O Ponto de Vista do Vilão

Capítulo 569

O Ponto de Vista do Vilão

Passaram-se três dias desde que Frey e seus companheiros se separaram.

Cada um deles passou esses dias lutando à sua maneira, tentando submeter a Igreja — cuja maldade os tinha marcado — ao seu controle.

Snow Lionheart, graças à sua conexão direta com Vermithor, descobriu um dos segredos mais profundos da Igreja: o local onde o Alto Bispo e sua comitiva estavam escondidos.

Ele havia se dedicado tanto a rastrear os sinais daquela imensa árvore que perdeu completamente a noção do tempo. Foram três dias inteiros até chegar à árvore, e outros dois dias apenas para retornar e sair daquela floresta labiríntica na qual se embrenhara.

Porém, a prioridade de Snow era encontrar Frey Starlight. Última vez que se cruzaram — cinco dias atrás — Frey estava massacrando seguidores da Igreja. Naquela ocasião, a ressonância de sua aura classificada como SSS tinha se espalhado por toda parte, e Snow conseguiu senti-la mesmo à distância.

No entanto… não havia mais nenhuma pista dele.

Sem saber o que realmente tinha acontecido, o Herói do Império decidiu seguir até o último lugar onde detectou a presença de Frey. Ou seja, o próprio campo de batalha.

Usando Passo do Vazio, não demorou para chegar ao local destinatário. Mas, no instante em que colocou os pés ali, Snow congelou de horror diante da visão grotesca que se apresentava à sua frente.

"O que diabos aconteceu aqui?!"

Passo após passo, Snow caminhou entre os inúmeros corpos empilhados diante dele.

Corpos drenados de toda gota de sangue.

Não era a quantidade de cadáveres ou a brutalidade de suas mortes que o perturbava—ele já estava acostumado com cenas assim após lutar ao lado de Frey contra os Ultras.

Seu estranho amigo já se tornara uma máquina de matar implacável há muito tempo.

O que impressionou Snow nesta vez foi o estado em que os corpos foram deixados. Todos, sem exceção, tinham o mesmo destino.

Kneeling ao lado de um deles, examinou de perto os sinais da morte.

A marca da lâmina era clara e inquestionável—prova de que Frey havia matado aquele homem com um só golpe. Assim é que Frey Starlight lutava—aniquilando seus inimigos em um golpe só, um cadáver de cada vez.

Porém, no instante em que Frey os matava, algo estranho acontecia com os corpos. Sua pele encolhia, o sangue secava, deixando cascas retorcidas—pele esticada sobre os ossos.

Como se a própria vida tivesse sido arrancada juntamente com tudo o que o corpo uma vez continha.

Esse tinha sido o destino de todos os cadáveres ao redor de Snow—sem exceção.

Ele não conseguia entender o que estava acontecendo… até que, ao examinar com mais atenção, percebeu algo estranho... e familiar.

De repente, virou-se para outro cadáver. A mesma coisa. E outro. E mais outro. Todos apresentavam a mesma marca.

"Aquelas malditas rabiscaduras de novo…" maldiz Snow, ao reconhecer a mesma escrita sangrenta gravada na carne dos mortos.

Uma escrita incompreensível, como runas perdidas de uma era antiga.

Entre o mar de milhares de cadáveres espalhados ao redor de Snow, muitos também pertenciam a anjos—criações que a Igreja parecia ter desencadeado contra Frey. Mas ele os tinha abatido todos.

E até mesmo sobre os corpos dessas criaturas mecânicas… estavam as mesmas inscrições sangrentas espalhadas.

Snow não sabia o que elas significavam, mas, com tudo o que tinha presenciado até ali, só podia associá-las a sacrifícios.

"A Igreja… eles têm um modo de sacrificar os outros, para invocar algo maior em troca…"

Era um padrão que se repetia dia após dia—tanto que até sacrificaram a santa, Eurasha.

"Não me diga… que eles sacrificaram esses tantos assim de propósito?!"

A raiva ferveu dentro dele enquanto Snow começava a compreender a verdadeira intenção da Igreja—e a natureza de seus inimigos.

"Eles enviaram esses fracos todos contra pessoas como eu e Frey. Nunca tiveram chance de sobreviver. Ou seja, eles os enviaram para morrer, sob o pretexto de servir ao Senhor da Luz e à sua causa."

Era uma tática perversa, suja—tão vil que Snow não via diferença entre a Igreja e os próprios demônios.

"Sacrifício… sangue… exploração dos humanos. Me diga—qual é a diferença entre essa Igreja dita pura e os demônios vilões que ela afirma combater?"

A fúria que consumia Snow quase o levou a voltar correndo para atacar Blattier e os outros pessoalmente.

Por fim, controlou-se, forçando-se a focar na busca por Frey.

Empunhando Vermithor, Snow concentrou uma torrente de chamas na espada sagrada, levantando-a em direção ao céu.

"Isso vai chamar atenção—mas não podemos perder tempo."

Pela lâmina, Snow lançou uma gigantesca bola de fogo rumo ao céu escuro.

A chama subiu, explodindo em um espetáculo deslumbrante como um fogo de artifício que iluminou tudo ao redor.

O sinal estava dado. Mesmo que estivessem a quilômetros de distância, seus companheiros certamente o veriam.

No entanto, por mais que Snow esperasse, nenhuma resposta veio. Nem de Frey, nem de Aegon.

"Será que aconteceu alguma coisa com eles?" A ideia invadiu sua mente.

Mas ele logo a descartou.

"Não… Frey nunca cairia tão facilmente. E o príncipe Aegon, que já sobreviveu a coisas piores…"

Seguindo em frente, Snow retomou a busca, desesperado para encontrá-los logo.

Seu esforço se prolongou por um bom tempo. Horas se passaram, até que Snow começou a se preocupar de nunca mais encontrá-los.

E então—justo quando esse pensamento sombrio tomou conta de si—ele sentiu. Uma aura selvagem e estranha se aproximando de longe.

Uma pressão brutal e assustadora que fez seus pelos arrepiarem.

Ele congelou entre as árvores altas, encarando na direção dela, enquanto um silêncio pesado tomava conta da terra.

A aura opressiva era tão sombria que seus instintos gritavam para que ele voltasse atrás.

Porém, ao invés disso, Snow sentiu uma estranha familiaridade com aquela força selvagem—suficiente para desafiar seus instintos e correr na direção de sua origem.

Usando Passo do Vazio, atravessou vastas distâncias num piscar de olhos, chegando cada vez mais perto. A cada passo, um frio melecado suava por suas costas, pois a pressão dessa aura ficava mais pesada, mais aguda, mais sufocante.

"Que sortilégio de aura é essa?!" murmurou Snow inconscientemente, até chegar à beira de um penhasco com vista para uma outra vasta floresta sob o céu escuro.

No centro dela, entre o verde infinito, finalmente viu.

Uma massa colossal de aura violeta ardia como um segundo sol—não de fogo, mas de um poder puro, abrasador.

Era imensa, avassaladora, tão pesada que Snow sentiu seu próprio corpo ficar mais pesado sob seu peso. Ainda assim, avançou, pois quase tinha certeza de quem era essa aura.

Chegando cada vez mais perto, Snow alcançou a origem ao final.

No meio das árvores, havia um grande lago, e em seu centro, um homem solitário. Seus longos cabelos brancos ondulavam com as correntes violentas daquela aura, seu traje preto soprava ao vento como se estivesse em chamas, banhado na luz ardente daquele sol violeta.

Era Frey.

Comentários