O Ponto de Vista do Vilão

Capítulo 571

O Ponto de Vista do Vilão

Frey também se levantou, inclinando a cabeça em sinal de concordância, escondendo o rosto atrás da máscara mais uma vez.

"Acabar com a tirania da Igreja. Encontrar uma maneira de lidar com a sombra que existe dentro de mim. Descobrir o caminho que me torne mais forte. Resgatar a santa. Tudo isso virá depois, assim que vencermos esta guerra."

"Eles existem há séculos — certamente têm inúmeros truques escondidos na manga. Prepare-se. Essa batalha não será fácil," alertou Frey.

Nevasca sorriu. "Nunca foi uma luta justa desde o começo. Que diferença faz agora?" Com um sorriso malicioso, avançou rapidamente, com Frey bem próximo.

"Vou liderar, já que sou o único que pode atravessar aquele labirinto."

Ele olhou para trás. "Mas me diga — devemos deixar o príncipe para trás?"

"Deixe-o lá. Ele vai encontrar seu caminho. Arrastá-lo conosco seria inútil."

Qualquer que fosse o plano do príncipe, ele apareceria na hora certa. Frey duvidava que aquele labirinto fosse segurá-lo por muito tempo.

"Então somos só nós dois contra toda a Igreja, hein?" observou Nevasca, com uma expressão séria.

"Você tem medo?" perguntou Frey com um sorriso de deboche.

"De jeito nenhum," exalou Nevasca, balançando a cabeça. "Desde o momento em que comecei a caminhar ao seu lado, tenho carregado o peso desta guerra nos ombros. Como se fôssemos os únicos lutando. Talvez isso seja mais uma maldição que te foi lançada..."

E, ao refletir, Nevasca percebeu: desde o começo desta guerra, assim sempre tinha sido.

Frey lutava uma batalha após a outra, suportando a maior parte da guerra sozinho.

Foi o primeiro a lutar na Baía de Shizclar, o primeiro a liderar a vanguarda no continente Ultra.

Enfrentou Dragoth, o humano-demônio, e venceu; depois, enfrentou os comandantes Ultra sozinho e saiu vivo —

e agora estava na iminência de confrontar toda a Igreja.

Nevasca só havia começado a acompanhá-lo recentemente, mas já sentia o peso daquela carga — começando a entender pelo que Frey tinha passado durante todo esse tempo.

"Não é uma maldição," disse Frey. "É simplesmente a consequência natural das minhas próprias escolhas. Optei por lutar nesta guerra, e o que está acontecendo agora é o resultado inevitável dessa decisão. Só isso."

"A sua visão de guerra é bem diferente da de todo mundo," respondeu Nevasca.

Há uma grande diferença entre participar de uma guerra e carregar toda ela sozinho — era isso que Nevasca queria dizer. Mas ele vinha a cada dia mais compreendendo o modo de pensar de Frey, e percebeu que palavras não significariam nada para ele. Frey havia escolhido isso por si mesmo.

"Então... pelo menos, a partir de agora, posso compartilhar essa maldição com você."

Ao ativar a Forma Rei da Guerra, Nevasca preparou-se para atravessar o labirinto.

"Já estamos dentro. Fique perto de mim daqui em diante," disse Nevasca, e Frey concordou com um leve aceno.

Seguindo as trilhas douradas da Árvore do Mundo, Nevasca atravessou o labirinto com Frey ao seu lado.

O labirinto era estranho — mudava de forma incessantemente por algum feitiço.

Uma aura alienígena invadia o local, insensibilizando os sentidos de todos que entravam.

Em circunstâncias normais, seria impossível passar sem possuir o que quer que o labirinto exigisse para permitir a entrada. Mesmo quem tentasse voar por cima dele se perderia do mesmo jeito.

Era um labirinto verdadeiramente bizarro — mas Nevasca o atravessou com facilidade.

"Estamos quase lá," disse Nevasca após caminharem por um tempo, fazendo Frey se preparar; o combate provavelmente começaria no instante em que chegassem.

"Frey… Sei que o momento não é o ideal, mas preciso te dizer isso antes da gente lutar." Ele falou sem olhar para trás, e Frey observou as costas do amigo.

"Não tente carregar tudo sozinho. Você não está lutando essa guerra sozinho. Minhas palavras podem soar estranhas ou vazias, mas realmente quero lutar ao seu lado até o fim — não importa o que enfrentemos, não importa o peso que a carga represente. Tenha certeza de que estarei lá."

"Não há necessidade de mais palavras, Nevasca. Entendo o que você quer me dizer," respondeu Frey com um sorriso leve.

"Pra ser honesto, eu tinha a intenção de levar essa guerra até o fim sozinho. Minha força era tudo o que confiava até agora. Mas, no final das contas, sou apenas um homem. Não importa o quão forte eu seja, ou quanto tente negar — tenho limites que não consigo ultrapassar. Sou mais frágil do que aparento, e posso desabar a qualquer momento." Frey deu uma risadinha suave, lembrando-se do que aconteceu na luta contra Dragoth — de como a vida o levou quase à beira da loucura.

"Posso quebrar a qualquer instante. Se isso acontecer... vou contar com você para salvar a situação, meu querido amigo." Ele sorriu — um sorriso raro, sincero — fazendo Nevasca se surpreender; ele não esperava ouvir essas palavras dele.

Por um momento, silêncio pairou entre eles, até que Nevasca retribuiu o sorriso.

"Conte comigo, meu amigo."

Neste instante, uma notificação apareceu do nada — algo que Frey fazia tempo que não via, um aviso do sistema que ele mal usava nos últimos tempos.

Ding!

Snow Lionheart

Pontos de Afinidade Atuais: 99

— Snow Lionheart confia totalmente em você e te vê como um aliado insubstituível, disposto a morrer por você se necessário.

Limite máximo atingido. A afinidade não aumentará mais, a menos que certas condições sejam atendidas.

Observando a notificação, Frey entendeu que havia conquistado um aliado indispensável. Os pontos de Snow haviam atingido 99, e Frey não conseguiria elevá-los para 100, a não ser sob condições que ele desconhecia. Ainda assim, o nível atual de seu vínculo com seu herói o deixava mais que satisfeito.

Nevasca era um amigo e um irmão de quem Frey não poderia abrir mão. Ainda havia muito entre eles que precisava ser dito — ele ainda não contou a Nevasca o que aconteceu com Danzo, e muitos segredos permaneciam escondidos.

E, mesmo assim, Frey desejava valorizar esse laço com seu amigo, prometendo que um dia contaria tudo a ele. Talvez, então, a condição fosse satisfeita — e Nevasca Lionheart se tornaria a segunda pessoa a alcançar 100 pontos, depois de Sansa.

"Obrigado… meu amigo."

Vendo as costas de Nevasca, Frey sorriu enquanto os dois continuavam a atravessar o labirinto.

O silêncio se instalou; nenhum deles falou mais.

Nevasca permaneceu focado — enquanto Frey…

Debaixo de sua pele, as sombras rastejantes se agitavam, fazendo seu poder e aura se intensificarem e oscilar. Ele não percebeu, mas filamentos de relâmpagos violetas saltavam ao seu redor enquanto um estranho eco reverberava — vislumbres de um futuro distante.

Um eco de lâminas se cruzando, de sangue que jorra sem parar, enquanto dois guerreiros lutam em um campo de batalha…

lutando até a morte, com a intenção de matar o outro.

Um era um herói radiante, brilhando com sigilos dourados que cobriam seu corpo.

O outro era uma figura de trevas, um homem com uma máscara negra ameaçadora.

"É assim que é o mundo em que vivemos… o tipo de inferno que somos obrigados a caminhar."

Enquanto suas espadas se chocavam e desastres se desdobravam após elas, pensamentos e emoções surgiam — fragmentos de alguém que abandonou tudo e escondeu o rosto por trás de uma máscara fria, sem luz.

"No final, Nevasca… meu querido irmão… tudo foi uma mentira."

"Uma mentira doce que escolhemos acreditar. Mas, no fim das contas… temos que encarar a verdade."

"Sinto muito… meu irmão. Sinceramente… sinto muito."

No meio da destruição — após uma batalha em outro patamar —

um homem se sentou, com o rosto escondido até o último momento por aquela máscara.

Nos seus braços, havia outro jovem — um rapaz que fora seu irmão um dia.

E, em poucos segundos, uma vela se apagou, enquanto a outra permanecia ali, vendo o corpo do amigo.

"Sinto muito… mesmo..."

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