
Capítulo 524
O Ponto de Vista do Vilão
No rincão do olho, dezenas de soldados imperiais e aliados se transformaram em esqueletos... bem diante dos olhos de seus camaradas.
O pânico se espalhou pelo campo de batalha.
Medo. Gritos. Morte.
E o verdadeiro pesadelo mal tinha começado.
As mãos rastejavam pelo campo numa velocidade assustadora, como serpentes sinalizando uma carnificina iminente…
Em poucos segundos, centenas já tinham sido reduzidos a esqueletos.
Mas justo antes que a situação fosse além do controle…
Ouviram a voz dele.
"Dez Mil Passos das Sombras: Arte Suprema: Onda Abissal."
Ele era rápido—tão rápido que os olhos mal conseguiam captar os rastros da aura violeta que deixava para trás.
Como uma serra giratória, Frey rasgou as mãos gigantes cinzentas em poucos momentos, espalhando seu sangue preto e podre pelo campo.
Detendo o ataque que quase os annihilava, Frey reapareceu na linha de frente com velocidade estonteante, suas lâminas apontadas na mesma direção.
"Se encaixem. O inimigo está bem ali na frente", ele falou, desencadeando um imenso arco de concessão que rasgou a neblina.
"Preparar. Estamos diante de um dos Senhores do Pesadelo…
O Cosmo."
Seu golpe varreu a névoa…
E logo ele desejou que não tivesse feito isso.
A verdadeira forma do monstro que os havia atacado finalmente foi revelada.
Uma aberração grotesca, saindo das profundezas do inferno.
Parecia um espectro gigante, com pele pálida e cadavérica. De seu interior surgiam centenas de mãos enormes de cor cinza, carregando-o no ar. Seus longos cabelos negros flutuavam como uma cachoeira, arrastando-se pelo solo.
Seu rosto—era um pesadelo vivo.
Até os soldados mais corajosos mal conseguiam olhar por mais de um segundo.
Era como se essa criatura fosse a personificação de toda maldição possível—
Uma besta horrenda moldada pelos medos mais profundos da humanidade.
E ao lado do Cosmo, outra presença podia ser vista… Uma que exalava uma força imensa e sufocante.
Vestido com um terno preto, uma foice colossal presa às costas…
Aquele homem amaldiçoado permanecia ao lado de sua mãe.
Muitos o reconheceram imediatamente.
"O Vazio... Ludwig",
Snow Lionheart sussurrou seu nome, apertando com força Vermithor, preparado para liberar a forma do Rei da Guerra a qualquer momento.
"Vai ser difícil", ele disse, sinalizando às tropas que seguissem ele e Frey no combate contra esses monstros.
Mas antes que pudessem avançar, eles ficaram paralisados…
Ao serem dilacerados por um grito que rasgou o céu.
Um clamor angustiante como jamais ouvira.
Ao mesmo tempo…
Um terremoto sacudiu a terra repentinamente.
Anunciando a chegada de outro pesadelo.
De longe… eles a viram se aproximando.
Maior que todas as montanhas ao redor.
Um monstro rastejando em oito membros, um olho só na cabeça e uma boca fendida no peito…
A Senhora das Oito Patas.
Outro Senhor do Pesadelo.
Ao vê-la… o desespero tomou conta das tropas.
Tanto que muitos desabaram no local.
Principalmente quando uma aura esmagadora outra vez descendeu sobre eles, sufocando suas respirações.
Outra presença havia chegado.
De longe…
Todos podiam senti-la se aproximando.
Um homem carregando poder incomensurável.
"M-Meu Senhor…" comentou um soldado, tremendo, mal conseguindo falar as palavras:
"Um dos comandantes inimigos foi avistado…
O Demônio Humano—Dragoth."
O soldado explodiu numa risada…
Seus joelhos fraquejaram sob o peso do medo.
"Isso é loucura…" murmurou Snow, com o semblante cada vez mais sombrio.
O Cosmo.
A Senhora das Oito Patas.
Dragoth.
Cada um… monstros de nível SS+.
Especialmente o último.
Além de Abraham Starlight, Dragoth nunca tinha perdido uma única batalha na vida.
Mesmo nos piores momentos, nem Sir Alonne conseguia matá-lo.
E agora…
Esse homem tinha chegado, ao lado de dois Senhores do Pesadelo e de um Vazio.
Um desastre de proporções catastróficas havia se abateado sobre eles.
"Senhor! Precisamos recuar! Não há outra saída! Se ficarmos aqui, seremos destruídos!!"
Um soldado gritou, implorando que Snow desse a ordem.
"Precisamos fugir…"
Snow Lionheart… o comandante.
Aquele cuja palavra determinava se eles viveriam ou morreriam.
O campeão da igreja, encarando os monstros à sua frente.
Ele entendia completamente a magnitude da catástrofe.
Por mais que olhasse, chegava a uma única conclusão…
Seriam aniquilados.
Numa situação assim, só restava uma saída…
Recuar.
Se quisessem sobreviver, esse era o único caminho.
Estava prestes a dar a ordem—
Mas antes que pudesse…
Todos no campo de batalha congelaram…
Enquanto uma pressão avassaladora se espalhava, empurrando de volta as energias combinadas dos Senhores do Pesadelo e de Dragoth.
Era uma aura aterrorizante…
Que envolvia todos eles e bania completamente o poder inimigo.
De onde vinha… não era outro senão o homem que sempre liderava à frente.
Com olhos brilhando em luz violeta—
Com um rosto forjado para matar—
Frey Starlight se virou para eles.
"Recuar? Quem está recuando? E pra onde diabos você pretende fugir?"
Avançando, ele declarou:
"O inimigo está bem aí na sua frente. Então por que estão hesitando?"
Reunindo toda sua força, Frey rugiu:
"Acordem, pelo amor de Deus! Isto é guerra!
Estamos numa batalha!
E o inimigo está bem aqui… como podemos virar as costas pra ele?!"
"Você realmente acha que vai sobreviver se fugir?"
"Olhem pra eles! São monstros—monstros criados pra caçar seres humanos como a gente!"
"Se vocês virarem as costas para eles…
Já estão mortos!"
Com o olhar de volta ao que estava à sua frente, Frey Starlight afirmou:
"Prefiro morrer como guerreiro, lutando em pé, do que ser enterrado como covarde que fugiu."
Frey deu seu primeiro passo adiante, sem se importar com a ordem que Snow Lionheart pudesse dar.
Ao seu lado… sua sombra se espessou, e de dentro dela emergiu Sansa, envolta numa aura negra.
"Mais uma jogada suicida, hein? E se ninguém te acompanhar? Vai encarar sozinho?"
ela resmungou, exausta do lunático imprudente com quem tinha que lidar.
Mas ele apenas deu uma risada.
"Claro que não. Eu sei que você vai comigo. Então…"
Pontuando para a criatura colossal ao longe, tão grande que bloqueava o céu…
"Quero que você cuide daquela aí."
Era loucura. Um pedido tão insano que Sansa piscou, olhando do monstro para Frey, de boca aberta.
"Você quer que eu lute com essa coisa mesmo?"
A Senhora das Oito Patas era tão enorme que, apesar de estar a dezenas de quilômetros de distância, seu contorno era cristalino.
E Frey queria que ela enfrentasse aquilo sozinha.
"Confio que você consegue lidar. E se der alguma coisa errada, eu vou lá te salvar. Pode ficar tranquila,"
disse ele, virando as costas para ela e encarando Snow e o restante.
"Vou cuidar do líder deles. Sansa vai interceptar a Senhora das Oito Patas. Isso deixa vocês com o Cosmo e o maldito filho dele.
Então, Snow, topa me ajudar de novo?"
Ou vai dar o fora com o rabinho entre as pernas?"
Ele o encarou firme, forçando o herói a fazer sua escolha.
Snow olhou nos olhos de Frey e depois lançou um olhar aos soldados assustados atrás dele.
Ele respirou fundo.
"Se eu voltar atrás agora, nunca mais vou conseguir te alcançar… Frey."
Enquanto runas douradas percorriam sua pele, Snow Lionheart avançou.
"Soldados do Império.
Se quiserem fugir, eu não vou impedir. Não vou culpá-los. O inimigo à nossa frente não conhece misericórdia."
"Por isso, temos que detê-los aqui e agora.
Do contrário, só nos resta a morte ou a derrota."
Olhou para os soldados, para seus camaradas, e fez sua decisão.
"Vamos lutar!"
Ele afirmou com firmeza, e Frey respondeu com um sorriso e um aceno de cabeça.
Logo atrás de Snow, Ghost ficou com o restante das tropas, pronto para apoiar.
Seus inimigos eram monstruosos, mas Frey e Sansa já haviam se comprometido a enfrentar dois deles sozinhos.
Era uma aposta.
Uma aposta terrível.
Mas era a única alternativa que tinham.
Alguns soldados ainda hesitaram… mas Frey não deu tempo para pensar.
"Boa sorte."
Ele disse, antes que seus pés chocassem contra o chão e o lançassem como um cometa em direção ao campo de batalha que escolheu.
Logo atrás dele, um par de asas negras se desdobrou das costas de Sansa. Ela voou em velocidade supersônica até a Senhora das Oito Patas.
Aquela monstruosidade gigantesca iria significar a ruína se chegasse à linha de frente—então a Princesa Demônio não teve escolha senão interceptar, custe o que custar.
Enquanto isso, Snow e os outros avançaram rumo ao Cosmo e sua cria amaldiçoada, o vazio Ludwig.
O que os aguardava agora eram batalhas brutais e infernais…
Lutas que poderiam decidir o próprio destino da guerra.
Focando seu olhar em Dragoth, Frey finalmente viu o homem que, uma vez, fora derrotado por seu pai.
Uma criatura no auge do nível SS+.
Um monstro que uma vez foi chamado de imortal.
Ao saber que ia enfrentar um inimigo assim, Frey não conseguiu conter o sorriso torcido que se formava nos lábios.
Segurando a Máscara Sem Nome, a colocou sobre o rosto, escondendo sua expressão enquanto apertava suas espadas gêmeas.
Como um meteorito violeta rasgando o céu, Frey disparou para frente…
… em direção a Dragoth, o Demônio Humano.