Continue assim… e prepare o pescoço.'
'Porque você nem vai saber quando irá perdê-lo.'
Controlando-se—e a intenção assassina que o consumia—Frey calibrou sua respiração e controlou cada detalhe de seu corpo e expressão, escondendo sua verdadeira intenção.
Assim, Frey e seus companheiros chegaram finalmente ao fim do túnel, pisando na terra onde seus inimigos esconderam-se pela primeira vez—
a terra apagada dos livros de história, o refúgio dos seguidores do Senhor da Luz:
Noctherra, a cidade perdida engolida por uma noite eterna.