
Capítulo 523
O Ponto de Vista do Vilão
O jogo continuava. Um novo capítulo começava.
Após a vitória do Império na primeira rodada, os Ultras contra-atacaram com uma força implacável.
A destruição completa de suas forças na retaguarda quebrou o moral das tropas imperiais, que agora percebiam que não havia mais um refúgio seguro para recuar.
Então, sem aviso prévio, uma unidade imperial após outra foi atacada — atacadas por forças de elite Ultras.
E não era só isso.
O campo de batalha testemunhou, pela primeira vez, a chegada dos Senhores do Pesadelo — criaturas muito além do nível SS-.
Na flank direita do Império, os Vigilantes do Abismo desencadearam o caos absoluto, massacrando soldados em massa.
À esquerda, eles liberaram os Hollow insensatos, o Pontífice Sulyvahn, acompanhado de centenas de criaturas de pesadelo que atacavam com fúria implacável, buscando eliminar completamente as forças do Império.
O campo de batalha mergulhou na completa desordem. A vantagem do Império começava a ruir lentamente. Em resposta, muitas de suas tropas começaram a se agrupar, unindo-se para manter a linha diante dessa ameaça esmagadora.
Não havia mais volta agora.
Batalhas de vida ou morte aconteciam diariamente... e a cada confronto, centenas caíam.
O caos vira o nome dessa guerra.
De um lado, a maior parte do exército imperial era cercada e sufocada pelos Ultras.
Do outro, o Príncipe Aegon e suas tropas avançavam rapidamente, queimando cada cidade em seu caminho.
A reação dos Ultras ao movimento de Aegon chegou tarde demais, e com toda a força apoiando House Valerion, pouco havia que eles pudessem fazer para deter o avanço.
Perdas aumentavam de ambos os lados, e ninguém podia mais dizer quem tinha vantagem realmente.
Já não era mais uma guerra de estratégia ou inteligência. Transformou-se numa carnificina cega e em um caos total.
Ambos os lados agora estavam presos numa guerra de aniquilação total.
Porém, quem mais sofria era a vanguarda...
Isso incluía Snow Lionheart e Frey Starlight.
Por vários dias, seu pelotão foi forçado a lutar sem descanso. Mas, diferente de outras unidades que se reagruparam e recuaram, eles resistiram firmes, mantendo a linha de frente.
Não tinham escolha a não ser enfrentar dezenas de criaturas de pesadelo além do nível SS-. Frey e Snow suportaram dificuldades extremas só para conter os desastres à sua frente.
Ambos lideravam na linha de combate, molhados de sangue da cabeça aos pés. O número de inimigos que tinham já exterminado era incalculável...
E mesmo assim, mais continham vindo.
— Eu só quero entender... como é que diabos os Ultras conseguiram controlar essas criaturas? — rosnou Snow, segurando Vermithor, cuja aura de cura continuamente renovava sua força.
Ao seu lado, Frey decapitava outra aberração, limpando sangue do rosto.
— É isso que tenho tentado descobrir nesses últimos dias, — disse ele. — E acho que finalmente encontrei uma pista.
— Sério mesmo?! — gritou Snow, cortando mais criaturas de pesadelo enquanto lutavam de costas uma para a outra.
O campo de batalha ecoava com gritos de monstros, ruídos de membros esmagados e destruição. O barulho era tão intenso que precisavam gritar um para o outro para conseguirem se ouvir.
Especialmente, Sansa Valerion havia desencadeado um caos total após inundar o campo de batalha com sua sombra expansiva.
Vários tentáculos de escuridão rastejavam pelo chão, cada um terminando em bocas gigantes que lembravam vermes... devorando tudo ao seu redor.
Embora Sansa tivesse matado muitas, os olhos de Frey permaneciam atentos ao campo de batalha... repetidamente...
— Estão bem escondidos. Marcas estranhas esculpidas na pele de todas as criaturas de pesadelo. Podem parecer runas sem sentido, mas há uma leve corrente de aura passando por elas... tão tênue que você não consegue senti-la — explicou Frey, transformando mais uma criatura de pesadelo em restos ensanguentados.
— Mas elas não escapam dos meus sentidos. Tenho quase certeza que é obra da bruxa. — a voz de Frey foi firme, e a expressão de Snow escureceu.
— Beatrice... — murmurou ele.
De alguma forma, ela conseguiu colocar todas as criaturas de pesadelo sob seu controle em um tempo surpreendentemente curto.
Tudo isso, por meio daquela magia estranha, que desafia a lógica.
— Para ser sincero, estamos em situação crítica... Precisamos agir rápido contra elas e recuar. Dizem que apareceu um monstro parecido com você na retaguarda e destruí-lo completamente, — disse Snow, referindo-se ao relatório recente que receberam.
A descrição combinava com V — aquele mascarado com quem se enfrentaram várias vezes antes.
Mas o poder que ele supostamente demonstrou… era algo completamente diferente.
Um monstro capaz de mimetizar Frey Starlight.
— Vamos lidar com ele quando chegar a hora. Por ora, concentrem-se no inimigo à sua frente. — ordenou Frey, sem demonstrar preocupação com a notícia sobre V, evidenciando que achar inútil se preocupar com uma luta que, cedo ou tarde, iria acontecer.
Sua lógica era simples — e eficaz: era guerra. Eles enfrentariam V mais cedo ou mais tarde… e, nesse momento, Frey o mataria.
No momento, priorizava o inimigo diante dele.
— Capitão! Outra leva de criaturas está vindo! — avisou um soldado, enquanto os dois lutavam.
— Uma nova onda está chegando — e é maior do que a anterior! — afirmou o soldado.
Já estavam exaustos do combate brutal e implacável, e agora, mais uma onda?
Os soldados estavam no limite. O cansaço tomara conta deles. Mas a batalha ainda não tinha acabado.
Mais uma ofensiva se aproximava — e nada era comum nela.
Frey Starlight foi o primeiro a percebê-la, graças à sua percepção aprimorada.
Sintou claramente… e sua expressão escureceu.
— Preparem-se. Uma calamidade está prestes a nos atingir. — avisou.
Seu alerta imediatamente colocou todos em alerta — as palavras de Frey tinham peso, especialmente agora.
Devagar, Ghost surgiu das sombras, percebendo a mesma coisa.
E então, em segundos… a névoa veio.
Um estranho nevoeiro se aproximou deles, formando-se do nada... como se alguém tivesse jogado uma grande bomba de fumaça sobre suas cabeças.
A névoa ardente e sufocante enviou pânico entre as tropas.
— Fantasma da Névoa? — perguntou Ghost, intensificando seus sentidos ao máximo.
— Não… essa não é a Névoa da Fantasma. — Frey negou imediatamente, conhecendo bem a Ghoul da Névoa. — É um tipo diferente de besta… muito mais letal. —
Suas palavras apenas aumentaram o medo que se espalhava entre os soldados. O campo de batalha ficou estranhamente silencioso. Todas as criaturas ao redor desapareceram na névoa.
A névoa era tão espessa que bloqueava totalmente a visão... ninguém conseguia ver além de poucos passos. E, para piorar, ela não apenas cegava… também adormecia os sentidos.
A situação deixou as tropas imperiais sem escolha a não ser se agruparem numa formação única… com as costas encostadas, armas na mão.
Perto de Frey e Snow, Dawn Polaris chegou com Selina, a bruxa que viajava com eles.
— Isso não é um bom sinal… Não consigo expandir meu domínio de jeito nenhum, — admitiu Selina, visivelmente perturbada com a forma como essa névoa mágica funcionava.
A tensão só aumentava enquanto o silêncio se arrastava…
— De onde virão? — perguntou Dawn, nervoso, olhando ao redor, atento a tudo.
Todos os soldados fizeram o mesmo — com as costas juntas, cobrindo todas as direções.
Com seus sentidos prejudicados, não havia como identificar a origem do ataque. E essa incerteza só aumentava o medo.
Passaram alguns segundos.
O silêncio reinava.
Então… o grito de Frey Starlight rasgou a tensão como um relâmpago.
— Vem de baixo!!! —
Ele avisou e imediatamente pulou no ar, mas já era tarde demais.
Sem aviso, o chão sob eles se rompeu — e das profundezas do inferno, a morte rugiu em direção ao céu.
Dezenas… não, centenas de mãos sombrias, cinzentas e assustadoras, explodiram do abismo, avançando como uma enxurrada.
Todos ficaram paralisados de choque, fixando o olhar naquelas mãos alongadas — cada uma com mais de cem metros de comprimento.
Mas não era apenas o tamanho ou a força destrutiva que os aterrorizava.
Era o que acontecia no contato.
Assim que as mãos tocavam alguém, um fenômeno horrível acontecia — um que levava muitos à beira da loucura.
Quem quer que essas mãos tocassem… sua vida era roubada.
A pele apodrecia.
A carne se enrugava.
Restava apenas osso.
E tudo isso em questão de segundos.