O Ponto de Vista do Vilão

Capítulo 567

O Ponto de Vista do Vilão

Longe de onde Frey estava… bem no coração de Noctherra, a Cidade da Noite Eterna.

em um lugar estranho e maravilhoso, construído no meio dos céus…

erguendo-se uma magnífica edificação que dominava o céu, de onde jorrava uma cascata de poder sagrado que alimentava a terra com bênçãos.

No seu cume estavam três homens—dois vestindo vestes brancas puras, o terceiro coberto por um manto preto.

Era ninguém mais, ninguém menos, que os três bispos da Igreja: Blattier, Platini e Calistes.

"Parece que a batalha já começou", comentou Calistes, com as mãos cruzadas atrás das costas, enquanto olhava para o horizonte distante—comentando sobre o combate que acontecia no outro lado de Noctherra.

"Frey Starlight… vive à altura dos rumores. Um verdadeiro monstro." Sorrindo, Calistes virou-se para Blattier. "É por isso que você colocou o nome Starlight na Tábua da Revelação, Eminência Blattier?" perguntou com leveza.

Silêncio instaurou-se.

Os outros bispos não reagiram, mas se alguém mais estivesse presente, as palavras de Calistes teriam provocado uma catástrofe.

"Não… essa não foi a razão", respondeu Blattier, voltando-se para o que estava atrás dele.

No ápice da cachoeira—no ponto mais alto de Noctherra—erguia-se uma linda árvore dourada, com ramos e galhos que se espalhavam tão amplos que cobriam uma vasta porção do céu.

Esse era o fenômeno que dera à Igreja seu poder—a pedra angular do nome que havia construído.

Aqueles que conheciam a existência da árvore podiam ser contados na ponta dos dedos, e Blattier só permitira alguns poucos acessarem aquele lugar sagrado.

"Essa árvore surgiu do nada há séculos, e dizem que a espada Vermithor foi retirada de seu interior."

"Graças ao seu poder, conseguimos forjar essa instituição—que agora é forte o bastante para lutar nesta guerra", explicou Blattier, fixando o olhar no horizonte distante.

"A partir de agora, precisamos ser cautelosos. Se esse lugar for descoberto… será o nosso fim", alertou Mikhael Platini, com um tom sério.

"Pois essa religião nada mais é do que uma mentira que fizemos o mundo inteiro acreditar."

Há muitos segredos escondidos entre as paredes da Igreja…

segredos que jamais devem vazar para o mundo.

"O Senhor da Luz nos abandonou há muito tempo. Não recebemos uma palavra d'Ele desde a primeira guerra, quando Kazis Valerion se sacrificou", afirmou Blattier, com expressão grave.

O Senhor da Luz os havia olvidado, não se dirigira a eles—mas recentemente reaparecera, escolhendo um novo campeão:

Leão das Neves.

Naquele instante, Joseph Blattier não perdeu tempo e jogou suas cartas com astúcia.

"A tal Tábua da Revelação não passa de um dispositivo que construímos, enganando nossos seguidores, fazendo-os acreditar que é um santuário celeste capaz de receber as palavras do Senhor."

A luz que desceu dos céus era simplesmente o poder que Blattier havia emprestado à árvore imponente atrás dele.

Seu poder era tão puro e imenso que qualquer um que o visse pensaria que vinha de algo não humano.

E assim, astuto, Blattier promulgou seus decretos—como se tivessem sido revelados na Tábua.

"Na época, rotulei os Ultras—nossos inimigos naturais—como adversários, junto com a família Valerion; quando eles caíssem, poderíamos tomar o controle do Império sem dificuldades", disse Blattier, franzindo o cenho ao relembrar aqueles dias.

"Quanto à terceira força que valia medo—a união das outras três grandes casas—escolhi Starlight para enfraquecê-las, pois eram as mais fracas das três e as mais fáceis de eliminar."

Ele tinha razão: na época, a Casa Starlight contava com apenas um guerreiro, que mal havia alcançado o nível SS—Carmen Starlight.

Ou seja, eram um alvo fácil.

Com uma expressão carrancuda, Blattier fixou o olhar na direção do horizonte, onde a batalha acontecia.

"Quem diria que uma casa tão fraca daria origem a um monstro capaz de destruir as outras famílias sozinho…"

"Frey Starlight deve morrer aqui—e nós temos que reaver Vermithor e seu portador."

Blattier emitiu suas ordens e mostrou os antebraços.

De suas peles, runas vermelhas profundas foram gravadas—visualmente horrendas, mas que faziam os olhos de Ramiel Calistes se acenderem de imediato.

"Vamos usar ambos os Anjos de Guerra nesta batalha?"

Blattier assentiu com a cabeça.

"Vamos usar tudo ao nosso alcance para vencer—mesmo que isso signifique sacrificar nossos seguidores."

Reforçando sua determinação, Blattier virou-se para Platini.

"Diz-me—como está a nova Santa?" Blattier trouxe o assunto do nada.

A resposta de Platini foi breve. "Ela resistiu no começo… mas no final se rendeu ao seu destino."

Os três bispos avançaram juntos… seguindo Platini…

até o local sob aquela árvore magnífica.

Lá, um lugar de magia se estendia como um paraíso na terra:

uma vasta nascente de águas puras, saturadas com poder sagrado.

Dessa fonte, a cachoeira fluía.

Mas os olhos dos bispos ignoraram o espetáculo e fixaram-se em um único ponto.

"Como podem ver, a transferência do legado está ocorrendo sem problemas. Em breve ela despertará—uma santa completa, leal a nós, carregando os poderes de suas antepassadas", disse Platini, enquanto Blattier assentia satisfeito.

À sua frente… uma garota nua jazia dentro da fonte.

Era o único lugar onde qualquer cor que não fosse azul poderia ser vista—vermelho também, em abundância.

Seus olhos estavam fechados; ela estava inconsciente há muito tempo, incapaz de suportar o tormento.

Por todo o corpo dela, dezenas de tubos estavam inseridos—perfurações em sua carne—enchendo suas veias com sangue estranho.

Tanto tubo, e ela sangrava sem parar…

mas suas feridas se curavam constantemente sob o poder sagrado da fonte, mantendo-a viva o tempo todo.

E assim, Platini fazia vigilância, vigiando-a continuamente…

lavrando sua pele nu, inscrevendo letras rúnicas estranhas.

Depois, assim que a fonte curava ela, começava tudo de novo…

repetindo interminavelmente até que aquelas marcas se tornassem parte de sua essência.

A dor era enorme… o tormento, ainda maior.

Ela era obrigada a suportar os rituais insanos da Igreja, de olhos fechados contra o mundo.

Ela não era outra senão Uriel Platini—a Santa escolhida para viver… e para enfrentar o destino de suas antepassadas.

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