O Ponto de Vista do Vilão

Capítulo 517

O Ponto de Vista do Vilão

O tempo avançava rápido... tão rápido que ninguém percebia até que fosse tarde demais.

Já fazia um mês desde o início da guerra.

O acampamento imperial tinha diminuído bastante nos últimos tempos, com as forças principais avançando cada vez mais para o território inimigo. Pode-se dizer que metade do exército já tinha se deslocado, e era só uma questão de tempo até o restante seguir o mesmo caminho.

Entre as unidades escolhidas para voltar ao front, uma se destacava acima das demais — a turma de Snow Lionheart.

Ele liderava sua equipe adiante, acompanhado de um rosto familiar... um jovem que parecia estar perdido em pensamentos na maior parte do tempo.

No combate, veículos eram de pouca utilidade. Sua eficácia era quase nula, e, por isso, a maioria dos soldados preferia se mover a pé — principalmente considerando a rapidez com que eles eram.

Isso já tornava as batalhas primitivas, quase arcaicas, em comparação com a era em que viviam.

De vez em quando, Snow lançava um olhar na direção do mais novo integrante da equipe... aquele que tinha a função de segui-lo e observá-lo de perto.

Ele piscava várias vezes, bem na frente do rosto do garoto, mas a falta de reação só confirmava suas suspeitas.

"Ainda perdidão no próprio mundo, mesmo estando no território inimigo? O que está te comendo por dentro... Frey?"

A voz de Snow trouxe Frey Starlight de volta à realidade.

"Ah… desculpa. Estava pensando na noite passada."

Enquanto os dois corriam lado a lado, Frey apontou à frente.

"Você quer dizer aquela retirada repentina dos Santos?"

Frey assentiu com a cabeça.

"Sim. Como você é o herói escolhido da Igreja, não sabe o motivo?"

"Desculpa, não sei", respondeu Snow com um sorriso amargo, segurando firme a empunhadura de Vermithor.

"Posso até ser a pessoa escolhida — uma figura importante, com certeza — mas minha ligação com a Igreja é frágil. Mal sei alguma coisa sobre eles."

Pode-se dizer que Snow Lionheart era quase um membro honorário da Igreja, só no nome.

Santíssima Eurasha, junto com Uriel, tinha se retirado do front, voltando ao Império sob o pretexto de uma 'necessidade urgente'.

Pressionados pela Igreja, os comandantes não tiveram escolha senão aceitar — especialmente depois que os seguidores do Senhor da Luz prometeram enviar suas forças completas em troca.

Frey ainda lembrava das últimas palavras trocadas por Uriel na frente da porta de teletransporte.

Ela não falou muita coisa — apenas pediu desculpas, disse que não aguentava mais aquilo... que seu tempo tinha acabado.

Por um instante, a retirada dela parecia a decisão correta. Significava que ela estaria segura — do outro lado do mundo.

Mas o olhar que ela lançou para ele, e a dificuldade dele em perceber o que ela pensava, deixaram Frey questionando se a retirada realmente tinha sido a melhor escolha para ela.

Uriel tinha sido uma das principais heroínas... aquela que Frey tinha escrito sobre um dia.

Cada uma delas possuía um potencial enterrado, uma força imensa à espera de ser libertada. Uriel, em particular, tinha muita... e sua força ainda não havia despertado.

Frey se lembrava da estranha anja que ela invocou na última batalha. Não podia deixar de imaginar se aquele tinha sido o verdadeiro motivo por trás da retirada repentina dela ao lado de Eurasha.

"Ela vai passar o título? Talvez algum tipo de poder?"

Frey pensou, atento a cada pedaço desse quebra-cabeça.

Segundo o Engenheiro, Uriel era a chave para lidar com a Quarta Sombra. É por isso que Frey começou a usar uma perspectiva em terceira pessoa ao redor dela.

Se algo acontecesse com ela, ele estaria pronto para teleportar-se imediatamente ao seu lado.

Como seus Pontos de Afinidade com ele eram altos, podia teleportar exatamente para onde ela estivesse a qualquer momento.

"Por enquanto, vou monitorá-la em silêncio... Ainda é cedo demais para deixar o front," pensou Frey tranquilamente, traçando seus planos.

"Por ora, essa guerra tem prioridade."

Após a retirada da Santa Eurasha... uma heroína de rank SS+... ficou um buraco enorme na equipe de Snow.

Alguém de poder comparável precisava ser indicado, e a única candidata disponível era Frey Starlight... embora os comandantes ainda não soubessem do verdadeiro potencial dele naquele momento.

E ele não era o único poderoso no grupo... Sansa Valerion também estava entre eles.

Isso tornou a equipe de Snow ainda mais forte do que já era antes — mesmo sem Eurasha.

Não eram só nomes familiares, também. A equipe incluía outros da elite.

Selena, a Feiticeira, uma heroína bem parecida com Uriel.

E outro indivíduo que Frey tinha observado especialmente de perto:

Dawn Polaris.

O espadachim de cabelo preto e olhos vermelhos, rosto inocente... que cumprimentou Frey com entusiasmo assim que seus olhos se encontraram.

Dawn caminhava ao lado de Frey e Snow, mantendo a mesma postura de quando estavam no templo.

'Portador da habilidade Último Sobrevivente... uma capacidade que nenhum humano deveria possuir.'

Qualquer que fosse a verdade por trás dessa habilidade, Frey tinha uma certeza:

Algo... algum ser imenso... estava por trás de Dawn.

Mas Dawn mesmo não tinha consciência disso, e não fazia sentido questioná-lo. Mesmo que Frey tentasse eliminá-lo, as chances eram de que não conseguisse — pois essa habilidade o salvaria de uma forma ou de outra.

Para lidar com uma habilidade que podia destruir o mundo, era preciso possuir um poder que também pudesse destruir mundos.

Frey tinha atendido a esse requisito. Mas ainda não conseguia controlar totalmente a Adaptação às Sombras, o que significava que não estava pronto para enfrentar portadores de poderes assim — ainda não.

Por isso, não tinha outra alternativa senão esperar e observar, reagindo conforme fosse necessário.

Uriel. A Quarta Sombra. Dawn. Os demônios...

Tanta coisa para se preocupar... e tão pouco que pudesse fazer.

"Vou focar somente no inimigo que tenho na minha frente."

Os Ultras... eram o obstáculo mais claro...

Um obstáculo que sua lâmina podia alcançar.

E esses eram os tipos de adversários que Frey preferia.

Frey voltou a mergulhar seus pensamentos... Até que uma voz familiar ecoou em sua mente.

'Frey... posso falar um momento com você?'

A voz soou clara dentro de sua cabeça. Ou seja, telepatia.

'Sansa? Desde quando você consegue usar telepatia?' Frey perguntou, olhando para trás na direção da sombra atrás dele...

Aquela mais escura do que todas as demais.

'Consigo usar telepatia com alguém que eu entro pela sombra. A habilidade se manifestou naturalmente assim que domine o controle sobre meu poder.'

'Impressionante... estou realmente ansioso para ver até onde sua força vai chegar,' respondeu Frey, elogiando-a sinceramente.

Sansa era tanto amaldiçoada quanto abençoada.

Sua transformação em demônio tinha aumentado consideravelmente seu poder. O corpo demoníaco permitia que ela usasse o Poder da Semente livremente—sem restrições.

Era um poder automático, concedido pela transformação. Não algo que ela tinha treinado ou conquistado por si mesma.

Sansa ficou em silêncio por um momento, refletindo sobre o que Frey tinha dito.

'Para ser honesta, Frey... acho que meu poder não vai aumentar mais. Provavelmente alcancei meu limite.'

Era exatamente o que ela queria dizer.

Frey não esperava que ela dissesse aquilo—especialmente agora.

'Eu não conheço muito do caminho demoníaco, mas sei que o verdadeiro poder do Rei das Sombras vai muito além do seu nível atual.'

Os métodos de treinamento para humanos e demônios eram muito diferentes. Enquanto os humanos avançavam com meditação e cultivo espiritual…

Os demônios cresciam consumindo... devorando a própria essência da vida.

Quanto maior a fome do demônio, mais forte ele se tornava.

Por isso Agaroth, seu rei, era descrito como o monstro que devorava tudo.

Sansa, talvez, seja agora um demônio…

Mas se ela realmente poderia trilhar esse caminho, ainda era incerto. Seu poder era emprestado — não algo que ela construiu com as próprias mãos.

E mesmo assim, a Sombra do Rei não era uma força comum.

'Sei que o Rei das Sombras é um poder além da imaginação... mas eu não sou ele. Sou apenas uma cópia... uma imitação com potencial limitado.'

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